Discurso na Aula Magna da Universidade de Havana
Caros estudantes e professores das universidades de toda Cuba;
Caros companheiros dirigentes e convidados que compartilharam connosco tantos
anos de luta:
Este é o momento mais difícil, dizer algumas palavras nesta Aula
Magna, onde já se pronunciaram tantas. Muitas idéias apoderam-se
de nossa mente, lógico, transcorreu algum tempo.
Vocês foram muito amáveis ao lembrar hoje um dia muito especial: o
60º aniversário de meu tímido ingresso a esta universidade.
Por aí há uma fotografia, eu a observava: um casaquinho; o rosto
assim, não sei se zangado, de mau, ou de bom, ou indignado, porque essa
fotografia não foi feita no primeiro dia, acho que já tinham
transcorrido uns quantos meses, e eu começava a reagir contra tantas
coisas como as que víamos. Não era um pensamento formado nem nada
disso; era um pensamento ávido de idéias, mas também por
conhecer; um espírito talvez rebelde, cheio de ilusões, de
ilusões não posso dizer revolucionárias, teríamos
que dizer cheio de ilusões e de energia, possivelmente também de
ânsias de luta.
Bom, fui esportista, fui escalador de montanhas. Até converteram-me
primeiro sei lá por que numa espécie de tenente de
exploradores e, depois, converteram-me em general de exploradores. Quer dizer
que quando era estudante do ensino pré-universitário
outorgaram-me mais patentes das que tenho hoje (Risos), porque depois fui
Comandante, mas somente Comandante, e isso de Comandante em Chefe não
queria dizer mais que era Comandante chefe daquela pequena tropa de quase de 82
homens, com os que desembarcamos do Granma.
Esse nome nasce depois do desembarque, em 2 de dezembro de 1956. Dos 82 algum
tinha que ser chefe, depois acrescentaram o "em". Assim, aos poucos,
passei de Comandante chefe a Comandante em Chefe, porque foi a patente mais
alta durante muito tempo. Lembrava essas coisas. A gente tem que pensar o
quê foi, em que pensava, que sentimentos albergava.
Talvez circunstâncias especiais de minha vida fizeram com que reagisse.
Passei trabalho desde muito cedo e fui desenvolvendo, quiçá por
isso, o ofício de rebelde.
Por aí falam dos rebeldes sem causa; porém quando lembro aquela
etapa, acho que era rebelde por muitas causas, e agradeço à vida
ter continuado, o tempo todo, sendo rebelde, ainda hoje, talvez com mais
razão, porque tenho mais idéias, porque tenho mais
experiência, porque aprendi muito de minha própria luta, porque
compreendo ainda melhor esta terra na qual nascemos e neste mundo em que
vivemos, hoje globalizado, e em minutos decisivos de seu destino.
Não me atrevo a dizer em minutos decisivos de sua história,
porque sua história é ainda mais breve, é realmente
ínfima comparada com a vida de uma espécie que em anos muito
recentes, talvez há 3 000, 4 000 ou 5 000 anos, deu seus primeiros
passos, após sua longa e breve evolução; digo longa e
breve, porque evolucionou até se tornar ser pensante talvez nalgumas
centenas de milhar de anos, e no final da existência da vida neste
planeta, que afirmam os conhecedores, se não me engano, surgiu, acho
que, há 1 000 ou 1 500 milhões de anos, primeiro surgiu a vida e
depois surgiram milhões de espécies, e nós apenas somos
isso, uma das muitas espécies que surgiram neste planeta, e por isso
digo que, depois de uma breve e ao mesmo tempo longa vida, chegamos a este
minuto, neste milênio que, segundo dizem, é o terceiro
milênio desde o início da era cristã.
E por que tantas reviravoltas a respeito desta idéia? Porque me atrevo a
afirmar que hoje esta espécie está realmente em perigo de
extinção, e ninguém pode garantir, escutem bem,
ninguém pode garantir que sobreviva a esse perigo.
Bom, que a espécie não sobreviveria é algo do que se
falava há dois mil anos, porque lembro que quando era estudante ouvi
falar do Apocalipse, profetizado na Bíblia, é como se há
dois mil anos alguns perceberam de que esta débil espécie poderia
desaparecer nalgum dia.
Lógico, também os marxistas. Lembro-me muito bem de um livro de
Engels, a
Dialéctica,
que dizia que nalgum dia o Sol se extinguiria, que o combustível que
alimenta o fogo dessa estrela que nos ilumina se esgotaria e deixaria de
existir a luz do Sol. E então me faço uma pergunta que, quem
sabe, vocês, seus professores, ou milhares e centenas de milhar de
vocês alguma vez se fizeram, e é a pergunta sobre se é
possível que esta espécie possa emigrar a outro sistema solar.
Jamais pensaram nisso? Pois nalgum momento se farão essa pergunta,
porque a gente se pergunta muitas coisas durante a vida, e, sobretudo, quando
existe uma razão para isso. E acho que o homem teve uma razão
para se perguntar isso, porque se aquele que era marxista colocou o problema da
desaparição do calor e da luz solar, e como cientista expressou
que nalgum dia não existiria o sistema solar, nós também,
como revolucionários, e deixando voar a imaginação, temos
que nos perguntar que acontecerá, e se existe alguma esperança de
que esta espécie escape e possa ir para outro sistema solar onde exista
ou possa existir vida. O único que sabemos até agora é que
há um sol a quatro anos luz, entre os bilhões de sóis que
existem nesse enorme espaço, que ainda não sabemos bem se
é finito ou infinito.
Pelo pouco que sabemos de física, matemática, da luz, da
velocidade da luz, e dos que viajam aos planetas mais próximos, onde
não encontram nada, e dos que viajaram a Vênus acho que
Vênus foi na etapa dos gregos a deusa do amor , os que ali tenham o
privilégio de chegar, vão encontrar uns furacões que
são não sei quantas centenas de vezes piores que o Katrina, o
Rita, o Michelle, ou o Mitch, e todos os outros similares que cada vez, com
mais força nos açoitam, porque se afirma que a temperatura em
Vênus é de 400 graus, e são massas de ar ou de atmosfera
pesada em constante sopro.
Os que foram a Marte, que diziam que era um lugar onde poderia existir a vida
Chávez fala de que possivelmente existiu, ele brinca com isso
, e foi embora, desapareceu tudo, procuram alguma partícula de
oxigênio ou algum vestígio de vida. Bem, tudo pôde
acontecer, porém o mais provável é que não tivesse
existido vida desenvolvida nalgum desses planetas. Os fatores que fizeram
possível a vida no planeta Terra surgiram após bilhões de
anos, essa vida frágil que pode transcorrer entre limitados graus de
temperatura, entre uns poucos graus por baixo de zero e uns poucos graus por
cima de zero, visto que ninguém sobrevive a uma temperatura na
água de 60 graus; bastariam 20 segundos na água, a 60 graus, sem
proteção nenhuma, e nenhum ser humano vive, bastariam umas
dezenas de graus por baixo de zero, sem calor artificial e não
sobreviveria. Nessa limitada margem de temperatura surgiu a vida.
Falamos da vida, porque quando falamos de universidades falamos de vida.
Vocês, que são? Se me perguntassem agora mesmo, eu diria que
vocês são a vida, vocês são símbolos da vida.
Aqui falamos de acontecimentos de nossas vidas, de nossa universidade, de nossa
Alma Máter, dos que chagamos há algumas dezenas de anos e dos que
estão hoje aqui, que ingressaram no primeiro ano ou que se graduam em
breve, ou alguns já graduados que desempenham funções que
outros, com menos experiência, não poderiam realizar.
Eu tentava recordar como eram aquelas universidades, a que nos
dedicávamos, que nos preocupava. Nos preocupávamos com esta ilha,
esta pequena ilha. Ainda não se falava de globalização,
não existia a televisão, não existia a Internet,
não existiam as comunicações instantâneas de um
extremo ao outro do planeta, apenas existia o telefone, e, talvez, alguns
aviões de hélice. Nos meus tempos, 1945, nossos aviões de
passageiros apenas chegavam a Miami e com muito trabalho, embora quando
freqüentava o ensino primário escutava falar da viagem de
Barberán e Collar, lá em Birán diziam: "Por aqui
passaram Barberán e Collar", dois pilotos espanhóis que
atravessaram o Atlântico e continuaram para o México; porém
depois não houve mais notícias de Barberán e Collar, ainda
se discute qual o lugar onde caíram, se no mar entre a província
de Pinar del Río e o México, em Iucatã, ou nalgum outro
lugar. Porém ninguém nunca jamais soube de Barberán e
Collar, que tiveram a ousadia de atravessar o Atlântico num pequeno
avião de hélice que tinham construído fazia pouco tempo.
Foi no começo do século que recém passou que se iniciou a
aviação.
Sim, acabava de acontecer uma terrível guerra, que custou por volta de
50 milhões de vidas, e falo do momento aquele, 1945, quando ingressei na
universidade, em 4 de setembro; bom, ingressei nessa época, e
vocês, logicamente, decidiram celebrar aquele aniversário num dia
qualquer, pode ser no dia 4, pode ser no dia 17, pode ser em novembro, pode ser
hoje, a data que vocês escolheram, porque são tantas
comemorações que vocês não podiam realizar tantos
atos e eu também não poderia participar de todos, e a dor maior
da minha vida teria sido não participar, especificamente neste momento,
de um ato na Aula Magna, convidado por vocês.
Eu todos os dias tenho muitos atos, todos os dias converso horas e horas com
multidões, nomeadamente de jovens, com grupos de estudantes, ou com
brigadas médicas que vão cumprir gloriosas missões que
quase ninguém é capaz de cumprir neste mundo ao qual me refiro,
agora, porque nenhum outro país poderia enviar a um povo irmão da
América Central 1 000 médicos, como os que neste momento
enfrentam a dor e a morte, perante a maior tragédia natural acontecida
nesse país.
Uma por uma, com cada uma dessas brigadas, conversei, as despedi; ou com as que
viajam ao outro lado da Terra, a 18 horas de vôo, onde aconteceu, quase
simultaneamente, uma das maiores tragédias humanas que tem conhecido
nosso mundo em muito tempo, não lembro outra, pelo lugar em que
aconteceu, pelo povo humilde que afetou, povo de pastores que vivem em
montanhas muito altas, e nas vésperas de um inverno, ali onde faz muito
frio, onde a pobreza é grande e onde o mundo insensível esbanja
um trilhão de dólares todos os anos em publicidade para enganar a
imensa maioria da humanidade que, aliás, paga as mentiras que se
dizem convertendo o ser humano numa pessoa que, segundo parece,
não tem nem sequer capacidade de pensar, porque obrigam-na comprar o
sabonete, que é o mesmo sabonete com 10 marcas diferentes, e têm
que enganá-la, porque eles pagam esse trilhão, não o pagam
as empresas, pagam-no aqueles que adquirem os produtos em virtude da
publicidade; este mundo indiferente que gasta anualmente um
trilhão de dólares em objetivos militares já
são dois trilhões ; este mundo insensível que extrai
das massas empobrecidas, da imensa maioria dos habitantes do planeta
vários trilhões de dólares todos os anos, e permanece
indiferente quando lhe dizem que ali morreram perto de 100 000 pessoas, entre
elas, talvez, 25 000 ou 30 000 crianças, ou onde há mais de 100
000 feridos, e a grande maioria com fraturas de osso nos membros superiores e
inferiores do corpo, e dos quais, quiçá, foram operados 10%, onde
há crianças com membros mutilados, jovens, mulheres e homens,
idosos.
Esse é o mundo em que vivemos, não é um mundo cheio de
bondade, é um mundo cheio de egoísmo; não é mundo
cheio de justiça, é um mundo cheio de exploração,
de abuso, de saque, onde milhões de crianças morrem cada ano
e poderiam salvar-se , simplesmente porque precisam de uns
centavos de medicamentos, um pouco de vitaminas e sais minerais, e uns poucos
dólares em alimentos, suficiente para que possam viver. Cada ano morrem,
por causa da injustiça, quase tantos como aqueles que morreram naquela
guerra colossal que mencionei há uns minutos.
Que mundo é esse? Que mundo é esse onde um império
bárbaro proclama o direito de atacar por surpresa e de maneira
preventiva 70 ou mais países, que é capaz de levar a morte a
qualquer canto do mundo, utilizando as mais sofisticadas armas e
técnicas de morte? Um mundo onde prevalece o império da
brutalidade e da força, com centenas de bases militares no planeta todo,
dentre delas uma em nossa própria terra, na qual interveio
arbitrariamente quando o poder colonial espanhol não conseguiu suster-se
e quando centenas de milhar dos melhores filhos deste povo, de apenas um
milhão de habitantes, tinham morrido numa longa guerra de quase 30 anos;
uma Emenda Platt repugnante em virtude de uma resolução, de igual
repugnância que, de maneira traidora, outorgava o direito a intervir em
nossa terra quando, segundo seu critério, não existisse
suficiente ordem.
Transcorreu mais de um século e ainda ocupa pela força esse
pedaço de território, hoje vergonha e espanto do mundo, quando se
divulga a notícia de que foi convertida num centro de torturas, onde
centenas de pessoas, de um lugar do mundo qualquer, lá estão,
não as levam para seu território porque nele podem existir
algumas leis que lhes dificultem poder manter ilegalmente seqüestrados e
durante anos, sem nenhum trâmite, sem nenhuma lei, sem nenhum
procedimento, aqueles homens que, também, para assombro do planeta,
são submetidos a sádicas e brutais torturas. E disso se inteira o
mundo quando lá, num cárcere do Iraque torturavam centenas de
prisioneiros do país invadido com todo o poder desse colossal
império, e onde centenas de milhar de iraquianos civís perderam a
vida.
Todos os dias descobrimos coisas novas. Há pouco recebemos
notícias de que o governo dos Estados Unidos tinha cárceres
secretas nos países satélites do leste da Europa, esses que em
Genebra votam contra Cuba e acusam-na de violar os direitos humanos; o
país onde jamais ninguém conheceu um centro de tortura durante os
46 anos de Revolução, porque em nosso país jamais foi
violada aquela tradição, sem precedentes na história, de
que um só homem tenha sido torturado, ou se conheça pelo
menos nós a tortura de um só homem; e não seriamos
nós os únicos em impedi-la, seria nosso povo que já tem um
conceito altíssimo da dignidade humana.
Quem de nós, quem de vocês, qual de nossos compatriotas admitiria
tranqüilamente a história de um só cidadão torturado,
apesar dos milhares de atos de barbárie e de terrorismo cometidos contra
nosso povo, apesar dos milhares de vítimas da agressão desse
império que há mais de 45 anos nos bloqueia e tenta nos asfixiar
por todo lado? E agora os desavergonhados
dizem como dizia recentemente um deles, perante a votação
esmagadora de 182 membros das Nações Unidas, com uma
abstenção que as dificuldades são resultado do
nosso fracasso, e um grande cúmplice desse bandido, que é o
estado pró-nazista do Israel apóia o bloqueio? Há que
dizê-lo assim, porque aqueles que cometeram esses crimes fizeram-no em
nome de um povo que durante mais de 1 500 anos sofreu a
perseguição no mundo, e foi vítima dos crimes mais atrozes
na Segunda Guerra
Mundial, o povo do Israel, que não tem nenhuma culpa dessas selvajaria
genocidas ao serviço do império, que levam ao holocausto de outro
povo, o povo palestino, e proclamam também o direito repugnante de
atacar por surpresa e de maneira preventiva outros países .
Atualmente o império ameaça com atacar o Irã se produz
combustível nuclear. Combustível nuclear não são
armas nucleares, não são bombas nucleares; proibir um país
que produça o combustível do futuro, é como se proibissem
alguém que explore na procura de petróleo, o combustível
do presente, e que está em perigo de acabar em pouco tempo. A que
país do mundo se proíbe explorar combustível,
carvão, gás, petróleo?
Nós conhecemos muito bem esse país. É um país de 70
milhões de habitantes, que se propõe o desenvolvimento industrial
e pensa com toda razão que é um grande crime comprometer suas
reservas de gás e de petróleo para alimentar o potencial de
bilhões de quilowatts/hora que precisa com a urgência como
país do Terceiro Mundo seu desenvolvimento industrial. E aí
está o império fazendo todo o possível por impedi-lo e
ameaçando com bombardear. Atualmente se debate a nível
internacional quais o dia e a hora, ou se será o império, ou
utilizará como fez no Iraque o satélite israelense
para o bombardeio preventivo e surpresivo de centros de pesquisa cujo objetivo
é obter a tecnologia de produção do combustível
nuclear.
Nos próximos 30 anos, o petróleo, 80% dele atualmente nas
mãos dos países do Terceiro Mundo, já que os outros
esgotaram o seu, entre eles os Estados Unidos, que teve uma reserva imensa de
petróleo e gás e apenas lhe dá para alguns anos, e por
isso se quer apoderar, de qualquer jeito, do petróleo do planeta, essa
fonte energética, contudo, esgota-se e daqui a 25 ou 30 anos apenas
ficará uma fonte fundamental, para além da solar, a
eólica, etc, para a produção em massa de eletricidade, de
energia nuclear.
É longínquo o dia em que o hidrogênio, através de
processos tecnológicos muito incipientes, seja a fonte mais idônea
de combustível, sem o qual não poderia viver a humanidade, uma
humanidade que adquiriu determinado nível de desenvolvimento
técnico. Este é um problema atual.
Nosso ministro das Relações Exteriores respondeu recentemente ao
convite de visitar o Irã, visto que Cuba será sede da
próxima reunião de Países Não-Alinhados, dentro de
um ano, e aquela nação exige seu direito a produzir
combustível nuclear como qualquer outra nação entre as
industrializadas e não ser obrigada a destruir a reserva de uma
matéria prima, que serve não só como fonte
energética, mas também como fonte de numerosos produtos, fonte de
fertilizantes, fonte de têxteis, fonte de inúmeros materiais que
hoje têm um uso universal.
Assim está o mundo. E veremos que aconteceria se bombardeassem o
Irã com o objetivo de destruir qualquer instalação que se
dedique à produção de combustível nuclear.
O Irã assinou o Tratado de não Proliferação, como
também o fez Cuba. Nós jamais pensamos na
fabricação de armas nucleares, porque não precisamos
delas, e se tivéssemos a possibilidade, quanto custaria produzi-las, e
que ganharíamos com produzir um arma nuclear perante um inimigo que tem
milhares de armas nucleares. Seria participar do jogo dos confrontos nucleares.
Nós temos outro tipo de armas nucleares, são nossas
idéias; nós temos armas nucleares: a magnitude da justiça
pela qual lutamos; nós temos armas nucleares em virtude do poder
invencível das armas morais, Por isso jamais pensamos em
fabricá-las, e também não procurar armas
biológicas, para que? Armas para combater a morte, para combater a Aids,
para combater as doenças, para combater o câncer, a isso dedicamos
nossos recursos, apesar do bandido aquele já nem me lembro do nome
desse cara, não sei se Bolton, Bordon, sei lá, que designaram
representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas, mentiroso
demais, desavergonhado. Ele inventou que Cuba estava fazendo pesquisas para
produzir armas biológicas no Centro de Engenharia Genética.
Também nos acusaram de colaborar com o Irã, transferindo
tecnologia com aquele objetivo, e o que fazemos realmente é construir,
entre o Irã e Cuba, uma fábrica de produtos anticâncer,
isso é o que fazemos. Também querem proibir isso, vão para
o demônio ou para onde vocês quiserem, idiotas, que aqui não
vão assustar ninguém! (Aplausos).
Mentirosos, desavergonhados!, todo mundo sabe que até a própria
CIA descobriu que era mentira o que dizia o atual representante do governo dos
Estados Unidos na ONU, e obrigaram um homem a que renunciasse por dizer que
isso era mentira, e outros no Departamento de Estado também perceberam
que era mentira e o sujeito estava furioso, convertido num basilisco contra
todos aqueles que diziam a verdade. Esse é o representante do
"Bushecinho" perante a comunidade das Nações Unidas,
onde recentemente tiraram 182 votos contra seu infame bloqueio. Esse é o
mundo onde pretendem impor-se pela força, na base das mentiras e do
monopólio quase total dos meios de comunicação social.
Vejam só que batalha travamos neste momento. E designaram o sujeito por
cima do Congresso, e por um tempo quando o mundo inteiro sabe que é um
desavergonhado e um mentiroso repugnante.
Todos os dias o cavalheiro que governa os Estados Unidos é descoberto
com um novo truque, um novo delito, uma nova canalhice de seus membros, e
vão caindo, gotejando um após um como esgalho de coco, como diria
um camponês da zona leste; sim, assim vão caindo, com um pouco de
barulho. Já não resta nada a inventar, porém continuam
fazendo barbaridades.
Falava-lhes dos cárceres que existem em vários países,
cárceres secretos onde têm seqüestrados sob o pretexto da
luta contra o terrorismo, e já não só Abu Ghraib,
não só Guantánamo, em qualquer parte do mundo encontra-se
um cárcere secreto onde torturam os defensores dos direitos humanos;
são os mesmos que em Genebra, como cordeirinhos, votam, um a um, contra
Cuba, o país que não conhece a tortura, para honra e
glória desta geração, para honra e glória desta
Revolução, para honra e glória de uma luta pela
justiça, pela independência, pelo decoro humano que deve manter
incólume sua pureza e sua dignidade! (Aplausos).
Porém a coisa não acaba aí, hoje de manhã chegavam
notícias informando sobre o uso de fósforo vivo em
Al-Fallüjah, ali onde o império descobriu que um povo, praticamente
desarmado, não podia ser vencido e os invasores viram-se numa
situação onde não podiam ir embora nem ficar: se iam
embora, voltavam os combatentes; se ficavam, necessitavam essas tropas noutros
lugares. Já morreram mais de 2 000 jovens soldados norte-americanos, e
alguns se perguntam, até quando continuaram morrendo numa guerra
injusta, justificada com mentiras grosseiras?
Mas nem pensem que possuem abundantes reservas de soldados norte-americanos,
cada vez menos norte-americanos se inscrevem, converteram a entrada ao
exército numa fonte de emprego, contratam desempregados, e muitas vezes
tentam contratar o maior número de negros norte-americanos para suas
guerras injustas, e chegam notícias de que cada vez menos negros
norte-americanos estão dispostos a se inscreverem no exército,
apesar do desemprego e da marginalização a que são
submetidos, porque são cientes de que são usados como isca. Nos
guetos de Louisiana, quando o governo gritou salve-se quem puder, abandonaram
milhares de cidadãos que morreram afogados ou nos asilos de idosos, ou
em hospitais, e nalguns casos aplicaram-lhe a eutanásia por medo do
pessoal facultativo de vê-los morrer afogados. São
histórias reais que se conhecem e sobre as quais se deveria meditar.
Procuram latinos, imigrantes que, tentando escapar da fome, atravessaram a
fronteira, essa fronteira onde todos os anos morrem mais de 500 imigrantes,
muitos mais em 12 meses que os que morreram durante os 28 anos que durou o muro
de Berlim.
O império falava todos os dias do muro de Berlim; daquele que se
construía entre o México e os Estados Unidos, onde morrem 500
pessoas cada ano, pensando escapar da pobreza e do subdesenvolvimento, tentado
emigrar, não dizem uma palavra. Esse é o mundo em que
vivemos.
Fósforo vivo em Al-Fallüjah! Isso significa o império, e
secretamente. Quando foi denunciado, o governo dos Estados Unidos disse que o
fósforo vivo era uma arma normal. Se é uma arma normal, por que
não o publicaram? Por que ninguém sabia que estavam usando essa
arma proibida pelas convenções internacionais? Se o napalm
é proibido, o fósforo vivo é ainda mais proibido.
Todos os dias chegam notícias desse tipo, e todas essas coisas
estão relacionadas com a vida, todas essas coisas têm
relação com este mundo. Veja que enorme diferença daqueles
tempos em que nós chegávamos à universidade, todos cheios
de ideais, cheios de sonhos, cheios de boa vontade apesar de não
estarmos nutridos da experiência da ideologia profunda e das
idéias que se adquiriam na passagem do tempo. Assim entravam os jovens
nesta universidade, que não era, certamente, a universidade dos
humildes; era a universidade da classe média, a universidade dos ricos
do país, mas os jovens não se importavam com as idéias de
sua classe e muitos deles eram capazes de lutar, e assim o fizeram ao longo da
história de Cuba.
Oito estudantes foram fuzilados em 1871 e foram o alicerce dos mais nobres
sentimentos e do espírito de rebeldia de nosso povo, que ficou indignado
perante aquela colossal injustiça; como os nove, cuja morte comemoramos
hoje, assassinados pelos nazistas, em Praga, aquele 17 de novembro de 1939,
vésperas da Segunda Guerra Mundial.
