O desemprego aumentou em Portugal mas o apoio a desempregados diminuiu e vai
continuar a baixar
RESUMO DESTE ESTUDO
Entre 2006 e 2007, o desemprego aumentou em 36.900, já que o desemprego
corrigido passou de 552.000 para 588.900. Mesmo se utilizarmos os dados
oficiais do desemprego no nosso País, que não incluem a
totalidade dos desempregados, conclui-se que o aumento foi de 34.900, pois
passou de 405.600 para 440.500
Apesar do desemprego ter aumentado em Portugal entre 2006 e 2007, de acordo com
dados fornecidos pelo governo na Assembleia da República durante o
debate do OE2008, o número de desempregados a receber o subsidio de
desemprego diminuiu em 42.029 pois, entre Março de 2006 e Junho de 2007,
passou de 316.029 para 274.000. Em percentagem do total de desempregados, os
desempregados a receberem subsidio de desemprego diminuíram
também, no mesmo período, de 57,3% para apenas 46,5%.
Como consequência, as despesas com o pagamento de subsídios de
desemprego também diminuíram entre 2006 e 2007, e o valor
constante do Orçamento da Segurança Social para 2008 revela que o
governo prevê que o numero de desempregados a receber subsidio de
desemprego continue a baixar em 2008. Efectivamente, entre 2006 e 2007, as
despesas com o pagamento de subsídios de desemprego diminuíram em
-4,2%, pois passaram de 1.827,9 milhões de euros para 1.759,6
milhões de euros e, entre 2007 e 2008, o governo prevê um aumento
de apenas 1,6% nestas despesas, que é certamente inferior à
subida de preços e de salários que certamente se
verificará em 2008, o que significa que aquele aumento insuficiente no
valor orçamento para despesas com o subsidio só não
será ultrapassada se o número de desempregados a receber subsidio
de desemprego baixar. A realidade está a mostrar que estavam errados
todos aqueles que afirmavam ou pensavam que com a nova lei do subsídio
de desemprego aprovada pelo governo de Sócrates
(Decreto-Lei 220/2006)
o
apoio aos desempregados melhoraria em Portugal. O que se tem verificado
é precisamente o contrário.
É neste quadro de redução do apoio aos desempregados, que
o ministro do Trabalho do governo PS, Vieira da Silva, defende a
introdução da chamada "flexigurança " em
Portugal, o que, a concretizar-se, só poderá determinar que o
número de desempregados aumentasse rapidamente, e que o número
daqueles a
receber o subsidio de desemprego continuasse a baixar.
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Apesar da intensa campanha do governo procurando convencer os portugueses que o
desemprego tem diminuído (recorde-se a manipulação de
dados feita pelo IEFP, tutelado pelo Ministério do Trabalho, que todos
os meses apresenta dados sobre a diminuição do desemprego);
repetindo, apesar da intensa campanha do governo procurando convencer os
portugueses que o desemprego tem baixado ou vai baixar, o certo é que os
dados publicados pelo INE revelam uma tendência crescente do
número de desempregados no nosso País.
O quadro que se apresenta seguidamente, construído com dados publicados
pelo Instituto Nacional de Estatística, mostra a variação
regista no desemprego no último ano no nosso País.
Se considerarmos os números oficiais do desemprego, que não
incluem a totalidade dos desempregados, conclui-se que, entre o 2º
Trimestre de 2006 e o 2º Trimestre de 2007, o desemprego oficial aumentou
em Portugal em 34.900, pois passou de 405.600 para 440.500, e a taxa oficial de
desemprego subiu, no mesmo período, de 7,3% para 7,9%.
Se juntarmos àqueles que são consideramos oficialmente
desempregados, todos aqueles que, embora desempregados, não são
incluídos nos números oficiais de desemprego, que são os
que o INE designa "inactivos disponíveis" (desempregados que,
pelo facto, de não terem procurado emprego no mês em que foi feito
o inquérito, não são considerados desempregados), assim
como o chamado "subemprego visível" (desempregados que fazem
pequenos biscates e que por isso também não são
considerados no número oficial de desempregados); repetindo, se
adicionarmos ao desemprego oficial os "inactivos disponíveis"
e o "subemprego visível", o número desempregados ,
entre o 2º Trimestre de 2006 e o 2º Trimestre de 2007, aumentou em
36.900, pois passou de 552.000 para 588.900, e a taxa corrigida de desemprego
subiu de 9,9% para 10,5%.
