Marcha para a guerra: Concentração naval no Golfo Pérsico e no Mediterrâneo Oriental (1)

por Mahdi Darius Nazemroaya [*]

Nota do editor de Global Research

Chamamos a atenção dos nossos leitores para este documento cuidadosamente revisto da concentração naval em andamento e do posicionamento das forças de coligação no Médio Oriente.

O estudo de Mahdi Darius Nazemroaya proporciona-nos uma visão geral. Seu artigo examina a geopolítica por trás deste posicionamento militar e o seu relacionamento com a "Batalha pelo petróleo".

A estrutura das alianças militares, as quais são cruciais para o entendimento destes preparativos para a guerra, são também analisadas.

O posicionamento naval está a ter lugar em dois diferentes teatros de guerra: o Golfo Pérsico e o Mediterrâneo Oriental.

Tanto Israel como a NATO estão destinados a desempenhar um papel importante na guerra conduzida pelos Estados Unidos.

A militarização do Mediterrâneo Oriental está em linhas gerais sob a jurisdição da NATO em ligação com Israel. Voltada contra a Síria, é conduzida sob a fachada de uma missão de manutenção de paz das Nações Unidas de acordo com a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU. Neste contexto, a guerra ao Líbano deve ser encarada como uma etapa do roteiro militar mais amplo patrocinado pelos EUA.

A força naval no Golfo Pérsico está de um modo geral sob o comando dos EUA, com a participação do Canadá.

A concentração naval está coordenada com o planeamento de ataques aéreos. O planeamento dos bombardeamentos aéreos do Irão começou em meados de 2004, de acordo com a formulação do CONPLAN 8022, no princípio de 2004. Em Maio de 2004, foi emitida a Directiva Presidencial de Segurança Nacional NSPD 35, intitulada Nuclear Weapons Deployment Authorization. Apesar de o seu conteúdo permanecer classificado, a presunção é de que a NSPD 35 refere-se ao posicionamento de armas nucleares tácticas no teatro de guerra do Médio Oriente no cumprimento do CONPLAN 8022.

Estes planos de guerra devem ser encarados muito seriamente.

O mundo está na encruzilhada da mais séria crise da história moderna. Os EUA embarcaram numa aventura militar, numa "longa guerra", a qual ameaça o futuro da humanidade.

Nas próximas semanas, é essencial que movimentos de cidadãos de todo o mundo actuem firmemente a fim de confrontar os seus respectivos governos e reverter e desmantelar esta agenda guerreira.

O que é necessário é romper a conspiração do silêncio, expôr as mentiras e distorções dos media, confrontar a natureza criminosa da administração dos Estados Unidos e daqueles governos que a apoiam, da sua agenda de guerra bem como da chamada "agenda de Segurança Interna" a qual já definiu os contornos de uma polícia de Estado.

É essencial trazer o projecto de guerra estadunidense para o primeiro plano do debate político, particularmente na América do Norte e na Europa Ocidental. Os líderes políticos e militares que se opõem à guerra devem tomar uma atitude firme, a partir de dentro das suas respectivas instituições. Os cidadãos, individual e colectivamente, devem tomar uma posição contra a guerra.

Michel Chossudovsky,  Global Research,  01/Outubro/2006

Marcha para a guerra:
Concentração naval no Golfo Pérsico e no Mediterrâneo Oriental (1)

. A probabilidade de outra guerra no Médio Oriente é elevada. Só o tempo dirá se os horrores de uma nova guerra deverão concretizar-se. Mesmo assim, a feição de uma guerra está ainda por decidir em termos de futuro.

Se a guerra será ou não travada contra o Irão e a Síria, pois ainda há a inegável concentração e desenvolvimento de medidas que confirmam um processo de posicionamento militar e de preparação para a guerra.

