Aquecimento global: uma impostura científica
por Marcel Leroux
[*]
"-É uma fábula o que tu nos contaste",
disse com desprezo o pastor peul (etnia do Senegal).
"-Sim, respondeu o caçador de crocodilos,
mas uma fábula que todo mundo repete parece muito com a verdade!".
(J. e J. Tharaud,
La randonée de Samba Diouf,
Fayard, 1927)
1- Trata-se ainda de climatologia?
2. Efeito de estufa, modelos e aquecimento global
3. Clemência ou violência do tempo?
4. A evolução recente do tempo no espaço Atlântico Norte
5. Outras "mentiras"
6. Os abusos da meteorologia-climatologia
Referências
O aquecimento global é uma hipótese fornecida por modelos
teóricos.
Baseia-se em relações simplistas que anunciam um
aumento da temperatura, proclamado mas não demonstrado.
São numerosas as contradições entre as previsões e
os factos climáticos observados directamente.
A ignorância destas distorções flagrantes constitui uma
impostura científica.
Nos anos 70 (do séc. XX) verificou-se um desvio climático (que os
modelos não previram).
Traduziu-se num aumento progressivo da violência e da irregularidade do
tempo e foi provocado pela modificação do modo de
circulação geral da atmosfera.
O problema fundamental não é prever o clima em
2100. Deve-se, antes, determinar as causas daquele desvio climático
recente. Isso permitiria prever a evolução do tempo no futuro
próximo.
O aquecimento global
("global warming")
é um tema que está na moda. Em particular depois do Verão
de 1988. Então, nos Estados Unidos da América, veio ao de cima a
angústia do
"dust bowl".
Esse período de calor e de seca aconteceu nos anos 30 do
século passado, na "bacia de poeiras" dos Grandes Planaltos. O
drama vivido pelos camponeses
(Cf. As Vinhas da Ira
de John Steinbeck) é constantemente recordado. O passado pesado explica
a atenção particular que foi imediatamente dedicada.
Seguiu-se-lhe a dramatização
("greenhouse panic").
Inicialmente assunto da climatologia, o tema passou a ser tratado com
emoção e irracionalidade. Depressa evoluiu para o alarmismo.
Perdeu o seu conteúdo científico. Questiona-se actualmente:
estaremos ainda a falar de climatologia?
1- Trata-se ainda de climatologia?
Um tema confuso
O aquecimento global é um tema extremamente confuso que mistura tudo:
-
A poluição e o clima: o clima torna-se num álibi, num
espantalho. A sua evolução futura é apresentada como um
postulado. Quem colocar dúvidas sobre o aquecimento anunciado fica logo
catalogado. Tanto como favorável à poluição, como
"louco, mal intencionado ou a soldo da indústria
petrolífera"
(Singer, F., 2002 - indicação das Referências
bibliográficas). Naturalmente, aqueles que "lucram" (com
vantagens leoninas) do maná confeccionado pelo alarmismo estão
acima de qualquer suspeita!
-
Os bons sentimentos e os interesses confessados (e inconfessados): o planeta
está em perigo. É necessário "salvá-lo".
Mas, ao mesmo tempo, discutem-se os "direitos de poluir". São
os famosos "direitos de emissão negociáveis". Passa-se
do sentimentalismo de culpabilidade (o homem é o responsável de
todos os males) para a defesa de interesses privados (dissimulados de modo
obscuro).
-
As suposições e as realidades. As teorias dos modelos e os
mecanismos reais. O hipotético clima futuro e a evolução
do tempo real. As previsões são tanto mais gratuitas quanto os
prazos são mais longínquos. Nas observações
actuais, lobrigam-se sinais da catástrofe anunciada. Seleccionam-se as
informações. Oculta-se o "frio" que é
atribuído à variabilidade "natural" (desconhecida).
Retém-se apenas o "calor". Este não pode deixar de
confirmar as previsões dos modelos
-
O sensacionalismo e a seriedade científica. A procura do furo
jornalístico e a informação devidamente fundamentada. Tudo
cada vez mais confundido. Nomeadamente pelos políticos e/ou pelos media
que ajudam à confusão. Certos cientistas não melhoram a
situação. As suas declarações prematuras e
conjunturais na maior parte das vezes não são fundamentadas.
-
O debate inscreve-se, igualmente, no mito mais antigo que é o do
"conhecimento" popular acerca do tempo. Isso facilita o sucesso da
mensagem. Cada um, como é bem conhecido, tem o seu saber sobre a
matéria. Estamos muitas vezes próximo do pensamento
mágico. Das discussões das tertúlias. Das previsões
dos bandarras. Prevalece a confusão entre clima e evolução
do tempo. Através dos "modelos" (aureolados de
mistério) sonha-se com a "máquina de produzir o tempo".
Uma "climatologia" simplista"
O que predomina no debate e o falseia é que as
alterações climáticas
são um tema da climatologia tratado como se fosse do ambiente. Em anexo
ao da poluição. Esta constitui um álibi moral. Invocado
predominantemente por não-climatologistas. Ainda há pouco tempo,
um "climatólogo" tinha pouco prestígio. Era um
geógrafo considerado "literato", isto é,
"não físico". Ou era um funcionário dos
serviços de meteorologia. Encarregava-se dos arquivos
(situação pouco considerada). "Acabar em climatologia"
era visto como a pior das condenações! Hoje, os climatologistas
na sua maioria desinteressam-se estranhamente do debate. Ou adoptam o dogma
oficial sem espírito crítico. Mas também existe a
pretensão de se ser "climatólogo". Saber repetir
servilmente (à maneira dos psitacídios) os comunicados do IPCC
(Intergovernmental Panel on Climate Changes)
tornou-se uma qualificação. O discurso estereotipado e recitado
de modo dogmático é sempre o mesmo.
Contudo, as especializações e as competências não
faltam. Mas dizem respeito à informática, à
estatística, à agronomia, à química, à
oceanografia, à glaciologia, à história, mesmo à
geologia
Não ao clima e à sua dinâmica. Com uma
"convicção" geralmente proporcional à
ignorância dos rudimentos da disciplina, os "climatólogos
autoproclamados" propagam hipóteses procedentes dos modelos.
Hipóteses infundadas ou mal estabelecidas e não corroboradas
pelas observações. Devemos assim colocar fortes reticências
segundo o qual os relatórios do IPCC são preparados por
"centenas de cientistas". O número anunciado pode iludir e
esconder o monolitismo da mensagem. Na realidade, uma pequena equipa dominante
impõe os seus pontos de vista a uma maioria sem competências
climatológicas. O I de IPCC significa, com efeito,
"intergovernamental". Significa que os pretensos cientistas
são antes do mais representantes governamentais. O IPCC, em absoluto,
não é um organismo de investigação. Na
redacção definitiva do relatório de 1966 a
afirmação da
"influência perceptível do homem sobre o clima global"
(GIEC, 1966, p.22) foi acrescentada depois da hora. Para
"impressionar" os decisores como disse Emmanuel Granier
(Industrie et Environnment,
n.º 208, 1998). Não correspondia ao entendimento do conjunto do
IPCC. Mas tem sido constantemente repetida apesar de não ter havido
acordo!
Os conhecimentos de climatologia são em geral limitados. O IPCC
reconhece-o quando afirma:
"A aptidão dos cientistas para fazer verificações das
projecções provenientes dos modelos é bastante limitada
pelos conhecimentos incompletos sobre as verdades climáticas"
(UNEP-WMO, 2002, p.7). As "explicações"
são sobretudo simples, muito simplificadas, mesmo simplistas, para serem
facilmente apreendidas. Todavia, elas não reflectem, ou reflectem apenas
muito parcialmente, a verdade científica que é extremamente
complexa. Este conhecimento superficial e esquemático é
primeiramente imposto pelas
"simplificações inevitáveis transpostas para os
modelos"
(Le Treut, 1997). Os modelos não podem integrar todas as
componentes dos fenómenos. É necessário
"parametrizá-los", sem se saber descrevê-los
explicitamente. Quanto mais simples é a mensagem, mesmo simplista
(próxima do slogan, fácil de reter sem esforço), maiores
são as hipóteses de ela ser adoptada pelos políticos e
pelos media. O método de "consumo imediato" das
notícias afasta-se desde logo da reflexão séria e de
longas e complexas explicações.
Esta falha de qualificação "climatológica" muito
extensiva explica também a fé cega atribuída a uma
ciência de uma meteorologia idealizada. Ignora-se geralmente (ou finge-se
ignorar) que a meteorologia está num
verdadeiro impasse conceptual
há mais de cinquenta anos. Ela não dispõe de um esquema
explicativo da circulação geral apto a traduzir a realidade das
trocas meridionais. Nem a integrar as perturbações que são
consideradas como transplantes "passageiros". Trata-se de um modo
disfarçado de confessar a ignorância dos mecanismos reais. Este
impasse conduziu, entre outros, ao "falhanço" do prestigioso
Miami Hurricane Center
na previsão da trajectória do furacão Mitch em 1998, por
defeito de conhecimento da dinâmica dos furacões tropicais!
(Leroux, M., 2000). Será necessário sublinhar todos os
falhanços das previsões do tempo em todas as partes do mundo? Os
próprios meteorologistas confessam estas fraquezas fundamentais.
São tão evidentes que tornam os modelos (no seu estado actual)
irremediavelmente inaptos a prever o que quer que seja! Podemos assim
igualmente explicar a confiança ingénua, a falta de
isenção quanto a dúvidas (sendo estas habitualmente
salutares em ciência) e mesmo a falta de espírito crítico
dos pretensos climatólogos. Tanto dos não qualificados como do
público não avisado. A crítica é fundamental quando
se trata de estimar a qualidade dos modelos e das suas previsões. O
debate científico é assim ocultado e os contraditores são,
na medida do possível, açaimados, censurados ou mesmo
desacreditados. Por causa do conteúdo "moral" do tema, o
conhecimento é substituído em proporções
respectivamente inversas pela convicção (sincera ou pela
fé). Como proclamou M. Petit:
"Estou convencido que o aquecimento global do planeta é uma
realidade"(Le Monde,
19 de Abril de 2001, p.24). "Profissão de fé" que
é a própria negação do método
científico.
É, pois, necessário fazer um ponto da situação, sem
complacência. Sem concessões e aprofundado. Rigorosamente e
unicamente centrado na climatologia. A poluição é por si
só um assunto suficientemente sério e preocupante para merecer um
tratamento separado, aí sim, pelos próprios especialistas.