Na história de nossa juventude sempre estiveram esses estudantes de
medicina, e esses estudantes de medicina lutaram contra os governos. Mella foi
um deles, também pertencente à classe média; porque os das
classes mais pobres, os filhos dos camponeses, não sabiam ler nem
escrever, como podiam ingressar na universidade, como podiam ingressar no
bacharelado.
Eu, porque era filho de latifundiário, pude terminar a sexta
série e depois pude freqüentar o ensino
pré-universitário, já com a sétima série.
Quem não tivesse vencido o bacharelado, podia freqüentar a
universidade?
Quem fosse filho de um camponês, de um operário, que morasse numa
vila de uma usina açucareira, ou em qualquer dos muitos
municípios que não fossem municípios como o de Santiago de
Cuba, Holguín, talvez Manzanillo e dois ou três mais, não
podia ser bacharel, nem sequer bacharel! Ainda menos universitário,
porque, então, depois de ser bacharel, tinha que vir para a Havana.
Eu pude vir à Havana porque meu pai era tinha dinheiro, e assim foi que
pude formar-me como bacharel e assim por acaso consegui ingressar na
universidade. Será que sou melhor que qualquer daqueles rapazes, quase
nenhum deles chegou à sexta série e nenhum deles foi bacharel,
nenhum deles ingressou na universidade?
Meu próprio caso, como o de mais outros, mencionei Mella, poderia
mencionar Guiteras, poderia mencionar Trejo, que morreu numa dessas
manifestações um 30 de setembro, na luta contra Machado; poderia
mencionar nomes como os que vocês aqui destacaram no início deste
ato.
Antes da Revolução, sempre houve estudantes nobres que estavam
contra a tirania batistiana, dispostos ao sacrifício, dispostos a dar a
vida. E assim, quando a tirania batistiana voltou com todo seu rigor, muitos
estudantes lutaram e muitos estudantes morreram, e aquele jovem de
Cárdenas, Manzanita, como lhe chamavam, sempre rindo, sempre
amável, sempre carinhoso com os demais, se destacava pela sua valentia,
sua integridade, quando descia pelas escadarias, quando enfrentava os carros de
bombeiros, quando enfrentava a polícia. Assim surgiram todos eles.
Se você visita a casa onde viveu Echeverría José
Antonio, vamos chamá-lo assim , percebe que é uma casa boa,
uma excelente casa. Vejam só como os estudantes não se importavam
com sua origem social, nessa idade de tanta esperança, de tantos sonhos.
Naquela universidade, para estudar medicina havia apenas uma faculdade e um
só hospital docente, e muitos ganhavam prêmios, primeiro
prêmio em medicina e alguns, inclusive, de cirurgia sem terem operado
nunca a ninguém.
Alguns o conseguiam, eram ativos e conseguiam se relacionar com alguns
professores que os ajudavam, deixavam que eles participassem de alguma
prática, os levavam a algum hospital. Assim surgiram bons
médicos, não uma massa de bons médicos sim havia
uma massa com muita vontade de viajar aos Estados Unidos , que não
tinham emprego, e quando triunfou a Revolução, foram precisamente
para os Estados Unidos, e ficou a metade 3 000 e 25% dos professores. E
daí partimos para o país de hoje, que se ergue já quase
como capital da medicina mundial.
Hoje nosso povo dispõe, ao menos, de 15 médicos muito melhor
distribuídos, por cada um dos que ficaram aqui no país; tem
dezenas de milhar no exterior oferecendo o seu serviço solidário,
e aumentam. Neste momento há pedi a cifra exata 25 000
estudantes de medicina; no primeiro ano, são perto de 7 000, e
ingressarão não menos de 7 000 todos os anos, e já tem
mais de 70 000 médicos. Não falo das dezenas de milhar de
estudantes de outras ciências médicas, em nosso país temos
a idéia de que estudam na área da medicina por volta de 90 000,
quando você inclui as enfermeiras, as que estudam a licenciatura em
enfermagem e outras carreiras relacionadas com a saúde, dentro do enorme
caudal de estudantes que hoje freqüentam nossa universidade.
Eu queria salientar a diferença desse ano em que comecei meus estudos
universitários, que era o nosso país? Temos que nos perguntar
isso e meditar, o que é hoje nosso país, em todos os campos. E
poderíamos fazer-nos a mesma pergunta relacionada com oito, dez, quinze,
vinte coisas. Não existe comparação nenhuma.
Falava de que Barberán e Collar morreram num pequeno avião cheio
de tanques de gasolina, porque era o único que podíam fazer nesse
tempo, decolaram, saíram quase como nós do México, em
1956: se saímos, chegamos; se chegamos, entramos; se entramos,
triunfamos". Parece que anteriormente outros homens realizaram uma
ação tão audaz como essa, a de atravessar o
Atlântico. Saíram e chegaram a Cuba; saíram novamente;
porém só isso, chegaram ao México, mas chegaram ao
México sem vida.
Falava de um avião que decolava; este era um avião que decolava
nos primeiros tempos, um pequeno avião, que parecia movido pela
força de uma tira elástica. Vocês jamais viram esses
brinquedos, os soltam, decolam e chegam?
Quando triunfou a Revolução neste hemisfério, ao lado do
império e rodeado de satélites do império, com alguma
exceção, iniciávamos um caminho muito difícil. Era
outra época, foram uns quantos anos após nosso ingresso na
universidade.
Nós ingressamos na universidade finalizando o ano 1945, e iniciamos
nossa luta armada no quartel Moncada em 26 de julho de 1953, realmente, quase
oito anos depois, e a Revolução triunfa cinco anos, cinco dias e
cinco meses após o Moncada, e depois de um longo percurso pelos
cárceres, pelo exílio, e pela luta nas montanhas. Foi um tempo,
se o vemos historicamente, se o comparamos com as lutas anteriores, tão
duras e tão difíceis de nosso povo, um tempo relativamente breve,
e foram duas etapas: a entrada na Universidade, a saída e o golpe de
Estado de 10 de março de 1952.
Essa etapa quando iniciávamos a luta, é o ponto donde há
que partir agora; começávamos, tentávamos começar,
não conhecíamos nem sequer muito bem as leis de gravidade,
íamos encosta acima lutando contra o império, já que era o
mais poderoso, mas quando ainda existia outra superpotência, como a
chamávamos; foi encosta acima, marchando encosta acima que ganhamos
experiência, que nosso povo e nossa Revolução se
fortaleceram até chegar aqui.
Oxalá tivesse mais tempo para falar, porém este agora de agora,
é um agora sem precedente, é uma hora muito diferente das outras,
não se parece em nada com a de 1945, com a de 1950 quando nos graduamos,
porém possuidores de todas aquelas idéias das que falei um dia,
quando afirmei com amor, com respeito, com entranhável carinho, que
nesta universidade aonde cheguei simplesmente com um espírito rebelde,
com algumas idéias elementares da justiça, me fez
revolucionário, marxista-leninista, e adquiri os sentimentos que ao
longo deste ano tive o privilégio de jamais sentir-me tentado, nem no
mais mínimo, a abandoná-los alguma vez. E por isso atrevo-me a
afirmar que jamais os abandonarei.
E se de confissões se trata, quando terminei nesta universidade eu
achava que era muito revolucionário, e, simplesmente, iniciava mais
outro caminho, muito mais extenso. Se sentia-me revolucionário,
socialista, se tinha adquirido todas as idéias que fizeram de mim, e
não podia existir nenhuma outra, um revolucionário, garanto-lhes
modestamente que hoje sinto-me dez vezes, vinte vezes, talvez cem vezes mais
revolucionário do que era nessa altura (Aplausos). Se nesse momento
estava disposto a dar a vida, hoje estou mil vezes ainda mais disposto a
entregar a vida que naquela altura (Aplausos).
A gente, inclusive, entrega a vida, por uma nobre idéia, por um
princípio ético, por um sentido da dignidade e da honra, ainda
antes de ser revolucionário e também dezenas de milhões de
homens morreram nos campos das batalha da Primeira Guerra Mundial e noutras
guerras, apaixonados quase por um símbolo, por uma bandeira que acharam
emocionante, um hino que acharam emocionante, como foi A Marselhesa em sua
época revolucionária, e depois hino do império colonial
francês. Em nome desse império colonial e das partilhas do mundo
morreram em massa nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, milhões de
franceses. Se o homem é capaz de morrer, o único consciente de
entregar a vida voluntariamente, não luta pelo instinto, como temos
tantos animais que lutam pelo instinto, praticamente as leis da natureza o
conduziram a essa estirpe; o homem é uma criatura cheia... o homem e a
mulher, quando digo homem..., e cada vez mais é preciso dizer as
mulheres, sim; tenho razões, não sei se terei tempo para
dizê-las. Mas o ser humano é o único capaz,
conscientemente, de passar por cima de todos os instintos, o homem é um
ser cheio de instintos, de egoísmo, nasce egoísta, a natureza lhe
impõe isso, a natureza lhe impõe os instintos, a
educação impõe as virtudes; a natureza lhe impõe as
coisas através dos instintos, o instinto de sobrevivência é
um deles, que o pode levar à infâmia, enquanto a consciência
o pode levar a realizar os maiores atos de heroísmo. Não importa
como sejamos cada um de nós, quão diferente sejamos cada um de
nós, mas entre todos nós fazemos um.
É impressionante que, apesar da diferença entre os seres humanos,
possam ser um numa dada altura ou possam ser milhões, e só podem
ser milhões através das idéias. Ninguém acompanhou
a Revolução por culto a ninguém ou por simpatias pessoais
de ninguém. Quando um povo chega à disposição para
o sacrifício que quaisquer daqueles que com lealdade e sinceridade
tentem dirigi-los e tentem conduzi-los rumo a um destino, isso só
é possível através de princípios, através de
idéias.
Constantemente, vocês estão lendo homens de pensamento,
constantemente lêem na história, e na história de nossa
Pátria lêem Martí, lêem outros muitos patriotas
destacados, e na história do mundo, na história do movimento
revolucionário lêem os teóricos, os grandes teóricos
que nunca abriram mão dos princípios revolucionários.
São as idéias as que nos unem, são as idéias as que
nos fazem um povo combatente, são as idéias as que nos fazem
já não só individualmente, mas sim coletivamente
revolucionários, e é então quando se une a força de
todos, quando um povo jamais pode ser vencido e quando o número de
idéias é muito maior, quando o número de idéias e
valores que se defendem se multiplicam, muito menos um povo pode ser vencido.
E assim, quando lembramos os camaradas, e vemos os jovens que têm
importantes tarefas; os outros, muitos deles foram líderes desta
universidade, e têm longos anos de luta, uns deles mais; uns podem;
alguns podem ter mais de 50, outros podem ter mais de 40 e hoje cada um deles
em sua responsabilidade, muitos deles estudantes, outros de origem humilde,
como os que vejo aqui, pessoas que estiveram no ataque ao quartel Moncada e
pessoas que vieram no iate Granma, lutaram na serra Maestra e participaram de
todos os combates; vejo-os aqui, a cada um deles, defendendo uma causa, uma
bandeira.
Vejo, por exemplo, nosso caro companheiro Alarcón. Lembro-me dele porque
aqui muito se falou da batalha pelos cinco heróis presos e ele tem sido
um batalhador incansável pela justiça em relação a
esses companheiros. Foi a tarefa que recebeu da Revolução, e a
recebeu por suas qualidades, por seu talento, por seu caráter de
presidente da Assembléia Nacional (Parlamento).
Vejo o companheiro Machadito, velho médico, mas não médico
velho, que nos acompanhou lá nas montanhas. Vejo (Esteban) Lazo, vejo
(Carlos) Lage, vejo (José Ramón) Balaguer, vejo muitos desde aqui
- ainda vejo algo (Risos) - acho que vejo (Pedro Sáez), acho que vejo o
ministro da Educação Superior, acho que vejo (Luis Ignacio)
Gómez - é Gómez, talvez um pouquinho mais gordo - e um
pouco mais para lá vejo Abel (Prieto), nome bíblico, que acaba de
ter um papel de destaque, lá em Mar del Plata, onde se travou uma
batalha muito gloriosa.
Vejam o mundo, vejam as mudanças, vejam os objetivos que hoje estamos
perseguindo. Vejam as estratégias que estamos desenhando, que nos
introduzem na estratégia do mundo, sendo um minúsculo
país, aqui a 90 milhas do colossal império, o mais poderoso que
existiu jamais ao longo da história, e passaram 46 anos e lá
está mais distante que nunca conseguir fazer ajoelhar a
nação cubana, aquela que ofenderam e humilharam durante algum
tempo (Aplausos); aquela da que foram donos, donos de tudo: jazidas, terras,
centenas de milhares das melhores hectares; de seus portos, de suas
instalações, de seu sistema elétrico, do transporte, do
setor bancário, comercial, etecétera, etecétera, e os
muito idiotas acham que vão voltar aqui e vamos pedir a eles ajoelhados:
"Venham salvar-nos mais uma vez, salvadores do mundo, venham, que vamos
entregar tudo a vocês outra vez, e essa universidade, para que ponham
nela 5 000 e não meio milhão, porque meio milhão é
muito e para a mentalidade de vocês , que queriam ver desempregados e
famintos, para que essa porcaria do capitalismo funcionar, porque é
só à base de um exército de reserva; venham e reproduzam
outra vez os desempregados analfabetos que faziam filas nas proximidades dos
canaviais, sem que ninguém lhes levasse uma gota de água, nem
café da manhã, nem almoço, nem alojamento, nem transporte.
Procurem e tentem encontrá-los porque cá estão seus filhos
estudando nas universidades às centenas de milhares" (Aplausos).
Eu vi, ninguém me contou, eu vi, há apenas 48 horas, eu vi
lá no Palácio das Convenções, primeiramente em um
grupo de várias centenas, com as camisetas azuis, eu vi através
daqueles jovens que se formaram como trabalhadores sociais e hoje são
todos, todos sem exceção!, estudantes universitários, de
primeiro a quinto ano da carreira, depois de um ano de estudos intensos para se
tornarem trabalhadores sociais, depois de vários anos nessa carreira, e
eram primeiro 500 e agora são 28 000.
Acho que foi (Ignácio) Agramonte, outros dizem que (Carlos Manuel de)
Céspedes, quem, respondendo aos pessimistas, e dizem que quando ficou
com 12 homens, exclamou: "Não importa aqueles que não tenham
confiança - que com 12 homens se faz um povo, se com 12 homens se faz um
povo, quantas vezes somos hoje 12 homens. E 12 homens, multiplicados sei
lá quantas vezes, armados de idéias, de conhecimentos, de
cultura, que sabem como é este mundo, sabem de história, sabem de
geografia, sabem de lutas, porque têm isso, isso que se chama uma
consciência revolucionária, que é a soma de muitas
consciências, é a soma da consciência humanista, a soma de
uma consciência da honra, da dignidade, dos melhores valores que pode ter
um ser humano. É filha do amor à Pátria e de amor ao
mundo, não esquece aquilo de que Pátria é humanidade,
proferido há mais de 100 anos. Pátria é humanidade deve
ser repetido todos os dias, quando vem alguém e se esquece daqueles que
vivem no Haiti, ou estão na Guatemala, golpeada, entre outras mazelas,
pelo desastre natural, sofrendo dores indescritíveis, pobreza
indescritível, como acontece habitualmente na maior parte do mundo.
Essa é a única coisa que pode exibir o infame império e
seu nojento sistema, resultado da história no longo caminho da
espécie procurando uma sociedade de justiça nunca atingida ao
longo de milhares de anos, que é a brevíssima história
relativamente conhecida da espécie procurando uma sociedade justa. E
sempre estiveram tão longe quanto tão perto da mesma forma em que
hoje nos sentimos perto dessa sociedade justa, e para demonstrar que é
possível, se trata precisamente da sociedade que queremos construir, mas
me atrevo a acrescentar, por cima do monte de defeitos que ainda temos, de
erros, de faltas, que é a sociedade na história humana que
está mais perto de poder ser qualificada como sociedade justa.
Onde está a justiça que não a vejo? Não a vejo
porque aquele recebe vinte vezes, trinta vezes mais do que eu como
médico? Ou mais que eu como engenheiro, ou mais que eu como
catedrático da Universidade onde está e por quê. O que
é que aquele produz? Quantos educa? Quantos cura? Quantos são
felizes com os conhecimentos dele, com os seus Livros, com a sua arte? A
quantos faz felices construindo-lhes uma moradia? A quantos faz felizes
cultivando algo para se alimentarem? A quantos faz felizes trabalhando nas
fábricas, nas indústrias? Nos sistemas elétricos, nos
sistemas de água potável, nas ruas nas instalações
elétricas, ou atendendo as comunicações, ou imprimindo
livros? A quantos?
Existem, e devemos dizê-lo, dezenas de milhares de parasitas que
não produzem nada e recebem 1000 ou 1200 pesos, pode ser tanto como
aquele que leva num calhambeque, comprando e roubando combustível pelo
caminho, de Havana a Guantánamo, a um desses jovens estudantes, que teve
que viajar, agora quando as circunstâncias do transporte são muito
difíceis. Ele sabe, ao longo dessas estradas cheias de buracos em muitos
lugares e carentes de sinais que não pudemos acabar por diversas
razões, por falta de recursos que não tínhamos, por
incapacidades que não tínhamos superado, por falta de controle
daqueles que administram ou dirigem.
Sim, devemos tê-las em conta e não esquecê-las porque temos
pela frente uma grande batalha que devemos travar, que começamos a
travar, que vamos travar e vamos vencer. Isso é o mais importante.
Sim, somos conscientes e muito conscientes disso, e nisso pensamos mais do que
nenhuma outra coisa: em nossos defeitos, em nossos erros, em nossas
desigualdades, em nossas injustiças.
E não me atreveria a mencionar o tema aqui, se não tivesse a mais
absoluta convicção e a mais absoluta certeza, que exceto
catástrofes mundiais, guerras colossais, estamos nos aproximando
aceleradamente da hora de reduzi-las e vencê-las, para que se cumpra uma
coisa, escutem bem, que os cidadãos deste país que numa dada
altura estavam desempregados, o índice de desemprego era de 10%, 15%,
20% ou mais, os cidadãos deste país que numa dada altura eram
analfabetos, mais de um milhão, ou eram analfabetos ou semi-analfabetos
até 90%, neste povo de hoje, e, sobretudo, de um amanhã muito
próximo, cada cidadão viva fundamentalmente do seu trabalho e
viva fundamentalmente de suas pensões.
Não esquecer jamais aqueles que durante anos foram nossa classe
operária e trabalhadora, que viveram as décadas de
sacrifício, os bandos mercenários nas montanhas, as
invasões como a da Baía dos Porcos, os milhares de atos de
sabotagens que custaram vidas de nossos trabalhadores açucareiros, da
cana-de-açúcar, industriais, do comércio ou na marinha
mercante, ou na pesca, os que de repente eram atacados com canhões e
bazucas, só porque éramos cubanos, só porque
queríamos a independência, só porque queríamos
melhorar a sorte de nosso povo; e lá os bandidos cometendo malfeitorias,
lá os bandidos recrutados e treinados pela CIA, os criminosos, os
terroristas que faziam explodir nossos aviões no ar ou tentavam faze-los
explodir, sem importar os que morressem, os que organizavam atentados de todo
tipo e atos de terrorismo contra o nosso país. Por acaso mudou o
império? E onde está, senhor 'Bushecito', o senhor Posadita
Carriles, amável cavalheiro que, muito a pesar de suas coisas
vergonhosas e conhecidas, cavalga e tenta levar as rédeas desse
império? Quando vai responder aquela pergunta sã e simples que
fizemos muitas vezes? Por onde entrou Posada Carriles aos Estados Unidos? Em
que navio, por qual porto? Quais os príncipes herdeiros da coroa o
autorizou, seria o irmazinho gordinho da Flórida? - e que me perdoe o
qualificativo de gordinho, não é uma crítica, mas sim a
sugestão de que faça exercícios e faça regime,
não é? (Risos), é uma coisa que faço pela
saúde do cavalheiro.
Quem o recebeu? Quem lhe deu permissão? Por que passeia pelas ruas da
Flórida e de Miami quem o levou de forma tão desavergonhada? O
que se fez daquela academia? De que era, de navegação ou de
criação de peixes? Quem era o bárbaro aquele?, aquele que
através de um telefone falou com outro terrorista que tinha umas latas
cheias de dinamita e ao perguntar-lhe, e era sua voz, reconheceu o cara,
reconheceu-o diante de todo o mundo, não se podia negar, quando lhe
perguntou o quê devia fazer com aquelas latinhas, disse-lhe: "Vai a
Tropicana, joga-as por uma janela e acaba com tudo aquilo". Vejam que
pessoal tão nobre, que respeita tanto as leis, as normas internacionais,
os direitos humanos. E o sem-vergonha de "Bushecito" não quis
responder, ainda está caladinho, ninguém mais respondeu.
As autoridades de nosso irmão país, o México, tampouco
tiveram tempo, -parece que sim, muito trabalho- para responderem a pergunta,
que não custa nada, senhor, dizer que Posadita Carriles, essa
criança ingênua, ingênua e inocente criança, entrou
naquele navio, por aquele porto e da forma em que Cuba o denunciou.
Mas vejam se são descarados, dizem todas as mentiras do mundo, pois lhes
fazem uma perguntinha ingênua, uma simples pergunta, e passam meses e
não respondem. Assim passaram meses e não sabiam onde estava
Posadita.
Essa garota inteligente, como se chama?, a que é secretária de
Estado (Risos), Condoleeza ou Condoliza?, bom, Condessa Rice (Risos), tampouco
sabe, ignora, e os porta-vozes ignoram; não disseram nenhuma mentira,
não cometeram nem o mais mínimo pecado venial, são puros,
merecem o aplausos e a confiança do mundo.
É mentira, nunca torturaram ninguém; é mentira, nunca
foram cúmplices do terrorismo; é mentira, nunca inventaram o
terrorismo; é mentira, nunca torturaram ninguém; é
mentira, nunca utilizaram fósforo vivo em Al Fallüjah. Bom, dizem
que é verdade, mas que é muito legal, muito legítimo e
muito decente usar fósforo vivo. Vão intimidar alguém?
Fomos testemunhas, e lembrava isso quando observava os companheiros cá,
via Abel, da colossal batalha travada lá em Mar del Plata, no
estádio e no recinto onde se reuniram os chefes de Estado e de Governo;
não vou comentar esse ponto, mas nosso povo teve a chance de ver, e
acompanhar- eu conheço os estados de opinião - aquela grandiosa
batalha, uma na rua e outra lá, onde estavam reunidos os chefes de
Governo.
E falando de história, nunca na história deste hemisfério
deu-se alguma coisa parecida com aquela batalha, em que o cavalheiro aquele da
triste figura, não por seus ideais cervantescos, mas da triste figura
porque faz coisas raras, caretas, olha, fica aborrecido, o deitam à
meia-noite, qualquer dia, dos porta-aviões descolam os aviões e
bombardeiam aqueles bandidos por culpa dos quais, por estarem um pouco
ocupados, interromperam o sono do cavaleiro que leva as rédeas do
império, porque enquanto ele dorme, o cavalo pode ir por qualquer lado;
afinal, é possível que o cavalo conduza melhor os destinos do
império do que o próprio cavaleiro que deve se deitar cedo
(Aplausos).
Realmente, é pena que a madrugada não dure mais, porque pelo
menos, o mundo poderia estar melhor.
Assim é tudo. Temos visto coisas que não podem ser esquecidas.
Alguns andam perguntando se Cuba falou ou não falou, se Cuba tomou o
partido ou não tomou o partido a favor de alguém. Advirto, porque
alguns andam armando intrigas de forma ridícula, acerca dessas coisas.
Cuba fala quando tenha que falar e Cuba tem muitas coisas que dizer, mas
não está com pressa nem impaciente. Sabe muito bem quando, onde e
como pode desferir um golpe ao império, a seu sistema e a seus lacaios.
Ao que parece, alguns crêem ou fingem crer que não havia um
só cubano lá em Mar del Plata, que não existia uma
força revolucionária cubana de primeirissíma ordem naquela
passeata gloriosa de dezenas de milhares de cidadãos do mundo e
nomeadamente argentinos, aos quais o imperador ofendeu estacionando os
porta-aviões, levando um exército, alugando todos os
hotéis e empregando milhares de policiais. Ninguém ia ter contato
físico com ele, se o que desejava era que lhe atirassem um ovo podre;
não, ele não merece tão alta honra (Risos), de maneira
nenhuma.
E os bem civilizados cidadãos argentinos, e os cada vez mais
conscientes e experientes cidadãos deste hemisfério, onde a ordem
imposta já é insustentável e insalvável, sabem o
que fazem. Disseram que seria uma manifestação pacífica,
que não seria jogada nem uma casca de laranja, e ao mobilizarem, sob
aquela chuva fria tanto pessoal, que marchou durante horas até o
estádio, para formar uma enorme massa naquele estádio, deram uma
lição inesquecível ao império, porque demonstraram
que são pessoas, são povos que sabem o que fazem e quem sabe o
que faz essa marcha rumo à vitória é absolutamente certo.