O fórum diplomático também parece estar a apontar para a possibilidade da guerra. As decisões a serem tomadas, as preparações a serem feitas, e as manobras militares que estão a desdobrar-se sobre o tabuleiro de xadrez geo-estratégico estão a projectar um prognóstico e a presente mobilização faz prever alguma forma de conflito no Médio Oriente

Neste contexto, as pessoas nem sempre percebem que uma guerra nunca é planeada, executada ou mesmo prevista numa questão de semanas. As operações militares levam meses e mesmo anos a preparar. Um exemplo clássico é a Operação Overlord (popularmente identificada como "Dia D"), a qual resultou na Batalha da Normandia e na invasão da França. A Operação Overlord teve lugar em 6 de Junho de 1944, mas os preparativos militares levaram dezoito meses, "oficialmente", até estabelecer o palco para a invasão da costa francesa. Foi durante uma reunião em Casablanca, Marrocos, em Janeiro de 1943, que o presidente americano, F. D. Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, delinearam uma estratégia para invadir a Normadia. [1]

O próprio "Memorando de Downing Street" [2] confirma que a decisão de ir à guerra com o Iraque foi tomada em 2002 pelos Estados Unidos e a Grã-Bretanha, e assim os preparativos para a guerra com o Iraque na realidade começaram em 2002, um ano antes de a invasão se verificar. Os preparativos para a invasão do Iraque levaram pelo menos um ano inteiro para serem efectuados.

O período de 1991 a 2003 assistiu a contínuas operações militares contra o Iraque por parte da aliança anglo-americana. Este período que perdurou por mais de uma década viu cenas de bombardeamento pesado e grandes ataques aéreos sobre a enfraquecida república iraquiana e os seus cidadãos. Na realidade, as condições para o trabalho no terreno e os preparativos da invasão e ocupação final do Iraque levaram mais de dez anos para se concretizarem. O Iraque estava enfraquecido e a sua força fora diluída durante estes dez anos.

Mesmo antes desta década de bombardeamento anglo-americano e de sanções das Nações Unidas, o Iraque fora apanhado numa guerra de oito anos com o Irão durante a década de 1980. A guerra entre o Irão e o Iraque também foi alimentada e organizada pelos Estados Unidos para enfraquecer ambos os países. Em retrospectiva, a manipulação de uma guerra entre o Irão e o Iraque para enfraquecer ambos os Estados parece ser um planeamento estratégico na preparação de futuras operações militares contra eles. Durante este tempo também estavam a ser feitos preparativos para conseguir os Balcãs para futuras operações anglo-americanas. Os Balcãs estão junto ao Médio Oriente e também são uma extensão geográfica da região. Os preparativos foram feitos através da expansão da NATO, da mudança de bases militares voltadas para o leste, e da segurança de rotas de energia. O desmantelamento da Jugoslávia também fez parte deste objectivo. A Jugoslávia era a potência regional dos Balcãs e do Sudeste da Europa. Isto foi feito através de estreita coordanação entre a aliança anglo-americana e a NATO. Agora todos os olhos estão sobre o Irão e a Síria. Haverá uma outra guerra iniciada pelos anglo-americanos no Médio Oriente?

Panorama da confrontação global contra o Irão

O Pentágono já redigiu planos para ataques patrocinados pelos EUA ao Irão e à Síria. [3] Apesar da dissimulação pública da diplomacia dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, tal como na Invasão do Iraque, o Irão e a Síria sentem outra guerra anglo-americana no horizonte. Ambos os países têm estado a fortalecer as suas defesa para a eventualidade da guerra com a aliança anglo-americana.

Um conflito contra o Irão e a Síria, se se concretizar, seria diferente dos anteriores conflitos patrocinados pelos anglo-americanos. Seria de âmbito mais vasto, mais mortífero, e teria frentes aéreas e navais activas.

O poder marítimo seria de maior significância do que na Jugoslávia, Afeganistão, Iraque e Líbano. Os Estados Unidos cobiçam uma vitória rápida. As probabilidades disto acontecer são desconhecidas. Se tiver de haver um conflito com o Irão, os Estados Unidos e os seus parceiros desejariam manter o Estreito de Ormuz aberto para o fluxo internacional de petróleo. O Estreito de Ormuz são a "linha energética vital do mundo".

