Sobre a troca de prisioneiros

por FARC-EP

1. A proposta de uma troca de prisioneiros através de um acordo humanitário entre o Estado colombiano e as FARC-EP para pôr fim ao cativeiro dos prisioneiros de guerra de cada uma das partes foi, e é, uma iniciativa das FARC, que o Estado sistematicamente recusou.

2. A vontade das FARC-EP de concretizar um encontro entre as duas partes foi manifesta e foi ratificada com factos. Assim, desde o princípio deste governo, as FARC nomearam para tal os seus porta-vozes e propuseram a desmilitarização dos municípios de São Vicente del Caguán e Cartagena del Chairá, no departamento de Caquetá, o que foi recusado pelo governo com o argumento de que estava em execução Plano Patriota e que as FARC pretendiam livrar-se da pressão das operações militares.

Perante tamanha falácia governamental, as FARC-EP propuseram a retirada das forças públicas dos municípios de Pradera e Florida, no departamento de Valle del Cauca, por um período de trinta dias, como garantia da segurança dos porta-vozes.

3. O governo, ao contrário, não atendendo ao clamor nacional dos colombianos, dos familiares dos prisioneiros, de numerosos sectores sociais e políticos, de vários ex-presidentes, de personalidades, da Igreja Católica, dos próprios prisioneiros e dos governos amigos, urdiu contrapropostas inviáveis, contraditórias e inaceitáveis, que mais não são do que alardes públicos da politiquice eleiçoeira, favoráveis aos seus interesses, com o que, além disso, pretende encobrir a sua única política clara: a guerra contra o povo colombiano e as suas organizações, sem opções não sangrentas para a saída da crise.

4. O governo colombiano abusou em diversas oportunidades da boa fé dos governos e instituições internacionais com factos vários que poderão enumerar-se. Na diplomacia recorre a mentiras e a enganos, com promessas de obter da Comunidade Internacional declarações e atitudes favoráveis aos seus fins, convertendo, assim, o sensível tema da troca humanitária num instrumento propagandístico, politiqueiro e eleiçoeiro para a reeleição presidencial.

5. As FARC-EP agradecem aos governos da França e Suíça, aos outros países amigos das soluções políticas, a disposição e esforços para ajudar a concretizar a troca humanitária de prisioneiros do conflito interno da Colômbia. Continuar este valioso empenhamento constitui uma grande ajuda aos desejos do povo colombiano de construir os caminhos que conduzam à libertação dos prisioneiros.

6. As FARC-EP ratificam uma vez mais perante a opinião pública internacional a sua decidida vontade de alcançar um acordo humanitário que inclua a liberdade de todos os nossos prisioneiros de guerra, incluindo Francisco Caraballo, independentemente do lugar onde se encontrem no momento da assinatura do acordo. Como o reiterou anteriormente o Secretariado, o eventual encontro entre os porta-vozes das duas partes efectuar-se-á no nosso território pátrio, para o qual pedimos a retirada da força pública durante 30 dias dos municípios de Pradera e Florida, no departamento de Valle del Cauca.

Comissão Internacional das FARC
Montanhas da Colômbia, 10 de Setembro de 2005

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .

21/Set/05