E os que não sabem o que fazem são esmagados pelos povos.
Não queremos dar pretextos ao império para armar um show. Neste
xadrez de 50 peças veremos no fim quem dá o xeque-mate,
xeque-mate que se vou por
aqui não posso, vou por cá e não posso, vou por aqui e
tampouco posso; por aqui tampouco, realmente o império vai arrebentar.
Quando falo em império não digo o povo norte-americano, entendam
bem. O povo norte-americano salvará muitos dos valores éticos,
salvará muitos princípios que foram esquecidos, deverá se
adaptar ao mundo em que vivemos, se este mundo pode ser salvo e este mundo deve
ser salvo. E todos nós, entre todos e em primeira fileira devemos lutar
para que este mundo possa se salvar e as nossas melhores e invencíveis
armas são as idéias.
Alguém fala da batalha de idéias, sim, aquela batalha de
idéias que travamos durante anos, está se tornando uma batalha de
idéias a nível mundial. As idéias triunfarão.
Transmitamos essas idéias, abramos os olhos a esta humanidade condenada
a extinção. Se não vai ser eterna se é muito
provável que até um dia a luz do sol vai se apagar, então
com certeza não haverá forma de transladar matéria viva e
sólida a uma distância que fique a anos-luz deste planeta e as
leis físicas são muito mais rigorosas, muito mais exatas do que
as leis históricas ou sociais, ou de outra índole. As
ciências exatas não são iguais do que as ciências
sociais.
De todas as formas, acho que esta humanidade e as grandes coisas que é
capaz de criar, devem ser preservadas enquanto possam ser preservadas. Uma
humanidade que não se preocupe pela preservação da
espécie seria tal qual o jovem estudante ou o quadro ou dirigente que
sabe que sua vida é limitada a um número reduzido de anos e,
porém, fica preocupado só por sua própria vida.
Mencionei vários nomes de companheiros aqui presentes, aos quais ainda
restam alguns anos, para outros restam menos, e ninguém sabe quantos, eu
jamais penso que algum deles esteja pensando em se preservar, sem lhe importar
qual será o destino deste admirável e maravilhoso povo, ontem
semente e hoje árvore crescida e com raízes profundas; ontem
cheio de nobreza em potência e hoje cheio de nobreza real; ontem cheio de
conhecimentos em seus sonhos e hoje cheio de conhecimentos reais, quando apenas
está começando nesta gigantesca universidade que é hoje
Cuba.
E vejam como vão surgindo novos quadros e quadros jovens. Eis Enrique,
que lidera este exército dos 28 000, trabalhadores sociais mais os 7 000
que estão estudando e aperfeiçoando essa nobre profissão.
Como vocês sabem, estamos em meio de uma batalha contra os vícios,
contra os desvios de recursos, contra o roubo e lá está essa
força, com a que não contávamos antes da batalha de
idéias, desenhada para travar essa batalha.
Vou dizer uma coisa, para ver se os trabalhadores da construção
recuperam seu amor-próprio; quando querem ser heróicos são
mesmo. Mas não pensem que o roubo de recursos e de materiais é de
hoje, ou do 'período especial', o 'período especial' agravou
isso, porque o 'período especial' criou muitas desigualdades e o
'período especial' tornou possível que muitas pessoas tivessem
muito dinheiro.
Lembro, que estávamos construindo na vila de Bejucal um centro de
biotecnologia importantíssimo. Perto havia um pequeno cemitério.
Eu visitava o lugar de vez em quando, um dia passei pelo cemitério, e
lá existia um mercado colossal onde aquela força de construtores,
seus chefes e a participação de um alto número de
pedreiros, tinham lá um mercado de venda de produtos: cimento, vigas,
madeira, pintura, tudo quanto é usado para construir.
Vocês sabem que sempre, e ainda hoje, o problema da
construção é muito sério. Temos recursos, às
vezes faltaram materiais, ou vamos tendo e surge a possibilidade de ter cada
vez mais recursos para construir; mas vejam a tragédia com os
construtores, as fraquezas dos chefes de brigada, dos que devem dirigir.
Mas isso não é novidade. Do tempo que estou falando, para
produzir uma tonelada de betão, se consumiam 800 quilos de cimento e uma
tonelada de um
bom betão, desse que utilizamos para fundir, pisos ou colunas, antes da
época em que foram construídos o Morro e La Cabana, que duram
mais que muitas das coisas que o mundo moderno constrói hoje;
então, a despesa deve ser de mais ou menos 200 quilos. Vejam como se
esbanjava, vejam como se desviavam recursos, como se roubava.
Nesta batalha contra os vícios não haverá trégua
com ninguém e cada coisa será chamada por seu nome, e nós
apelaremos à honra de cada setor. Estamos certos de uma coisa: de que em
cada pessoa há uma alta dose de vergonha. Quando ela fica pensando
não é um juiz severo, apesar de que, segundo minha
opinião, o primeiro dever de um revolucionário é ser
sumamente severo consigo próprio.
Fala-se em crítica e autocrítica, sim, mas nossas críticas
costumam vir só de um grupinho, nunca utilizamos a crítica mais
ampla, nunca utilizamos a crítica num teatro.
Se um funcionário da Saúde Pública, por exemplo,
falsificou um dado, acerca da existência do mosquito Aedes Aegypti,
é chamado, criticado. Eu conheço alguns que dizem: "Sim, me
autocritico", e ficam tão tranqüilos, rindo! São
felizes! Ah!, você se autocritica? E todo o dano que fez e todos os
milhões que se perderam em conseqüência deste desleixo ou
desta forma de agir?
Crítica e autocrítica, é muito correto, isso não
existia; mas não, se vamos travar a batalha devemos usar
projéteis de maior calibre, é preciso utilizar a crítica e
a autocrítica na sala da aula, na organização de base do
Partido, e depois fora dela, depois no município e depois no país.
Utilizemos essa vergonha que, sem dúvida, têm os homens, porque
conheço muitos homens aos que chamamos de sem-vergonhas, e são
justamente qualificados de sem-vergonhas, que quando em um jornal local aparece
a notícia do que fez, então fica envergonhado.
O ladrão engana, ou o que merece uma crítica por sua falta,
engana, é também mentiroso.
A Revolução tem que usar essas armas, e vai usá-las se for
necessário! Não deveria ser necessário. A
Revolução vai estabelecer os controles que forem
necessários.
Havia muitos desses personagens felizes da vida, como diz uma
canção. "E como vai você?". Isso podia ser
perguntado a muitos dos que andavam com a mangueira na mão, pondo
gasolina nos tanques desses calhambeques, ou recebendo dinheiro dos novos
ricos, que nem sequer queriam pagar a gasolina que consumiam.
Vejam vocês se o que eu digo não era mais ou menos real e existia
uma desordem geral, não só nisso, mas entre outras coisas, com
perdas de dezenas de milhões de dólares, poderiam ser 80 - veja,
repare que 80 é um monte de milhões!- podem ser 160, podem ser
200 milhões. Por acaso vocês sabem o que são 200
milhões? Vocês estudaram aritmética. Mas vocês
ouviram falar das universidades deste país, verdade? Sim ou não?
Vocês são dirigentes das universidades, e já todos os
estudantes têm seus direitos, de uma forma ou de outra, todas as
categorias; estudantes, regulares diurnos, regulares noturnos, estudantes disto
e do outro. E vocês sabem qual o total de estudantes
universitários, de nível superior? Se não sabem podemos
analisar, eu cheguei aqui perguntando dados: vamos ver, me digam o dado exato:
360 000. Sim, 360 000 em conseqüência da
universalização do ensino superior.
Acho que Vecino (Fernando Vecino, ministro da Educação Superior)
sabe. Vecino não se incomoda se eu lhe pergunto esses números,
não os conhece bem, não sinta pena por isso.
Quantos estudantes regulares diurnos têm todos os centros de ensino do
país, incluindo os militares?
Se ele não sabe ninguém deve saber.
(Dizem-lhe que 230 000).
Enrique, coincide com teus dados.
(Enrique explica a composição do número de estudantes).
Sim, 500 000, mas devemos continuar somando.
Os da universalização são esses, os regulares como diurnos
juntos, esses dois números, é o que eu vinha discutindo,
são 500 000.
Mas existem outras categorias, eu as tenho cá.
(Enrique esclarece que se incluem os professores adjuntos, com o que somam 75
000, unidos aos 25 000 professores universitários, que se aproxima do
número os 100 000).
Aqui diz que está subdividido: "141 000 estudantes no curso regular
diurno".
Concordamos com isso?
"Um número de 141 000 estudando no curso para trabalhadores".
São mesmos ou não?, ou foram incluídos no de 360 000?
Foram incluídos nos 360 000 do programa de
universalização. É isso correto ou não?
(Enrique explica que é independente, que existe o curso regular diurno,
o curso para trabalhadores e a universalização.)
Regular diurno? (Esclarece-lhe que esse era o número que existia).
Temos cursos para trabalhadores que na universidade, quando entrem na
universidade imagino que já estejam nesse número dos 360 000; 32
000 estudando no ensino à distância, esses em que categoria
estão? Na de 360 000? Não estão na de regular diurno,
não estão no curso para trabalhadores e são estudantes.
Vem existindo essa modalidade de ensino.
Bem, vamos procurar o número mais conservador, que para os fins que
eu pretendo atingir, resolve.
Atualmente temos mais de 500 000, estudantes universitários.
Além do mais, vocês sabem que temos 958 sedes
universitárias. Por isso vocês, os membros da
Federação dos Estudantes Universitários (FEU),
estão nos municípios, onde se estudam 45 especialidades
universitárias e cresce o número por ano. Temos 169 sedes
universitárias municipais, do Ministério da
Educação Superior; 130 sedes universitárias para o setor
"Álvaro Reinoso", delas 84 em povoados perto das usinas?
Muitos destes estão na cifra anterior há 18 sedes nas
prisões, sedes de estudo superior que têm 594 matriculados na
Licenciatura de estudos socioculturais, ainda não são muitos; 240
sedes Universitárias do INDER, 19 sedes em prisões onde
também estão estudando 579 matriculados, 200 que acabaram o
primeiro ano da carreira. Isto também é novo: sedes
universitárias nas prisões. Por outro lado existem 169 sedes
universitárias municipais de saúde, 1 352 em policlínicas,
em unidades de saúde e bancos de sangue, em todos esses lugares
estão estudando diferentes licenciaturas associadas à
saúde pública.
Temos quase 100 000 professores entre titulares e adjuntos das universidades.
Muitos deles faziam parte do aparelho burocrático das usinas
açucareiras e de outros lugares, hoje estão dando aulas,
são professores adjuntos, cresceu a massa de professores de nível
superior. Entre os dois - e não falo de outros trabalhadores das
universidades - entre estudantes e professores somam mais de 600 000. E entre
os estudantes mais de 90 000 que não tinham matrícula nem
emprego, jovens, muitos deles de origem humilde, que hoje estão tendo
excelentes resultados os estudos universitários.
Faço perguntas ou digo, mais ou menos, quais os dados que tenho?
Estive perguntando até agora, qual a despesa, o orçamento dos
centros do ensino superior. Carlitos me deu um dado. Acho que disse 830. Vecino
deve saber, porque ele conhece esses dados. Lembra desse dado, Vecino?
Vecino lembra que no ano letivo passado foram 230 milhões de pesos).
Não, tomara que fosse assim. Aqui tenho um dado que alguém
deveria conhecer.
Vejam, este é o Ministério das Finanças. Esse é o
ano 2004, este do 2005 é o que eu estou perguntando, nesse cresceu
enormemente. O do ano passado não me serve, Vecino.
Bom, o que acontece a Vecino nos acontece a todos e é um tema de vida ou
morte. Há poucos dias, estava na frente de um grupo de 200 profissionais
universitários, bem preparados, e lancei uma pergunta. "Qual de
vocês conhece o que se paga em seu lar pelo consumo de
eletricidade?" Escutem bem, companheiras e companheiros. Quantos
vocês acham que responderam? Façam um cálculo, segundo sua
lógica.
O que você acha, você que falou agora? E o companheiro parece
esperto, todos são espertos, mas alguns conseguem falar mais facilmente.
Quantos vocês acham que responderam à pergunta que fiz aos 200
profissionais universitários? (Dizem-lhe que 100).
O que você acha? Você sabe quanto consome? (Diz que tem uma
idéia) Quanto é a idéia, diz-me em dinheiro e em
quilowatts? (Risos) Não, espera, eu vou dizê-lo, inclusive, se
você me diz quantas lâmpadas incandescentes tem, a marca da
geladeira, se o televisor é a preto e branco ou a cores e de que ano, o
tipo de ventilador que tem, quanta água ferve no dia, em que a ferve, se
com gás, com querosene ou com gás líquido. Não,
é que eu não quero fazer a pergunta a vocês, porque os
estou cuidando, a única coisa que eu perguntei é que me
façam um cálculo de quantas pessoas responderam minha pergunta,
dos 200 a que eu perguntei, acerca de quanto pagavam pelo serviço
elétrico...
Você, que está rindo, vamos ver, um cálculo, uma
estimativa, 50, 70, 120 (Alguém lhe diz que a terceira parte) E
Você? (O garoto diz que não menos de 100) Você deve estar
tentando lembrar o que está gastando e com medo de que lhe perguntem,
mas não lhe vou perguntar (Risos).
Vocês sabem quantos daqueles 200 responderam a pergunta? Vocês
sabem quantos? Uma proporção de 0.0000 até o infinito.
Vocês estudaram algo de aritmética, então podem
compreender: nenhum, absolutamente nenhum.
Eu acho que todos os cidadãos deste país deviam meditar sobre
isso.
Posso fazer uma pergunta a vocês? Por que aconteceu isso? Vamos ver,
temos que meditar. Temos dito que é preciso mudar o mundo, que é
preciso salvá-lo, que estamos em um mundo em sua hora crítica e
quase perto de um trágico final, não estou exagerando aqui para
impressionar vocês todos. Pode ser que vocês tenham menos anos que
eu e esse fenômeno acontecer. Falo por vocês, e pelos filhos de
vocês, e pelos irmãos de vocês, mais novos ou mais velhos.
Jamais se pode afirmar isso, ao longo da história breve do homem,
não da história selvagem quando era homem e tinha desenvolvido
uma capacidade mental, embora não vivesse na sociedade, não tinha
desenvolvido a língua escrita, nem sequer uma tecnologia rudimentar.
Por que? Vocês são obrigados a pensar. Que tipo de líderes
universitários são vocês? Carlitos, donde saiu esta tropa
que não é capaz de dar uma idéia das razões pelas
quais 200 profissionais universitários não responderam a pergunta
sobre a despesa de energia? Que tempo precisam para meditarem? Basta com um
minuto? (Um companheiro explica que é porque a família cubana tem
a facilidade de pagá-la, não é como noutros lugares, que
tem que estar pendente dessa situação.)
O que você acha? (Respondem-lhe que é porque nenhum
universitário tem que ir para a rua, buscar dinheiro para pagar a
eletricidade.)
O que achas? (Disse que isto acontece porque é insignificante o que se
paga).
O que achas? (Pensa que a Revolução subsidia a maior parte das
despesas de nossa população e poupar é uma
preocupação).
Tudo bem, vou a fazer-lhes outra pergunta. Vocês estão
ficando perto da razão exata, pelo menos tal e como eu a veo, não
quer dizer que veja a razão só nisso. Há algumas
perguntas que podem embaraçar-se ainda mais, mas é
necessário fazer com que as pessoas pensem e chamar a todos nossos
compatriotas honestos, e inclusive até aos desonestos, poderia existir
qualquer desonesto que diga, tal vez, a verdade: "Por isto."
Há muitas. Simplesmente porque praticamente a eletricidade
é de graça, a eletricidade se oferece. Bom, eu posso
demonstrar-lhes isso.
Posteriormente poderão surgir outras perguntas: Quanto ganhamos?
Caso surgir a pergunta de quanto ganhamos, começaria a compreender-se o
sonho de cada quem viva de seu salário ou de sua justíssima
aposentadoria.
Acrescentem-lhe um pouquinho: quando você pensa em duas irmãs, uma
delas foi mestra, agora estão juntas, tem problemas, dificuldades,
recebiam 80 pesos pela aposentadoria, porque antigamente os salários
eram mais baixos, e depois vieram períodos: "Pago a
Você por horário irregular, pago a você porque é no
período da tarde, pago mais a você porque é a noite, pago
mais a você porque tiveste que vir um domingo de cada
mês", nada disso influía no salário
básico, influi na receita individual do mestre, mas não no
salário do mestre, nem nas aposentadorias, segundo as leis, e muitas
dessas leis eram velhas, e já tínhamos que começar a
modificá-las e lhes posso assegurar que temos ganhado consciência
e que a vida toda é um aprendizado, até o último segundo,
e começas a ver muitas coisas num momento, e entre o milhão de
temas em que estas pensando, ficas distraído, não reparas nenhum
fenômeno, que os acréscimos de receitas pessoais quando chegou o
período especial, quase todos foram feitos através dessas normas
e não de um salário básico, e por isso não houve
nenhuma vacilação, recentemente, quando se acrescentou até
150 o salário mínimo do trabalhador, e a senhora ganhava 80
pesos, quer dizer que o acréscimo no salário mínimo foi de
50 pesos numa categoria, noutra 190 e noutra 230. Agora, imagina o mestre
aquele, ou a mestre que passaram 40 anos, antes do surgimento do mercado livre
camponês e os intermediários assaltaram a república.
Sim, porque todos sabem que o camponês não venderá
três libras de arroz em nenhum lugar. O camponês não
é comerciante; o camponês é produtor. Um deles tem um
caminhão pequeno porque o roubou, ou porque o comprou, ou porque
é com dinheiro roubado, porque colocou um motor, muitas coisas.
Não, isto não é falar mal da Revolução, isto
é falar muito bem da Revolução, porque estamos falando de
uma revolução que pode falar disto, pode encarar as coisas, pode
pegar ao tourinho pelos chifres, melhor do que um toureiro de Madri.
Aquele lhe mostra um pano vermelho, e depois o touro virá, o homem fecha
os olhos, as vezes investe e lhe crava um ferrinho, uma bandarilha, fica
enfurecido, mas é necessário pegar ao tourinho pelos chifres para
obter o prêmio.
Nunca gostei dos touros, embora tenha lido a Hemingway, mas de quando em vez
freqüentava uma corrida de touros no México, não sei como se
chama. E depois, o premio: bom toureiro, cauda, orelha. Quem o
fazia perfeito lhe entregavam as duas orelhas, a cauda, um nome glorioso e a
festa romana do toureio. Não tenho nada a ver com isso.
Lembro que no começo da Revolução não sei a quem de
nós, ou a qualquer de nós, se nos ocorreu falar em toureio.
Éramos tão ignorantes que falávamos do toureio, porque
já o tínhamos visto lá em México e porque podia
atrair ao turismo. Vejam quanto nós sabíamos, e já
éramos, ou acreditávamos que éramos, muito
revolucionários.
Vocês estão rindo, fico contente, porque fico animado para
contar-lhes mais outras coisas.
Uma conclusão que tirei após muitos anos: entre muitos erros que
todos temos cometido, o erro mais importante foi acreditar que alguém
sabia de socialismo, ou que alguém sabia como se constrói o
socialismo. Parecia ciência sabida, tão sabida como o
sistema elétrico concebido por alguns que se consideravam peritos em
sistemas elétricos. Quando diziam: "Esta é a
fórmula", este é quem sabe. Se alguém é
medico. Tu não vai a debater com o médico ao respeito de
anemia, de problemas intestinais, de qualquer especialidade, ninguém
discute com o médico. Pode acreditar que é bom ou mau, sei
lá, pode obedecê-lo ou não, mas a ninguém
discute. Quem de nós iria discutir com um médico, um
matemático, ou com um perito em História, em Literatura ou
qualquer matéria? Mas seriamos estúpidos se acreditássemos,
por exemplo, que a economia e que me perdoem as dezenas de milhares de
economistas que há no país é uma ciência
exata e
eterna, e que existiu desde a época de Adão e Eva.
Perde-se todo o senso dialético quando alguém acredita que essa
mesma categoria de hoje é igual àquela de 50 anos atrás, ou 100
anos, ou a 150 anos, ou é igual a época de Lênin ou a
época de Carlos Marx. A mil léguas de meu pensamento o
revisionismo, faço um verdadeiro culto a Marx e a Lênin.
Um dia eu disse: "Nesta universidade converteram-me num
revolucionário"; mas foi porque contatei com esses livros, e
antes de fazê-lo, por minha própria conta e sem ter lido nenhum
desses livros, já estava questionando a economia política
capitalista, porque naquela época me parecia irracional, e
estudava economia política no primeiro ano por Portela, 900
páginas em mimeógrafo, muito difícil, quase todos
reprovavam. Aquele professor era o terror.
Uma economia que explicava as leis do capitalismo, mencionava as diversas
teorias sobre a origem do valor, e mencionava também aos marxistas, os
utópicos, os comunistas, em fim as mais diversas teorias sobre
economia. Mas estudando economia política do capitalismo comecei a
ter grandes dúvidas, a questionar aquilo, porque eu, além disso,
tinha vivido num latifúndio e lembrava coisas, tinha idéias
espontâneas, como tantos utópicos que houve no mundo.
Posteriormente, quando soube o que era comunismo utópico, descobri que
eu era um comunista utópico, porque todas minhas idéias partiam
de: "Isto não é bom, isto é mau, isto é um
erro. Como vão a chegar às crises de superprodução
e a fome quando há mais carvão, mais frio, mais desempregados,
porque há precisamente, mais capacidade de criar riquezas.
Não seria mais simples produzi-las e reparti-las ?
Naquela altura parecia, como também achava Carlos Marx na época
do
Programa de Gotha,
que o limite à abundancia radicava no sistema
social; parecia que na medida em que se desenvolviam as forças
produtivas podiam produzir, quase sem limites, o que o ser humano precisava
para satisfazer suas necessidades essenciais de tipo material, cultural, etc.
Já todos leram aquele Programa, e é, por acaso, muito
respeitável. Estabelecia com clareza a diferença em seu
conceito entre distribuição socialista e
distribuição comunista, Marx não gostava de profetizar ou
planejar o futuro, era muito sério, jamais fez isso.
Quando escreveu livros políticos, como
O 18 do Brumário, As lutas
Civis na França,
era um gênio escrevendo, tinha uma
interpretação claríssima. Seu
Manifesto Comunista
é uma obra clássica. Você pode analisá-la,
pode ficar mais o menos satisfeito com umas coisas ou com outras. Eu
passei do comunismo utópico para um comunismo baseado em teorias sérias
do desenvolvimento social como materialismo histórico. No aspecto
filosófico apoiava-se no materialismo dialético. Havia
muitas filosofias, muitas pugnas e disputas. É lógico que
sempre é necessário dar a devida atenção
às diversas correntes filosóficas.
Neste mundo real, que deve ser mudado, como táctico e estratega
revolucionário, todo revolucionário tem o dever de conceber uma
tática estratégia e uma estratégia que guiem ao objetivo
fundamental de cambiar este mundo. Nenhuma tática ou
estratégia que divida seria boa.
Tive o privilégio de conhecer aos da Teologia da
Libertação uma vez no Chile, quando visitei a Allende no ano
1971, e lá encontrei muitos padres ou representantes de diversas
denominações religiosas, e colocavam a idéia de juntar
forças e lutar, sem levar em conta suas crenças religiosas.
O mundo está precisando desesperadamente de uma unidade, Sé
não conseguirmos conciliar o mínimo dessa unidade, não
chegaremos a lugar nenhum.
Dizia ontem numa reunião com o representante da Santa Sé em nosso
país, ao comemorar-se o 70 Aniversário das relações
ininterrompidas entre Cuba e o Vaticano, que uma das coisas que apreciei muito
em João Paulo II foi o espírito ecumênico. Porque estudei
em escolas de mestres e professores religiosos desde a primeira classe
até a sexta classe, nas escolas dos Irmãos da Salle e de
jesuítas, eram religiosas, e tinha que ir a missa todos os dias.
Não critico a quem desejar ir a missa, mas não concordo com que
obriguem a ir todos os dias, que era o que acontecia comigo.
Bom, muitas coisas. Ontem conversei com os bispos muitos temas com
respeito e bom espírito; lembrava o que dizia sobre o ecumenismo, e
também lembrava que em minha época observava uma guerra a morte,
todas as religiões, umas contra outras; a católica contra a
judaica, a protestante, a muçulmana, e assim cada uma delas, falar de
uma religião à outra era como falar do diabo.
Anos mais tarde, com surpresa ia vendo, acho que foi após do Concílio
que teve lugar em Roma, O Vaticano II. Influiu muito na criação
de um espírito ecumênico, de respeito às crenças do
resto das pessoas.