Os Estados Unidos sem dúvida apontariam rapidamente para o colapso das estruturas de comandos e militares iranianas e sírias.

Deve ser notado que as Forças Armadas Iranianas caracterizam-se pela organização militar bem estruturada, com capacidades militares avançadas, em comparação com a Jugoslávia, Afeganistão, Iraque e Líbano. Além disso, o Irão tem estado a preparar-se para um cenário de guerra com a aliança anglo-americana durante quase uma década. Estes preparativos foram adiantados a seguir ao ataque efectuado pela NATO-EUA à Jugoslávia (1999).

Os tipos de unidades militares e de sistemas de armas que estão a ser posicionados no Golfo Pérsico e no Mar Arábico pelos Estados Unidos são considerados os mais adequados para o combate contra o Irão, tendo também vista manter o Estreito de Ormuz aberto para petroleiros. Isto também inclui forças que seriam capazes de assegurar cabeças de ponte sobre a linha costeira iraniana. Estas forças americanas consistem de unidades de aviso precoce, de reconhecimento, elementos anfíbios, investigação marítima e unidades de resgate, detectores de minas e unidades de posicionamento rápido.

Grupos americanos de ataque: Navios destinados à guerra?

O U.S.S. Enterprise , nau capitânia da U.S. Navy, está posicionada para o Golfo Pérsico e o Mar da Arábia. Isto inclui todos os vasos de guerra que compõem o Carrier Strike Group 12 (CSG 12), o Destroyer Squadron 2 (DESRON 2) e o Carrier Air Wing 1 (CWW 1). O objectivo declarado para a instalação do U.S.S. Enterprise, um porta-voz movido a energia nuclear, e dos outros navios da U.S. Navy, e conduzir operações de segurança naval e missões aéreas na região. O posicionamento não menciona o Irão, diz ser parte da "Guerra ao Terror" conduzida pelos EUA sob a "Operação liberdade duradoura" ("Operation Enduring Freedom").

O nome original da Operação Liberdade Duradoura foi "Operação Justiça Infinita", o que destaca o âmbito e as intenções ilimitadas da Guerra ao Terror. A "Operação Liberdade Iraquiana", que abrange a invasão anglo-americana e a ocupação continuada do Iraque também é um componente destas operações. Um grande número de navios de guerra americanos estão posicionados no Golfo Pérsico, no Golfo de Oman e no Mar da Arábia.

Apesar de ser dizer que este posicionamento está relacionado com operações militares em andamento no Iraque e no Afeganistão, os navios de guerra carregam consigo equipamento que não é destinado a estes dois teatros de guerra. Detectores de minas e caça-minas não tem absolutamente nenhuma utilidade no Afeganistão cercado de terra e não são necessários no Iraque, o qual tem um corredor marítimo e portos totalmente controlados pela aliança anglo-americana.

Outros navios de guerra no Enterprise Strike Group incluem o destróier U.S.S. McFaul, a fragata U.S.S. Nicholas, o cruzador de batalha U.S.S. Leyte Gulf, o submarino de ataque U.S.S. Alexandria, e o "navio apoio rápido em combate" U.S.N.S. Supply. O U.S.N.S. Supply será um vaso utilizável em confronto com forças iranianas no Golfo Pérsico em combate de proximidade (close-quarter). A velocidade será um factor importante para responder aos potencialmente letais mísseis iranianos e a ataques de mísseis anti-navio.

O U.S.S. Enterprise transporta consigo uma série de unidades de infiltração, ataques aéreos e de posicionamento rápido. Isto inclui o Marine Strike Fighter Squadron 251, o Electronic Attack Squadron 137, e o Airborne Early Warning Squadron 123. O Squadron 123 será vital no caso de uma guerra com o Irão para detectar mísseis iranianos e enviar avisos de perigo à frota estadunidense. Deveria ser feita uma menção especial ao esquadrão de helicópteros especializado em combate a submarinos que viaja com o grupo de ataque. O "Helicopter Anti-Submarine Squadron 11" estará a bordo do U.S.S. Enterprise. O Golfo Pérsico é conhecido por ser o lar da frota submarina iraniana, a única frota submarina nativa na região.