2. Efeito de estufa, modelos e aquecimento global
O efeito de estufa natural e o adicional
O efeito de estufa é uma realidade, pelo que é inútil
discutir: ele produz um ganho de 33 ºC à temperatura média
da superfície da Terra. Um efeito de estufa adicional, ou
"reforçado", de origem antropogénica (proveniente do CO
2
e de outros gases com efeito de estufa GEE devidos às
actividades da vida humana) poderia ser susceptível de elevar a
temperatura. Sabe-se isso desde há longa data, 1824, conforme foi
pressentido por Fourier. A questão é a de saber se, com efeito, o
homem é capaz de influenciar (involuntariamente) o curso da
evolução climática, atingindo a escala planetária,
e sobretudo se, desde há um século, ele já começou
a fazê-lo. Entretanto, à parte a influência demonstrada
sobre o clima urbano, uma consequência à escala global permanece
ainda no domínio da especulação.
Com efeito, o vapor de água representa 63 % do efeito de estufa natural
(100 W/m
2
em 160 W/m
2
) e constitui
"a maior fonte de incerteza"
(Keller, C.F., 1999).
"Devido ao facto de os modelos climáticos fazerem intervir as
nuvens e as
precipitações, que são particularmente complexas, a
amplitude precisa da respectiva retroacção fenómeno
crucial permanece desconhecida"
(UNEP-WMO, 2002, p.3).
Além disso, é necessário juntar a incerteza associada
à nebulosidade, cujos efeitos são contrários de acordo com
a altitude das nuvens que tanto poder arrefecer como aquecer a superfície
terrestre
O presumido aquecimento global também poderá não ser outra
coisa que um fenómeno urbano, como a poluição. Goodridge
(1996) demonstrou a existência desse fenómeno na
Califórnia. Comparou a evolução térmica das cidades
com mais de um milhão de habitantes e com mais ou com menos de 100 000
habitantes. A elevação da temperatura decresce com a
diminuição da importância das cidades. Ele concluiu assim:
"O aparente aquecimento global é na realidade devido à
perda de calor que afecta somente as superfícies urbanizadas".
Conclusão semelhante foi obtida em Espanha, onde Sala e Chiva
(1996) consideraram por outro lado que
"o verdadeiro aumento natural da temperatura, corrigida do
efeito de urbanização, pode ser atribuído à
actividade solar".
A evolução das temperaturas em França revela
também um aumento sustentado das temperaturas mínimas, isto
é nocturnas. A evolução das temperaturas máximas ou
diurnas é mais irregular e não demonstra uma tendência
tão sustentada (Leroux, M., 1997). As estações
meteorológicas, inicialmente instaladas fora das cidades foram
progressivamente absorvidas pela expansão da urbanização
e/ou pela extensão da sua cúpula de calor, e elas reflectem
assim, principalmente, a evolução climática à
escala local.
"As indicações dos climas do passado"
"O estudo paleoclimático (
) dá uma ideia da amplitude
das futuras alterações(
)" (Cf.
UNEP-WMO, 2002, p.8). Esta afirmação, que pretende fundamentar
as alterações climáticas do futuro, permite colocar a
questão da relação entre os GEE e a temperatura: é
uma covariação (sem significado físico) ou uma
correlação física? Quando é que o acréscimo
dos GEE é a causa ou quando é que é o efeito? Que
significa à escala paleoclimática (como à escala sazonal)
a covariação mais ou menos estreita entre o CO
2
e a temperatura? Os cilindros da estação Vostock retirados dos
gelos antárcticos mostram
"o paralelismo das variações de temperatura do ar e do teor
atmosférico em GEE"
(Masson-Delmotte, Chapellaz, 2002). Deduzir que o passado e o futuro
são directamente comparáveis representa a astúcia ideal:
qual é com efeito o não-climatologista e
a fortiori
o cidadão que conhece Milankovitch? A covariação geral
dos parâmetros (deutério, CO
2
, CH
4
, Ca, etc. e a temperatura correspondente deduzida) no decurso de mais de 400
mil anos resulta de um forçamento exterior à
própria Terra. Resultou de quatro ciclos principais que revelam a
influência da "excentricidade da órbita terrestre"
(ciclos de 100 000 anos). No interior de cada grande ciclo
glaciário-interglaciário as variações mais breves
são conjuntamente associadas à variação da
inclinação do eixo dos pólos e à precessão
dos equinócios. Estes parâmetros orbitais da
radiação foram demonstrados por Milankovitch, em 1924. Todos os
parâmetros covariam (e estão portanto estatisticamente
correlacionados). Mas a evolução da temperatura a esta escala de
tempo não depende dos GEE. Pelo contrário, são as taxas de
crescimento destes é que dependem (mais ou menos directamente) da
temperatura. Por consequência, apesar dos resultados notáveis das
análises dos cilindros de gelo para o conhecimento dos climas passados,
a referência sistemática aos paleoambientes (mais exactamente
à "química isotópica") não faz qualquer
sentido no debate (
) E tanto menos sentido quanto as teorias
meteorológicas convencionais utilizadas pelos modelos não
propõem um esquema de circulação geral válido a
esta escala paleoclimática
(Cf.
Leroux, M., 1993,1996).
"As indicações fornecidas pelos modelos
climáticos"
Os modelos climáticos prevêem aumentos da temperatura. Esta
conclusão tornou-se num postulado indiscutível (
Cf.
UNEP-WMO, 2002, p.7). Por outro lado, os modeladores impuseram o conceito de
evolução "global" do clima, sendo que o globo
deverá evoluir no seu conjunto e no mesmo sentido (aquecimento).
Todavia, com intensidades diferentes consoante as latitudes.
Os modelos, fundamentados no efeito radiativo, podem prever outra coisa que
não seja
aquecimento? Le Treut (1997) escreve a este
propósito: "
Os modelos, cada vez em maior número e mais sofisticados, indicam sem
excepção um acréscimo de temperatura
". A unanimidade da resposta (pudera!) é pois considerada como uma
prova da capacidade dos modelos para prever o futuro. Mas para além da
sofisticação dos cálculos, o resultado é no fim de
contas uma aplicação da regra de três simples, entre 1) a
taxa de crescimento do CO
2
actual, 2) a suposta taxa futura e 3) a temperatura correspondente. Isto
é elementar. A unanimidade dos modelos considerada como um
"facto notável"
(Le Treut, 2001) é uma lapalissada. A resposta não pode
ser senão positiva. Como é que poderiam prever descidas de
temperatura se eles são constituídos para prever subidas?
Haverá de facto necessidade do recurso aos modelos (tendo ainda em conta
as suas imperfeições teóricas e práticas) para se
chegar a este resultado?
A argumentação é muito frágil: o balanço
radiativo (excepto quanto às variações no longo prazo)
permite somente compreender
porquê as altas latitudes são
mais frias do que os trópicos, e de prever que
o Inverno
será mais frio do que o Verão! As variações de
temperatura de um dia para o outro, e de um ano para o outro (e as
médias e anomalias resultantes) dependem como as
variações do tempo das modificações de
intensidade das circulações meridionais. Esquematicamente, o
fluxo de norte traz frio e o do sul traz calor (outros parâmetros como a
nebulosidade, a humidade, as precipitações, a velocidade do
vento, etc., participam conjuntamente nesta determinação). As
trocas meridionais dizem respeito evidentemente a regiões diferentes e
as evoluções térmicas não podem ser uniformes. Uma
temperatura média não tem se não um valor muito limitado
se é que tem algum se for estabelecido à escala
"global" (poderá então existir um clima global?). A
posição expressa pelo IPCC (1996) é reveladora desta
incoerência:
"Os valores regionais das temperaturas poderão ser sensivelmente
diferentes da média global mas não é ainda possível
determinar com precisão estas flutuações".
Isto significaria que o valor médio seria conhecido
antes
dos valores locais e/ou regionais que permitiriam estabelecer aquela
média! Curiosa maneira de calcular uma
média!
Por outro lado, é correcto dizer como o IPCC que "
não é possível determinar
" as evoluções regionais, sabendo que é simplesmente
suficiente observá-las? Isso é assim simplesmente porque os
modelos não sabem representar estas diferenças de comportamento?
Como é que podiam saber, sublinhe-se ainda, se eles não
dispõem de um esquema coerente do modo de circulação geral?
Evolução global ou evoluções regionais?
As evoluções climáticas são regionais. Litynski
(2000) comparou as temperaturas dos períodos 1931-1960 e 1961-1990
publicadas pela OMM (1971 e 1996). O primeiro período corresponde, mais
ou menos, ao óptimo climático contemporâneo e o segundo
contém a mais forte elevação da temperatura. A
comparação é deveras eloquente. Mostra de maneira evidente
que "
não existiu aquecimento global planetário durante o
período 1961-1990
". Nomeadamente, observa-se, à escala regional, arrefecimentos e
aquecimentos. No hemisfério norte, por exemplo, a baixa de temperatura
é da ordem de 0,40 ºC na América do Norte,
0,35 ºC na Europa do Norte, 0,70 ºC no norte da Ásia,
até 1,1 ºC no vale do Nilo. Outras regiões aqueceram,
como o oeste da América do Norte (do Alasca à Califórnia),
ou também na Ucrânia e no sul da Rússia. Os modelos nunca
previram nem revelaram estas disparidades regionais. De facto, eles são
sempre incapazes tanto de as explicar como de as prever. Qual é a
tendência representativa, é a das regiões que apresentam
aumentos ou da que revela baixas de temperatura? Uma média
hemisférica, e
a fortiori
global, da temperatura
calculada
a partir das observações, com evoluções
contrárias, não tem se não um valor estatístico,
contabilístico. Não tem, se não um significado limitado.
Não tem mesmo
qualquer significado climático.
Segundo o IPCC, a temperatura média aumentou 0,6 ºC ± 0,2
ºC no decurso do período 1860-2000 (
). Este período de
um século e meio, convém sublinhar, engloba a
revolução industrial. Para fixar ideias, note-se que este valor,
à escala da média anual como considerada, representa a
diferença de temperaturas entre Nice e Marselha, de 14,8 ºC a 14,2
ºC (de 1961-1990), ou entre Marselha e Perpignan, de 14,5 ºC e15,1
ºC (também de 1961-1990). Que extraordinária
conclusão!!! Sejamos sérios. Mantenha-se o bom senso: comparada
com a variação real de 0,6 ºC de subida no
período 1860-2000, uma variação de temperaturas prevista
pelo IPCC entre 2 ºC a 6 ºC (ou de 1,4 ºC a 5,8 ºC com uma
margem de incerteza de 1 a 3,5 ºC) para um ano tão afastado como o
de 2100 tem verdadeiramente algum significado? Só com muito boa
vontade
Relação real entre CO
2
e temperatura
A relação entre
as variações da concentração de CO
2
e a curva global secular "calculada" das temperaturas (citada
anteriormente) não é linear. Entre 1918 e 1940 produziu-se um
forte aquecimento, da mesma ordem de grandeza que o dos últimos
decénios, mas a concentração de CO
2
não progrediu mais do que 7 ppm partes por milhão (de 301
ppm a 308 ppm). De 1940 a 1970, a subida de CO
2
foi de 18 ppm (de 308 ppm a 326 ppm) mas a temperatura não se elevou,
bem pelo contrário. A literatura dita científica dos anos 70
anunciava então o retorno a uma "pequena idade do gelo".