Imaginem numerosas e poderosas igrejas, a Igreja Católica, o conjunto do
resto das igrejas cristãs, a Igreja Muçulmana. Nós
próprios estamos observando coisas muito interessantes, que não
conhecíamos, das fortíssimas culturas, crenças e costumes
religiosas dos muçulmanos, porque lá estão os
médicos num país muçulmano salvando vidas.
Tratam-nos com grande afeto e respeito. Não entrarei em detalhes,
mais são coisas de grande impacto. Há diversas
religiões muito fortes e algumas até tem milhares de anos, 2,500,
3,000, outras um pouco menos 2,000 anos, outras centos de anos.
É um bom exemplo, porque se o sentimento religioso não se junta,
quaisquer que sejam as idéias éticas, os valores morais, ou os
objetivos que persiga qualquer religião, não
alcançarão jamais, si se trata da luta de numerosas igrejas,
sete, oito, dez, ou mais há muitas mais , lutando todas umas
contra as outras e repelindo-se entre sim.
Fez-me pensar nestes temas a idéia, para mim, clara, de que os valores
éticos são essenciais, sem valores éticos não
há valores revolucionários.
Não sei por que aos comunistas foi imputada a filosofia de que o fim
justifica os meios, e às vezes, inclusive, nós perguntamos por
que não se defenderam ainda mais os comunistas daquela
acusação de que o fim justificava os meios; já me explico
isso, inclusive por razões históricas, pela enorme
influencia exercida pelo primeiro Estado socialista e pela primeira e
verdadeira revolução socialista, a primeira na história,
que surge num país feudal, com hábitos e costumes feudais , em
grande parte ainda, analfabeta a maioria da população; mas foi a
primeira revolução proletária a partir das idéias
de Marx e Engels, desenvolvida por outro grande gênio que foi
Lênine.
Lênine, estudou sobretudo as questões do Estado; Marx não
falava da aliança operário-camponesa, morava num país com
grande auge industrial; Lênin viu o mundo subdesenvolvido, viu aquele
país onde 80% ou 90% era camponês, e embora tivesse uma
força operária poderosa nas ferrovias e nalgumas industrias,
Lênine viu com absoluta clareza a necessidade da aliança
operária camponesa, da qual ninguém tinha falado, todos tinham
filosofado, mas não tinham falado ao respeito. E num enorme
país semi-feudal, semi-subdesenvolvido, é onde se produz a
primeira revolução socialista, a primeira tentativa verdadeira de
uma sociedade igualitária e justa; nenhuma das precedentes que foram
escravistas, feudais, medievais, ou anti-feudais, burguesas, capitalistas,
embora falassem muito em liberdade, igualdade e fraternidade, nenhum se
propôs jamais uma sociedade justa.
Ao longo da história, o primeiro esforço humano sério
tentando criar a primeira sociedade justa, começou há menos de
200 anos; em 1850 acho que se escreveu o Manifesto Comunista, e faltam 45 anos,
sim, faltam 45 anos para completar 200 anos e pode apreciar-se após a
evolução do pensamento revolucionário.
Com dogmatismo jamais se tivesse chegado a uma estratégia.
Lênine nos ensinou muito, porque Marx nos ensinou a compreender a
sociedade; Lênine nos ensinou a compreender o Estado e o papel do Estado.
Todos esses fatores históricos influíram grandemente no
pensamento revolucionário, e logicamente houve práticas abusivas
e em ocasiões repugnantes.
Isso impulsionou a caluniosa imputação de que para o comunista
"o fim justifica os meios." Eu tenho pensado muito no papel da
ética. Qual é a ética de um
revolucionário? Qualquer pensamento revolucionário
começa por um pouco de ética, por um pouco de valores que lhe
inculcaram os pais, lhe inculcaram os mestres, ele não nasceu com essas
idéias; da mesma maneira que não nasceu falando, alguém o
ensinou a falar. A influencia da família também é
muito grande.
Quando estudamos os casos dos jovens que estão em
prisão entre 20 e 30 anos de idade, vemos a procedência,
níveis culturais dos pais, e tem influencia decisiva, de tal maneira que
durante a batalha de idéias, nós, fazendo todo tipo de pesquisas
sociais dessa índole, chegamos à conclusão de que o delito
em Cuba estava estreitamente ligado ao nível cultural e ao status social
dos pais; era incrível a baixíssima porcentagem de filhos de
profissionais universitários e intelectuais que cometiam delitos.
Como também era incrível o número de aqueles que procediam
de famílias humildes onde não existia essa base cultural.
Outro problema que influía muito: era a desintegração do
núcleo numa família humilde de baixo nível cultural.
Alguns filhos não ficavam nem com o pai nem com a mãe, mas sim
com uma tia, uma avô com dificuldades de saúde ou outros
problemas, isto exercia uma notável influencia no destino da
criança.
Foi então quando usamos aquelas brigadas universitárias que
visitavam os bairros mais pobres, ou um dia quando decidimos mobilizar 7 000
estudantes aos que depois entreguei a cada um, um diploma, os assinei no
avião quando voltava de África, pelo caminho, ninguém sabe
as horas intermináveis que fiquei assinando milhares de diplomas, pelo
valor que lhe concedia a aquele trabalho. Os que visitava em sua tarefa,
e como apreendemos. Havia que ver o que estava acontecendo ali na
sociedade. Queríamos saber muitas coisas e não as
sabíamos: como viviam as pessoas.
Foi naquela ocasião que descobrimos que, por exemplo, uma mãe
podia estar trabalhando, receber um salário, ter ao mesmo tempo um filho
com retardo mental severo, em cama e com necessidade de atendimento o tempo
todo, havia que fazer-lhe tudo. Qualquer parente cuidava dele enquanto
ela trabalhava. Um dia esse parente ia embora ou morria e aquela mulher
tinha que escolher entre o trabalho, do qual recebia a sua
manutenção ou atender o filho.
Quero que saibam que naquela vez decidimos que qualquer mulher naquelas
condições devia optar, segundo seu ofício, segundo as
necessidades e importância de seu trabalho para a sociedade, por receber
um salário para cuidar da criança, ou o Estado suportar o
salário de alguém que cuidasse dessa criança, enquanto ela
trabalhava. Este é um exemplo entre muitos.
As brigadas de estudantes também ajudaram a salvar vidas de pessoas, por
exemplo, pessoas que iam suicidar-se por enfermidade mental ou depressão
por outra causa. Como descobrimos coisas! Havia não sei se
20 000 ou 30 000 pessoas de mais de 60 anos de idade que moravam sós e
muitas delas não tinham nem uma campainha para avisar a alguém
caso sofressem uma dor muito forte no peito ou qualquer outro problema dessa
índole. Essa era a sociedade.
Vimos as quantidades que recebia qualquer cidadão por pensão ou
assistência social. Muitos dados não apareciam em nenhuma
estatística, em nenhum recenseamento. Íamos descobrindo,
descobrindo e descobrindo coisas, e fazendo coisas, forjando
idéias. Chegamos a forjar mais de 100 programas sociais, muitos
deles se estão cumprindo há muito tempo. Não temos
divulgado o que foi feito. Que dias gloriosos aqueles nos que, partindo
fundamentalmente dos quadros da juventude e com o apoio do Partido e de todas
as instituições, se desenvolveu aquela batalha de idéias
ao redor do regresso da criança seqüestrada pelos Estados Unidos de
América.
Ainda teremos que ficar gratos das circunstancias que aceleraram de tal maneira
nosso conhecimento da sociedade e nosso aprendizado. Acho que talvez hoje
não estivéssemos fazendo o que estamos fazendo se
tivéssemos vivido aquela experiência.
Criamos o primeiro curso de trabalhadores sociais. Tivemos que saber
quais eram os salários mínimos. Quero que saibam que o
acréscimo deste foi feito após percorrer todo o país, e a
assistência social foi a terceira parte da que se estabeleceu neste ano,
levando-a a 129 pesos a media. Foi mais forte ainda o trabalho feito
quando se elevaram as aposentadorias e pensões, quando a mínima
se elevou até 150, a 190 a seguinte categoria e a 230 a
subseqüente. Também o salário mínimo se elevou
grandemente.
Falávamos da importância do fator ético. Haveria que
investigar as razões da confusão. Acho que aconteceram
fatos históricos que influíram na idéia de que para um
comunista o fim justificava os meios, acontecimentos internacionais
difíceis de compreender já os mencionei em mais de
uma ocasião-, apesar de todo o antecedente que constava da
tentativa franco britânica, as duas grandes potencias coloniais, as
maiores do mundo, de lançar Hitler contra a URSS. Acho que os planos
imperialistas de lançar a Hitler contra a URSS jamais teriam justificado
o pacto de Hitler com Stalin, foi duro. Os partidos comunistas, que se
caracterizavam pela disciplina, todos se viram obrigados a defender o Pacto
Molotv-Ribbenntrop e a se desgastarem politicamente.
Antes desse pacto, a necessidade de juntar-se na luta antifascista levou a Cuba
à aliança dos comunistas cubanos com Batista, e já Batista
tinha reprimido a famosa greve de abril de 1934 que veio após do golpe
de Batista contra o governo provisório de 1933, de inquestionável
caráter revolucionário e fruto, em grande parte, da luta
heróica do movimento operário e os comunistas cubanos.
Antes daquela aliança antifascista, Batista tinha assassinado não
se sabe que quantidade de pessoas, tinha roubado não se sabe que
quantidade de dinheiro, era um lacaio do imperialismo ianque; mas chagou a
ordem de Moscovo: de organizar as fontes antifascistas. A pactuar com o
demônio. Aqui pactuaram com o ABC fascista e com Batista, um fascista de
outro tipo, um criminoso e um saqueador do tesouro público.
São acontecimentos muito difíceis, mas aconteciam uns após
outro, e os comunistas mais disciplinados do mundo, digo isto com sincero
respeito, eram os partidos comunistas de América Latina e entre eles o
Partido de Cuba do qual sempre tive e conservo um altíssimo conceito.
Hoje podemos falar do tema porque vamos marchando para novas e novas etapas.
Os militantes do Partido Comunista de Cuba eram os cidadãos mais
disciplinados, mais honestos e mais sacrificados deste país,
contribuíam ao Partido; os legisladores do Partido entregavam uma parte
de sua receita, eram as pessoas mais honestas deste país, apesar da
linha errada imposta por Stalin ao movimento internacional. Como
culpá-los. Ponha-os no dilema de aceitar ou não algo,
segundo minha opinião, absolutamente correto: a união de todos os
comunistas. "Proletários de todos os Uni-vos!", ou
romper abertamente, naquelas circunstancias, a disciplina.
E eu não sou daqueles que criticam às personagens
históricas satanizadas pela reação mundial para agradar os
burgueses e aos imperialistas; também não vou cometer a tolice de
não me atrever a dizer algo que tenho o dever de dizer um dia como
hoje. Nós devemos ter o valor de reconhecer os nossos
próprios erros precisamente por isso, porque só assim se atinge o
objetivo que se pretende alcançar. Pois, sim, se criou um tremendo
vício de abuso de poder, de crueldade, e muito especialmente o
hábito de impor autoridade de um país, de um partido
hegemônico ao resto dos países e partidos.
Há mais de 40 anos que mantemos relações com o movimento
revolucionário de América Latina, e relações muito
estreitas. Jamais se nos ocorreu dizer a nenhum deles o que devia
fazer. Íamos descobrindo, ademais, a dedicação com
que cada movimento revolucionário defende seus direitos e suas
prerrogativas.
Lembro momentos cruciais, contarei aqui só uma pequena parte: quando a
URSS se derrubou e ficou só, muita gente, entre elas nós, os
revolucionários cubanos. Mas nós sabíamos o que
devíamos fazer, e o que devíamos fazer, quais eram nossas
opções. Também estava o resto dos movimentos
revolucionários em muitas partes travando sua luta. Não
direi quais, não vou dizer quem; mas se tratava de movimentos
revolucionários muito sérios, nos perguntaram se negociavam ou
não perante aquela situação desesperada, se continuavam
lutando ou não, ou se negociavam com as forças contrarias
procurando uma paz, quando nós sabíamos a que conduzia aquela paz.
Eu lhes dizia: "Vocês não nos podem pedir nossa
opinião, são vocês os que iriam a lutar, são
vocês os que morreriam, não somos nós. Nós sabemos o
que faremos, e o que estamos dispostos a fazer; mas isso só pode ser
decidido por vocês.". Ai estava a mais extrema
manifestação de respeito ao resto dos movimentos e não a
tentativa de impor baseados nos nossos conhecimentos e experiências e o
enorme respeito que sentiam por nossa Revolução para saber o peso
de nossos pontos de vista. Naquele momento não podíamos
pensar nas vantagens ou desvantagens para Cuba das decisões que tomaram:
"Decidam Vocês", e assim cada um deles, em momentos decisivos,
decidiu sua linha. Nós somos um pequeno país aqui no
Caribe, a 90 milhas do império e a umas polegadas de sua base ilegal,
mil vezes mais fraca do que era a URSS na época de seu pacto com Hitler,
ou quando estava dando ordens aos líderes dos partidos comunistas.
Já na época da República de Weimar que surgiu na Alemanha
após a primeira Guerra Mundial, a incrível crise econômica
desencadeada produto do Pacto de Versalles imposto a aquele país pela
Inglaterra, França e Estados Unidos de América, por um lado
fortalecia ao movimento revolucionário e por outro às
forças nacionalistas mais reacionárias.
Hitler triunfa eleitoralmente perante os partidos burgueses liberais e perante
as forças comunistas combativas e revolucionárias; mas naquela
situação foi mais forte o terrível ressentimento do povo
alemão pelas condições leoninas estabelecidas pelos
vencedores. E assim é como Hitler chega ao poder. Este, num livro
que escreveu, tinha declarado desenfadadamente seu objetivo de procurar
espaço vital no território da URSS para a raça
alemã, a custa dos russos, segundo sua opinião raça
inferior. Tudo isso já estava escrito, e o movimento comunista se educou
dentro das idéias e conceitos muito claros contra o nazi-fascismo.
Em nosso país, após a queda de tantos revolucionários,
sendo os comunistas os mais cientes, os melhores militantes, a gente honrada, o
partido marxista leninista foi norteado, no entanto, a aquela aliança
com Batista, que tanto reprimiu aos estudantes e ao povo em geral. Os
jovens eram muito rebeldes a seu poder; os operários, que viam seus
interesses defendidos continuamente pelos dirigentes comunistas, eram firmes e
leais ao Partido; mas na juventude e em amplos setores populares havia muita
rejeição justificada a Batista.
Acho que a experiência do primeiro Estado Socialista, Estado que deveu
compor-se e jamais destruir-se, tem sido muito amarga. Não pensem
que não temos pensado é muitas ocasiões nesse
fenômeno incrível mediante o qual uma das mais poderosas
potências do mundo, que conseguiu equiparar sua força com a outra
superpotência, um país que pagou com a vida de mais de 20
milhões de cidadãos a luta contra o fascismo, um país que
esmagou ao fascismo, desabou como se desabou.
Será que as Revoluções estão chamadas a se
derrubarem, ou será que os homem podem fazer com que as
revoluções se derrubem?. Os homens podem ou não impedir, a
sociedade pode ou não pode impedir que as revoluções se
derrubem?. Até poderia acrescentar-lhes uma pergunta
imediatamente. Acham que este processo revolucionário, socialista,
pode ou não derrubar-se? (Exclamações de:
"Não!") Pensaram nisso alguma vez? Pensaram-no com
profundeza?
Sabiam de todas estas desigualdades que estou falando? Conheciam certos
hábitos generalizados? Sabiam que alguns ganhavam no mês
quarenta ou cinqüenta vezes o que ganha um desses médicos que
está lá nas montanhas da Guatemala, membro do contingente
"Henry Reeve"? Pode estar noutros lugares distantes da África.
Pode até estar a milhares de metros de altura, nas cordilheiras do
Himalaia salvando vidas e ganha 5%, 10% do que ganha um ladrão destes
que vende gasolina aos novos ricos, que desvia recursos dos portos em
caminhões e por toneladas, que rouba nas lojas de divisa,
que rouba num hotel cinco estrelas, talvez trocando a garrafa de rum por outra
que procurou, a põe no lugar da outra e arrecada todas as divisas com as
que vendeu os goles que podem sair da garrafa de um tipo de rum mais ou menos
bom.
Quantas formas de roubo há neste país? Por que
nos estados de opinião leio todos os dias que muitos perguntam, quando
vão os trabalhadores sociais para as lojas de divisas, quando vão
para as farmácias, quando vão para aqui ou para lá?
Encheram-se de admiração e simpatias esses jovens trabalhadores
sociais de origem muito humilde, e muito bem preparados.
Vi aqueles rostos, como posso ver estes, e os rostos dizem mais que qualquer
artigo, dizem mais que qualquer livro, dizem mais que qualquer
clichê. Vocês conhecem muito bem que desde que esta
civilização existe, desde que a propriedade privada existe,
também surgiu a diferença de classes e que o mundo só
conheceu a sociedade de classes, o resto é pré-histórico.
E como posso saber que vocês provêm de setores humildes?
Nenhum de vocês chegou à universidade porque era filho de um
proprietário de importantes extensões de terra.
Cá estamos nós, me honraram colocando-me aqui. Quem de
vocês tem um pai que possua 1000 hectares, ou que trabalhe 10 000
hectares? Não lhes vou perguntar a cada um de vocês,
basta-me vê-los, se por acaso é filho de algum profissional,
alguns de camadas médias. Vocês aplaudiram muito bem porque
eu seu de onde vocês vêm, e vocês também sabem que
hoje não há ninguém para cortar a cana de
açúcar.
E quem a cortava?
Também se pode explicar por que hoje já não talhamos mais
a cana, não há quem a corte e as pesadas máquinas destroem
os canaviais. Os abusos do mundo desenvolvido e os subsídios
levaram os preços do açúcar que foram, naquele mercado
mundial, o preço do lixeiro de açúcar, enquanto que em
Europa pagavam duas ou três vezes mais a seus agricultores.
Quando a URSS nos pagava o açúcar a 27 ou 28 centésimos e
a pagava com petróleo, para eles o açúcar era mais barata
pagada com petróleo, que o açúcar de beterraba produzida
quase artesanalmente nos campos da URSS, um país no qual a economia
crescia extensivamente, não intensivamente e, por tanto, a força
de trabalho nunca bastava, a beterraba para fazer açúcar
precisava de muita gente.
Mas vamos chegando eu tenho chegado, e há muito tempo- a
perguntar-me, face esse poderoso império que nos observa, nos
ameaça, tem planos de transição e planos militares de
ação, em determinado momento histórico.
Eles estão aguardando um fenômeno natural e absolutamente
lógico, que é o falecimento de alguém. Neste caso me
honraram consideravelmente ao pensar em mim será uma confissão do
que não conseguiram fazer desde há muito tempo.
Se eu fosse um vaidoso, poderia ficar orgulhoso de que aqueles caras digam que
têm que aguardar até que eu morra, e esse é o
momento. Aguardar que morra, todos os dias inventam alguma coisa, que sim
Castro tem isto que se tem o outro, se tal o mais qual enfermidade. A
última coisa que inventaram é que tem Parkinson.
Sim, eu tive uma queda muito grande, ainda estou reabilitando-me deste
braço (assinala), e vai melhorando. Agradeço
muitíssimo as circunstancias em que se quebrou meu braço, porque
me obrigou a ter ainda mais disciplina, mais trabalho, a dedicar mais tempo, a
dedicar quase as 24 horas do dia a meu trabalho, se já eu estava
dedicando-as durante o período especial, agora dedico cada segundo e
luto mais do que nunca, ademais, me sinto, por sorte, melhor do que nunca,
justo porque estou sendo mais disciplinado e faço mais exercícios
(Aplausos).
Falaram em Parkinsonismo, e lembro que no dia seguinte da queda, tinham-me
falado em fissuras, em plural, na parte superior do úmero, e quando fui
escrever para informar o acontecido, me disseram: "Não, porque
fissura em plural quer dizer fratura." Naquela hora não tinha outra
hipótese que dizer: "Escrevam fissura, que eu lhe explicarei ao
povo, que não havia nenhuma fissura, mas sim que havia fissuras."
Inclusive o teria dito, porque sim, em qualquer circunstancia, não lhe
tenho medo ao inimigo; achava que estava em plenas faculdades, que o problema
era um acidente, não recebi golpes na cabeça, se tivesse recebido
golpe na cabeça, com certeza agora não estaria aqui; entrei numa
ambulância e vim para cá, onde, primeiro, me fizeram uma
rótula nova com os oito fragmentos da anterior e o resto das
coisas. Aqueles que me mataram tantas vezes estariam quase felizes; mas
sofreram desilusões mais desilusões, e me obrigaram a fazer um
trabalho duro no que diz respeito à reabilitação, dia a
dia para que a rótula funcione melhor ainda. E, quem sabe: se
derramaram dois litros de sangue no interior do ombro e a parte superior do
braço, que não apareciam na imagem radiográfica.
Tenho envidado esforços, continuo a fazê-los, o que tenho
aprendido é que até o último segundo estarei fazendo
exercícios, não deixo de fazer nada, e tenho mais vontade que
nunca para comer o que devo e não comer um grão a mais, do que
não devo.
Agora dizem que a CIA descobriu que eu tenho Parkinson. Esse caso
é como aquele do cara que descobriu que eu era o homem mais rico do
mundo. Que engano colossal! É uma pequena conta que ainda esta
pendente. A vocês lhes digo que não tenho falado disso porque nos
últimos tempos não tive nenhum espaço livre na
televisão: Posada Carriles por cá, o bandidismo por lá,
milhões de coisas. Mas esse assunto ainda fica pendente, perderam
a luta, e o cara e todos os que o apoiaram vão passar um mau momento por
ter cometido um erro tão grande, agora não sabem o que
fazer, talvez o único recursos que lhes resta seja
retificar. Disseram que tinha Parkinson. É claro que quando
a gente faz exercícios, o braço tem que ir fortalecendo-se
músculo por músculo. A quantas pessoas já tive que
cumprimentar? Milhares, e alguns chegam e quase me arrancam o braço, e a
gente não pode fazer a mesma coisa. Tem que fazer como alguns, que
quando tocam por essa parte que se esta curando, põem o ombro duro para
que pensem que é fortíssimo e que é de ferro. Cada
vez que me cumprimentam faço isso. Esse aqui tem mais força do
que esse outro (assinala para o braço direito). O que é o
que acham?
Mas a CIA tinha descoberto que eu tinha Parkinson. Bom, não tem
importância se sofresse de Parkinson. O Papa tinha Parkinson e
ficou muitos anos percorrendo o mundo, tinha uma grande vontade, lhe fizeram
atentados, e eu fiz assim: "Deixa ver como é que está meu
Parkinson, deixa apontar (aponta fixamente com o dedo indicador) (aplausos e
exclamações), e então eu digo: Essa é a
direita".
Sempre tive boa pontaria, foi uma sorte, e a tenho conservado, sem mirilha
telescópica, não é?, logicamente.
Ao dia seguinte do acidente, me enviaram para um hospital, me tiraram de ali,
me levaram para outro ponto, não protestei, mas a gente sabe tudo o que
estão fazendo, porque comigo tiveram que debater a
intervenção cirúrgica, e o que faziam com o joelho, e como
o faziam; o que faziam com o braço, eu diz: coloquem anestesia
local", porque se na realidade não me sinto em
condições de fazer qualquer coisa, chamo o Partido e digo:
"Vejam bem, não me sinto em condições de fazer
nada." Por isso tenho criticado aos médicos, porque a gravidade de
algumas coisas a reduziram um pouquinho. Um dizia cirurgia, tudo
bem; outro reabilitação, expressei: "Tudo bem, a final
eu não serei o lançador da próxima taça de
beisebol, nem participarei nas olimpíadas", disse: Era mais
perigoso submeter-se a uma intervenção cirúrgica, com
pregos ortopédicos e isso tudo. A uma pessoa de 20 ou 25 anos de
idade têm que fazer-lhe isso; mas em fim, tinha que ser feito o correto,
e se você pensa que não está em condições de
cumprir com seu dever, deve dizer: "Está acontecendo isto
comigo, por favor, alguém que assuma o comando, eu não posso
nestas circunstancias." Se vou morrer, morro, se não morro e
recupero minhas faculdades, de todas as maneiras a gente já tem alguma
experiência, certa autoridade e não ganha com a mentira e a
desonra. Tinha que preocupar-me por todas essas coisas naquele momento.
Uma vez disse que no dia em que morrer de verdade ninguém ia acreditar
nisso, podia andar como o Mio Cid, que após a morte foi levado a cavalo
ganhando batalhas.