O Eisenhower Strike Group, com base em Norfolk, Virgínia, também recebeu ordens de se posicionar no Médio Oriente. O grupo de ataque é dirigido pelo U.S.S. Eisenhower, outro navio de batalha nuclear. Inclui um cruzador, um destróier, uma fragata de guerra, um submarino de escolta, e navios de abastecimento da U.S. Navy. Um destes dois grupos de ataque naval posicionar-se-á no Golfo de Oman e no Mar da Arábia enquanto o outro gupo de ataque naval posicionar-se-á no Golfo Pérsico, ambos afastados da costa iraniana.

Um outro grupo de assalto ou de ataque constituído por navios de guerra americanos, o "Expeditionary Strike Group 5" , também está a sair a caminho do mar. Este grupo de ataque está a sair da Estação Naval de San Diego tendo o Golfo Pérsico, no Médio Oriente, como seu destino final. Mais de 6000 pessoas dos U.S. Marines e da Navy de San Diego serão posicionados no Golfo Pérsico e no Iraque ocupado pelos anglo-americanos. [4] Aproximadamente 4000 marinheiros americanos e 2200 U.S. Marines da 15th Marine Expeditionary Unit, de Camp Pendleton, constituirão o grosso da força. Os navios de guerra e os soldados que transportam terão confirmadamente um período de serviço obrigatório no Golfo Pérsico e "possivelmente" no Iraque ocupado durante um semestre. Eles também serão acompanhados por outros navios, incluindo um vaso da Guarda Costeira. Uma equipe aérea de Marines com 38 helicópteros também está a bordo e em viagem para o Golfo Pérsico.

O contingente Marine da força não está destinado a posicionamento no Iraque. Deve ser notado que a 15th Marine Expeditionary Unit é, entretanto, capaz de "posicionar-se rapidamente" a pedido utilizando grandes barcos de desembarque armazenados a bordo do grupo de navios de guerra de ataque. Se ordenada, esta unidade de posicionamento rápido tem o forte potencial de ser utilizada como parte de uma força de invasão contra o Irão a partir do Golfo Pérsico. A unidade Marine seria o ideal para fazer parte de uma operação com o(s) objectivo(s) de assegurar portos iranianos para criar cabeças de ponte para uma invasão.

O Expeditionary Strike Group 5 (ESG 5) está a ser conduzido pelo navio de assalto U.S.S. Boxer como nau capitânia. O Expeditionary Strike Group 5 (ESG 5) também é constituído pelo U.S.S. Comstock, pelo cruzador de batalha U.S.S. Bunker Hill, pelo destróier transportador de mísseis guiados U.S.S. Benfold, e pelo destróier transportador de mísseis guiados U.S.S. Howard. Mais uma vez, estes vasos serão todos eles posicionados no Golfo Pérsico, em estreita proximidade da costa iraniana.

Vale a pena mencionar que a estrutura de comando e controle do grupo será separada dos vasos de guerra para flexibilidade máxima. Também antes de o grupo de ataque naval americano alcançar o Golfo Pérsico estará a executar "exercícios e operações anti-submarino". Os exercícios anti-submarino terão lugar ao largo da costa do Hawai, no Oceano Pacífico. Isto pode ser treinamento e preparação destinada a combater a frota submarina iraniana no Golfo Pérsico e no Mar da Arábia. A partir do Hawai, os navios de guerra também serão acompanhados pela Guarda Costeira dos EUA com base em Seattle e por uma fragata do Canadá, a H.M.C.S. Ottawa.

O Canadá contribui para a concentração naval americana no Golfo Pérsico

O governo conservador do primeiro-ministro Stephen Harper está a colaborar activamente neste esforço militar.