O NÚMERO DE DESEMPREGADOS A RECEBER O SUBSIDIO DE DESEMPREGO DIMINUIU EM
42.000 ENTRE 2006 E 2007, E APENAS 46% ESTÃO A RECEBER SUBSIDIO
Apesar do número de desempregados ter aumentado entre 2006 e 2007, o
número de desempregados a receber o subsídio de desemprego
diminuiu, como revelam os dados oficiais constantes do quadro seguinte.
É esclarecedora a atitude do governo sobre a publicitação
dos dados sobre o número de desempregados a receber subsídio de
desemprego. Até ao fim do 1º semestre de 2006, as
Estatísticas da Segurança Social continham dados sobre o
número mensal de desempregados a receber o subsídio de
desemprego, tendo este valor mensal desaparecido a partir do início de
2007, sendo publicado apenas os valores trimestrais e anuais. Desta forma o
governo oculta o verdadeiro numero de desempregados a receber o subsídio
de desemprego, pois passou a haver apenas o número daqueles que durante
um trimestre ou um ano receberam subsidio de desemprego, e para serem
incluídos basta ter recebido pelo menos uma vez o subsídio
durante aqueles períodos.
O quadro II foi construído, em relação ao período
Jan2006-Jun2006, com dados das Estatísticas da Segurança Social,
e o referente a Junho de 2007 foi fornecido pelo governo durante o debate do
OE2008 resultante de uma pergunta que fizemos directamente ao ministro do
Trabalho.
Como mostram os dados, a partir de Março de 2006 tem-se verificado uma
redução continua do número de desempregados a receber
subsidio de desemprego, tendo passado, entre Março de 2006 e Junho de
2007, de 316.029 para 274.000, ou seja, registou-se um quebra de 42.029 em
valor absoluto, e de -13,3% em percentagem.
De acordo também com a informação dada pelo governo na
Assembleia da República isso deveu-se, em primeiro lugar, ao cruzamento
de dados a nível da Segurança Social e, depois, à recusa
do chamado "emprego conveniente" como do Plano Pessoal de Emprego
(PPE) por parte de desempregados o que levou à sua exclusão.
Assim, em Junho de 2007 estavam a receber subsídio de desemprego apenas
46,5% dos desempregados quando, em Março de 2006, eram 57,3%.
Os dados mostram que estavam errados aqueles que afirmavam ou pensavam que com
a nova lei do subsídio de desemprego aprovada pelo governo de
Sócrates
(Decreto-Lei 220/2006)
melhoraria o apoio aos desempregados no
nosso País. O que se tem verificado é precisamente o
contrário.
AS DESPESAS COM O SUBSÍDIO DE DESEMPREGO ESTÃO A DIMINUIR EMBORA
O DESEMPREGO ESTEJA A AUMENTAR
O ministro do Trabalho, aquando do debate que teve lugar no dia 29 de Outubro
p.p. sobre o OE2008, apresentou eufórico os dados sobre a
redução das despesas com o subsidio do desemprego que, segundo
ele, resultariam do "bom desempenho do sistema" e também da
nova lei do subsidio de desemprego. E isto porque a redução das
despesas com o subsÍdio do desemprego contribui para reduzir o
défice orçamental, embora isso seja conseguido à custa da
redução da protecção dos desempregados.
O quadro seguinte, construído com dados constantes do Orçamento
da Segurança Social, que se encontra junto ao OE2008, mostra que
efectivamente tem-se verificado uma redução das despesas com o
pagamento de subsídios desemprego, mesmo em termos nominais, ou seja,
mesmo sem entrar em conta com o efeito do aumento de preços.
Entre 2006 e 2008, as despesas com o pagamento do subsídio de desemprego
baixaram em 48,9 milhões de euros a preços correntes, ou seja,
diminuíram em -2,7%. Mas se análise for feita por anos conclui-se
que, no período 2006-2007, a redução, em valores nominais,
atingiu -4,2% e que, entre 2007 e 2008, o aumento é de apenas +1,6%, o
que só poderá ser alcançado através da
continuação da diminuição do número de
desempregados a receber o subsidio de desemprego já que, em 2008, tanto
a subida de preços como de salários será certamente
superior a 1,6%, que é o aumento do valor orçamentado para pagar
subsídios de desemprego entre 2007 e 2008.
02/Novembro/2007
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Economista,
edr@mail.telepac.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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