Nunca devemos confiar no imperialismo, é traído e capaz de
qualquer coisa: Torturas em Guantánamo, torturas nas prisões do
Iraque, prisões de torturas em países ex-socialistas, usa
fósforo vivo, e depois afirma: "É a mais inocente e
legítima das armas." Em qualquer uma das circunstancias
é devemos supor que você em meu caso disponha de uma arma e esteja
em condições de usá-la. Cumpro esse
princípio. Disponho de uma Browning, de 15 tiros. Já
atirei muito na minha vida.
A primeira coisa que eu quis verificar, foi se meu braço tinha
força para manipular essa arma que eu sempre usei. Essa arma
está ao lado da gente, a gente a tem. Movimentei o carregador, a
carreguei, botei o seguro, tirei o seguro, tirei o carregador, atirei as
munições, e disse: Tranqüilo. Isso foi ao dia
seguinte. Tinha forças para disparar.
Tomamos medidas, medidas previstas para que não exista surpresa, e o
nosso povo deve saber com exatidão o quê fazer em cada caso.
Olhem bem, é preciso saber o quê fazer em cada caso.
Não vamos a descrever, não lhe vamos a contar a Bushezinho
quê medidas temos. Se posso dizer-lhe: "Olhe, cavalheirinho,
você vai estourar, caso não lhe dêem um pontapé por
onde Deus salve o lugar e seja tirado daí por violar as leis dos Estados
Unidos." Sim, todo o mundo esta rebelando-se contra ele, todo o
mundo, todo o mundo e não encontram mais do que crimes, crimes, crimes,
crimes e crimes.
É assim como estou dizendo as coisas, mas nesses planos, e sempre
inventando.
Hoje eu não quero e tomara que não tenha que fazê-lo
- sugerir à CIA, que está investigando minha saúde e o
grau de Parkinson que tenho sugerir várias investigações
em torno do imperador. Acredito que não é preciso fazê-lo.
O meu objetivo não são as ofensas pessoais. Digo-lhes isto,
porque refletem conceitos, refletem desprezo, refletem a idéia clara que
temos da mediocridade, da estupidez e de muitas outras coisas; mas não
quero referir-me a certos temas, temos muitíssimo material, e
podemos sugerir à CIA que está muito zangada, certamente,
porque foi ignorada, foi humilhada algumas investigações
sobre a saúde do imperador. Claro, a CIA também não disse
nada sobre como foi que entrou Posada Carriles nos Estados Unidos.
Ninguém, ninguém, ninguém!
Eu fiz uma pergunta para vocês, companheiros estudantes, que não
esqueci, nem sequer, e pretendo que vocês não a esqueçam
nunca, e é a pergunta que faço diante das experiências
históricas conhecidas e peço-lhes a todos, sem
exceção, que reflitam: Pode ser ou não irreversível
um processo revolucionário? Quais seriam as idéias ou o grau de
consciência que tornariam impossível a reversão de um
processo revolucionário? Quando os que foram dos primeiros, os veteranos
morram e surjam novas gerações de líderes, o quê
fazer e como fazê-lo? Se, nós afinal de contas, temos sido
testemunhas de muitos erros, e nem nos damos conta disso.
O poder que tem uma liderança quando goza da confiança do povo,
quando confiam na sua capacidade. São terríveis as
conseqüências de um erro daqueles que têm maior autoridade, e
isso aconteceu em mais de uma ocasião nos processos
revolucionários.
São coisas que a gente medita. Estuda a história, o quê
aconteceu aqui, o quê aconteceu lá, o quê aconteceu
lá, medita sobre o que aconteceu hoje e sobre o quê
acontecerá amanhã, para onde conduzem os processos de cada
país, para onde vai o nosso, como marchará o nosso, que papel
desempenhará Cuba nesse processo.
O país tem tido limitações de recursos,
muitíssimas; mas este país não fez mais do que esbanjar
recursos, tranquilamente, e daí para frente, enquanto vocês
recebiam um pequeno sabonete inodoro e creme de dentes para que se escovassem
os dentes disciplinadamente, a cada mês, não sei quanto, embora
que em algumas escolas descuidassem o atendimento a determinadas atividades que
provocaram, por exemplo, a excelentíssima dentadura de nossos jovens, e
existiram descuidos desse tipo. Houve pessoas que acreditaram que com
métodos capitalistas iam construir o socialismo. É um dos grandes
erros históricos. Não quero falar disso, não quero
teorizar; mas tenho muitos exemplos de que não se deu certo em muitas
coisas que foram feitas, aqueles que se consideravam teóricos que tinham
estudado em profundidade os livros de Marx, Engels, Lênine e os outros
teóricos.
Foi por essa razão que eu disse aquela palavra de que um dos nossos
maiores erros no começo, e muitas vezes ao longo da
Revolução, foi acreditar que alguém sabia como se
construía o socialismo.
Em minha opinião, hoje temos idéias bastante claras sobre como se
deve construir o socialismo, mas precisamos de muitas idéias bem claras
e de muitas perguntas encaminhadas a vocês que são os
responsáveis sobre como é possível preservar ou
será preservado o socialismo no futuro.
Qual sociedade seria esta, ou que digna de alegria quando nos reunimos em um
lugar como este, um dia como este, se não soubéssemos o
mínimo do que se deve saber para que nesta ilha histórica, este
povo heróico, este povo que escreveu páginas não escritas
por nenhum outro povo na história da humanidade preserve a
Revolução? Vocês não pensem que quem lhes fala
é um vaidoso, um charlatão, alguém que gosta do
bluff
.
Transcorreram 46 anos e a história deste país é conhecida,
os habitantes deste país a conhecem; a daquele império vizinho
também, o seu tamanho, seu poder, sua força, sua riqueza, sua
tecnologia, seu domínio sobre o Banco Mundial, seu domínio sobre
o Fundo Monetário, seu domínio sobre as finanças mundiais,
esse país que tem-nos imposto o mais brutal e incrível bloqueio,
sobre o qual se falou lá nas Nações Unidas e Cuba recebeu
o apóio de 182 países que passaram e votaram livremente
ultrapassando os riscos de votar abertamente contra esse império. E isso
foi conseguido pela ilha, e não precisamente contando com o apóio
do campo socialista da Europa, quando esse campo socialista desapareceu e
quando a URSS também se derrubou. Não apenas fizemos esta
Revolução com o nosso próprio risco durante muitos anos,
em determinado momento, tínhamos a certeza de que jamais se fossemos
atacados direitamente pelos Estados Unidos lutariam por nós, nem
podíamos pedi-lo.
Com o desenvolvimento das tecnologias modernas era ingênuo pensar ou
pedir ou esperar que aquela potência lutara contra a outra, se intervinha
nesta pequena ilha que está aqui a 90 milhas, tivemos a certeza total de
que nunca receberíamos esse apóio. Ainda mais: um dia lhes
perguntamos isso direitamente vários anos antes do seu desaparecimento:
"Digam-no-lo francamente: "Não." Responderam o que
já sabíamos que íamos a responder, e então, mais do
que nunca, aceleramos o desenvolvimento da nossa concepção e
aperfeiçoamos as idéias tácticas e estratégicas com
as que triunfou esta Revolução e venceu, com uma força que
inicia a sua luta com sete homens armados contra um inimigo que dispunha 80 000
homens entre marinheiros, soldados, policiais, etc, tanques, aviões,
todo tipo de armas modernas que naquela época podia-se possuir, era
infinita a diferença entre nossas armas e as armas que tinha aquela
força armada treinada pelos Estados Unidos, apoiada pelos Estados Unidos
e fornecida pelos Estados Unidos. Mais do que nunca, após essa resposta,
nos arraigamos em nossas concepções, as aprofundamos e nos
fortalecimos a um nível tal que nos permite afirmar hoje que este
país é invulnerável militarmente e não em virtude
das armas.
A eles lhes sobram todos os tanques, e a nós não nos sobra
nenhum, nenhum! Toda a sua tecnologia se derruba, é gelo ao meio dia no
centro de um parque caloroso. E mais uma vez, como quando tínhamos sete
pequenos fuzis e poucas balas. Hoje temos muito mais do que sete fuzis,
temos todo um povo que aprendeu a utilizar as armas, todo um povo que, apesar
de nossos erros, tem tal nível de cultura, de conhecimento e de
consciência que nunca permitiria que este país se tornasse
novamente em uma colônia deles.
Este país pode-se autodestruir-se a si mesmo; esta
Revolução pode destruir-se, são eles os que hoje
não podem destruí-la; nós sim, nós podemos
destruí-la e seria a nossa culpa.
Tenho o privilégio de viver muitos anos, isso não é um
mérito, mas é uma excepcional oportunidade para dizer-lhes a
vocês, a todos os líderes da juventude, a todos os líderes
das organizações de massa, a todos os líderes do movimento
operários, dos Comitês de Defesa da Revolução, das
mulheres, dos camponeses, dos combatentes da Revolução
organizados em todas as partes, lutadores durante anos que em cifra de centenas
de milhar cumpriram gloriosas missões internacionalistas, estudantes
como vocês, inteligentes, preparados, saudáveis, organizados, que
estão em todas as partes, em cada uma dessas novecentas e tal sedes, nas
mil e tal, nas duas mil e tal que vamos ter aceleradamente e continuará
crescendo até mais de 500 000, 600 000 e não será muito
maior porque irão formando-se muitos anualmente. E os que vão
formando-se, como os nossos médicos lá na Venezuela, todos
estarão estudando com os computadores, os vídeos, os meios
audiovisuais necessários, na procura de um título
científico, um mestrado ou um doutorado em ciências
médicas, todos, cem por cento.
Hoje se pode falar de tantas dezenas de milhares de especialistas em medicina
geral integral e amanhã, embora não queiramos, haverá que
falar de dezenas de milhares de títulos ou de mestrados e doutorados em
ciências médicas, por apenas citar um ramo. Não devemos
esquecer que um dia tivemos 3 000 e não tínhamos professores
universitários, e desta mesma universidade foram embora muitos e hoje se
fala de que em poucos anos serão 100 000 médicos, e quando
precisemos 150 000 os teremos, e haverá alguns que serão
professores universitários como teremos dezenas de milhares de
programadores e desenhadores de programas e pesquisadores, em muitas e
várias mudanças temos que saber muitas cosas ao mesmo tempo,
muitas mais do que os diversos títulos que consigamos.
Agora eu lhes falava sobre uma batalha, perguntei quanto custava. Não
pensem que estes jovens vão suar e perder o tempo, os 28 000
trabalhadores sociais, já lhes exprimi como foi que me percebi de que
pertenciam ao setor mais humilde deste país, eu o via nos seus rostos,
involuntariamente foi-se desenvolvendo o hábito de adivinhar até
a província de origem dos compatriotas. Eu já disse brincando e
digo-o aos médicos que marcham a cumprir missão, aos
trabalhadores sociais, que cada um deles pertence a uma microtribo.
Conheço aos que são de Manzanillo, por exemplo, os de Havana, os
de Guantánamo, os de Santiago; é impressionante ver os mais
humildes setores sociais deste país convertidos em 28 000 trabalhadores
sociais e centenas de milhar de estudantes universitários,
universitários! Vejam que força! E em breve veremos também
em ação a aqueles que formamos há pouco tempo na cidade
esportiva.
A cidade esportiva nos ensina sobre o marxismo-leninismo; ensina-nos sobre as
classes sociais; a cidade esportiva reuniu há pouco tempo
aproximadamente a 15 000 médicos e estudantes de medicina e a alguns da
ELAM, e outros que vieram inclusive de Timor Leste para estudar medicina, nunca
poderá se esquecer. Não acredito que se trate de um sentimento
pessoal de qualquer de nós.
Nunca esta sociedade esquecerá essas imagens das 15 000 batas brancas
que ali se reuniram no dia em que se formaram os estudantes de medicina, no dia
em que foi criado o contingente "Henry Reeve", que já em um
número considerável enviou suas forças para os lugares
onde aconteceram fenômenos excepcionais em um tempo muito mais breve do
que imaginávamos.
Pouco tempo depois formamos àqueles jovens instrutores de arte, mais de
3 000, era a segunda vez, após aquela primeira formatura em Santa Clara.
Já são 3 000 novos, já estão atuando; também
estão atuando os outros 3 000 que cursam o último ano. Assim
vão-se multiplicar e um dia reuniremos pelo menos, a metade dos
trabalhadores sociais que hoje estão desenvolvendo uma das tarefas mais
importantes que realizara nunca um grupo de jovens, um grupo de especialistas
no trabalho social, unido a uma força de jovens estudantes
universitários, porque são, pela sua vez, a mesma coisa.
O que poderá resultar do trabalho desses jovens? Vamos pôr fim a
muitos vícios desse tipo: muito roubo, muitos desvios e muitas fontes de
fornecimento de dinheiro dos novos ricos.
Pensará alguém que vamos confiscar o dinheiro? Não, o
dinheiro é sagrado; toda pessoa que tenha o seu dinheiro num banco,
é intocável.
Vejam algo novo, vai travar-se um combate contra uma série de
vícios, roubos, desvios, um por um, numa ordem que ninguém sabe.
O suspeitavam? É muito bom!
Mas que nível de arraigo tem determinados vícios.
Começamos por Pinar del Rio para ver o que acontecia com os postos de
gasolina que vendem combustível em divisas. Logo descobrimos que o que
se roubava era tanto como a receita. Roubavam quase a metade e nalguns outros
lugares mais da metade.
Bom, o quê acontece em Havana? Mudarão? Que nada!, tranqüilos
e felizes. Talvez pensassem que esses trabalhadores sociais erão bobos,
meninas e meninos. Porque o curioso é que 72% dos trabalhadores sociais
são mulheres não sei se alguma vez aconteceu algo
semelhante-, como também os médicos que estão dando
glória a este país, dando-lhe enorme prestígio e
abrindo vias para que o país utilize o seu capital humano, que
vale muito mais do que o petróleo. Repito, vale muito mais do que o
petróleo ou o ouro. Qualquer país que tenha petróleo, diz:
"Ouça, que sorte, tenho este recurso natural que está
esgotando-se!" Nós também, e vamos incrementar a
produção de petróleo, sem dúvidas. É uma
sorte não tê-lo encontrado antes para não tê-lo
esbanjado.
O capital humano não é um produto renovável; é
renovável, mas, além disso, multiplicável. A cada
ano o capital humano cresce e cresce, recebe o que no meu tempo chamavam de
juro composto: soma o que vale e recebe juros pelo que valia e o que ganhou
pelo que valia, aos cinco anos é muito mais capital, e aos cem anos
é nem sequer é possível imaginar-se.
Permitam-me dizer-lhes que hoje praticamente o capital humano é, ou
avança aceleradamente para tornar-se o mais importante recurso do
país, ultrapassando inclusive a o resto todos juntos. Não estou
exagerando.
Eu perguntava quanto custava, qual era o custo econômico de todas as
nossas universidades.
Apenas com as novas receitas arrecadadas pelas garagens e, sem
dúvidas, eles não estarão ai o tempo todo, não se
imaginem em três meses, a partir de agora; e se o ano
próximo vocês forem mais outro 50%, arrecadariam o
necessário em quatro meses. Isso por si só, obrigando os novos
ricos a pagarem o combustível que consumem, poderiam pagar anualmente
não menos de quatro vezes o que custam os 600 000 estudantes
universitários e os seus professores. Mais vale pouco do que nada,
não é?
Vocês sabem o que é "ñapa"?, os santiagueros o
sabem. Quando alguém comprava algo no mercado recebia como prêmio
um doce à base de amêndoas, coco e mel ou algo semelhante. Essa
era a "ñapita". Os trabalhadores sociais pagam isso com uma
"ñapita" do que arrecadem.
Chegaram a Havana e de repente em Havana começam a arrecadar o dobro. E
os que estavam não arrecadavam mais? Não, tiveram que chegar os
trabalhadores sociais lá. Eu disse: "Será possível
que não escarmentem e se auto-corrijam?".
No fim vão-se auto-corrigir os que não queiram entender, mas de
outro jeito; sim, vão-se sujar com o seu próprio lixo. Não
querem compreender.
O que acontecia nesse momento em Matanzas e na província Havana? A
arrecadação aumentou apenas um pouquinho, 12%, 15%, 20%, mas o
comportamento era semelhante que em Pinar del Rio e na capital antes de serem
controlados.
Na província Havana muitos aprenderam a roubar como loucos.
Hoje os trabalhadores sociais estão nas refinarias, hoje os
trabalhadores sociais vão num caminhão-cisterna de 20 000 ou 30
000 litros e vão vendo, mais ou menos, por onde é que
vai, e qual deles se desvia da rota.
Por ai descobrimos postos de gasolina privados, alimentados com o
combustível dos motoristas destes caminhões-cisterna.
Algo que é conhecido é que muitos dos caminhões do Estado
vão por um lado ou por outro e sempre alguém aproveita a
ocasião para visitar um parente, um amigo, uma família ou a
namorada.
Lembro aquela vez, há vários anos antes do chamado período
especial que vi rápido pela Quinta Avenida uma suntuosa carregadeira
frontal Volvo quase acabado de comprar, que naquela época custavam 50
000 ou 60 000 dólares. Senti curiosidade de saber para onde é que
ia a aquela velocidade e pedi ao escolta: "Espera, pergunta-lhe para onde
vai, que te fale francamente." E confessou que ia visitar à
namorada com aquele Volvo, que corria a toda velocidade pela Quinta Avenida.
Vereis coisas, Mio Cid dizem que alguém disse lá, seria
Cervantes-, que farão falar às pedras.
Pois coisas como essas aconteceram. E, geralmente, o sabemos tudo, e muitos
disseram: "A Revolução não pode; não, isto
é impossível; não, ninguém pode solucionar
isto." Sim, isto vai solucioná-lo o povo, isto vai
solucioná-lo a Revolução e de que maneira. É
apenas uma questão de ética? Sim, é, antes de mais, uma
questão de ética; mas, além disso, é uma
questão econômica vital.
Este é um dos povos mais esbanjadores de energia combustível do
mundo. Aqui ficou demonstrado, e vocês com toda a honradez o disseram, e
é muito importante. Ninguém sabe quanto custa a eletricidade,
ninguém sabe quanto custa a gasolina, ninguém sabe o valor que
tem no mercado. Ia dizer-lhes que é muito triste quando uma tonelada de
petróleo pode custar 400 e de gasolina 500, 600, 700 e por vezes chegou
a atingir 1000, e é um produto cujo preço não vai
diminuir, alguns apenas circunstancialmente e não por muito tempo,
porque o produto físico se esgota; simplesmente se esgota, como um dia
vão esgotar-se muitos minerais.
Nós vemos as nossas minas de níquel, que vão deixando o
buraco onde houve muito níquel. Isso também está
acontecendo com o petróleo, as grandes jazidas já apareceram e
cada vez são menos. Esse é um tema sobre o qual pensamos muito.
Sabem, por exemplo, um caminhão marca Zil-130 quantos quilômetros
caminha por um litro? 1,6 quilômetros e transporta cana ou reparte a
merenda dos estudantes do ensino secundário. Quando lhe perguntaram ao
Ministério do Açúcar: Vamos ver, quantos caminhões
te sobram para ajudar ao Ministério da Indústria Alimentar a
distribuir a merenda gratuita do ensino secundário, que já
alcança 400 000 estudantes, o iogurte que devem receber ou o pão?
É claro, que dos caminhões que lhes sobravam lhe deram os de
gasolina, os que mais consumiam.
Se você troca esse caminhão Zil de 1,6 litros por outro que tenha,
em primeiro lugar, o tamanho adequado, por vezes está substituindo uma
caminhonete de duas toneladas e ele é de cinco, por vezes até uma
caminhonete de 1,2 toneladas. Isto começamos vê-lo em uma
discussão com a empresa da indústria elétrica, colocaram o
problemas de seus caminhões para reparar as redes elétricas e
disseram: "Temos que mudar 400 equipamentos soviéticos que consumem
muita gasolina, consumimos tanto e tanto." Começamos a estudar cada
caso, quanto consumiam, com que deviam ser substituídos. Tivemos que
discutir bastante, não pensem que os diretores de nossas empresas
têm o hábito da disciplina. E não todos podem ser muito
felizes, lhes advirto, e os advirto a eles também, porque esta vai ser
uma luta dura. Até hoje ninguém tem protestado, mas existiam, se
não me engano aproximadamente 3 000 entidades que operavam divisas
convertíveis e decidiam com bastante amplitude as despesas em divisas
convertíveis de seus lucros, se compro isto ou aquilo, se pintar, se
comprar melhor um carrinho e não continuo com o carrinho velho que
temos. Nós compreendemos que nas condições deste
país essa situação devia ser ultrapassada e realizamos uma
reunião com as principais empresas e aquela situação
começou a mudar.
Se você estivesse em uma guerra e tem muitas balas não lhe importa
se os fuzis disparam bem ou não; se tiver poucas balas, isso era o que
sempre nos acontecia, devíamos conhecer as balas de cada fuzil e
até as marcas das balas, embora que fossem do mesmo calibre, porque
algumas funcionavam melhor com determinados fuzis, outras os estragavam e por
vezes para poupar tínhamos que proibir que disparassem, dispare apenas
se quiser tomar a trincheira. Assim estávamos nós.
Os bancos, nós temos excelentes instituições
bancárias. Hoje são alocados recursos para todas as despesas do
país, são administrados pelos bancos, o entregam de acordo com o
programa estabelecido e nenhum diretor vai almoçar com o representante
de uma poderosa empresa e nunca é convidado a um restaurante, nem
é convidado a viajar para Europa para alojá-los na
residência do dono ou num hotel de luxo; porque, afinal de contas, alguns
de nossos funcionários eram compradores de milhões, e compradores
de milhões por uma parte, e a arte de corromper que tem muitos
capitalistas, mais sutis que uma serpente e por vezes piores que os ratos,
anestesiam na mesma medida em que vão mordendo e são capazes de
arrancar a uma pessoa um pedaço de carne em plena noite, dessa forma iam
adormecendo à Revolução e arrancando-lhe a carne.
Não poucos evidenciavam sua corrupção, e muitos o sabiam
ou o suspeitavam, porque viam o nível de vida e, em ocasiões, por
tonteiras este mudou o carrinho, o pintou, lhe colocou isto ou lhe colocou umas
faixinhas bonitinhas porque se tornou vaidoso; isso já o ouvimos vinte
vezes aqui, lá e é preciso tomar medidas aqui ou lá; mas
isso não se resolvia facilmente.
Assim que há desvio de recurso nos postos de gasolina. Aqui há
determinadas faculdades para fornecer combustível porque aquele
cavalheiro, que pode ser muito amigo meu, está empregando o seu carro de
uma maneira muito útil e, por tanto, lhe entrego uma quantidade de
combustível. Essa é uma das mil formas, há dezenas de
formas de esbanjar ou desviar recursos, e se os controles estabelecidos
não são exercidos ou senão descobrimos a verdadeira
maneira de acabar com isso, continua e se repete.
Agora, neste país pode-se poupar mais energia, inclusive, que em outros,
porque este país tem 2 400 000 geladeiras antiquadas na área dos
núcleos familiares, que consumem quatro ou cinco vezes mais eletricidade
por hora, e esse consumo fazem-no durante 24 horas.
Um pequeno dado, para que não o esqueçam. Pinar del Rio tem 143
000 geladeiras, deles aproximadamente 136 000 são marca INPUD, Minsk e
outras antigas marcas soviéticas, Frigidaire e outras marcas
capitalistas, consomem, calculo eu, pelo menos, aproximadamente 20% - eu
utilizo outra cifra, perante vocês vou usar esta ainda mais conservadora
da eletricidade que as termelétricas produzem para Pinar del Rio
nas horas de maior demanda elétrica.
Antes lhes falei sobre um caminhão marca Zil, como esse há
milhares, muitos milhares. Há piores coisas, muitos organismos têm
seus caminhões parados e não foram desativados, e por outro lado,
a administração central acostumou-se, de certa forma, a negociar
com os ministérios. A administração central do Estado
não tem que negociar com nenhum ministro, tem que dar-lhes ordens aos
ministros: Quantos caminhões tem o ministério? "Tenho tantos
ou tantos caminhões". Analisar em profundidade os problemas e tomar
decisões.
Quando a indústria canavieira, que antes produzia oito milhões de
toneladas e hoje apenas consegue um milhão e meio, porque tivemos que
suspender definitivamente a preparação das terras e a semeia
quando o combustível já atingiu 40 dólares por tonelada e
era a ruína do país, sobretudo, quando isso acontecia unido a
furacões cada vez mais freqüentes , ou secas mais prolongadas e
porque o campo de cana apenas durava quatro ou cinco anos, antes eram 15 anos
ou mais, e quando o preço do mercado mundial era de sete centavos,
lembro inclusive o dia que fiz uma pergunta sobre o preço do
açúcar e outra sobre a produção no final de
março a uma empresa comercializadora de açúcar e
não sabiam nem sequer o açúcar que estavam produzindo
mensalmente e ao perguntar o custo em divisas de uma tonelada de
açúcar ninguém o sabia, se soube apenas aproximadamente um
mês e meio depois.