A política externa do Canadá tem sido constantemente militarizada por dois governos sucessivos.

O governo do primeiro-ministro Paul Martin (Liberal) implementou a "política das três dimensões", dos "3 Ds" ("Diplomacia, Desenvolvimento e Defesa") acrescentando um componente militar à ajuda externa e à assistência ao desenvolvimento do Canadá.

Os 3 Ds levaram o Canadá a desempenhar um papel mais activo nas operações da NATO dirigidas pelos EUA no Afeganistão. Apesar do protesto público, o Canadá tornou-se um membro integral da aliança militar anglo-americana.

O envolvimento do Canadá não se limita ao Afeganistão, como é sugerido nos relatos da imprensa e em declarações oficiais.

O H.M.C.S. Ottawa foi despachado para o Golfo Pérsico, zarpando em Setembro da Columbia Britânica. Oficialmente o H.M.C.S. Ottawa está a ser posicionado como parte da contribuição do Canadá para combater a "Guerra ao terrorismo". O vaso canadiano é o primeiro navio publicamente conhecido a ser posicionado nas águas do Médio Oriente em cerca de um ano. [5] Este navio do Canadá está destinado a ser integrado no "Expeditionary Strike Group 5 (ESG 5), o qual ficará a navegar no Golfo Pérsico e no Golfo de Oman, ao largo da costa iraniana.

Pertencente à Frota Canadiana do Pacífico, o H.M.C.S. Ottawa será o vigésimo posicionamento naval oficial do Canadá em apoio aos Estados Unidos e Grã-Bretanha na Guerra ao terrorismo. Cerca de 225 pessoas estarão a bordo do navio canadiano, incluindo um destacamento de helicópteros Sea King. [6]

Apesar de o H.M.C.S. Ottawa estar a apoiar a guerra ao terrorismo dirigida pelos americanos, deve também participar nos exercícios anti-submarino ao largo da costa do Hawai.

Para que finalidade estão a ser conduzidos estes exercícios? Quantos países no Médio Oriente ou no Golfo Pérsico têm submarinos? O Irão é o único país no Golfo Pérsico, que não é um aliado dos EUA, a possuir uma frota submarina.

Guarda Costeira americana implicada nos conflito com o Irão

A Guarda Costeira americana é o quinto e o mais pequeno ramo das Forças Armadas dos EUA. Os outros quatro ramos militares americanos são os Fuzileiros Navais (Marines), a Armanda (Navy), a Força Aérea e o Exército. A Guarda Costeira é a única destas forças que é um terço militar, um terço aplicação da lei e um terço entidade de investigação e resgate. Em tempo de paz a Guarda Costeira fica sob a jurisdição e mandato do Departamento de Segurança Interna dos EUA (U.S. Department of Homeland Security), mas a pedido do Departamento da Defesa a Guarda Costeira pode operar em missões militares no mar. Em tempo de guerra, quando a necessidade for urgente, a Guarda Costeira cai sob a jurisdição directa do Pentágono como força militar.

A Guarda Costeira americana começa a ser mais utilizada e posicionada com a U.S. Navy. Guardas costeiros estão a ser preparados para operações no Golfo Pérsico e no Mar da Arábia. Embora isto não seja um acontecimento inabitual em si mesmo, pode ter um relacionamento significativo com outros eventos e movimentos militares que estão a desdobrar-se. A Guarda Costeira será de grande valia no caso de um conflito com o Irão. Ela pode "entrar em portos que outros navios de guerra não podem". [7] Isto seria útil para assegurar cabeças de ponte de entrada para uma força de invasão ao Irão. A Guarda Costeira também está especializada em operações de investigação e resgate, ao contrário da U.S. Navy ou dos Marines. Isto é significativo uma vez que analistas militares prevêem que haverá certamente vasos americanos que serão destruídos e fortemente danificados no Golfo Pérsico pelas Forças Armadas do Irão no caso de um conflito entre os Estados Unidos e o Irão. A Guarda Costeira serão então crucial em operações de resgate, além de operações velozes, protegendo navios da U.S. Navy, e da entrada em portos ou praias em que outros navios de guerra não são capazes.