Alguns dos "cientistas" que previam um arrefecimento certo e seguro
tornaram-se entretanto fervorosos adeptos do aquecimento global! Apenas o
aumento (presumido) da temperatura do fim do século, a partir dos anos
80, coincide com um aumento da concentração de CO
2
(mais de 22 ppm).
Mas este aumento dos
últimos decénios, superior a 0,3º C, não é
confirmado pelas observações dos satélites. Nomeadamente,
da NOAA (
National Oceanic and Atmospheric Administration,
dos EUA), entre Janeiro de 1979 e Janeiro de 2000 (Daly, 2000; Singer, 2002),
que não detectaram qualquer evolução notável. Foram
feitas críticas pelos defensores do "global warming" contra a
validade destas medidas dos satélites (é verdade que elas
são "preocupantes"). Incidiram sobre a capacidade dos
satélites de ter em conta a evolução das temperaturas de
superfície. Contudo, estas medidas colocam nitidamente em
evidência os ciclos solares (n.º 22 e n.º 23) e o arrefecimento
de 1992 ligado à erupção do Pinatubo
Parecem, pois,
ser dificilmente discutíveis.
O cenário do efeito de
estufa antropogénico, e nomeadamente a relação entre o CO
2
e a temperatura, não explica de facto a evolução
térmica: intervêm outros factores nesta evolução.
Estes factores são numerosos (Leroux, 1996), mas eles não
são tomados em conta pelos modelos.
Evoluções térmicas prevista e real das altas latitudes
Evolução térmica prevista
Um aspecto hipotético, saído dos modelos, é o aumento
considerável presumido da temperatura nas altas latitudes. Segundo eles,
poderia atingir 10 ºC a 12 ºC, paradoxalmente, no Inverno de cada
pólo.
Estes valores muito elevados influenciariam consideravelmente a tendência
térmica média global prevista porque nas regiões tropicais
a modificação seria ténue. Mas quais seriam as
razões físicas para que as altas latitudes viessem a aquecer
tanto? Notar-se-ia nestas latitudes uma contra-radiação terrestre
mais intensa
sobretudo no Inverno precisamente no momento em que em que
não existe insolação? Deve-se supor, contra toda a
lógica, que haveria uma preferência do efeito de estufa perto dos
pólos, precisamente onde os conteúdos em vapor de água
são menores e as águas frias que bordam os gelos são
poços de retenção consideráveis do CO
2
? Os acréscimos presumidos da temperatura, que não poderiam
resultar de fenómenos
in situ,
seriam provenientes de transferências meridionais intensificadas quando
se sabe que, em períodos quentes, estas transferências são
pelo contrário consideravelmente amortecidas (modo de
circulação geralmente lento, Leroux, 1993)? Seria porque o
arrefecimento fora dos períodos glaciares foi mais intenso nas latitudes
polares, que inversamente o aquecimento deveria aí ser nitidamente mais
marcado? Parece ser um profundo mistério da alma do aquecimento
global
Seria, sobretudo porque os modelos climáticos repousam sobre o velho
esquema tricelular de circulação geral (Le Treut, 1997), e
nomeadamente sobre a existência hipotética de uma célula
polar? Este conceito irrealista faz com efeito "arrepiar caminho" ao
ar polar ar frio que se elevaria! a partir da latitude 60º,
Norte ou Sul. Isso não traduz a realidade das trocas meridionais que
seriam assim muito rapidamente interrompidas. A célula polar foi a justo
título rejeitada oficialmente pela comunidade científica
internacional, em 1951. Isto é, muito antes de aparecerem os modelos.
Por outro lado, salienta-se que o esquema tricelular (células de Hadley,
de Ferrel e polar), hipoteticamente considerado em 1856, já foi
globalmente criticado. Apenas a célula de Hadley é parcialmente
representativa da realidade. Isso não impede que De Félice
(1999), do Laboratoire de Météorologie Dynamique
(LMD) e da Société Météorologique de France
(SMF), fale na existência de
"três células meridionais em cada hemisfério,
célula de Hadley, célula de Ferrel e célula polar".
Também Joly, do
Centre National de Recherches Météorologiques
(CNRM), segue o dogma mais do que centenário de confundir a
percepção estatística e a percepção
sinóptica dos fenómenos. Atribui ainda a existência do
"anticiclone dos Açores" ao ramo subsidente (pressão
exercida sobre o ar de cima para baixo) da célula de Hadley (
Le Monde,
25 de Maio de 2001, p.19). Um tal conceito é fisicamente
inconcebível (Leroux, 1996). As obras de Triplet e Roche (1988, 1996) da
Ecole National de la Météorologie, e de Sadourny (1994),
então director do LMD dependente do CNRS, não comportam sequer o
esquema de circulação geral. Apesar desta situação
"inimaginável", o esquema de circulação geral
utilizado pelos modelos é precisamente
o esquema tricelular que
não representa absolutamente nada a realidade das trocas meridionais. O
acréscimo suposto das temperaturas polares é um
artefacto
resultante deste conceito errado, e nomeadamente da existência suposta
da "célula polar" que não é mais do que uma
ficção!
Esta crítica à inadaptação dos modelos à
realidade foi correctamente enunciada:
"Os modelos climáticos actuais não integram de maneira
correcta os
processos físicos que afectam as regiões polares"
(Kahl
et al.,
1993). Mas, aparentemente, nada mudou, apesar da importância crucial
das altas latitudes na origem da circulação geral. Lenoir (2001)
descreveu bem a história desta "ideia fixa" do
sobreaquecimento dos pólos. Provém da afirmação de
Svante Arrhenius segundo a qual
"o efeito das alterações será máximo na
vizinhança dos pólos".
Previu um aumento de 4 ºC
isto em 1903! Esta estranha
obstinação volta a encontrar-se no último relatório
do IPCC que avança a seguinte "justificação":
" [
]a neve e o gelo reflectem a luz solar, assim, menos neve
significa que é
absorvido mais calor proveniente do Sol, o que arrasta um aquecimento
[
]",
e assim
"está previsto um aquecimento de partes do Norte do Canadá e
da Sibéria superior a 10 ºC no Inverno"
(UNEP-WMO, 2002, p.5). Trata-se, bem entendido, do Sol polar de Inverno!
E isto foi, como é evidente, aprovado pelos "cientistas" do
IPCC!!!...
Evolução térmica real
A evolução térmica realmente observada nas altas latitudes
não é nada daquilo previsto pelos modelos. São incapazes
de representar a realidade e, como é evidente, de explicar
convenientemente o que lá se passa. O Antárctico não
apresenta alteração notória: as curvas das temperaturas
médias observadas (Daly, 2001) não apresentam estritamente
qualquer tendência. Em compensação, o Árctico
ocidental tem arrefecido e esta evolução produz o
desmentido mais flagrante às previsões dos modelos:
o arrefecimento atingiu 4 ºC a 5 ºC ( 4,4 ºC no Inverno
e 4,9 ºC na Primavera), durante o período 1940-1990 (Kahrl,
et al.,
1993). Isto é, já quase a metade, mas em
valor negativo,
do valor previsto para 2100! Este arrefecimento é confirmado por um
aquecimento também nítido na camada 850 hPa-700 hPa
hectopascal (+ 3,74 ºC, entre 1500 e 3000 m), que traduz a
intensificação resultante das trocas meridionais vindas do Sul,
por cima dos anticiclones das baixas camadas (anticiclones móveis
polares ou AMP) que partem do Pólo Norte. Rigor
et al.
(2000) confirmam a tendência ao arrefecimento no período 1979 a
1997, acima do mar de Beaufort assim como na Sibéria oriental e no
Alasca, no Outono ( 1 ºC por década) e no Inverno ( 2
ºC por década). Devido à importância das altas
latitudes na génese da circulação geral, o arrefecimento
do Árctico, particularmente da sua parte ocidental onde nasce a maioria
dos AMP, é um facto climático da maior importância. Mas
é total e deliberadamente ignorado pelos modelos.
3. Clemência ou violência do tempo?
A evolução recente do tempo e a multiplicação de
acontecimentos dramáticos são considerados (erradamente) como uma
prova da evolução climática anunciada pelos modelos. A
"dramatização" que é feita dos acontecimentos
torna-se um argumento fundamental para se acreditar no cenário do efeito
de estufa (confundindo o natural com o adicional). O que há de verdade
nisto?
Modelos e evolução do tempo
Os modelos previram inicialmente (no primeiro relatório do IPCC de 1990)
um tempo mais clemente:
"As tempestades nas latitudes médias [
] resultam dos desvios
de temperatura entre o pólo e o equador [
] como este desvio se
enfraquece com o aquecimento [
] as tempestades nas latitudes
médias serão mais fracas"
(IPCC, 1990; Météo-France, 1992). É o que confirma
novamente Planton e Bessemoulin (2000) do Météo-France:
"A alteração climática simulada pelos modelos
informáticos traduz-se geralmente por uma redução do
gradiente Norte-Sul da temperatura nas baixas camadas da atmosfera [
]
terá por efeito atenuar a variabilidade atmosférica associada
às depressões porque as instabilidades, em particular acima do
Atlântico Norte, são fortemente condicionadas pela intensidade do
gradiente de temperatura".
Um aumento da temperatura deveria assim traduzir-se por anticiclones
móveis polares (AMP) menos vigorosos, por um decréscimo das
trocas meridionais de ar e de energia (circulação lenta) e, nas
latitudes temperadas e polares, por uma diminuição dos gradientes
de temperatura e da pressão assim como por um contraste térmico
menor entre os fluxos. Como se mostra à escala sazonal o menor rigor do
tempo estival, comparado com a violência do tempo invernal, não
necessita de modelos para deduzir essa evidência (Leroux, 1993). Um
cenário "quente" anuncia portanto uma maior clemência do
tempo.
Porém, não é isso que se tem observado, o próprio
tempo contradiz estas previsões. Será por isso que, bizarramente,
se anuncia agora (por simples oportunismo?) exactamente o inverso do que se
havia previsto em 1990 (e confirmado acima) com as previsões
catastróficas que os órgãos de comunicação
social fazem eco, sem contudo se espantarem com esta reviravolta? Será
que são
verdadeiramente
os modelos que prevêem agora esta evolução do tempo? Eis o
que diz o IPCC:
"A frequência e a intensidade das condições
meteorológicas extremas tais como as tempestades e os furacões
poderão mudar. Todavia, os modelos não podem ainda prever como.