Houve simplesmente que fechar as usinas açucareiras ou íamos para
a Fossa de Bartlett. O país tinha muitos economistas, muitos, muitos e
não tento criticá-los, mas com a mesma honestidade que falo sobre
os erros da Revolução posso perguntar-lhes por que não
descobrimos que a manutenção daquela produção,
quando havia tempo que a URSS se derrubou, o preço do petróleo
era de 40 dólares por tonelada e o preço do açúcar
estava muito baixo, por que não se racionalizava aquela indústria
e por que era preciso semear 20 000 (1 caballeria = 13,6 hectares) esse
"caballerias" ano, quer dizer, quase 270 000 hectares para o qual
é preciso lavrar a terra com tratores e charrúas pesadas, semear
uma plantação de cana que depois é necessário
limpar com máquinas, fertilizar com custosos erbicidas, etc., etc, etc.
Nenhum economista dos que o país tem, pelo visto, percebeu isso e
simplesmente houve que dar uma instrução, quase uma ordem para
deter aquelas preparações da terra. É como se lhe dizem:
"O país está sendo invadido", você não
pode dizer: "Espere-se, que vou reunir-me trinta vezes com centenas de
pessoas". É como se durante a invasão da Bahia dos Porcos
tivéssemos dito: "Vamos realizar uma reunião e discutir
três dias as previdências que tomaremos contra os invasores."
Posso assegurar-lhes que a Revolução tem sido ao longo de sua
história uma verdadeira guerra e constantemente o inimigo vigiando, o
inimigo disposto a bater e batendo quantas vezes lhe demos uma oportunidade.
Na verdade, eu falei com o ministro e lhe perguntei: "Olha, por favor,
quantos hectares tem lavradas?" Responde: "Oitenta mil." Lhe
digo: "Não lavres nenhum hectare mais." Não era o meu
papel, mais não tive outra alternativa, você não pode
deixar que o país seja afundado e em abril o país estava lavrando
20 000
( "caballerias").
Temos feito coisas assim, coisas que fariam com que as pedras falassem.
Vocês não são culpados; mas o que estava nos acontecendo?
Por que não o percebíamos? Que coisas más estávamos
fazendo? O que devíamos retificar? Havia muito tempo que a URSS tinha-se
derrubado, ficamos sem combustível do dia para a noite, sem
matérias-primas, sem alimentos, sem produtos para a higiene pessoal, sem
nada. Talvez fosse preciso que acontecesse o que aconteceu, talvez foi
necessário que sofrêssemos o que sofremos, dispostos, como
estávamos a dar a vida cem vezes antes de entregar a Pátria,
antes de entregar a Revolução, a Revolução na qual
acreditávamos.
Talvez foi necessário porque temos cometido muitos erros, e são
os erros que estamos tentando retificar, se quiserem, que estamos
retificando.
Uma das grandes retificações que fizeram o Partido e o Governo
foi essa de pôr fim à prerrogativa de 3 000 cidadãos de
administrar as divisas do país, se contraiam dívidas podiam
contrair uma dívida de tal ou qual volume ninguém tinha a
certeza se era possível pagá-la ou não; quando chegava o
momento de pagá-la, porque podia ser um investimento
desnecessário ou disparatado, ou subjetivo, o Estado tinha que
pagá-la, e se o Estado não a pagava o seu crédito se
afetava muito.
Hoje não acontece assim, desejo exprimir-lhes que o país
está pagando até o último centavo, sem retrasar-se um
segundo e o seu crédito cresce, cresce e cresce. O dinheiro já
não se esbanja; o esbanjamos, mas não em colossais disparates
como o da indústria canavieira.
Chamaria mais a atenção se lhes digo que, segundo os
inventários, esse ministério tem de 2 000 a 3 000
caminhões mais que os que tinha quando produzia 8 milhões de
toneladas de açúcar. É difícil, mas o digo e o digo
e não se sabe as vezes que deva dizê-lo e as críticas que
faça publicamente, porque não tenho medo de assumir as
responsabilidades que tenha que assumir, não podemos atuar com
fraquezas. Que me ataquem, que me critiquem, eu sei como são as coisas,
o sei muito bem. Tem que haver muitas pessoas magoadinhas: reis, zares,
imperadores.
Todos são assim? Não! Todos os nossos ministros são assim?
Não! Alguns de nossos ministros foram deficientes e deficientes de mais
em seu desempenho. Por vezes temos sido fracos com funcionários que
ocupam importantes cargos, mas eu tenho um velho hábito de muito tempo:
costumo trabalhar com aqueles companheiros que tinham cometido erros, tenho-o
feito muitas vezes ao longo da minha vida, enquanto veja qualidades neles e o
que falta é a orientação correta ou muitas vezes sofrem
cegueira, apesar de todos os mecanismos e instituições que tem o
país para defender-se para lutar, para combater honradamente, sem abusos
de poder. Olhem bem: sem abuso de poder!, nada justificaria jamais que algum de
nós tentara abusar do poder. Sim, devemos atrever-nos, devemos ter
coragem de dizer as verdades, e não todas, porque você não
está obrigado a dizê-las todas de uma vez, as batalhas
políticas tem a sua táctica, a informação adequada,
seguem também o seu caminho. Eu não lhes digo tudo, eu vou
dizendo-lhes aquilo que é indispensável. Não importa o que
digam os bandidos e as notícias que cheguem amanhã ou depois de
amanhã, ri melhor quem ri por último.
Por ai há uns cabograminhas dizendo coisas: que Castro lançou uma
ofensiva, que Castro lançou os trabalhadores sociais, que estamos
renunciando aos avanços progressistas conseguidos. O avanço
progressista é que vendam uma libra de arroz a quatro pesos, que enganem
o cidadão. Que aposentado pode comprar isso? Um aposentado, por um lado,
80 pesos, cinco librinhas de arroz na caderneta de racionamento. Havana
não, era privilegiada, tinha seis, a Havana recebeu mais uma libra
adicional e Santiago também recebeu uma, o resto das províncias
receberam cinco libras. É preciso medi-las onça por onça,
100 gramas, como cresce, o que acontece com a caderneta de racionamento, a
pessoa que tem açúcar a troca por arroz, e aquele ao qual lhe
sobra uma coisa ou outra.
Hoje todo o país recebe mais duas libras de arroz. Gostaria de ver o
momento em que esse produto satisfaça as nossas necessidades. Já
não está tão longe, longe, longe, salvo se o utilizarem
como razão animal para frangos. Bom, já isso é outra
coisa. Nos aproximamos ao momento em que o arroz satisfaça as
necessidades. Também vamos criando condições para que a
caderneta de racionamento desapareça. Vamos criando
condições para que algo que resultou indispensável em umas
condições, e que agora atrapalha, mude. E se você quer
comprar mais arroz, compra mais arroz e menos açúcar ou mais
quantidade de uma coisa ou da outra, e não apenas feijão preto
este ou feijão vermelho ou outro. Não, para comprar se quiser
vermelho, preto, ervilhas, lentilha, fava, feijão branco e os saiba
cozinhar. Advirto-lhes, vão ter que prestar atenção
à cozinha, com certeza, em breve.
Assim também alguns falavam sobre o "chocolatinho": "Eu
acreditarei nisso quando o veja." Assim também aconteceu com a
panela de pressão, pois agora há milhões de pessoas que
acreditam nisso. Outros diziam sobre o "chocolatinho": "Como
é? Quanto custa?" "Oito pesos". "Para ser racionado
está caro"!" Moral: Todo produto racionado tem que ser a
preços muitos baixos como a eletricidade. "para ser racionado,
quanto custa?" Ah!, oito pesos." Quantos centavos em dólares,
ao câmbio, depois da revalorização? Trinta e dois centavos.
O que é que tem? Ah, tem 200 gramas; cada 11 gramas, sete são de
leitelho ou leite magro em pó, aqueles que não acreditavam nisso
que o averigúem, que o levem a um laboratório e o examinem;
quatro gramas de cacau, que é muito forte, é tão forte
quanto saudável, e já Cuba é hoje, possivelmente, o
país com mais alto consumo de cacau per capitã, a criança
consume o seu, mais o pai também o consume, do mesmo jeito que o pai
também consume o café do filho, visto que a criança nasceu
e está inscrita, então é preciso dar-lhe um pacotinho de
café, com café de verdade, a cinco pesos. "Para ser
racionado, está caro!" O mais que pode dizer-se é:
Está muito menos subsidiado.
O caminho para conseguir o que dizia: que o trabalhador receba mais, e que toda
pessoa que trabalhe receba mais, e que todo aposentado receba mais, não
é esse; acontece que nós falamos de ter mais receitas e mais
produtos.
Ai há dois, não são mus e alguns estão descobrindo
o chocolate. Sei que os médicos lá na cordilheira de Cachemira
todas as noites tomam "chocolatinho", esse pacotinho que para ser
racionado está caro e lhes podem acrescentar o leite. Se quiserem, ao
"chocolatinho" da criança podem acrescentar mais, lhe
acrescentam a água, ou acrescentam leite, e tem proteína.
Posso-lhes assegurar que medimos todas as proteínas que tem cada um
desses grãos de feijão e cada ovo. Uma boa parte do país
recebia cinco, em Havana recebiam oito. Hoje há mais de 100
municípios que recebem 10 e cada um dos novos recebeu um aumento.
Sim, se somados: 5 vezes 9 são 45, mais 5 vezes 15 centavos são
75, significa que com 5,25 centavos podem comprar-se 10 ovos, e aquele que
menos recebeu, daquelas pessoas que receberam os benefícios da
previdência social, recebeu 50 pesos; o que menos recebeu pode comprar 5
novos ovos por 4,50. Correto.
Ah!, mas, depois apareceu o "chocolatinho" que são 8
pesos, ou o "cafezinho" que são 5 pesos e somando
8 são, 13 e 13 mais somando 5,25 são 18,25.
Bom, é que há mais duas libras de arroz, e essas duas custam 90
centavos de peso cada uma delas, digamos , algo menos de quatro centavos de
dólar. Sim, é nova, o país tem que gastar 40
milhões de dólares por conceito de essas outras duas libras de
arroz e não duvidou em gastá-los. Quem recebeu o aumento de 50
pesos já começa a ter um pouquinho menos, mas já estamos
pensando quanto aumentar de imediato ao aposentado para que comprem isso e
outras coisas, e que o dinheiro esteja garantido antes de distribuí-lo.
A questão não é imprimir notas e distribuí-las sem
terem equivalente em mercadorias ou serviços, porque então
aqueles ilustres intermediários vão cobrar 5 pesos pelo o arroz
ou qualquer outra coisa e não 3. Não esqueçam que
são piratas que podem cobrar o que quiserem. Se quiserem poderiam dizer:
Me pagam a libra de feijão a 8 pesos.
Quero dizer que todos aqueles que no país eram 5 milhões-recebiam
10 onzas de feijão, já estão recebendo 20, e todos os que
recebiam 20 já estão recebendo 30 quer dizer, que a
quantidade de feijão ou grãos foi triplicada, salvo o arroz e o
milho. Cinco milhões, três vezes mais e o resto 50% mais.
Isso custou algumas dezenas de milhões de dólares.
Não quis vós perguntar de onde é que saem ou como podem
sair, porque o discutem os teóricos: "Isto é pouco"-
Ideal seria o triplo. E de onde? Cavalheirinho, me quer dizer de onde é
que saem, a quem é necessário assaltar ou zombamos de vocês
dando muito mais do que isso para não resultar enganado?
Há algumas perguntinhas que devemos fazer aos tolos, porque nem toda
pessoa que opina é tola, porém há muitas tolices devido
à ignorância: isto é caro, isto é caro, tudo
é caro.
Finalmente demos as casas de presente, alguns as compravam, eram donos, pagaram
50 pesos mensais, 80 pesos, bom, segundo a troca, se o recebiam de Miami, eram
aproximadamente US$ 3.00; alguns vendiam-na, US$ 15.000, US$ 20.000, no final
dos anos a tinham pagado com menos de US$ 500.
Pode o país pode resolver seu problema de habitação
presenteando casas? Quem as recebia, o proletário, o humilde? Muitos
humildes receberam a casa de presente e depois venderam-na ao novo rico. Quanto
podia pagar o novo rico por uma casa? e isso é socialismo?
Pode ser uma necessidade num momento determinado, também pode ser um
erro, visto que o país sofreu um golpe esmagador, quando de um dia para
o outro aconteceu o derrubamento da grande potência e nos deixou
sozinhos, e perdemos todos os mercados para o açúcar e deixamos
de receber víveres, combustível, até madeira para poder
enterrar de maneira cristã os nossos mortos. E todos achavam:
"Isso se derruba", e os muito estúpidos ainda acreditam nisso,
que isto vai cair e se não acontece agora, depois. E quanto mais
ilusões tenham e mais pensem, mais devemos pensar nós, e mais
conclusões devemos tirar, para que a derrota jamais atinja este glorioso
povo que tanto confia em nós todos (Aplausos)
Que cá jamais exista a URSS, nem campos socialistas desfeito, dispersos!
Que o império não venha a criar cárceres para torturar
homens e mulheres progressistas do resto do continente que se ergue atualmente
decidido rumo à segunda e definitiva independência!
É melhor que não fique nada do nosso passado nem de nenhum de
nossos descendentes antes que tenhamos que viver novamente uma vida tão
repugnante e miserável.
Eu dizia que éramos ainda mais revolucionários porque conhecemos
melhor o império, conhecemos ainda melhor do que são capazes e
antigamente fomos incrédulos inclusive perante algumas coisas, para
nós eram impossíveis.
Enganaram o mundo. Quando surgiram os meios de comunicação em
massa apoderaram-se das mentes e governavam não só com mentiras,
mas também com reflexos condicionados. Não é o mesmo uma
mentira que um reflexo condicionado: a mentira afeta o conhecimento; o reflexo
condicionado afeta a capacidade de pensar. E não é o mesmo estar
desinformado que perder a capacidade de pensar, porque já criaram-te os
reflexos: "Isto é mau, isto é mau; o socialismo é
mau; o socialismo é mau", e todos os ignorantes e todos os pobres e
todos os explorados dizendo: "O socialismo é mau" "O
comunismo é mau" e todos os pobres, todos os explorados e todos os
analfabetos repetindo: "O comunismo é mau. "
"Cuba é má, Cuba é má", disse o
império, o disse em Genebra, o disse em vários lugares, e todos
os explorados deste mundo, todos os analfabetos e todos os que não
recebem atendimento médico, nem educação, nem te emprego
garantido, que não têm nada garantido: "A
Revolução Cubana é má, a Revolução
Cubana é má". "Escute, a Revolução Cubana
fez isto e mais isto". "Escute, não existe nenhum
analfabeto". "Escute, esta é a mortalidade infantil".
"Escute, todo mundo sabe ler e escrever". "Escute, não
pode existir liberdade se não há cultura". "Escute,
não pode existir eleição".
De que falam? Que faze o analfabeto? Como pode saber que o Fundo
Monetário Internacional é bom ou mau, e que os lucros são
mais altos, e que o mundo é submetido e saqueado incessantemente
através de mil métodos desse sistema? Ele não sabe.
Não ensinam a ler nem a escrever as massas, todos os anos gastam um
milhão em publicidade; e não é só o que gastam,
senão que gastam criando reflexos condicionados, porque ele comprou
Palmolive; aquele, Colgate; mais outro, sabonete Candado, porque, simplesmente,
o repetiram cem vezes, associaram-no a uma imagem bonita, semearam-lhe,
talharam-lhe o cérebro. Eles, que falam tanto a respeito da lavagem de
cérebro, talham-no, dão-lhe forma, tiram ao ser humano a
capacidade de pensar; e se fizessem isso com alguém formado na
universidade que pode ler um livro, seria menos grave.
O que é que pode ler o analfabeto? Como é que percebe que o
estão enganando? Como á que percebe que a maior mentira do mundo
quer dizer que isso é democracia, o sistema podre que impera aí e
na maior parte, por não dizer em quase todos os países que
copiaram este sistema? Fazem um dano terrível. E cada um vai tendo
consciência, vai tendo consciência dia a dia, dia a dia; dia a dia,
mais desprezo, mais repugnância, mais ódio, mais condena, mais
vontade de combater. Isso é o que faz com que a gente seja, transcorrido
algum tempo, ainda mais revolucionário do que era quando ignorava muita
coisa e apenas conhecia os elementos da injustiça e da desigualdade.
No momento em que lhes digo isto não estou teorizando, embora tenhamos
que teorizar; estamos atuando, marchamos visando uma mudança total de
nossa sociedade. Temos que fazer mais outra mudança, porque tivemos
tempos muito difíceis, surgiram essas desigualdades, injustiças,
e vamos fazê-lo sem abusar de ninguém, sem tirar um peso a
ninguém. Não, não vamos tirar um peso a ninguém;
mas para nós, a fé que a população tenha num banco,
vale mais do que outra coisa qualquer. E porque a Revolução cria
riquezas, e porque a Revolução vai criar importantes quantidades
de riquezas que não saíram da cana-de-açúcar nem de
nenhuma outra coisa, saíram, principalmente, desse capital,
também da experiência, porque é muito importante saber o
que há que fazer.
Se alguém contar para vocês a história de todos os pontos
de venda de gasolina da capital, ficam surpreendidos; há mais do dobro
do que deveria haver, é um caos. Cada ministério decidiu
pôr e pôs o seu, e reparte aqui e lá. Nos Poderes Populares
o desastre é universal, o caos, e, além disso, deram ao Poder
Popular os caminhões mais velhos, os que gastam mais gasolina, etc.
Quando parecia que se racionalizava o uso dos caminhões, o país
hipotecava-se para toda a vida.
Poderia ser a mesma conduta quando o combustível custava dois
dólares, que quando custava US$ 10 ou US$ 20, ou custava US$ 40, ou US$
60? Essa foi, precisamente uma das piores coisas que tivemos que enfrentar,
acreditar nos estrategistas dos sistemas elétricos. A gente
perguntava-se, várias vezes, e descobria que o problema fundamental era
que se aplicava uma concepção que se correspondia com a
época em que o combustível custava dois dólares, e
também a política com a cana-de-açúcar se
correspondia com a época que custava dois dólares.
O preço do petróleo não se corresponde atualmente com
nenhuma lei de oferta e demanda; seu preço depende de outros fatores: da
escassez, do esbanjamento colossal dos países ricos, e ele não
tem nada a ver com nenhuma lei econômica. É sua escassez perante
uma crescente e extraordinária demanda.
Mesmo hoje, de manhã, soube de uma notícia: para o ano
próximo se precisa de mais dois milhões de barris diários,
o ano próximo se necessitam mais de oitenta e quatro milhões de
barris de petróleo diários, e os Estados Unidos, principal
território do império, gasta diariamente 8,6 milhões de
barris. Esse é um dos pontos chave.
Instamos o povo todo a que coopere nesta grande batalha, que não
é só a batalha do combustível, da eletricidade, é a
batalha contra todos os roubos, de qualquer tipo, em qualquer lugar. Repito:
contra todos os roubos, de qualquer tipo, em qualquer lugar.
Quanto custa toda a energia que o país consome, segundo os preços
deste petróleo? Por volta de US$ 3 bilhões.
Lógico, a poupança não será a única fonte de
aumento da receita, não será a única, haverá mais,
direi que algumas quantas e de grande peso. Estou quase certo e o
resultado final estará um bocado por cima ou por baixo, não gosto
de dizer a última palavra, sempre sou conservador com o cálculo
de que o país, segundo todos os dados que conhecemos, pode
poupar, em breve tempo, as duas terceiras partes da energia que consome,
somando-as todas: eletricidade, gasolina, diesel, fuel oil e outros; com um
preço como o atual pode descer um pouquinho e depois subir ainda mais.
Isso seria mais de US$ 1,5 bilhões. E vocês se perguntarão:
E que faz atualmente o país com esse US$ 1,5 bilhão? Eu
respondo-lhes: uma parte é roubada, outra, esbanjada, e a outra é
jogada fora.
Como estamos em meio do andamento, em ofensiva e em total atividade, não
posso oferecer todos os dados; porém acho que o trabalho destes jovens
trabalhadores sociais deve dar ao país, em 10 anos, talvez US$ 20
bilhões com a poupança de energia. Escutaram bem? Vocês
sabem o que é um milhão, não é?, e 100
milhões, e um bilhão em divisas convertíveis.
Carlitos, você me deu este papel:
Despesa total de educação: 4,17 bilhões de pesos; despesa
do ensino superior, 886 milhões.
"Informação oferecida pelo Ministério de Economia e
Planejamento, elaborada por ele junto com o Ministério de
Finanças e Preços, em 17 de novembro de 2005."
Bem, 886 milhões. 700 milhões seriam US$ 35,4 milhões.
Repito: uma pequena parte do combustível que é roubado ou
desviado, menos de 20%. É o que custam as universidades, segundo esse
dado.
Quando falo de US$ 1 bilhão de poupança, faço
referência a 25 mil pesos. Todos os ordenados que se pagam no
país, segundo a troca internacional, que com relação a
Cuba é arbitrária demais, seriam por volta de 14 bilhões
de pesos, que em nosso país é onde têm seu verdadeiro
valor, têm poder real de compra ainda superior. O peso foi revalorizado e
pode ser revalorizado novamente.
Cada palavra que se pronuncie deve ser pensada. Não estou
improvisando, meditei muito a respeito destes dados e estão na minha
cabeça, e meço por aqui, por cá: isto posso dizê-lo,
isto não, porque há um inimigo que tenta frustrá-lo tudo e
confundir tudo, como esses que dizem que maltratamos a sagrada liberdade de
comércio. E não dizem outras coisas, entre delas: "Que
conseguem com um dólar que envie algum deles que talvez conseguiu ser um
profissional? Não pagou um centavo, vocês sabem disso. Depois do
triunfo da Revolução, os que viajaram para os Estados Unidos
não eram analfabetos.
Daqui já cada ano, os que restavam da sexta série, da
sétima série, os que tinham nível de
instrução, que eram aqueles setores que estudaram na
universidade, os primeiros que foram embora, procediam das classes mais ricas,
e durante mais de 40 anos o império roubou dezenas de milhar de
profissionais universitários e centenas de milhar de pessoas
qualificadas, às que impede, custe o que custar, enviar ajuda a Cuba.
Que mágoa, aquele dia em que se inauguraram as lojas que vendem em
divisas, para arrecadar um pouquinho daquele dinheiro que enviaram e fosse
gastado nessas lojas, que vendiam com preços altos, para arrecadar parte
desse dinheiro e poder redistribuí-lo aos demais que não recebiam
nada, e quando o país encontrava-se em meio de condições
muito difíceis.
Então, que fazem atualmente com o dólar? Enviam-no para
cá... Sei lá se você recebe algum dólar (Refere-se a
alguém). Eu tenho familiares que recebem dólares. Não
tenho nada a ver com isso.
Um dia perguntamos e existem províncias onde 30% ou 40% da
população recebem alguma coisa, um pouquinho; mas o
negócio de enviar dólares, é tão bom, tão
bom!, que nos podem arruinar perfeitamente enviando dólares devido ao
enorme poder de compra que tinham num país bloqueado, produtos
racionados em grande medida subsidiados e serviços gratuitos ou
extraordinariamente baratos.
Por exemplo, falando da eletricidade, sabem quanto custa atualmente ao
país, em divisas convertíveis, produzir um quilowatt, com esse
sistema que tem tantos problemas, ao qual pertencem a "Guiteras" a
"Felton" e mais outras, que provocam a interrupção do
serviço elétrico e mais outras dificuldades? Sabem quanto custa
ao país em divisas convertíveis? Por volta de US$ 15 centavos um
quilowatt, porém se você este companheiro, que é
inteligente, no existem dúvidas, que falou muito bem recebesse,
por exemplo, um dólar, que poderia fazer com ele? Você reconheceu
que é a eletricidade é muito barata; sea damos de presente ao
aposentado, ao trabalhador, demos de presente, e chega; porém
também damos de presente ao camelô, aquele que cobrou mil pesos
por uma viagem daqui a Guantánamo, ou cobrou duas vezes o ordenado
mensal de um médico para levá-lo de Havana a La Tunas, com
combustível roubado tentando subornar o empregado do posto de gasolina.
Não tenho nada contra ninguém, mas também não tenho
nada contra a verdade. Não me casei com a mentira, para aquele que se
zangar, sinto muito, mas posso lhe advertir de antemão que
perderá a batalha, e não será um ato de injustiça
nem de abuso de poder. Demos de presente a eletricidade àquele que
vendeu a livra de feijão em oito pesos. E, por favor, não
deixem de vendê-la, não o façam agora para depois me culpar
por isso. Continuem vendendo-a, não vamos proibi-lo, o que quero saber
é que farão quando houver mais feijão.