"O que trazemos para o grupo de ataque é a capacidade de conduzir operações de intercepção e de segurança marítima" e "As ferramentas utilizadas para combater o crime e salvar vidas em casa [nos Estados Unidos] são valiosas na zona de guerra [o Golfo Pérsico], elucida Lee Alexander, o comandante do U.S.S. Midgett. [8]

Relatos do media de ataques planeados ao Irão e à Síria

Tem havido vários relatos nos media internacionais, os quais têm proporcionado pormenores respeitantes aos planos militares para atacar o Irão e a Síria. Isto inclui relatos de fontes israelenses sobre ataques dirigidos à Síria, ao Irão e ao Líbano. Alguns destes relatos dos media citam mesmo membros do Knesset israelenses (MKs). [9] Os media alemães e europeus têm publicado vários artigos sobre o possível envolvimento da NATO e da Turquia nos planeados ataques aéreos americanos ao Irão. The Times (Reino Unido) relatou em Março de 2006 que:

"Quando o major-general Axel Tüttelmann, chefe da Airborne Early Warning and Control Force da NATO, mostrou um avião AWAC de advertência e vigilância antecipada em Israel duas semanas atrás, ele provocou um alvoroço de preocupações no quartel general [da NATO] em Bruxelas. Não foi a sua demonstração que levantou as sobrancelhas, mas o que ele disse acerca do possível envolvimento da NATO em qualquer futuro ataque militar [anglo-americano] contra o Irão. 'Nós seria os primeiros a ser convocados se o conselho da NATO decidir que deveríamos sê-lo', disse ele. A NATO preferiria que a ênfase permancesse no "se", mas os comentários de Tüttelmann revelaram que a aliança militar [podia] desempenhar um papel de apoio se os EUA lançarem ataques aéreos contra objectivos nucleares iranianos [incluindo instalações militares, sítios industriais e infraestrutura]". [10]

Em Dezembro de 2005 a United Press International (UPI) relatou que:

A administração Bush está a preparar seus aliados da NATO para um possível ataque militar contra sítios suspeitos de actividade nuclear no Irão no Ano Novo [2006], segundo relatos dos media alemães, reforçando sugestões anteriores nos media turcos.

O diário de Berlim Der Tagesspiegel desta semana citou "fontes da inteligência da NATO" as quais afirmaram que os aliados da NATO foram informados de que os Estados Unidos estão actualmente a investigar todas as possibilidades de por o regime liderado pelos mullah [governo iraniano] dentro da linha, incluindo opções militares. Esta linha de "todas as opções estão abertas" tem sido a política declarada publicamente pelo presidente George W. Bush ao longo dos últimos 18 meses.

Mas o respeitado semanários alemão Der Spiegel observa: "O que é novo aqui é que Washington parece estar a despachar oficiais de alta patente para preparar seus aliados para um possível ataque ao invés de simplesmente implicar a possibilidade como fez repetidamente durante o ano passado [2005]".

A agência de notícias alemã DDP citou "fontes de segurança ocidentais" para afirmar que o director da CIA Porter Gross pediu ao primeiro-ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan para proporcionar apoio político e logístico a ataques aéreos contra alvos nucleares e militares iranianos. De Goss, que visitou Ancara e encontrou-se com Erdogan em 12 de Dezembro [de 2005] também foi mencionado que pediu a cooperação especial da inteligência turca para ajudar e monitorar a operação.

(…)

A DDP citou fontes de segurança alemãs, as quais acrescentaram que aos turcos fora assegurado um aviso prévio se e quando os ataques militares se verificassem, e que também lhes fora dado "um sinal verde" para montarem os seus próprios ataques a bases do PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos) no Paquistão, que o governo turco encara como o grupo separatista responsável por ataques terroristas dentro da Turquia. [11]

O "sinal verde" dado pelos Estados Unidos para incursões militares turcas com toda probabilidade também incluiria o Curdistão, inclusive alguns pontos no Curdistão iraquiano e áreas na Síria habitadas por curdos.

