Movimento Continental Bolivariano:
Uma necessidade política de implicações
estratégicas
Compatriotas latino-americanos e caribenhos presentes a este histórico
evento, companheiros e companheiras: recebam a entusiasta
saudação do Secretariado, do Estado Maior Central, do corpo de
comando e dos guerrilheiros das FARC - EP, bem como de todos os membros das
milícias Bolivarianas.
Constituir um movimento político continental, de essência
bolivariana, exactamente quando o império estado-unidense intensifica a
sua força militar na Colômbia e dispõe, de forma
ameaçadora, sua máquina de guerra e de terror contra os povos
latino-americanos e caribenhos, não é apenas uma necessidade
histórica, mas um dever urgente, marcando o horizonte da unidade da luta
de nossos povos para defender a sua dignidade, independência,
história, valores, cultura, território, recursos humanos, a
riqueza natural e o inalienável direito de moldar o seu futuro
soberanamente.
O objectivo do Libertador de formar um país latino-americano estruturado
como um único corpo de nações livres, que integrasse os
nossos povos, foi o que garantiu a derrota do colonialismo em sua época,
e para a definitiva independência de nossos povos do jugo de qualquer
poder, esse objectivo continua em vigor; mantendo sua força como uma
estratégia nascida do génio e empenho exemplar e do
inesgotável compromisso revolucionário de Simón
Bolívar, que concebeu uma grande nação como um
património colectivo de todos os povos e não como uma soma de
grandes latifúndios reservados para minorias privilegiadas, ajoelhadas e
submissas as ordens do império de plantão.
O acerto do poderoso plano bolivariano continua em vigor 200 anos depois, da
mesma forma que todos os seus ideais de igualdade, liberdade, justiça
social, soberania e independência, resumo e essência das lutas
actuais de muitos dos países da América Latina e Caribe, que
combatem regimes oligárquicos que se renderam incondicionalmente aos
amos estrangeiros, e como vítimas que somos da expansão
capitalista descrita como "globalização", levantamos
hoje, com mais urgência e legitimidade do que nunca, a bandeira da Grande
Pátria ante a indisfarçável intenção gringa
de ocupar os territórios ao sul do Rio Grande até a
Patagónia, para realizar a sua estratégia de "destino
manifesto", de acordo com seu slogan imperial e censurável: "a
América para os americanos".
Está claro que um tratado militar como o recentemente assinado entre
Washington e Bogotá, que permite a formação de sete bases
estado-unidenses na Colômbia, com a prerrogativa de utilizar todo o
sistema aeroportuário, o espaço aéreo e mares territoriais
sem limites para as tropas que se deslocam em seus navios e aviões de
guerra, e pela presença maciça de paramilitares norte-americanos
chamados "empreiteiros", não estão limitados à
luta contra o tráfico de drogas e o chamado terrorismo, mas buscam
desestabilizar os processos de democratização e
independência em curso na América Latina.
A guerra contra as drogas é uma estratégia fracassada que os EUA
utilizam hoje como um pretexto para a intervenção e
agressão em diferentes partes do mundo.
A guerra contra o terrorismo lastro qualificativo onde cabem todos os
seus adversários políticos conduzida pela Casa Branca, a
mesma que ordenou o bombardeio atómico de Hiroshima e Nagasaki, que
devastou o Vietname com napalm e armas químicas, que ataca o povo do
Iraque e Afeganistão e apoia o terrorismo de Estado israelense, é
uma outra máscara do império e das transnacionais para justificar
suas atrocidades.
A América Latina, na estratégica esquina da América do Sul
que ocupa a Colômbia e como resultado de um longo plano que está
em andamento, começa a ser novamente invadida, desta vez com a
aquiescência de um presidente como Álvaro Uribe, apoiado pelo
para-militarismo criminoso e narcotraficante uma realidade bem conhecida
por Washington apátrida e chefe do governo mais corrupto da
história da Colômbia, e que precisamente por isso os EUA o
utilizam para avançar neste projecto que visa recuperar a
influência perdida no seu antigo "quintal dos fundos".
O fracassado golpe contra o presidente Chávez, em 11 de abril de 2002, e
o golpe contra o presidente Zelaya que pretendem encobrir reconhecendo
as eleições espúrias vencidas por Lobo as
sistemáticas provocações para desestabilizar a fronteira
Colômbia/Venezuela, os esforços claros e ininterruptos de
desestabilização em vários dos nossos países, fazem
parte desta nova ofensiva do estado gringo e da reacção contra os
avanços da integração continental e o crescente sentimento
anti-imperialista de nosso continente, enquadrada na visão Bolivariana
da independência, ou seja, no ataque frontal das massas oprimidas contra
o poder colonial e as oligarquias. Por outras palavras, a luta de classes para
a libertação dos oprimidos, o confronto social e político
pela democracia desenvolvem-se profundamente, sem interrupções,
com raízes no melhor e mais avançado das nossas
tradições, marcada por nossas peculiaridades e idiossincrasias,
como parte de um processo verdadeiramente latino-americano rumo ao socialismo.
Nosso compromisso com este processo, com a soberania nacional e popular, pela
grande pátria e pelo socialismo é total e incondicional. É
esta a inabalável razão para a existência das FARC-EP como
nos incutiram nossos comandantes e fundadores Manuel e Jacobo, e que
reafirmamos diariamente com plena e total confiança na vitória
final.
Perante este acontecimento excepcional, reafirmamos nossa confiança na
demarcação que significará para as lutas dos povos
latino-americanos a construção do Movimento Continental, nutrido
do pensamento bolivariano e inspirado como todos nós na vida exemplar do
Libertador, incomensurável quadro ético que nos estimula
permanentemente nas dificuldades da luta para alcançar os objectivos que
estabelecemos.
Reiteramos os nossos votos de um intercâmbio enriquecedor, que gere
conclusões e propostas sábias que vão de encontro ao
movimento de massas, a organização, a luta contra o invasor e a
construção da Pátria Grande!
Pela unidade latino-americana e caribenha contra a invasão imperial dos
Estados Unidos: Avante!
Muito obrigado,
Alfonso Cano
Cmte do EMC das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, dezembro 2009
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Saudação enviada ao Congresso Constitutivo do Movimento
Continental Bolivariano, realizado em Caracas a 7
de Dezembro de 2009.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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