Mesmo agora não sei se baixarão o preço ou não, mas
metade da população viu como se triplicou sua cota, e a outra
metade viu que se incremento em 50%. Imagino que terão que fazer alguma
rebaixa. Talvez, nalgum momento, de algum dinheirinho, da energia
poupada, quando entreguemos mais 10 onças e chegue o momento, quando
esteja garantida a honradez de todos os que distribuem e não se perda
nem um só grão de feijão, e o que não se compre
seja devolvido, visto que não existiria maneira de roubá-lo, nem
razão para roubá-lo, nem condições para
roubá-lo, e o especulador acabará vendendo nada ou comendo tudo.
O camponês produtor consome o seu e vende o excedente. O especulador
rouba e não produz nada. Uma notícia da Reuter apresenta o
governo golpeando os "avanços progressistas" dos tempos vindos
com o período especial. O progressista é tudo isto do que falo.
Eles não dizem que o bandido, ou aquele, qualquer que seja,
possivelmente não é um bandido, aquele afortunado te envia um
dólar e você gasta muito pouco em eletricidade, você consume
menos de 100 quilowatts, gastou nove pesos cubanos por cada quilowatt de
eletricidade, viu? Divide 24 entre nove (Calcula).
O de você são 2.400 centavos, e por cada 100 quilowatts pagou 900
centavos, não chegou nem à metade do dólar, restam-lhe
1.500 centavos, mas apenas gastou 100 quilowatts; você é um rapaz
muito poupador, você apaga a lâmpada, você apaga o outro,
você não têm lâmpadas fluorescentes, todas as que
você possui são fluorescentes, sua geladeira gasta menos de 40
watts/hora, você não tem nenhuma geladeira velha herdada de sua
avó, você é bom demais (Risos).
Quiçá agora você gasta 150 quilowatts, vai te custar um
pouquinho mais caro porque os outros 50 custam 20 centavos em vez de nove,
são 10 pesos; então você, que pagou um pouquinho mais caro
esses 50, gastou 19 pesos. Mas, olhe bem, você ainda não gastou um
dólar, você não vive na Flórida, você vive em
Cuba. Aquele que mora na Flórida é um avaro, desavergonhado, paga
a eletricidade lá a US$ 15 centavos, porém te envia um
dólar para que por menos de um dólar pagues 150 quilowatts; mas,
finalmente, você, apesar disso, é moderado, tem muitos aparelhos
elétricos velhos, pode ser um ar condicionado e outras coisas, e gasta
300 quilowatts. Você calcula e diz, os primeiros 100, igual a nove pesos;
os segundos 200 seriam 40 pesos, somo os dois e são 49 pesos. Você
gasta finalmente US$ 1,9 por cada 300 quilowatts de eletricidade; quer dizer,
um preço de US$ 0,63 centavos por um quilowatt cubano de eletricidade.
Que maravilha!
Quanto gasta o povo de Cuba, por culpa desse dólar que enviaram a
você de lá? Porque este não foi um dólar que
você ganhou, ou um peso, trabalhando, nem aquele intermediário
ganhou-o vendendo a libra de feijão a oitos pesos; te mandam de
lá, alguém que foi sadio, tudo o que estudou foi gratuito desde
que nasceu, não está doente, são os cidadãos mais
saudáveis que chegam aos Estados Unidos, têm uma lei de ajuste, e,
além disso, lhe proíbem enviar remessas.
Bom, por menos de US$ 2.00 o país gastou, em troca, US$ 44 para
subsidiar esse dólar que enviaram dos Estados Unidos. Este é um
país nobre, subsidia os dólares que estão lá, que
em vez de lhe ajudar notavelmente, lhe dirão: "Olha, vou te enviar
dois dólares para eletricidade, porém não gaste tanta, por
favor, poupe, apague luzes". "Olha, vou te enviar, aliás, uma
geladeira, ou vou te dar o dinheiro para que compres na loja" Depois o
generoso remissor de dólares continua: "Não se preocupe, vou
te enviar o que necessitas, eu sou bom, eu sou nobre, eu vou para o céu,
eu te garanto os 300 quilowatts que você lhe gasta a esse idiota Estado
socialista que diz ser revolucionário e que vai lutar até a morte
defendendo a Revolução". Pode existir um cidadão que
saiba que nós somos bons, mas pode pensar, com toda razão, que
somos tolos; e, inclusive, tem uma parte da razão, cuidado!
Agora, para arrecadar US$ 45, temos que arrecadar 4.500 centavos. Tenho que
pedi-lo a vocês. Quantos cabem neste lugar? (Lhe dizem que 405)
Quatrocentos e cinco? Pois antes que todos irem embora, olhem bem, por favor,
deixem 11 centavos, que isso o pagam vocês, esse dinheiro com que o
Estado paga, é o dinheiro de vocês, quer dizer, o povo de Cuba.
Deixem todos 11 centavos para subsidiar o consumo de eletricidade dele num
mês. Não esqueçam! Vamos colocar alguém ai para
vigiá-los e também para que os reviste
(Risos).
É verdade ou não?
Porém se a ele lhe dão uma cota de arroz, e esse arroz, essas
primeiras cinco libras, quanto lhe custaram? Bom, pois com um dólar,
quanto lhe pode custar, quantas pode comprar com um dólar, ainda com seu
desconto, ainda com a revalorização que fizemos ao peso? Compra
100 libras de arroz, não em um só dia, como acham alguns tolos,
se o guardei para este mês, para o outro, e demais meses.
Lógico que você não gastou nem um centavo do que lhe
enviaram em medicina, a medicina está subsidiada, se a comprou numa
farmácia, essa que não se levaram nem venderam por ai, você
gastou 10% do que custam em divisas. Se você foi para o hospital e talvez
o operaram do coração, do tornozelo, sua operação
pode custar US$ 1.000, US$ 2.000, US$ 10.000, lá nos Estados Unidos se
você sofreu um enfarte e lhe colocam um válvula, pode ser o que
lhe custou a um empregado nosso lá na Repartição de
Interesses, US$ 80.000. Você jamais deixou de receber atendimento;
podem existir alguns maus-tratos num hospital, mas, você freqüentou
algum hospital onde não foi atendido? Lógico, nosso sistema
não tinha a organização que começa a ter e
terá, nem os equipamentos que começa a ter e já tem, de
grande qualidade e padronizados, e, portanto, com possibilidade de serem
mantidos, ou um tomógrafo computadorizado multicorte, de 64 cortes, os
melhores do mundo, que já começam a chegar, que já foram
comprados e pagados. Vejam. Com que? Com as poupanças e com as receitas
do país que começa a crescer. Não lhe custa nada.
Você se gradua desde que ingressa no ensino pré-escolar até
que recebe o honroso título de doutor em ciências
agrícolas, ciências físicas, ciências médicas,
não lhe custou um centavo. Recebe um apartamento, se tem sorte,
embora o mais provável seja que não tenha nenhuma sorte desse
tipo bom, oxalá seu pai o tenha recebido por que foi construtor
, porém você não paga pela casa, você
não paga imposto. Quiçá você é um pouquinho
mais inteligente e dize: "Vou alugá-la a uns visitantes, e em
divisas convertíveis. Bom cobram-me 30 centavos de impostos por cada
dólar de ingresso; bom, ganhei de presente esta casa, custou-me US$ 500,
eu cobro US$ 800 num mês, dou US$ 240 ao Estado, e ganho US$ 500; cinco
vezes dois 10, 12.500 pesos". Você pode ir, em virtude desses
sacrossantos direitos da liberdade de comércio, pagar a três pesos
a libra de arroz no mercado livre, você pode dizer a um empregado do
posto de gasolina: "Olha, eu tenho um calhambeque que comprei
àquele e ao outro, lhe paguei em divisas ou em pesos
conversíveis, e tenho quem me garante a gasolina, eu vou viajar 300
quilômetros, tenho três namoradas", e esse carro é
atrativo com os problemas que há nos transportes. A quem eu não
conquisto com este calhambeque? (Risos).
Se vocês quiserem caros estudantes, posso-lhes acrescentar que os que
consomem 300 quilowatts, consomem 40% da eletricidade da zona residencial que o
país produz; 40% dessa eletricidade podem significar cautelosa e
conservadoramente por volta de US$ 400 milhões que o estado
generoso e lhes entrega a todos os que mais gastam. E quais são os que
mais gastam? Visitem um novo rico e averigúem quantos aparelhos
elétricos tem.
Lembro quando analisava aquele assunto do consumo de eletricidade e do
preço, e descobrimos que um restaurante privado consumia 11.000
quilowatts e este Estado idiota subsidiava o dono, ao qual tanto gostava aos
burgueses levar visitantes para que saboreassem a lagosta e o camarão,
como milagre da empresa privada, tudo isso roubado em Batabanó por
alguém. Não! E, logicamente, este Estado totalitário,
abusador é inimigo do progresso, porque é inimigo do saqueio.
Então o Estado subsidiava esse restaurante privado com mais de US$ 1.000
cada mês, e soube disto porque perguntei quanto gastava, quanto valia, e
ele pagava a eletricidade a esse preço, 11.000 quilowatts; acho que
depois de ultrapassar a cifra de 300, pagava 30 centavos por quilowatt.
Você não sabia disso? Não, nenhum de vocês sabe nada
(Lhe dizem alguma coisa). Não, não invente, eu averigüei
muito sobre isso, e muitas vezes me desinformaram. São 30 centavos,
11.000 quilowatts, pagava 3.000 pesos. Olha que era o que pagava, o Estado se
enriquecia, porque ele pagava 3.000 pesos cubanos, perto de US$ 120;
porém ao Estado custava-lhe, naquela ocasião calculei a 10
centavos de dólar o quilowatt, hoje os 11.000, a um custo para o Estado
de 15 centavos, obriga a fazer uma coleta adicional aqui, não sei como
estão suas economias, mas este restaurante privado tem que ser
subsidiado, e como são US$ 1.250 mensais, e vocês são 400,
quando vão embora não deixem só os 20 centavos, por favor,
deixem mais ou menos US$ 3.00, para o pagamento de um mês, assim que
levem bem a conta, porque alguém tem que subsidiar este restaurante.
Isso é liberdade de comércio, isso é progresso, isso
é desenvolvimento, isso é avanço.
Nós vamos lhe ensinar o que é progresso, o que é
desenvolvimento, o que é justiça, o que é acabar com o
roubo. E advirto-lhes: com o apoio mais decidido do povo. Nós sabemos o
que estamos fazendo, está nas matemáticas e nos números.
Nós sabemos quanto custa cada uma das coisas que vamos poupar.
Não vou falar do que estamos comprando agora, nem quero dizer muita
coisa, os bilhões, apesar de que vão acabar os cortes
elétricos, certamente vão acabar, podem estar convencidos.
Já temos no país perto de dois milhões e meio de panelas
de pressão elétricas que podem ser graduadas, não
só as panelas para fazer arroz; também teremos uns aparelhos que
poupam mais de 80% da energia que vocês gastam para ferver um litro de
água.
Estou certo de que posso fazer uma pergunta e vocês vão responder.
Levantem a mão todos os que não usam água tíbia em
agosto para tomar banho. Sim, mas com toda honestidade. Cuidado,
não se confundam.
(Uma jovem levanta a mão)
Bom, você jamais utilizou água tíbia? (Ela diz que
não) E no inverno? (Também diz que não). Parabéns.
Você faz parte, aproximadamente, dos 10% da população que
faz isso.
Você sim, em inverno? (Um jovem responde que sim) Olhe, você
é um homem sério (Risos). Eu perguntei para outras pessoas,
não como aqui, aos estudantes; perguntei às companheiras
trabalhadoras, e pedi que levantassem a mão aquelas que não a
usavam. Sabem quando? No dia do meu aniversário, 13 de agosto; perguntei
para 10 delas qual não esquentava a água para tomar banho e
nenhuma delas alçou a mão. Isso é para tomar banho;
há também quem o faz para que a água fique limpa,
também pela criança, no verão. Um dia desses tão
frios, eu quero ver quem de vocês toma banho sem água tíbia
(Risos).
Vocês sabem o que fazem os bolsistas, o que eles fazem com esses
aparelhos para esquentar a água? Vocês sabem?
(Exclamações). Ah! E por que não averiguam que quantidade
de eletricidade gastam? Posso dizer-lhes que existem várias formas de
esquentar a água, que significam um consumo de energia quarenta vezes
maior, quarenta vezes!
Digam-me sinceramente, nenhum de vocês jamais utilizou em casa a
eletricidade com um fogão artesanal quando acabou o gás?
Não falo daqueles que têm gás canalizado, esse é o
mais econômico, esse não se deve tocar. Dos que cozinham com
gás liquefeito ou querosene, nenhum de vocês jamais usou um
fogão rústico para cozinhar alguma coisa? Levantem a
mão os que jamais o utilizaram.
Vamos ver, quem está aqui? Aquele que levantou a mão. Olhem para
lá. Investiguem-no, quiçá não consigo
avistá-lo muito bem.
Certamente, levantem a mão os que não a usaram. Uma.
Põe-te de pé, rapariga. Por favor, vem cá. Sim,
você, a que levantou a mão, você mesma, põe-te de
pé. Por favor, vem. Olha, responde minha pergunta, você não
diz nada que não seja verdade? (Responde que não) Você
jamais utilizou isso. Onde você mora? (Explica que no campo, em Santa
Maria) Há eletricidade? (Responde que sim).
Queria ver a cidadã ideal, essa que jamais utilizou uma panela
elétrica rústica.
Diga-me uma coisa, alguma vez sentiu calor ali? Diga-me mais outra: você
tem ventilador, porque lá há mosquitos, não é
verdade? Que tipo de ventilador você tem? Qual o motor de seu
ventilador?, Aurika? (Risos). (Diz que não, que é um Sanyo de
motor elétrico eficiente).
Você é filha de agricultores, não é? (Responde que
sim)
Mas você não vende nada nesse mercado (Risos). É honrada,
ela tem um pouquinho mais de recursos.
Você não tem nenhuma lâmpada incandescente? (Responde que
sim)
Quantas? De que tamanho? De quantos watts? (Expressa que tem duas de 60 watts).
Você vê bem com eles? (Ela diz que sim)
Quantas horas durante o dia as mantêm acesas (Ela diz que várias).
Cinco, ou seis? (Esclarece que há uma que está acesa a noite
toda).
Uma a noite toda, um total de horas. Lógico para evitar a
escuridão, 12, 10? (Responde 12 horas).
Doze horas. Que bom!
E a outra, quantas horas? (Expressa que se mantém acesa das 6 h da tarde
até às 10 h e mais).
Até passadas às 10 horas, vamos calcular seis horas. Doze mais
quatro, são 16 horas; por 60 são 960 watts. Em vez de gastar 960
watts, receberá duas lâmpadas fluorescentes que gastarão
sete watts, cada uma trabalhando 12 e quatro horas; 16 por sete é igual
a 112 watts e mais luz.
Você quer dar um presente para o país? Você quer? Acho que
sim. Você mora lá? Eu não quis perguntar, mas já, o
problema se resolveu. Vou-lhe dizer quanto você vai dar ao país em
breve, a partir de amanhã mesmo.
Enrique manda-lhes duas lâmpadas de sete watts, se você quer de 15
ou de 20, vão ver mais do que vêm com a lâmpada
incandescente e menos ladrões vão se aproximar desse lugar. O
gasto dessas duas lâmpadas de sete watts, já eu fiz o
cálculo, é de 112 watts, que o resto dos 960 que gastam hoje as
incandescentes: 960-112 igual a 858 watts, multiplicado por 365 dias do ano, se
não é bissexto, somam 313,17 quilowatts, dividido entre 1.000
são 313,17 quilowatts, multiplicando por 15 centavos, seu custo de
produção em divisas é de US$ 46 com 97 centavos.
Agradeço de antemão, você vai dar de presente ao
país espere lá, ainda não vá , do
pagamento que tem que fazer agora, visto que você vai dar de presente a
Cuba 12,7 centavos cada dia, em 100 dias você obsequiará US$ 12,7,
e no próximo ano dará de presente a todos nós US$ 46,45,
para comprar um pouquinho mais de feijões ou de outra coisa qualquer
exatamente, vou lhe dizer, e não é um imposto, e vai ver
com mais clareza , você nos vai presentear, com a simples
substituição de duas lâmpadas, US$ 46,45; não
lhe vamos cobrar nada nem a você nem aos outros pelas lâmpadas,
duram cinco vezes mais que as incandescentes e são mais frescas,
terá que usar menos o ventilador Sanyo que você tem.
Mesmo assim, vejam o exemplo. Imaginem que em vez de duas lâmpadas sejam
15 milhões, e não só as que estão nas casas dos
cidadãos, que têm mais que as calculadas, senão as que
estão nas escolas, nos armazéns, em bancas de todo tipo, 15
milhões. Lógico, ela apenas tem duas e usa-as durante bastante
tempo, há outros que as usam muito menos e alguns muitas vezes, desta
maneira não pode aplicar a mesma norma a todos. Porém devemos
poupar, possivelmente, durante umas quantas horas, de dois a três usinas
de 100.000 quilowatts, como potência, mas as despesas de
combustível e outros para produzir a eletricidade que é
esbanjada, potência que o país precisa para que essas
lâmpadas estejam acesas durante uma hora, que o obrigam a este gasto.
De que falam vocês? Por que riem? (Mostram-lhe o teto da Aula Magna com
grande quantidade de lâmpadas incandescentes). Ah! Não estou
disposto a pagar algo para que o mantenham aí, estão muito
bonitas. Isso não é esbanjar, trata-se de um enfeite tradicional
e histórico e, além disso, aqui não se realizam atos todos
os dias nem a todas as horas, e, de outra maneira, eu só o único
culpável, porque este lugar tem estado aceso todo o tempo em que
permaneci nesta tribuna.
Bom, muito obrigado.
(Agora fala com uma rapariga da província de Ciego de Ávila que
se encontra junto da outra de Havana) Uma pergunta: Você tem geladeira em
sua casa? (Ela responde que está avariada).
Avariada? Mas, não lhe colocaram a borracha da porta nem o termostato?
(Ela disse que sim).
E por que se avariou novamente? (Diz que a máquina se queimou)
Queimou-se a máquina? Quando? (Responde que há tempo)
Que marca é? (Diz que é russa)
Russa, marca Minsk, ou fabricada com motores russos, INPUD, da província
de Santa Clara e avariada, teu consumo sim era maior do que o dessas
lâmpadas.
Suponhamos que não estivesse avariada, agora temos que dizer que faremos
com você, porque temos que substituir essa geladeira, é um gasto
elétrico muito alto.
Dizia que anteontem despedia uns trabalhadores sociais que iam averiguar onde
é que estavam alguns caminhões e tratores, onde viviam, como se
chamavam, a placa, quanto combustível gastavam, se é diesel por
hora ou quantos quilômetros por litro; porém não temos que
conhecer muito para saber que o de você que está avariado, marca
Minsk, consume muitíssima eletricidade. Não lembra? Aço
que gastou perto de 300 watts/hora, você sim acaba com a
república, porque essa geladeira avariada deveria gastar uns sete
quilowatts diários. Se em vez dessa tem uma nova, que gasta menos de 40
watts/hora, você podia estar vou-lhe dizer o que estaria poupando
, vou tentar , vou calcular apenas 200 watts/hora gastando 4,8
quilowatts ao dia. Aprendam a multiplicar, porque vocês vão ter
que fazer isso (Calcula). Ela, a 15 centavos o quilowatt, nos vai presentear 15
e 15, 30 e 30, quase 72 centavos diários. Ela vai ter sua geladeira.
Vamos anotá-la, Enrique.
Você não tem nenhuma agora? (Ela responde que a está sendo
consertada).
Donde vai tirar esse motor, diga-me? (Esclarece que vão
consertá-lo).
Espera lá, vamos acrescentar quase 30%, porque esses motores reparados
são um desastre. Enrique, quanto gastam os motores reparados? Isso
é o que têm feito muitas pessoas; seu motor avariou-se, não
tinham mais outra solução, elas não têm culpa. O
Estado tem culpa, posso-lhe assegurar uma coisa: antes de seis meses você
terá uma geladeira que não gastará mais de 40 watts/hora.
Falo do que se esbanja, do que botam, com você devemos poupar perto de
200 por hora. Poupe isso, é pena que as 150 que tínhamos de
reserva recém a repartimos. Talvez, Enriquinho, ainda temos sete,
podemos fazer uma prova lá. Neste momento fazemos 150 provas na cidade,
vamos ter uma reunião com os representantes do município Arroyo
Naranjo, onde há quase 30.000 pessoas consomem gás liquefeito.
Serão visitados.
Enrique, quantos saíram visitar os moradores de Arroyo Naranjo, umas 50
000 famílias? (Enrique diz que hoje saíram 1 098 trabalhadores
sociais que visitaram por volta de 55 000 famílias. Esclarece que a
média de visitas de cada um se aproxima das 20 casas por dia, pelo qual
se calcula que hoje tenham visitado umas 20 000).
Em dois dias já terão visitado todas. Teriam tomado notas dos
eletrodomésticos que existem nesse município. Estamos levando a
cabo fortes experiências sociais. Vamos mudar o gás, possivelmente
estejam me escutando, eles são os mais pobres da cidade, e estão
recebendo gás liquefeito. Preço do gás liquefeito: mais de
700 dólares a tonelada 30 000 por 10 (Faz as contas) são 300 000
quilos, 300 toneladas de gás liquefeito, como mínimo, é a
despesa mensal de Arroyo Naranjo. É de 3 milhões de
dólares cada ano a despesa aproximada de desse município no
gás liquefeito, se realmente são só 300 000 o que o
consomem; um equipamento que tem que levá-lo, deslocá-lo, a
incerteza se acaba ou não.
Vamos a realizar uma importante experiência, mas vamos recolher todos os
dados, vamos nos reunir com todos os representantes diretos dos
quarteirões, dos conselhos, dos conselhos populares, dos sindicatos, das
organizações de massas, mais de 1 500 pessoas das mais
próximas, dos moradores, para discutirmos com eles a experiência
que nos propomos, e estou certo de que vai ser um sucesso, se você
reduzir logo a despesa de energia.
Vamos ver o consumo no inverno, vamos ver o que poupam e economizam as
lâmpadas que distribuiremos aqui nos fins de dezembro; vamos ver os
ventiladores que substituirão os rústicos, que são mais de
um milhão, aos que se acrescentará um número semelhante de
simples, mas muito eficientes aquecedores manuais elétricos, de
água, que reduzem consideravelmente a despesa energética ao
ferver a água.
Em dezembro teremos catorze milhões de aparelhos e os iremos
distribuindo: panelas de cozer arroz, panelas de pressão
elétricas, aquecedores de água. Não incluo nesse
número as lâmpadas de baixo consumo que vão substituir as
lâmpadas de incandescência.
Já veremos o que vai acontecer com determinados veículos depois
que conversem cada um deles com os trabalhadores sociais e aqueles aos que
vamos dar cristã sepultura. Quando cada ministério receber os
caminhões que deve ter e quando se exija que a disponibilidade destes
não pode ser menor de 90% e que todos esses veículos estejam
registrados, a poupança de energia por essa via será
surpreendente.
Dizendo a verdade, temos idéias que não quero explicar: o tempo
exato em que não ficará um só dos caminhões de
gasolina e outros equipamentos altos consumidores de energia.
Temos falado em poupar dois terços da mesma. Pensamos poupar na esfera
elétrica, nos fins de 2006, não menos de um milhão de
quilowatts/hora que hoje está sendo gerado e esbanjado e teremos
capacidade de gerar, com novos equipamentos, pelo menos, 1,4 milhão de
quilowatts/hora, sem contar as usinas emergentes. Isso é mais certo do
que as coisas que foram anunciadas e que foram cumpridas, e aquelas das quais
nem se falou e que foram implementadas.
Não é preciso falar muito, mas existem idéias que
já começamos a aplicar em massa. Aproveitaremos que a despesa
elétrica agora no inverno é de 15% menos, pois cada equipamento
que vamos instalar deve ter a energia garantida, que a família possa
cozinhar se a energia falhar; agora temos muitos problemas, mas todos
estão sendo estudados minuciosamente, e com todos eles se trabalha com
muita consciência, como diria Karl Marx.
Não vou me estender mais, em qualquer momento retorno e falamos.
Já falei de uns quantos temas. Devemos estar decididos: ou derrotamos
todas essas desviações e tornamos mais forte a
Revolução destruindo as ilusões que possa ter acalentado o
império, ou poderíamos dizer: ou vencemos radicalmente estes
problemas ou morremos. É preciso reiterar neste campo o lema de:
Pátria ou Morte! Isto é a sério, e vamos empregar todas as
forças necessárias, se for preciso, os 28 000 trabalhadores
sociais, e esses que andam desviando gasolina, vale mais de se aconselhem e
não tenhamos que descobrir, ponto por ponto, que cada qual esteja
roubando combustível, porque já estão prontos os 10 000
trabalhadores sociais, e Cidade de Havana se converteu numa escola espetacular
onde se aprende o que é preciso fazer, e cada vez mais, estamos
dispostos a empregar os 28 000 e os 7 000 que estão estudando.
