Definir austeridade
por Yanis Varoufakis
A mais espantosa defesa da austeridade é [a afirmação de]
que ela não está a ser praticada. E se não está a
ser praticada, como pode alguém pretender que falhou? Os
austeritários apontam os altos défices na Grã-Bretanha,
Espanha, etc como prova de que, na verdade, a austeridade estava só nos
olhos observadores e não na política praticada. Não posso
pensar em nenhum exemplo melhor de ignorância económica
interessada em meio a esta Crise. O objectivo desta curta nota é deixar
as coisas claras.
Austeridade não se refere a défices baixos. Défices baixos
são um fim, um objectivo. Austeridade é uma política; um
meio para um fim, em que o fim são défices baixos. Austeridade
é portanto definida como a tentativa de reduzir o défice cortando
despesas e aumentando impostos.
Agora, o perturbador com a austeridade é que, quando executada num
período de desalavancagem do sector privado (isto é, quando
firmas e famílias estão a lutar para cortar despesas e reduzir
seu endividamento) a austeridade é auto-derrotante pois ela reduz
receitas fiscais mais depressa do que (ou tão rápido quanto) ela
contrai despesas. Assim, o resultado da austeridade pode frequentemente
resultar em altos défices e invariavelmente fracassa quanto à
redução geral dos níveis de dívida! Precisamente o
que acontecer na Espanha, no Reino Unidos, por toda a parte onde tem sido
praticada desde o Crash de 2008.
Para resumir: os austeritários apontam défices e níveis de
endividamento constantes como prova de que a austeridade não foi
praticada. A realidade é precisamente o oposto: A persistência de
défices e dívidas é o resultado da austeridade que foi
executada energicamente e fracassou espectacularmente tal como previsto.
31/Maio/2013
O original encontra-se em
http://yanisvaroufakis.eu/2013/05/31/defining-austerity/
Esta nota encontra-se em
http://resistir.info/
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