A revista Time e a "Preparação para a ordem de posicionamento" do Eisenhower Strike Group

Os relatos americanos mais recentes fornecem pormenores de preparativos para ir à guerra com o Irão e a Síria. A revista Time confirma que foram dadas ordens para que em Outubro de 2006 se posicionassem no Golfo Pérsico um submarino, um navio de batalha, dois detectores de minas e dois caça-minas. Há muito poucos lugares no mundo onde detectores de minas seriam necessários ou utilizáveis além do Golfo Pérsico. Também há muito poucos lugares em que sejam exigidos exercícios anti-submarinos, além do Golfo Pérsico.

Exercícios anti-submarinos é o que está a fazer no Pacífico o Expeditionary Strike Group 5 (EST 5) antes de aproar para o Golfo Pérsico, juntamente com o H.M.C.S. Ottawa do Canadá e unidades da Guarda Costeira americana.

O artigo da revista Time dá a entender que a operação poderia resultar em pesadas baixas americanas:

"A primeira mensagem era bastante rotineira: um 'Preparem-se para ordem de posicionamento' enviada através dos canais de comunicação navais a um submarino, um cruzador classe Aegis, dois detectores de minas e dois caça-minas. As ordens não ordenavam realmente que os navios saíssem do porto, diziam apenas para estarem prontas para se moverem em 1 de Outubro [de 2006]. Um posicionamento de detectores de minas na costa leste do Irão pareceria sugerir que uma perspectiva muita discutida, mas até agora principalmente teórica, tornara-se real: que os EUA podem estar a preparar-se para a guerra com o Irão". [12]

O premiado repórter investigador e jornalista Dave Lindorff escreveu:

O [reformado] coronel Gardiner, que ensinou estratégia militar no National War College [dos EUA], afirma que o posicionamento de porta-aviões [da U.S. Navy] e uma data de chegada ao Golfo Pérsico aprazada para 21 de Outubro [2006] é "prova muito importante" de planeamento de guerra. Ele afirma: "Sei que algumas forças navais já receberam 'ordens preparem-se para posicionar-se' ['prepare to deploy orders', PTDOs], as quais estabeleceram a data de 1 de Outubro [2006] para estarem prontas a partir. Uma vez que demoraria aproximadamente de 2 de Outubro a 21 de Outubro por aquelas forças na região do Golfo [Pérsico], parece estar em torno desta data" qualquer possível acção militar contra o Irão. (Um PTDO significa que todas as tripulações deveriam estar nas suas estações, e os navios e aviões deveriam estar prontos para partir, numa certa data — neste caso, confirmadamente, 1 de Outubro). Gardiner observa: "Você não pode emitir um PTDO e então permanecer pronto por muito tempo. É uma ordem muito significativa, e não é feita como exercício de treinamento". Este ponto também era destacado no artigo da Time.

(…)

"Penso que o plano seleccionado é bombardear os sítios nucleares no Irão", afirma Gardiner. "É uma ideia terrível, é contra a lei americana e contra o direito internacional, mas penso que eles decidiram fazê-lo". Gardiner afirma que enquanto tem a capacidade para atingir aqueles sítios com seus mísseis de cruzeiro, "os iranianos têm muito mais opções do que nós [os Estados Unidos].