Se não forem suficientes 28 000, parte dos quais já estão
trabalhando na criação de células contra a
corrupção, em torno de cada ponto a observar, uma célula,
lá temos membros da juventude, membros das organizações de
massas, combatentes da revolução a mesma
questão que expusemos no Coliseu.
Os problemas colocados estão sendo atendidos corretamente, vocês
não imaginam o entusiasmo dos trabalhadores sociais. Jamais na minha
vida eu tinha visto tamanho entusiasmo, tamanha seriedade, tamanha dignidade,
tamanho orgulho, tamanha consciência do bem que vão fazer ao
país.
Já falei do combustível, da energia em geral, vai se o mais
importante, mas não o único. Quanto foi roubado aqui, em
fábricas, fábricas que, por exemplo, produzem medicamentos. Sei
de uma fábrica lá, na Lisa, onde tiveram que tirar o
administrador e muitas pessoas, quase 100 no total, que estavam envolvidas na
roubalheira de medicamentos, a administração dessa fábrica
e um monte de pessoas. Tiveram que tirar cem pessoas: procurar este e o outro
para substituí-los. Não é suficiente nem será a
única solução.
E depois? É preciso usar também todos os meios técnicos ao
nosso alcance. Já temos adquirido um número importante de bombas
novas para a terça parte, aproximadamente, de todos os postos de
gasolina que ficarão no país, e tudo medido, bem como um
número de carros-cisterna de combustível novos, que não
produzam engarrafamentos nas ruas em acidentes. Trabalharão de noite, a
maioria, nas horas de menor tráfego. Não temos contabilizado o
número de mortes que têm lugar devido aos acidentes.
E um dia qualquer saibam bem a Revolução, com os
instrumentos desenvolvidos pela técnica, poderá saber onde se
encontra cada caminhão, em qualquer lugar, em qualquer rua.
Ninguém vai poder fugir no caminhão e ir visitar a tia, o outro,
a noiva. Não é que seja mau visitar o familiar, o amigo, a noiva,
mas não no caminhão destinado para o trabalho; e quando existe
uma crise de combustível no mundo é pior o crime ao fazer isso;
ou quando estão dando às pessoas um sabonete sem cheiro, que
já viu seu preço aumentado, mas já estamos dando para
subi-lo outra vez; o sabonete, a pasta de dentes, cada uma das coisas
essenciais assinaladas, não será esquecida nenhuma que esteja ao
nosso alcance resolvê-la.
Dispomos de 1 000 ônibus comprados; mas não para aplicar
preços históricos.
Agora um número deles está indo de um lado para o outro
resolvendo problemas vitais, como os assinalados aqui; outros chegarão
nos próximos meses.
O transporte pode receber algum subsídio, mas não 90% de seu
custo, que seria oneroso, mais bem deve ser mínimo. É preciso
aplicar também a máxima racionalidade no salário, nos
preços, nas aposentadorias e pensões. Zero esbanjamento.
Não somos obrigados. Não somos um país capitalista, em que
tudo foi deixado ao azar.
Subsídios ou gratuidade só nas coisas essenciais e vitais.
Não serão cobrados os serviços médicos, nem a
educação ou serviços similares. É preciso cobrar a
habitação. Vejam quanto. Pode existir algum subsídio, pode
havê-lo mesmo, mas o que se pague em um dado número de anos deve
se aproximar do custo. Vocês dirão: E com que pagamos os custos?
Uma parte importante com o que hoje está sendo esbanjado, e está
sendo roubado, com as receitas não desprezíveis e cada vez
maiores que o país irá recebendo. Tudo isso está ao nosso
alcance, tudo pertence ao povo, a única coisa não
permissível é esbanjar riquezas de forma egoísta e
irresponsável.
Realmente, minha intenção não era ministrar uma
conferência sobre temas tão sensíveis, mas teria sido um
crime não aproveitar essa oportunidade para dizer algumas coisas que
têm a ver com a economia, com a vida material do paìs, com o
destino da Revolução, com as idéias
revolucionárias, com as razões pelas quais iniciamos esta luta,
com a força colossal que temos hoje, o país que somos e poderemos
continuar sendo, e muito mais do que somos.
Não voltaria nunca a este lugar se estivesse mentindo ou estivesse
exagerando. Eu gosto mais de fazer do que prometer. Em todo caso não
tenho nada porque um homem sozinho não vale nada. Em todo o caso
aproveito a experiência ou a autoridade que possa ter entre os
compatriotas para travarmos batalhas. Temos milhões de cubanos prontos
para a guerra do povo todo.
Disse que tínhamos atingido a invulnerabilidade militar, que este
império não pode pagar a cota de vidas, não imaginada, e
que talvez haja tantas ou mais do que no Vietnã, se tenta ocupar-nos, e
já a sociedade norte-americana não está disposta a
conceder a seus governantes o crédito de dezenas de milhares de vidas
para aventuras imperiais. Vamos ver se chega às 3 00 no Iraque,
já são mais de 2 000, e todos os dias chegam notícias
piores para os que desataram a guerra.
E vamos ver o que acontece com essa porcaria do bloqueio, porque temos muitos
norte-americanos que se queixam de não ter aceitado os médicos
cubanos, a maioria queria isso, e as autoridades locais muito mais.
Vamos ver, porque vamos demonstrar-lhes que é melor que acabem de tirar
essa porcaria, que jamais vai destruir a Revolução. E à
Europa podemos dizer: Guardem a ajudinha humanitária hipócrita,
guardem ela todinha, que não precisamos dela. Que grande coisa é
poder dizer que não precisamos da Europa nem do império! Acabem
quando quiserem, nem precisam acabar o bloqueio, porque nos ensinaram, nos
forjaram, aprendemos a poupar, aprendemos a crescer, multiplicamos nossas
forças para estarmos à altura da colossal dimensão do
adversário.
Falo a vocês com toda a confiança com que lhes posso falar.
Já falei de cada uma das tarefas principais das brigadas dos
trabalhadores sociais e sua ação de grande impacto. Às
vezes, tiveram que agir de improviso, com rapidez, disciplina e
eficiência. Na Cidade de Havana foram milhares e mobilizávamos
outros milhares como reserva.
Já estão realizando inúmeras tarefas. Se não forem
suficientes, quantos estudantes tem esta universidade? A partir de agora digo o
que já disse a eles: Se 28 000 não forem suficientes, nos
reunimos com vocês, os estudantes da gloriosa Federação dos
Estudantes Universitários, e vocês procuram mais 28 000 estudantes
(Aplausos), e de mãos dadas com os trabalhadores sociais, que já
vão adquirindo experiência, se temos que mobilizar todos, os
mobilizamos, e se 56 000 não
forem suficientes, nos reunimos com vocês e vocês procuram
mais 56 000 de reforço.
Sabem quem os vai alojar? O povo, como em todos lados; o povo que já tem
um altíssimo conceito desses rapazes, e já não
haverá muitos que digam: "Isto não pode ser resolvido",
"isto não acaba nunca". E junto de vocês, junto do povo
estaremos demonstrando que se pode. E, vejam, acho que vamos ter muitos mais
recursos e não só para satisfazer necessidades, mas sim para o
nosso desenvolvimento, porque estamos administrando melhor. Muitas das coisas
que fazemos, as estamos fazendo com os recursos que temos poupado. Já
estamos poupando centenas de milhões de dólares, e a
poupança dependerá do ritmo e da eficiência com que
possamos fazer cada coisa.
Todos os dias aparecem coisas novas, e o que poupemos com a energia logo se
converte em recursos. As termelétricas piores e menos eficientes do
país vão parar. Porém, sempre estarão prontas para
enfrentar qualquer contingência imprevista em uma etapa o seu andamento.
Só para produzir eletricidade o país gasta 3 800 000 toneladas de
combustível cada ano. Nosso sistema elétrico tem hoje um
aproveitamento de apenas 60%.
Não será construída nenhuma termelétrica mais.
Serão construídas usinas que aproveitam o gás dos
poços de petróleo, usinas de ciclo combinado, cujo custo pode ser
amortizado em quatro ou cinco anos, cobrando a 10 centavos a eletricidade que,
por exemplo, os hotéis possam pagar, se amortizam entre quatro e cinco
anos e produzem depois o quilowatt a 2 centavos de dólar.
Jamais será construída uma usina como a "Antonio
Guiteras". Essas eram loucuras, tinham que estar saturadas de dogmatismos
e esquemas. Num sistema que precisava produzir por volta de 2 milhões de
quilowatts, comprar uma usina capaz de gerar 330 000, é concentrar em
uma única usina mais de 15% da capacidade de geração
efetiva, e quando se apaga, ou cai um raio, como aconteceu semana passada na
"Guiteras", o apagão, o blecaute, e o corte do fornecimento de
eletricidade afeta a população e a economia. E até quando
a Revolução devia resistir o disparate de uma
concepção errada que existia acerca do sistema elétrico?
Concepção que garanto não era exclusivamente de Cuba e
hoje somos o primeiro país do mundo a descobrir isso e terão que
vir para verem o que estamos fazendo.
Não quero acrescentar mais, porque devo dizer coisas de maior
transcendência.
Vamos deixar de ser um país idiota e passar na frente de todos os
demais. Quero advertir que estão caindo no mesmo engano e cometendo o
mesmo erro.
Não, não quero enumerar. Prometo um dia contar a história
a vocês, aos líderes estudantis, talvez aos que estamos aqui. Hoje
não, hoje tenho que ficar calado, porque falar pode advertir, falar pode
orientar o inimigo. Já, naturalmente, com o que estou dizendo temos
coisas que não as podem impedir, como os dois milhões e meio de
panelas de pressão que estão aqui ou a caminho, ninguém as
pode parar, e o que está a caminho são coisas compradas na China.
E a China não é uma ilhota, a China é um dos maiores
países do mundo, convertido atualmente no principal motor da economia
mundial, a China é um país que produz muitas coisas, e estamos
discutindo outras compras e medidas de intercâmbio, que avança a
um ritmo crescente.
Dizia-lhes que nosso crédito cresceu. Este país pode mobilizar
bilhões de dólares, dissemos isso ao "Bushecito", para
que sua vida fique cada vez mais amargurada se assim deseja, e aos que andam
armando intrigas; que digam o que quiserem amanhã, dos
"pobrezinhos", desse pessoal "tão nobre", que
roubava "tão pouquinho", desses que cobram ao povo qualquer
preço por qualquer coisa, eu lhes digo junto de vocês:
"Paguem o combustível que estão consumindo". Na
realidade tudo isso que estamos oferecendo de graça ao camelô, que
estamos dando de graça ao bandido aquele, ou ao pão-duro aquele,
ou ao egoísta aquele que quer que nós demos 15 centavos em cada
quilowatt que pague ele, por que? Que lei da economia mundial nos obriga a
isso? E que estejam prontos, porque temos as contas bem calculadas. Já
numa ocasião desvalorizamos o dólar, mas esse dólar
está desfruindo de privilégios demais.
Naturalmente, nem o dólar nem os que estão roubando têm o
Instituto de Meteorologia, nem têm Rubiera, estão soprando ventos
de furacões, mas ninguém sabe o rumo que levam, se oeste nordeste
e três graus mais para o norte ou para o sul, ou com ventos tais e tais.
A única coisa que eu lhes digo è que é um furacão
com força cinco (Risos). Um furacão com força cinco
não deixa nada em pé, sem cometer um abuso, sem matar
ninguém de fome, só com princípios muito simples: a
caderneta de racionamento tem que desaparecer, os que trabalham e produzem
receberão mais, comprarão mais coisas; os que trabalharam durante
décadas receberão mais e terão mais coisas. E o
país terá muito mais, mas não será jamais uma
sociedade de consumo, será uma sociedade de conhecimentos, de cultura,
do desenvolvimento humano mais extraordinário que possa ser concebido,
desenvolvimento da cultura, da ate, da ciência, e não para armas
químicas, com uma plenitude de liberdade que ninguém
poderá tolher. Isso sabemos hoje, não é preciso
proclamá-lo, embora sim lembrá-lo.
Temos ganhado esse direito de fazer o que vamos fazer hoje, e dispor de quase
um milhão de profissionais, intelectuais e artistas, dispor de 500 000
estudantes nas nossas universidades, de todos os ramos da ciência, e que
são qualificáveis e requalificáveis, podem passar de uma a
outra atividade e serão capazes de muitas coisas.
Advirto-lhes que nossa sociedade vai ser na realidade uma sociedade totalmente
nova. E nesta corrida de longa distância, já levamos muita
vantagem aos que estão mais perto. Não é nenhum
mérito, o mérito é do império, foi grande demais a
ameaça contra nós, o desafio que nos impôs. O mérito
é deles, a única coisa que fez nosso povo nobre, generoso,
valente e inteligente foi responder e hoje responde, com a grande força
de muitas inteligências desenvolvidas.
Hoje, quando falávamos aqui de 500 000, isso foi produzido em pouco
tempo, faz apenas três anos, quantos havia aqui e quantos haverá
amanhã.
Algo mais, teremos dezenas de milhares de estudantes latino-americanos nas
escolas de medicina e só nosso país deverá formar os
próximos 10 anos mais de 100 000 médicos. Já estamos
lutando para criar o melhor capital médico do mundo, e não
só para nós, para nós que temos formado e continuaremos
formando, para os povos da América Latina e de outros povos do mundo que
já estão nos pedindo para formar seus médicos, temos com
que formá-los e ninguém os pode formar melhor. Temos desenvolvido
métodos pedagógicos que nem sequer sonhávamos. Já
veremos e rápido.
Não haverá só 12 000 estudantes de medicina na ELAM,
já temos 2 000 jovens bacharéis bolivianos aqui; além dos
da ELAM, um número deles lá em Cienfuegos, alojados em lares de
famílias de Cienfuegos, sérias, com preparação
profissional e cultura, cujo perfil psicológico foi estudado, bem como o
perfil do estudante e da família do estudante, uma experiência
nova e única.
Ontem falava disso com alguns, é a solidariedade convertida em riqueza
colossal. Como se poderia albergar 100 000 estudantes de nível superior?
E sabemos o que custa cada um deles, o que custa alimentá-los, o que
custa alojá-los. Sabemos que construímos, na primeira etapa da
Revolução, centenas de escolas de ensino secundário ou de
segundo grau e de ensino pré-universitário, e hoje temos menos da
metade da matrícula dos anos setenta, sabemos o que custa
repará-las, o tempo que demora a reparação. Haverá
muitas escolas de medicina de 400 ou 450 alunos com excelentes
condições materiais, o equipamento necessário para os
estudos, meios audiovisuais, programas interativos. Como sabemos, e o mesmo
companheiro Machadito disse, que se ele tivesse esses recursos nos cinco anos
em que estudou, teria podido adquirir em um ano os conhecimentos que adquiriu
em cinco. Isso não significa que vamos formar um médico em um
ano, mas sim um médico em seis anos que vai ter os conhecimentos que,
através dos métodos tradicionais, teriam sido necessários
20 anos para adquiri-los. Estou pensando na qualidade, na qualidade!, vamos
adquirindo-a cada vez mais.
Sabemos o que estão fazendo nossos compatriotas em todos lados, mantemos
comunicação permanente com eles, os do contingente "Henry
Reeve" e muitos outros. Existe uma bela história, que neste momento
se desenvolve, como nunca antes na história e na vida de nossa
Revolução.
Fico contente pensando que num dia como este, Dia do Estudante, e este dia que
vocês, como quantas vezes queiram fazê-lo, escolheram como data
móbil para festejar o 60º aniversário do meu ingresso nesta
universidade, me sinta realmente bem espiritual e fisicamente ao me reunir com
vocês. Eram muitas coisas que vinham à minha mente, e tive que ir
ordenando as recordações de ontem e as idéias e hoje, e
tendo muito cuidado para não dizer o que não devo dizer e dizer
tudo o que é preciso dizer.
Acho, e estou discutindo isso com os companheiros e me comunicando com eles,
que neste próprio mês temos que tomar algumas medidas, disse este
próprio mês, não se deve perder um minuto, porque já
estão chegando coisas por aqui ou por lá.
É preciso urgentemente desalentar e pôr freio ao esbanjamento de
eletricidade. Vejam, um certo desalento, não é a fórmula
definitiva, que essa é outra, mas começamos a distribuir
já em massa um número de equipamentos, enquanto mais pouparmos,
mas economizaremos energia e mais dinheiro começaremos a recolher nos
fins deste mês e nos começos do próximo ano, mas se torna
imprescindível entrar no mês de dezembro estabelecendo certo
limite ao colossal esbanjamento de eletricidade.
Não, nem um centavo de aumento para os que gastem 100, um pouquinho mais
para os que gastem 150, 200 e 300 quilowatts. Haverá quem gaste 300, sem
dúvida, terá que pagar um pouco mais, mas não muito.
Talvez esses que esbanjam, em vez de dois dólares tenham que gastar
quatro por 300; mas não gastem muito mais de 300, apaguem as luzes,
desliguem o ventilador, não deixem ligado o televisor. Não falei
disso, temos um milhão de televisores, 40 000 na mão e outros
chegando, 50 watts, para que não fique um só televisor a preto e
branco.
Outro monte de poupança, temos um monte, um monte, um monte e mais um
monte, testado em laboratórios, o que consome cada equipamento, tudo
está medido e todos os cálculos ficaram por debaixo do que
dão os números; não fica um detalhe, ou muito pouco, e
todos os dias fazemos mais experiências, mais experiências e mais
experiências. Já vamos implementar uma num município
completo, o mais pobre, e por isso já entraram lá os
trabalhadores sociais: também entra em Cienfuegos uma força
trocando lâmpadas.
Enrique, que dia vão tomar conta dos postos de gasolina dessa
província? No importa, que o saibam, devem imaginar. (Enrique explica
que será a partir do sábado, que já foram trocadas mais de
158 000 lâmpadas em Cienfuegos e o que resta será acabado
amanhã).
(Entregam ao Comandante para a estudante da província La Habana duas
lâmpadas de baixo consumo).
Vea, Enrique, vem cá, que isso não serve, o que ela tem na
mão. Esta gastando eletricidade demais. Rápido, já estamos
nos aproximando do fim.
Ah!, a garota está lá. Mas, este é de sete (Enrique lhe
esclarece que é um de sete e outro de 15).
Não, mas ela tem dois de 60, não apagues a garota, não
apagues a luz na casa da garota. Ela me disse que tinha dois de 60. Eu dizia
que lhe deviam entregar dois de 15.
Pega, você não, ela. Leva-as, diga que já você
tem um (Entregam-lhe duas lâmpadas de 15).
Já sabemos o que poupamos no ano. Não é bobagem (Aplausos).
Vamos descontá-lo do que tem que pagar para subsidiar aquele que
está lá. Estão mudando, quantas lâmpadas vão
ser mudadas em Cienfuegos? (Enrique lhe responde que em Cienfuegos existiam 207
000 lâmpadas que deviam ser substituídas).
Quantas mais descobriram? (Diz que aumentou a procura e devem ser enviadas mais
100 000 para lá).
Tínhamos combinado que eram 150 000 de Havana. (Esclarece que já
estão a caminho; que foram trocadas 158 000, com os 400 trabalhadores
sociais que estão mergulhados na tarefa, mais 360 de reforço que
enviaram. Ratifica que no sábado eles começam nos postos de
gasolina).
Correto. E depois de amanhã os postos de gasolina. Tudo deve estar
pronto, que de qualquer forma vamos descobrir o que compram as pessoas, e
depois haverá umas máquinas de distribuição
perfeitas, e o país saberá onde está cada máquina.
Quanto combustível se gasta com todos os que usam os carros, não
só os caminhões, mas também até os carregadeiras
frontais da construção, como aconteceu naquela ocasião?
Quanto gastam todos os tratores do Ministério do Açúcar
(Minaz)? Quanto gastam todos os tratores do campo, que são dezenas de
milhar fazendo o papel de jipes, assim tão tranquilamente? Quanto gastam
aqueles que, ao não bastar o queroseno, que é o
combustível da imensa maioria, utilizam o diesel para cozinhar?
São centenas de milhar, centenas de milhar e centenas de milhar.
Ao lado disso advirto máquinas totalmente novas, com
capacidade de perfuração, nova técnica sísmica, que
é muito moderna, perfurando em todos lados onde haja que perfurar e
utilizando o gás dos poços para ir criando usinas geradoras de
ciclo combinado que substituam para a vida toda a "Guiteras", ou
essas monstruosas usinas de Santiago de Cuba que consomem meio milhão de
toneladas de diesel que produz a refinaria daquela própria cidade,
gastando entre 300 e 350 gramas de fuel oil por quilowatt de eletricidade, ou
essas máquinas engolidoras de diesel de San José de las Lajas que
para produzirem 60 000 quilowatts nas horas de ponta gastam 400 gramas de
diesel em cada quilowatt. Não fiquem assombrados no dia em que lhes
diga: estão definitivamente retiradas, nenhuma enquanto existir o perigo
de um déficit, porque temos que ir assegurando e assegurando. Inclusive,
lá onde vai ser substituído um combustível por outro
ficará, enquanto não tiver garantido este, garantido o anterior.
Vão ser mudanças grandes.
Já disse que temos mil ônibus desses para distâncias longas,
e terão seu custo. Ainda não agora, porque preferimos esperar.
Às vezes é preciso esperar para que compreendam algo melhor; para
que seja compreendida bem, por exemplo, uma medida, do que a
Revolução precisa sempre é da compreensão e do
apoio do povo aos passos que estamos dando, porque lhes garanto repito
isso aqui que todo o povo receberá mais, todos os que trabalharam
pelo país e pela Revolução receberão também
mais; muitos abusos acabarão, iremos tirando o caldo de cultura a muitas
dessas desigualdades, às condições que permitem isso,
quando não tenhamos ninguém que tenha que ser subsidiado, teremos
avançado consideravelmente no caminho rumo a uma sociedade justa e
decorosa, que um socialismo verdadeiro e irreversível precisa.
O império sonhou que em Cuba seriam abertos muitos restaurantes
particulares, pois pode ser que não fique nenhum, ou que vocês
acham, que nos temos convertido em neoliberais? Nenhum de nós se tornou
neoliberal; mas vamos demonstrar irrecusavelmente a crise de suas teorias, como
temos demonstrado o fracasso do seu bloqueio, de suas agressões, de suas
desestabilizações.
No ano que vem pode ser que haja menos abstenções, na
votação contra o bloqueio nas Nações Unidas, embora
já não fique nada, nada mais que o aliado fascista e genocida que
sempre vota sem escrúpulo algum ao lado do império.
O mundo terá que travar uma batalha.
Ninguém deve ter direito de fabricar armas nucleares. Ainda menos o
privilégio que pretende ter o imperialismo para impor seu domínio
hegemônico e tirar aos países do Terceiro Mundo seus recursos
naturais e matérias-primas. Temos denunciado isso mil vezes, mas
não é a solução. A primeira solução
para um país do terceiro Mundo é não ter medo nenhum,
assim temos feito sempre e já começam a ficar desmoralizados.
Segundo, defenderemos a qualquer custo, nas tribunas internacionais, o direito
dos povos de produzir o combustível nuclear e não teremos nenhum
medo ou temor, vamos advertindo (Aplausos).
Deve acabar no mundo a prepotência, os abusos, o império da
força e do terror. Este some diante da ausência total de medo e
cada vez são mais os povos que têm menos medo, cada vez
serão mais os que se revoltem e o império não
poderá sustentar o infame sistema que ainda sustenta.
Um dia, Salvador Allende falou que mais cedo ou mais tarde, pois penso que mais
cedo do que tarde esse império se desintegrará e o povo dos
Estados Unidos terá mais liberdade do que nunca, poderá aspirar a
mais justiça do que nunca; poderá usar a ciência e a
técnica no próprio benefício e no da humanidade,
poderá somar-se aos que lutam pela sobrevivência da
espécie, poderá somar-se aos que lutam por uma oportunidade para
a espécie humana à qual pertence.
É justo demais lutar por isso, e por isso devemos empregar todas nossas
energias, todos nossos esforços, nosso tempo todo, para poder dizer na
voz de milhões ou de centenas ou de bilhões. Vale a pena ter
nascido! Vale a pena ter vivido!
(Ovação.)
[*]
Presidente da República de Cuba.
Discurso proferido na Aula Magna da Universidade de Havana, em 17 de novembro
de 2005 por ocasião do 60º aniversário de seu ingresso na
universidade. Tradução dos serviços oficiais cubanos.
Este discurso encontra-se em
http://resistir.info/
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