Os modelos que são utilizados para as alterações
climáticas não podem eles próprios simular estas
condições meteorológicas extremas [
]"
(UNEP-WMO, 2002, p. 5). Isto é claro: os modelos não podem
prever a evolução do tempo. Porquê então evocar sem
cessar a autoridade dos modelos? O que permite, por consequência, dizer
que as condições "
poderiam mudar
"? Não é mais do que um truísmo!, visto que os
modelos não sabem prevê-lo? Como, por consequência, explicar
o "endurecimento" do tempo apesar do que foi anunciado? Escute-se
Planton (do CNRM, 2000, p. 70):
"Um clima mais quente por cima dos oceanos é também mais
húmido porque a evaporação é aí mais
importante [
] estes factores são favoráveis ao
desenvolvimento de depressões porque uma atmosfera mais quente e mais
húmida é também mais energética. Isto é um
factor que seria favorável à formação de
depressões mais cavadas acima do Atlântico".
Esta formulação dos fenómenos é fortemente
sugerida pela relação redutora
evaporação-chuva
analisada a seguir. Eis então a convecção térmica
acima de uma superfície oceânica (superfície
"fria", em termos de meteorologia, portanto inapta a provocar
ascensões) na origem das depressões do Atlântico: é
seguramente uma renovação radical das leis físicas e dos
conceitos que comandam a génese das perturbações das
médias latitudes! O nascimento e a intensidade destas vastas
perturbações dependem, no entanto, da intensidade das
transferências meridionais do ar e da energia, e portanto da
potência dos factores que condicionam o volume e a velocidade destas
transferências (factores aqui ignorados) e não das
condições convectivas
in situ.
Todavia, as opiniões divergem ainda diametralmente sobre a
influência do efeito de estufa. Eis agora, contra toda a lógica,
que "
o gradiente de pressões Norte-Sul deveria mesmo aumentar. A famosa
oscilação norte-atlântica poderia, sob a
influência do efeito de estufa adicional, adquirir um índice cada
vez mais positivo
[o que é exactamente o inverso dos fenómenos reais, Nota do
Autor].
O que favorece as novas gerações de tempestades, [
]
é uma das nossas hipóteses fortes de
investigação."
(Le Treut do LMD, in
Science et Avenir,
2000, p.82).
"Hipótese forte"!
A incoerência científica é contudo manifesta :
ninguém ignora que o índice da
oscilação norte-atlântica
é nitidamente mais elevado no Inverno (Cf. ONA, figura 3b), e que nas
latitudes temperadas, esquematicamente, o
"mau tempo" é associado ao "frio"
e aos contrastes térmicos fortes (como o demonstra a
dinâmica das perturbações invernais, quando as tempestades
mais intensas caracterizam esta estação). Eis agora,
bizarramente, ser atribuído ao "calor" e aos contrates
térmicos atenuados o contrário daquilo que é um facto
observado naturalmente!
A questão é assim particularmente confusa e levanta desde
já duas vezes o facto fundamental, mas ainda mal conhecido, da
dinâmica das perturbações e nomeadamente a ausência
actual da ligação entre a circulação geral e as
distas perturbações. Os modelos são utilizados tanto como
argumento, tanto como álibi ou, até mesmo, como desculpa! Mas na
falta de uma concepção adequada, estes modelos são
incapazes de demonstrar a relação entre o efeito de estufa e a
evolução do tempo, e são sobretudo incapazes de dizer se o
tempo vai ser mais clemente ou mais violento. As predições
catastrofistas do IPCC sobre a evolução do tempo são,
portanto,
totalmente infundadas,
isto é, sem suporte científico. Esta situação
revela o mau conhecimento da dinâmica do tempo e, em particular, das
precipitações associadas, nomeadamente, nas médias
latitudes. Se não sabemos prever o tempo, como procederemos para prever
as chuvas?
A dinâmica das precipitações
Nenhum parâmetro climático pode variar isoladamente, nem
tão pouco a temperatura ou a precipitação, e o tempo
não se determina sobre uma base local, nem mesmo regional. É
função, em proporções muito diferentes, de
condições próximas e de condições afastadas.
De uma maneira geral, a dinâmica do tempo depende pouco das
condições locais. Nomeadamente, no caso de acontecimentos
intensos que exigem transferências potentes, através de uma
distância longa e de maneira sustentada, de quantidades enormes de
potencial precipitável, isto é, energético.
Transferências essas que são organizadas nas altas latitudes pelos
AMP que têm assim eles próprios uma origem longínqua
(Leroux, 1996). As precipitações simbolizam as
perturbações pois produzem-se essencialmente nestas
circunstâncias. Merecem assim uma atenção particular, entre
outras, porque acompanham os estados do tempo mais intensos e estão na
origem de inundações dramáticas.
O aquecimento anunciado iria arrastar uma modificação do ciclo
hidrológico e
"o volume total das precipitações deveria aumentar"
(UNEP-WMO, 2002, p.). Em que argumento está fundamentada esta
predição que parece (tão estranha e aberrante que possa
parecer visto que os modelos não sabem prever a evolução
do tempo) dissociada da dinâmica das perturbações? Como
para a temperatura, a previsão das precipitações apoia-se
sobre um raciocínio esquemático mas que não traduz a
realidade dos mecanismos pluviogénicos. Prevê-se assim um
"aumento global das precipitações",
em razão da
"relação entre a evaporação e a temperatura de
superfície [
] relação bem estabelecida e confirmada
por todos os modelos"
(EOS, 1995). O raciocínio não pode ser mais simplista: subida da
temperatura = subida da evaporação = subida do teor de vapor de
água (potencial precipitável) = aumento da chuva. Isto é
primário, mas parece (segundo certos cientistas)
"fisicamente fundamentado"
("the underlying physics on this is well established"
(EOS, 1995) e
"todos os modelos confirmam esta relação"!
Ora, sabe-se, pertinentemente, que a existência de um potencial
precipitável não é se não uma das
condições da pluviogénese. Mas ninguém observa em
qualquer parte a relação directa entre o potencial
precipitável e a água efectivamente precipitada! A chuva
não necessita apenas da presença de vapor de água
disponível, mesmo acrescida pela evaporação: então,
choveria sem descontinuidade sob os Trópicos húmidos. Como
também choveria sem cessar sobre a bacia mediterrânica no
Verão pois o potencial precipitável é então
máximo. Não seria pois espantoso (com esta relação
primária) que certos modelos façam chover abundantemente
sobre
o Saara! A precedente relação, em função
da importância respectiva da evaporação e da chuva,
permitiria por absurdo a estimativa seguinte: evaporação = chuva
= seca. Espera-se assim prever tanto a inundação como a seca. Mas
invalida-se então a primeira relação! Não
insistamos. O potencial precipitável (necessário) não
é o factor primordial da pluviogénese. Há, salvo
excepções localizadas, sempre bastante vapor de água no ar
(próximo ou transferível) para se sustentar uma chuvada, mesmo no
Saara. Diz-se, com humor, que o ar sariano possui tanto vapor de água
como o ar londrino possui do famoso
fog.
Isso é exacto, mas o défice de saturação é
consideravelmente mais elevado e as condições aerológicas
estruturais (estratificação) são drásticas.
O processo da
pluviogénese exige, além da existência necessária do
potencial precipitável, a reunião imperativa e simultânea
de condições precisas que dizem respeito:
-
ao factor que comanda o transporte de vapor de água (isto é, a
energia) nas longas distâncias e que mantém esta
alimentação;
-
ao factor (térmico?, mecânico?, dinâmico?) que provoca a
ascensão necessária à mudança de estado da
água e à libertação consequente do calor latente;
-
às condições aerológicas estruturais
favoráveis (isto é, sem cisão, rebaixamento ou
estratificação), indispensáveis ao desenvolvimento
vertical das formações nebulosas.
Estas condições são extremamente variáveis, tanto
à escala sinóptica (instantânea, diária) como
à escala sazonal. E variam também com as condições
geográficas, as condições estruturais em particular.
São diferentes nos Trópicos e nas latitudes altas e
médias, dando às diversas perturbações os seus
caracteres específicos (Leroux, 1996). É evidentemente mais
complexo que a relação elementar, esquemática mas
errónea, evaporação/chuva utilizada pelos modelos.
Compreende-se assim facilmente a mediocridade do resultado:
"A elevação das temperaturas arrastará o
reforço do
ciclo hidrológico, donde um risco de agravamento das secas e/ou das
inundações em certos locais e uma possibilidade de
diminuição da amplitude destes fenómenos noutros
locais."
(IPCC, 1996, p.23). Será isto uma previsão responsável ao
se imaginar tudo e o seu contrário? Que crédito atribuir a uma
tal
previsão
que foi repetida em 2002:
"O volume total das precipitações deveria aumentar mas, no
plano
local, as tendências são bastante menos certas [
] não
se conseguindo mesmo distinguir os sinais da evolução
aumento ou diminuição da humidade do solo no plano
mundial".
(UNEP-WMO, 2002, p.5). Kukla havia já sublinhado, em 1990, o
"pouco talento"
com que os modelos reproduzem o fenómeno pluviométrico.
Isto é verdade e sê-lo-á sempre que o raciocínio
permaneça fundamentado numa relação tão redutora.
A ausência de
credibilidade das previsões das precipitações feitas pelos
modelos faz novamente luz sobre as carências no conhecimento dos
processos que comandam o tempo. Examinemos, por exemplo, a dinâmica do
tempo no Atlântico Norte.
4. A evolução recente do tempo no espaço Atlântico
Norte
A França pertence ao espaço aerológico do Atlântico
Norte onde todos os parâmetros climáticos covariam porque eles
obedecem à mesma dinâmica (
). O tempo é aí
comandado pelos AMP saídos do Árctico que veiculam o ar frio e
provocam em retorno (nomeadamente pela circulação
ciclónica sobre a face anterior dos AMP e acima deles) a
advecção
(deslocamento da massa de ar no sentido horizontal) do ar quente em
direcção ao pólo (Leroux, 1996). As
evoluções climáticas são diferentes em
função das regiões.
O oeste e o centro do Atlântico
A bacia do Árctico,
depois de ter aquecido rapidamente até cerca dos anos 1930-1940,
arrefeceu lentamente, em todas as estações, nomeadamente, no
Árctico ocidental (Kahl
et al.,
1993; Rigor
et al.,
2000). Esta baixa da temperatura árctica foi repercutida na
Gronelândia e no Canadá onde os recordes de frio foram
constantemente batidos. A Fig. 1 mostra que este arrefecimento diz respeito
às trajectórias dos AMP a oeste (de modo mais marcado) e a este
da Gronelândia. As curvas seculares evidenciam o
óptimo climático contemporâneo
dos anos 1930-1960 e o arrefecimento contínuo depois dos anos 70. Em
toda a parte central e oriental dos Estados Unidos, até ao Golfo do
México, observou-se também uma tendência nítida e
contínua para o arrefecimento (Litynski, 2000). Este arrefecimento
propaga-se sobre a maior parte do oceano Atlântico, da Gronelândia
até à Europa e mais a Sul, tanto no ar como no mar. Deser e
Blackmon (1993) observam no Inverno
"um aquecimento de 1920 a 1950, e um arrefecimento de 1950 até aos
nossos dias".
Assim como uma coincidência entre
"temperaturas marinhas mais frias que a normal e ventos mais fortes que a
normal",
até ao largo da África ocidental. Nomeadamente, na
vizinhança das Canárias e do arquipélago de Cabo Verde
(Nouaceur, 1999; Sagna, 2001). Ao mesmo tempo, sobre a América do Norte,
as vagas de frio provocadas por enormes AMP de pressões elevadas que
atingem o Golfo do México, pouco severas durante os anos 50,
agravaram-se fortemente depois dos anos 70 (Michaels, 1992).
O nordeste do Atlântico
Fora da trajectória americano-atlântica (a mais frequente) e da
localização da depressão estatística dita da
Islândia, mas sobre o caminho das descidas directas dos AMP (menos
frequentes), o nordeste do Atlântico regista uma evolução
original:
-
Uma subida contínua da temperatura que se acentua no Inverno (Reynaud,
1994), estação que reafirma o carácter dinâmico
deste fenómeno.
-
Um aumento contínuo das precipitações. Que se traduz entre
outras coisas por um ganho de massa em glaciares gronelandeses, islandeses e
escandinavos (WMO, 1998). Este ganho é muito raramente mencionado pelos
media. Pelo contrário, a redução dos bancos de gelo
vizinhos é sempre largamente exagerado (embora isso nada a tenha a ver
com o dito aquecimento global).
-
Uma descida contínua da pressão que se acentua também no
Inverno (Reynaud, 1994). Este comportamento transborda mais ou menos para a
Europa ocidental. Uma outra unidade de circulação desenvolve-se
para este a partir da Escandinávia.
Assim, observa-se ao longo das trajectórias dos AMP um arrefecimento.
Enquanto um aquecimento caracteriza as regiões situadas fora da
trajectória principal dos AMP. Estas regiões beneficiam de
advecções
acrescidas de ar quente e húmido vindo do Sul. São
impulsionadas, sobre a sua face frontal, pelos AMP mais potentes. Do mesmo
modo, a Deriva Norte-Atlântica, prolongamento do
Gulf Stream,
acelerada pelas transferências aéreas mais intensas, traz com
vantagem água quente em direcção ao Mar da Noruega. E, em
seguida, para o Mar de Barents.
Este transporte de calor traduz-se por uma fusão e um
adelgaçamento dos bancos de gelo periféricos, aquecidos por cima
pelo ar quente e por baixo pela água.
A Oscilação Norte-Atlântica
O estado do tempo no Atlântico Norte e na Europa está
classicamente associado à Oscilação do Atlântico
Norte (ONA). A ONA é medida por um índice (Fig. 2) que representa
a diferença de pressões entre a do "anticiclone dos
Açores" (formado pelo agrupamento de AMP: aglutinação
anticiclónica ou AA) e a da "depressão da
Islândia" (formada pelas depressões associadas aos AMP).
Estes "centros de acção" têm sido definidos
à escala das médias. E, assim, eles não existem à
escala sinóptica (do tempo real).
A referência a estas entidades estatísticas introduziu desde o
inicio uma enorme confusão (que permanece depois de mais de um
século) entre as escalas dos fenómenos (Leroux, 1996). A ONA
está em modo positivo (
vs
negativo) quando a pressão está elevada no
anticiclone
e, simultaneamente, pelo contrário, a
depressão
está cavada (e inversamente). Estes modos, positivo e negativo,
estabelecem covariações mas não as explicam. A causa comum
(isto é, a dinâmica dos AMP) não consegue ser identificada
pelas teorias clássicas da climatologia. Sublinhe-se que o vigor da
transferência ciclónica de ar quente em direcção ao
Norte, particularmente sobre a face frontal dos AMP, depende da potência
dos AMP. Por sua vez, eles próprios dependem do défice
térmico polar. Entretanto, estes conceitos habituais (e
"oficiais") ignoram os mecanismos do
"balancé do Atlântico Norte",
assim como as razões da alteração que permanecem
inexplicáveis, como verifica Wanner (199):
"Como e porquê a ONA balanceia de um modo ao outro? [
] apesar
de
todos os estudos
[todos?, Nota do Autor],
[
] a questão permanece aberta e o mecanismo do flip-flop
é bem misterioso".
Hurrel
et al.
(2001) atestam ainda este mau conhecimento:
"Permanecem bastantes coisas a apreender sobre a ONA [
], podendo o
forçamento provir da estratosfera, do oceano ou de outros processos
ainda não identificados."
(Ver abaixo a experiência Fastex).
Nomeadamente, a dinâmica
dos AMP fornece uma resposta clara ao pretenso enigma e o respectivo
índice ONA (Fig. 2) transforma-se num indicador da potência dos
AMP e da intensidade das trocas meridionais no espaço
Norte-Atlântico. Os mecanismos seguintes são facilmente
verificados. Tanto à escala sinóptica, como às sazonal,
estatística (média) e mesmo paleoclimática. (Leroux, 1996):
-
Fase negativa ou baixa do ONA (Fig. 3a):
diferença de pressão fraca entre AA (aglutinações
anticiclónicas) e D (depressões). O Árctico está
relativamente menos frio, os AMP são menos potentes, menos frequentes, a
sua trajectória é menos meridional; à escala média,
a aglutinação anticiclónica (AA dita
dos Açores
) é mais fraca, menos extensa e situada mais a Norte; as
depressões sinópticas associadas aos AMP são menos
cavadas; ainda à escala média, a depressão dita
da Islândia
é menos profunda e menos extensa. As trocas meridionais são
vagarosas, tanto no ar como no oceano (modo de circulação lento).
O tempo é mais clemente: os contrastes térmicos são
minorados, entre os fluxos assim como entre as fachadas oeste e este do oceano.
A temperatura
média
da unidade aerológica é portanto mais (isto é, menos
falsamente)
representativa
da realidade. Sobre a Europa e o Mediterrâneo, as
aglutinações anticiclónicas são menos frequentes e
de curta duração.
O caso particular da ONA negativa produz-se quando os AMP descendentes a este da
Gronelândia são anormalmente frequentes (isto é,
grosseiramente superiores a um quarto das trajectórias dos AMP). A
pressão média resultante da depressão D da Islândia
é então menos cavada, reduzindo a diferença de
pressões com a AA.
-
Fase positiva ou alta da ONA (Fig. 3b):
diferença de pressão forte entre AA e D. O Árctico
está mais frio, os AMP são inicialmente mais potentes, mais
frequentes, a sua trajectória é mais meridional; à escala
média, a aglutinação anticiclónica atlântica
(dita
dos Açores
) é mais potente, mais extensa e mais meridional; as depressões
sinópticas provocadas pelos AMP são mais cavadas; à escala
média, a depressão dita
da Islândia
é mais profunda e mais extensa. As trocas meridionais são
intensificadas, tanto no ar como no oceano (modo de circulação
rápido). O tempo é mais violento: os contrastes térmicos
são mais fortes, tanto entre os fluxos como entre as fachadas do
Atlântico. A temperatura
média
da unidade aerológica não tem então significado
climático. Sobre a Europa (AAc) e o Mediterrâneo, as
aglutinações anticiclónicas são mais frequentes e
de longa duração. Assim, uma fase positiva da ONA (somente o LMD
pretende o inverso,
cf.
Le Treut, 2000, in
Fléau et al.
), é absolutamente antinómica do "esquema do cenário
do aquecimento global".
O tempo tornou-se cada vez mais violento depois dos anos 70
Os anos 70 do séc. XX apresentaram uma verdadeira viragem
climática, a
partir da qual os contrastes entre as duas fachadas do oceano Atlântico
se acentuaram. Assim,
"depois de 1974, o modo positivo é preponderante"
(Wanner, 1999). A Fig. 2 mostra de maneira eloquente a
covariação entre a descida da temperatura sobre o Árctico
e sobre as trajectórias dos AMP, e uma subida do índice ONA (Fig.
3b), e inversamente (Fig. 3a). Todos os parâmetros covariam mas seria
naturalmente arriscado, como o fazem cegamente os analistas
estatísticos, evocar
correlações
ou
relações causais
entre a temperatura aérea ou a temperatura marinha de superfície
e a chuva, ou entre as pressões e a chuva, visto que a causa
dinâmica comum das
covariações
é exterior à dos parâmetros isolados. A subida
contínua do índice ONA está associada a uma baixa da
temperatura do Árctico e a um aumento da potência e do
número dos anticiclones móveis polares saídos do
Árctico (Serreze
et al.,
1993). Isso significa que, depois dos anos 70, as trocas meridionais
intensificaram-se. O que corresponde a um cenário "frio", a um
modo rápido de circulação (Fig. 3b), a afrontamentos mais
severos e a contrates mais acentuados entre as duas margens da unidade
aerológica (Leroux, 2000).
Sobre a América do
Norte, a frequência das perturbações violentas,
blizzards,
e tornados, aumenta fortemente em ligação com as
intrusões mais frequentes de ar frio, isto é, dos AMP mais
potente e mais numerosos. Estes acontecimentos inscrevem-se numa subida
contínua da frequência das tempestades violentas depois de 1965 em
ligação com um aumento das depressões profundas na bacia
dos Grandes Lagos (Kunkel
et al.,
1999). Formados na face frontal dos AMP, pelo contacto conflituoso entre o ar
frio e o ar húmido proveniente do Golfo do México que fica ainda
mais instável sobre o continente, os tornados aumentaram fortemente no
decurso do período 1953-1995 (WMO, 1998). Este endurecimento do tempo
propaga-se sobre o Atlântico Norte onde a potência acrescida dos
AMP provoca depressões profundas e cavadas. Os "ciclones"
polares com pressões inferiores a 950 hPa, que testemunham temperaturas
invernais de forte intensidade, têm assim aumentado de maneira
notável de 1956 a 1998. Quase triplicaram desde o Inverno 1988-1989
(WMO, 1999). Estas tempestades transbordam sobre os países ribeirinhos
do Atlântico. Os resultados do projecto europeu WASA (1988), fundado
sobre a observação das pressões (a força do vento
está ligada às depressões cavadas). Donde, à
intensidade das
advecções
ciclónicas do Sul. Não há qualquer equívoco:
"A principal conclusão é que a climatologia das tempestades
e das
vagas na maior parte do Atlântico Nordeste e no Mar do Norte tornou-se
verdadeiramente mais rude no decurso dos decénios recentes, mas a
intensidade actual parece ser comparável à do início do
século".
Esta conclusão está conforme à
evolução da Fig. 4. Nesta verifica-se que o índice de
tempestuosidade se ajusta de maneira notável à
evolução do índice ONA, e onde também se nota que
os valores recentes são todavia os mais elevados do século. Esta
evolução é o inverso da evolução
térmica das altas latitudes, em que em meados do século o clima
foi mais clemente, dominando o
óptimo climático.
As tempestades sobre o litoral atlântico francês, e também
britânico, foram cada vez mais frequentes e intensas (Lemasson et
Regnaud, 1997). Provocaram na Bretanha
"um aumento da frequência dos ventos fortes e das tempestades depois
dos
anos 70"
(Audran, 1998, comunicado pessoal). Os ventos de sudoeste (quentes e
húmidos), intensificados sobre a face frontal dos AMP, aumentaram a
frequência das condições pluviogénicas, aumentando a
temperatura e a pluviosidade (com inundações repetidas). A
tempestuosidade seguiu a mesma evolução no sentido da alta.
Este acréscimo das
trocas meridionais, nomeadamente da potência dos AMP, está
traduzido indubitavelmente pelo aumento, contínuo e forte, da
pressão atmosférica sobre a trajectória dos AMP, sobre a
América do Norte e nomeadamente sobre o este do Canadá, o
Atlântico Norte (Fig. 3b), a Europa ocidental. Salvo, naturalmente, acima
do mar da Noruega (Fig. 3b) que conhece pelo contrário uma baixa
concomitante de pressão. Uma tal tendência é
antinómica de um aquecimento, se este último for considerado como
uma causa (sendo o ar quente ligeiro), mas não o é pela
lógica contrária, se invertermos a relação: uma
alta da pressão nas baixas camadas
"é a causa de uma alta das temperaturas"
(Thieme, comunicação pessoal) consequência das
propriedades termodinâmicas dos gases (uma pressão elevada
favorece em particular a condução molecular). Esta alta de
pressão traduz também uma frequência maior das
aglutinações anticiclónicas, nomeadamente continentais que
favorecem uma alta das temperaturas diurnas (forte insolação),
mas em troca uma baixa das precipitações (estabilidade
anticiclónica), em particular no coração do Inverno.
Esta evolução do
tempo no espaço Atlântico Norte fornece um desmentido suplementar
às previsões dos modelos, visto que é exactamente o
inverso de um "cenário do efeito de estufa". É
igualmente confirmada noutras unidades aerológicas do hemisfério
norte.
As outras unidades de circulação do hemisfério Norte
Na unidade do Pacífico
Norte (Fig. 3), os AMP vêm da Ásia ou descendem directamente pelo
estreito de Behring. A
advecção
do Sul é fortemente canalizada para o Norte entre a face frontal dos
AMP e o relevo das Montanhas Rochosas, formando os AMP a
aglutinação anticiclónica dita
do Havai
ou
da Califórnia.
As águas marinhas são canalizadas para o Norte (corrente
"quente" do Alasca), ou para o Sul (corrente "fresca" da
Califórnia). A evolução recente é idêntica
àquela observada no Atlântico Norte (Favre, 2001): no nordeste, na
localização da depressão (média) dita
das Aleutas,
observa-se um aquecimento tanto no ar como na água superficial (sendo
intensificada a corrente do Alasca), com as mesmas consequências (que no
mar de Barents) sobre a espessura do banco de gelo. A pluviosidade aumenta
fortemente, enquanto a pressão baixa nas escalas sinópticas e
médias. Mais ao Sul, o aumento da pressão é forte na
aglutinação anticiclónica deslocada em
direcção ao Sul, arrefecendo o Pacífico Norte ocidental e
central (Gershunov
et al.,
1999). A actividade ciclónica
"aumentou de maneira notável",
a frequência das depressões profundas aumentou cerca de
50%, a pressão central mínima baixou 4 hPa a 5 hPa. Os ventos
extremos associados e a vorticidade aumentaram 10 % a 15 % (Graham et Diaz,
2001). As perturbações migraram vantajosamente para o Sul, donde
as tempestades foram mais frequentes (inundações na
Califórnia).
A partir da Escandinávia
começa uma outra unidade de circulação (Fig. 3). Os AMP
escandinavos e russos propagam frio e aumento da pressão em
direcção aos Balcãs e à bacia do
Mediterrâneo. Schönwiese
et
Rapp (1987) mostraram que durante um século, de 1891 a 1990, a
temperatura baixou 1 ºC na Escandinávia e para lá da Europa
central. Ao longo da trajectória dos AMP. Enquanto aumentou na
Ucrânia e ao sul da Rússia de aproximadamente 2 ºC, ao longo
da trajectória dos retornos ciclónicos do Sul. Esta
evolução foi confirmada por Litynsk89i (2000). No
Mediterrâneo central e oriental a temperatura baixou em média 1
ºC em trinta anos (Kutiel et Paz, 2000). Em Jerusalém, as
temperaturas invernais registaram em 1992-1993 os seus recordes inferiores
dentro do período 1865-1993 ( 3,5 ºC em relação
à normal de 1961-1990). Israel conheceu em 1994 o pior Inverno desde
há cem anos (WMO, 1995). Uma situação de "seca"
reinou no Mediterrâneo, nomeadamente na Espanha (Gil Olcina
et
Morales Gil, 2001), na Itália (Conte
et
Palmieri, 1990), na Argélia (Djellouli
et
Daget, 1993) e na Grécia onde o défice pluviométrico se
tornou preocupante (Nalbantis
et al.,
1993; Nastos, 1993). O aumento da pressão é forte, constante e
generalizado sobre a Europa ocidental e central assim como no conjunto da bacia
mediterrânica. Estendeu-se ao Sul na África setentrional. A
evolução da pressão em Constança (como em Lisboa,
Fig. 5), comparada com as temperaturas árcticas é muito
eloquente: a pressão ali baixa quando aqui a temperatura aumenta
até se atingir o óptimo climático, o aumento de
pressão é em seguida rápido depois dos anos 70, associado
ao arrefecimento árctico, atingindo 4 hPa (o que é
considerável à escala dos valores médios anuais).
A leste, uma unidade de
circulação, a da Ásia, é alimentada pelos AMP da
trajectória siberiana, descendo principalmente a este dos Montes Urais,
que atravessa dificilmente a Ásia e atinge o Pacífico
através da China. Os dados disponíveis dessa região
são fragmentados, mas Litynski (2000) sublinha o arrefecimento muito
marcado ( 0,7 ºC) na Sibéria (os recordes de frio da
Sibéria e da Mongólia dos Invernos recentes ainda se mantêm
na memória) e um aquecimento nas regiões litorais orientais,
sobre a trajectória das elações do Sul.
Em resumo, no hemisfério
Norte, as evoluções climáticas recentes são
diversas mas não são as previstas pelos modelos: algumas
regiões arrefecem, outras aquecem, as precipitações
aumentam ou diminuem, a pressão aumenta ou baixa, mas, em todo o lado, o
tempo tornou-se mais severo, mais irregular e mais violento depois dos anos 70,
verdadeiro marco da viragem climática do século passado. Estes
diferentes comportamentos não devem nada ao acaso e são, pelo
contrário, perfeitamente organizados. Têm a mesma
condição inicial: o arrefecimento do Árctico, de há
trinta anos para cá, fornece um vigor crescente aos AMP boreais.
Colocada na evolução climática a longo prazo, esta
situação corresponde, todas as proporções
guardadas, às premissas da primeira fase de uma glaciação
que se caracteriza por uma intensificação lenta da
transferência do potencial precipitável tropical em
direcção aos pólos e a uma retenção da
reserva de água sob a forma sólida. A evolução do
tempo, tal como ele é observado directamente, não deve, por
consequência, absolutamente nada ao "cenário do efeito de
estufa antropogénico, do aquecimento global e das
alterações climáticas mal compreendidas".
5. Outras "mentiras"
Outras afirmações não verdadeiras participam na
constituição da impostura científica do presumido
aquecimento global. Qual é o seu valor real?
As alterações climáticas já começaram?
"Existem provas que as alterações climáticas já
começaram"
(UNEP-WMO, 2002, p.2) conforme pretende o IPCC. Acrescenta:
"A evolução das temperaturas desde há alguns
decénios corresponde ao aquecimento previsto pelos modelos devido ao
efeito de estufa".
O principal argumento sob o qual se fundamenta esta certeza reside na
curva da temperatura
reconstituída
a partir das observações. Isto é, a partir das
médias à escala planetária ou hemisférica
(publicada todos os anos pela OMM), e parece assim confirmar que podemos
atribuir
"uma influência perceptível do homem
na
evolução do clima".
Qual é o valor real desta "prova absoluta" (desde
já infirmada pelos satélites,
cf.
abaixo)? Nada permite afirmar que o aquecimento global começou, e a
prova considerada irrefutável a curva-padrão da
evolução da temperatura média global é
também um logro. A Fig. 6, na qual o índice ONA deve ser
considerado como uma testemunha da intensidade das trocas meridionais no
hemisfério Norte, mostra três períodos distintos:
1) No início do século, a diminuição progressiva do
índice ONA traduz uma atenuação dos desvios entre as faces
das unidades de circulação e um aumento da temperatura
média a norte da latitude de 30 ºN.
2) Em meados do século (óptimo climático), o índice
ONA é moderado a negativo, os contrastes térmicos são
fracos e a média da temperatura é próxima da normal.
3) Depois do fim dos anos 70, o índice ONA aumenta vigorosamente e a
elevação da temperatura está directamente associada ao
aumento das subidas de ar quente na face frontal dos AMP que intensificaram de
produção. Ottermans
et al.
(2002) demonstraram recentemente que o aquecimento dos Invernos europeus
não é devido, no decurso do período 1948-1995, à
elevação dos GEE mas a uma modificação da
circulação atmosférica e nomeadamente à
intensificação dos ventos de sudoeste (Fig. 3b).
Tendo em conta as evoluções similares nas outras unidades de
circulação do hemisfério Norte, o aumento recente de
temperatura, indevidamente atribuído ao efeito de estufa
antropogénico, não é se não um
artefacto.
Foi provocado pela aceleração das trocas meridionais e por um
fornecimento mais intenso nas médias e altas latitudes de calor
tropical, aéreo e marinho. A curva térmica reconstituída
tem portanto
cada vez menos significado climático à medida que vai ascendendo.
Deve-se, por outro lado, sublinhar que este aquecimento (aritmético ou
contabilístico) é mais elevado ao norte da latitude 30 ºN
(cf. WMO, 2001). É esse aumento regionalizado que determina a
evolução da curva dita "global" (Fig. 6:
an T glob
), donde o significado climático real é mesmo assim
consideravelmente diminuto. A similitude entre estas duas curvas
térmicas mostra que o hemisfério Sul e as latitudes 0 ºN
30 ºN não jogam se não um papel muito limitado na
evolução geral, sendo que esta é, por fim, sobretudo
determinada pelas latitudes situadas a norte de 30 ºN. O pretendido
aquecimento dito global atribuído ao efeito de estufa
antropogénico é com efeito regional e limitado. Releva no
essencial do factor dinâmico e, portanto, de uma alteração
do modo de circulação geral a partir dos anos 70, desvio
climático principal que é, recordemos, ignorado pelos
"modelos" e pelos "experts", nomeadamente, os ditos
cientistas do IPCC.
O caso do nível do mar
"Os modelos prevêem uma elevação suplementar do
nível
do mar de 15 cm a 95 cm daqui até ao ano 2100 [
] devido à
dilatação térmica das águas dos oceanos [
] e
[
] da fusão das calotes glaciares e dos glaciares"
(UNEP-WMO, 2002, p.11). Esta previsão segue-se a estimativas
anteriores bastante mais dramáticas, então expressas em metros,
mas progressivamente minimizadas. Qual é a verdade desta ameaça
permanente sobre "as zonas costeiras e as pequenas ilhas"?
Afastemos imediatamente a maior
ameaça de todas, a do Antárctico (que fazia subir, em teoria, 70
m o nível dos oceanos). A sua situação é
notavelmente estável:
"O grosso da calote antárctica não sofreu qualquer
fusão
desde a sua formação, ou seja, desde há 60 milhões
de anos"
(Postel-Vinay, 2002). A observação dos satélites
mostra mesmo que no decurso do período 1979-1999, que é aquele em
que se supõe ter havido uma maior elevação de temperatura,
houve um aumento da superfície do gelo à volta do continente
antárctico (Parkinson, 2002). O gelo da Gronelândia está
protegido pelo relevo, não podendo o oceano provocar a
desagregação de uma parte dos bancos de gelo que produziria os
icebergues (o que explica a conservação dos glaciares
continentais até à latitude inabitual de 61 ºN). Além
disso, a maior parte da sua superfície do gelo situa-se a mais de 2000 m
de altitude onde o ar permanece frio. Observa-se uma alternância de zonas
de fusão e de ganho de massa, mas no conjunto o gelo gronelandês
permanece estável. Que problemas existem então para se falar
tanto nos perigos da Gronelândia? O dos glaciares de montanha? Eles
não representam se não um milésimo do volume total dos
gelos. Por outro lado, como sublinha Vivian (2002), os glaciares
"já registaram no passado flutuações mais importantes
do que as que se verificam actualmente",
onde em todo o planeta existem glaciares que recuam (por exemplo, na vertente
exposta ao Sul do Alasca; Pfeffer
et al.,
2000) como há glaciares que avançam (nomeadamente na
Escandinávia). Eis pois uma forma aparentemente simples de
raciocínio "Faz calor, o gelo funde" que
não funciona bem na Natureza!
É também invocada uma outra relação
primária:
"a água quente dilata-se, o mar sobe",
pelo que um aumento de 1 ºC da temperatura do ar arrastaria uma
subida de 20 cm numa camada de água do mar de 200 m de espessura.
É isto tão simples e imediato? Em Brest, por exemplo, o
nível médio do oceano é máximo de Outubro a
Dezembro (+ 7 cm), e mínimo de Março a Agosto (- 5 cm),
enquanto que a temperatura média do ar é de 16,0 ºC em
Agosto de 5,8 ºC em Fevereiro, ou seja uma amplitude média de 10,2
ºC para uma diferença de altura observada de 12 cm
Mas as
variações de temperatura e de nível do mar são
inversas! Esta ausência de ligação directa mostra que a
temperatura do ar não comanda a altura da água, e que as cotas
elevadas são produzidas no Inverno por factores meteorológicos: a
intensificação das tempestades e aceleração dos
ventos de afluxo do sector sudoeste (Fig. 3b), e acréscimo da altura das
vagas (Bouws
et al.,
1996).
O factor atmosférico, raramente ou mesmo nunca tomado em conta, é
assim fundamental na variação do nível do mar. A
pressão atmosférica (1 hPa corresponde a 1 cm) baixa o
nível sob os AMP e sob as aglutinações
anticiclónicas, mas permite uma elevação sob as
depressões. Assim, por exemplo, a anomalia positiva do nível do
mar do Pacifico equatorial revelado pelo Topex-Poséidon, ligada a uma
anomalia positiva da temperatura durante os anos 1997-1998 (e subida imediata),
resulta simplesmente do deslizamento para o sul do Equador meteorológico
vertical (EMV). Esta translação manifesta-se em superfície
por uma baixa de pressão sob os movimentos ascendentes do EMV. E por uma
migração das águas quentes da Contra-Corrente-Equatorial
em direcção ao Este (que compensa a translação para
oeste da Corrente Norte-Equatorial e da Corrente Sul-Equatorial impulsionadas
pelos alísios norte e sul).O aquecimento e a elevação do
nível (deslocados para o Sul) acompanham todos os episódios do El
Niño, donde a origem é aerológica (Leroux, 1996). Mas quem
o sabe? Tanto mais que os acontecimentos do El Niño são
geralmente considerados, sem razão, como as causas e responsáveis
de
calamidades
através do mundo (mas sem provas). Sempre pela mesma razão: as
análises estatísticas (climatologia diagnóstico) colocam
em evidência covariações. Consideradas prematuramente como
relações físicas causais à falta do esquema
coerente de circulação geral. Mas estas análises
não podem determinar o sentido real das relações e o lugar
exacto do fenómeno incriminado na cadeia de processos, no início
ou no fim. A intensidade das vagas (que se acrescentam também no
Pacífico Norte; Allan et Komar, 2000), do movimento das águas do
mar depois de uma tempestade, dos
upwellings
(fenómeno oceanográfico), das correntes superficiais, depende
por outro lado das variações da circulação
aérea. Uma estimativa das variações do nível do mar
(Cf.
Cabanes
et al.,
2002) tem assim pouco significado sem uma estimativa paralela das
variações da pressão atmosférica e da
circulação aérea das baixas camadas. Uma
evolução do tempo com aquecimento, isto é, em
direcção a um estado clemente, seria por outro lado uma
perspectiva tranquilizadora para os litorais.
Por outro lado, antes de dramaticamente fazer
"amortecer, deslocar",
mesmo
"desaparecer",
o
Gulf Stream,
é necessário repor os fluxos aéreos e marítimos
nos grandes "8" descritos em cada unidade de circulação
das baixas camadas (Leroux, 1996). Deve-se recordar em particular que esta
corrente é impulsionada para o Golfo do México pela
circulação do alísio que transforma a Corrente das
Canárias em Corrente Norte-Equatorial. A circulação do
próprio alísio sai da aglutinação dos AMP (na AA
dita dos Açores). O deslocamento dos AMP e a tensão sobre a
água organizam os grandes movimentos oceânicos. Por
consequência, para modificar o escoamento da água superficial
oceânica, não é necessário (paradoxalmente) falta de
ar! Intervêm ainda outros parâmetros (não tendo em conta
factores tectónicos, sedimentológicos, hidrológicos,
etc.). O nível 0, teórico, depende assim das águas
variáveis da chuva (e das variações das extensões
das zonas molhadas), da antecipação por evaporação,
ou da retenção glaciar ou continental (terrenos gelados,
águas subterrâneas, lagos, barragens, irrigação,
etc.).
A ameaça da "subida
do nível do mar", resumida nas duas formulações
elementares recordadas anteriormente, repousa ainda sobre o mais ou
menos e constitui portanto um argumento que, no essencial, cai por
água abaixo.
O espantalho do aquecimento
Apresentar um hipotético
aquecimento como um "apocalipse" (exercício choramingas no
qual se distinguem os media) pode certamente fazer passar a mensagem
anti-poluição. Mas isso constitui, no plano estritamente
científico, uma mensagem errada e um péssimo espantalho.
Esquecemo-nos que ainda há bem pouco tempo era o arrefecimento global
que era apresentado como a pior (segundo eu, a justo título)
perspectiva! E que dizer das reacções dos medias sobre o
lançamento da angústia dos sem-abrigo durante as vagas de frio ou
quando os automobilistas estão transformados em "náufragos
da auto-estrada" no meio de nevões!
Pode-se fazer uma
comparação com as condições registadas durante o
óptimo climático
eemien
(OCE, há 120 000 BP
before present
) ou mais facilmente com as do óptimo climático
holoceno
(OCH, entre 8000 e 5000 BP), quando a temperatura global era de 2 ºC
superior à actual. Assim, por exemplo, no OCH, o Saara estava cheio de
lagos e de terras húmidas, com a parte desértica
consideravelmente reduzida. As trocas transarianas intensas favoreceram o
florescimento do Neolítico de tradição sudanesa. Esta
situação prevaleceu, numa menor escala, durante todos os
períodos quentes ulteriores, nomeadamente durante o óptimo
climático medieval. Neste período assistiu-se ao progresso dos
impérios sudaneses. Durante o óptimo climático
contemporâneo, dos anos 1930-1960, quando as chuvas subsarianas eram
superiores às actuais, assistiu-se à subida dos criadores
nómadas sahelianos em direcção ao Norte. Esta
migração tornou mais dramático o deslocamento ulterior
para o Sul durante a desfavorável pluviometria recente, desde os anos
70, "seca" prolongada que se estende para o Sul, para além do
domínio saheliano. Esta extensão oferece ela própria um
nítido desmentido ao cenário do aquecimento global, como mostra a
situação durante o Último Máximo Glacial, entre 18
e 15 mil anos BP. Então o deserto do Saara estendia-se a mais de 1000
quilómetros para Sul em relação à
situação actual. O deslocamento recente das estruturas
pluviométricas e das isoietas (linhas de igual
precipitação) progrediu (de maneira relativa) aproximadamente 200
km em direcção ao Sul do Saara.
Não é
absolutamente certo que as conclusões sejam catastrofistas, muito longe
disso. É evidente, com efeito, que poderíamos também
encontrar, numa situação de aquecimento (se tal viesse
verdadeiramente a produzir-se), múltiplas vantagens: um maior conforto
nas regiões actualmente frias, uma diminuição dos gastos
em aquecimento, uma maior clemência e regularidade do tempo (como foi
descrito anteriormente), menos tempestades e ventos fortes, uma
frequência menor das vagas de frio severo (e dos gelos tardios, cf. a
seguir), uma extensão de terras aráveis ganhas ao mesmo tempo ao
frio (alongamento do ciclo vegetativo, diminuição do gelo
superficial e entranhado no solo, etc.). As vantagens estendiam-se à
menor aridez (amplificação das circulações das
monções e aumento das chuvas tropicais marginais, nomeadamente
subsarianas ou indianas). Mas, para julgar a pertinência do
cenário catastrófico, é necessário fazer apelo
simultâneo aos conhecimentos dos paleoclimatologistas, dos mecanismos das
variações climáticas a todas as escalas de tempo e da
distribuição dos climas, cultura climatológica que
não é forçosamente extensiva aos conhecimentos dos
experts auto proclamados.
Alterações climáticas e alarmismo
Do mesmo modo, a abundante e
"impressionante" literatura pseudo-científica produzida pelo
Grupo II do IPCC repousa apenas numa hipótese com valor de postulado. Um
simples
"se":
"se a temperatura aumenta, pode-se imaginar que
" A
imaginação é preferencial ou unicamente dirigida para um
resultado: "
sucedem catástrofes". Aquele grupo
está encarregado de avaliar os impactos eventuais do aquecimento
presumido. Isto é, de
"simulações trabalhosas"
que consistem em
"imaginar o máximo de prejuízos [
] para meter medo a
toda a gente"
(Lenoir, 2001). Estas ficções-elucubrações
são entretanto consideradas sem-razão como se fossem
previsões. Os media reproduzem-nas sem nuances. Aliás, seria
escusado já que a catástrofe como o sensacionalismo fazem vender
papel. Mas, o que é mais grave, também são repetidas sem
vergonha pelos "cientistas". Assim, por exemplo, Le Treut
et
Jancovici (2001) o segundo apresenta-se como
"engenheiro-climatólogo" (sic) de geração
tão recente quanto artificial reúnem numa centena de
páginas uma densidade notável de banalidades, lapalissadas,
ninharias e "lágrimas de crocodilo" (Cf. a
citação liminar seguinte) que amplificam o alarmismo do IPCC.
Vejam-se alguns extractos do escrito desses "cientistas":
-
"A modelação permitiu traçar um feixe de futuros
possíveis onde o clima parece inevitavelmente que vai mudar."
(p. 45). Que truísmo! Que faz o clima há milhares de anos?
-
"Uma alteração climática corresponderá
justamente a
uma desregulação das flutuações naturais
[
]"
(p. 54). La Palice teria dito melhor? Qual será de facto a
definição de uma "flutuação natural"? E
qual é a diferença entre "flutuação" e
"alteração", nomeadamente, "natural"?
-
"[
]A possibilidade da fusão dos gelos polares é
praticamente nula
até 2100. [
] Mas para lá de 2100?"
(p.52). Na falta de uma catástrofe "imediata", deve-se
projectar para além da Saint-Glinglin. Porque
"uma fusão parcial do Antárctico teria consequências
fenomenais e irreversíveis."
(p. 52). Brrr! E
"a elevação dos oceanos ameaçará também
a existência de certas ilhas."
É a síndrome maldiviana. Não se percebe, visto que
antes se dissera que a "elevação" era considerada
"praticamente nula"
(p.52) e até
"impossível"
(p. 56).
-
"Um eventual aumento da variabilidade [
] pode afectar as temperaturas
(aumento dos gelos tardios da Primavera, etc."
(p. 59). Um "gelo" como um risco natural num cenário de
aquecimento!
-
"Como preservar a nossa saúde se não dispusermos de
alimentos em quantidade suficiente, se os produtos tóxicos se disseminam
ou se um
stress intenso desenvolve o consumo de drogas e de álcool?"
(p.61) E se
e se
é evidentemente terrificante, mas
esta tagarelice (que ultrapassa as tertúlias) é grotesca!
-
"Um aumento da mortalidade, consequência possível de um
aumento das temperaturas"
(p. 61) também é possível imaginar. Esquece-se que
a mortalidade associada ao frio é de longe a mais frequente?
Provavelmente como este desaparece, a mortalidade vai diminuir!
-
"Um deslocamento para Norte e em altitude das zonas endémicas do
paludismo"
(p. 62) é de recear. Devido aos "miasmas dos
pântanos" como se sabe. Ninguém ignora que este mal era
endémico há pouco tempo em França, na Sologne ou nas
Landes. Foram arborizadas para erradicar o flagelo. Mais recentemente no
Languedoc e na Camargue a malária estava erradicada. Tão pouco
nas planícies do Pó ou nos Marrais Pontins, nem sequer na
Lapónia ou no Quebeque, existe infestação de mosquitos!
-
"O aumento de outras doenças transmitidas por insectos"
(p. 62) é outra terrível doença também
imaginada por esta gente. Quando será que a mosca tsé-tsé
invadirá os prados normandos transformados em savanas (recheadas de
macieiras, bem entendido)?
Quem pode acreditar em tais idiotices? Elas são contudo reproduzidas
muitas vezes sem qualquer discernimento. A Sociedade Francesa de Meteorologia
julga entretanto que esta literatura de cordel é uma "
excelente síntese sobre as alterações climáticas
" (Javelle,
La Météorologie,
nº 36, 2002, p. 74). Quem diria! Felizmente que os autores tomam a
cautela de precisar, sem escrúpulos e sem sombra de dúvida, a
qualidade das suas especializações. "A credibilidade do
diagnóstico da comunidade científica é um ponto
essencial" (p. 102)!
6. Os abusos da meteorologia-climatologia
O discurso das alterações climáticas não é
convincente. É mesmo incoerente. Poluição e clima
abusivamente ligados devem ser dissociados. A poluição é
preocupante e deve ser tratada separadamente pelos especialistas destes
problemas. O clima deve ser tratado pelos climatologistas. É evidente.
Não está provada a ligação do clima com a
poluição. Salvo à escala das cidades. Cada disciplina tem
o seu próprio domínio de competência. Mesmo neste existe
muito a fazer. A mistura dos dois domínios diminui a eficácia de
resolução dos problemas respectivos. Em climatologia, o
imperialismo dos modelos deve ser questionado em particular.
O imperialismo dos modelos
As previsões-predições dos modelos são consideradas,
injustificadamente, como o fruto idealizado de uma ciência
meteorológica acabada. Todavia, eles só podem impressionar
favoravelmente aqueles que não são climatologistas avisados.
Estes supõem resolvida a modelação dos fenómenos
meteorológicos e perfeitamente conhecidos os esquema da
circulação geral. Isso está muito longe de acontecer. Com
efeito, estas previsões são sobretudo aproximações.
São simplificações exageradas, são
incoerências e contradições de uma disciplina
meteorológica em crise de conceitos. Está prisioneira dos seus
velhos dogmas e tem necessidade de confessar o que ela não é
capaz de explicar. A polarização do efeito de estufa
antropogénico feita nos modelos oculta os outros factores
possíveis de modificações climáticas: o vapor de
água, a nebulosidade, a falta de homogeneidade atmosférica, a
actividade solar, o vulcanismo, a urbanização, os
parâmetros orbitais, os raios cósmicos, etc. Sobretudo a
dinâmica das trocas meridionais (Leroux, 1996). Todos estes
parâmetros não são tidos em conta nos modelos.
G. Dady ajuíza a
propósito da modelação que
"a deriva redutora [
] é não somente perigosa porque ela
interpreta mal a realidade mas, além disso, é
totalitária".
(in
Le Monde,
24 de Fevereiro de 1995). A modelação impõe o seu
"totalitarismo científico":
-
Sobre a climatologia, donde os estudos ditos diagnósticos estabelecem
invariavelmente
"teleligações"
ou correlações estatísticas. Isto é, na
realidade são covariações. Sem nunca demonstrar os
eventuais laços de causalidade entre os parâmetros analisados.
Pode-se muito facilmente
"estabelecer relações longínquas".
Por exemplo, entre as temperaturas marítimas da
superfície do Atlântico Norte e as precipitações
saharianas. Mesmo que, por motivo das trajectórias dos alísios
marítimos, o potencial precipitável desta parte do
Atlântico tenha ínfimas chances de ser enviado para África
por advecção. É possível deste modo estabelecer
relações estatísticas muito longínquas entre o ENSO
(El Niño Southern Oscillation) e as precipitações à
escala global
mesmo que os fenómenos considerados obedeçam a
factores totalmente diferentes. Estão afastados por milhares de
quilómetros e pertencem a unidades de circulação
específicas. Unidades separadas por barreiras montanhosas imponentes que
interditam qualquer comunicação entre si realizadas nas baixas
camadas. Estas análises não servem para grande coisa. Não
fazem progredir um milímetro a compreensão das
perturbações e dos processos pluviogénicos (cujos
mecanismos reais são sempre ignorados pelos modelos). Recordemos por
outro lado que os modelos são incapazes de precisar o sentido da
causalidade das relações supostas devido à falta de um
esquema de circulação geral. A interpretação pode
então, indiferentemente, de acordo com as necessidades, a fantasia ou o
maior dos bambúrrios, tomar o efeito pela causa. É o caso do El
Niño considerado como um factor fundamental ainda que se encontre no fim
da cadeia dos processos. Mas o essencial não é que os resultados
sejam
"estatisticamente significativos"!
-
Sobre a meteorologia, em particular no domínio das previsões,
onde os modelos são incapazes de prever o tempo para lá de 2-3
dias. Para além de 3 dias, a taxa de confiança não
é superior a 3 em 5 ou 2 em 5, isto é, uma hipótese em
duas, o que não constitui uma previsão! Os modelos não
podem sequer prever o tempo do próximo mês, nem sequer do
próximo Verão. Quanto mais num prazo mais alargado. E são
sempre os mesmos modelos:
"Simulamos o clima com os mesmos modelos que são utilizados para
prever o tempo."
(Rochas
et
Javelle, 1993). Os modelos não previram e não explicaram nem as
inundações de Aude de Novembro de 1999, nem as tempestades de
Dezembro de 1999, nem as inundações de Gard de Setembro de 2002,
nem a neve de Janeiro de 2003, etc., etc. Os modelos não são
capazes de reconstituir a evolução do clima do século que
acabou recentemente. E há quem tenha a pretensão de prever o
clima que existirá dentro de um século! É isto
verdadeiramente sério? Quando os modelos prevêem o clima de 2100,
não se deve esquecer as reservas emitidas pelos próprios
modeladores:
"As incertezas ainda são muito elevadas [
] as mudanças
associadas às diferentes parametrizações são da
mesma ordem de grandeza que os erros do modelo".
(Beniston
et al.,
1997). Assim "sem dúvida, a acumulação destes
factores de incerteza torna ilusória, de momento, a
predição detalhada de uma evolução do clima
futuro." (Le Treut, 1997).
Os modeladores, que estão na origem do "cenário do
aquecimento global", devem pois cessar de acreditar neles próprios
|