(…)

Naturalmente, concorda Gardiner, movimentos recentes de navios e outros sinais de prontidão militar podiam ser simplesmente um logro (bluff) concebido para mostrar dureza na negociação com o Irão acerca do seu programa nuclear. Mas com a costa iraniana confirmadamente armada até os dentes com mísseis anti-navio chineses Silkworm, e possivelmente ainda mais refinadas armas russas anti-navio, contra as quais a U.S. Navy tem poucas defesas confiáveis, parece improvável que a Navy arriscasse activos de alto valor como porta-aviões ou cruzadores com uma tal táctica. Nem o logro tem sido uma [táctica] da administração Bush até à data. [13]

O Pentágono respondeu rapidamente ao relato da revista Time dizendo que o Chefe de Operações Navais havia simplesmente pedido à U.S. Navy para "olhar novamente antigos planos americanos para bloquear dois portos iranianos no Golfo [Pérsico]",14 Esta resposta em si mesma é questionável para analistas. Por que os Estados Unidos desejariam travar o fluxo de petróleo do Irão, um grande país exportador, que prejudicaria os aliados dos EUA e a economia mundial?

Forças navais iranianas e mísseis anti-navio

O poder naval iraniana está dividida em duas forças principais. Uma é a Marinha dentro das Forças Armadas Regulares Iranianas e a outra é o ramo naval da Guarda Revolucionária Iraniana. Ambas as forças têm estado a actualizar-se e a melhorar o seu equipamento ao longo de anos. O objectivo de ambas as forças navais é actuar como um dissuasor à ameaça de invasão ou de ataque por parte dos Estados Unidos.

O Irão tem uma frota submarina de fabricação iraniana e russa, uma frota de aerobarcos (hovercraft) que foi outrora a maior do mundo, ROVs (remotely operated vehicles), vários navios de superfície de diferentes dimensões e operações, unidades navais aerotransportadas (airborne) que incluem vários esquadrões de helicópteros, detectores de minas e um vasto arsenal de mísseis anti-navio. A frota submarina iraniana também inclui mini-submarinos fabricados internamente no Irão. [15]

O Irão tem estado num processo de fortalecimento naval ao longo da última década. Por exemplo: em conexão com os jogos de guerra e exercicios iranianos de Agosto de 2006, os militares daquele país apresentaram o seu mais recente "Patrol Torpedo (PT) boats". Os botes PT são pequenos vasos navais que têm sido usados efectivamente para atacar navios de guerra maiores. Estes tipos de navios podiam ser uma ameaça para os grupos de ataque americano a posicionarem-se no Golfo Pérsico e no Mar da Arábia. O Comandante Naval Kouchaki contou à Fars New Agency (FNA) que "Joshan [um novo bote PT iraniano] desfruta da mais recente tecnologia mundial, especialmente quanto aos seus sistemas militares, eléctricos e electrónicos, estrutura e chassis, e tem as capacidades exigidas para lançar mísseis poderosos". "Semelhante ao primeiro bote PT 'Peykan', o 'Joshan' também tem uma velocidade de mais de 45 nós [83,34 km/h] o que o torna ainda mais rápido do que a mesma geração de botes PT fabricada por outros países. O vaso é capaz de utilizar vários mísseis e foguetes com um alcance superior a 100 km, tem alta manobrabilidade o que o ajuda a escapar de torpedos, e desfruta do mais avançado projéctil marítimo do mundo, chamado 'Fair' ". O projéctil, com 76 mm de calibre, que só o Irão, os Estados Unidos e a Itália podem fabricar, do novo bote PT iraniano também desfruta de uma vasta variedade de capacidades militares e pode atingir alvos marítimos e aéreos até a 19 km de distância. [16]

O Irão também testou uma série de mísseis anti-navio "submarino para a superfície" durante os seus jogos de guerra de Agosto de 2006. [17] Estes últimos parecem ter levantado alguma preocupação pelo facto de que o Irão poderia interromper o fluxo de petróleo através do Golfo Pérsico no caso de um assalto anglo-americano. [18]

Nos seus jogos de guerra de Abril de 2006, o Irão testou um míssil anti-navio, confirmado como "o mais rápido do mundo", com uma velocidade máxima de aproximadamente 362 quilómetros por hora. O míssil anti-navio é destinado a destruir grandes submarinos e diz-se ser "demasiado rápido para que a maior parte dos vasos possa escapar" mesmo que ele seja detectado pelos seus radares. [19] Sistemas de aviso antecipado serão essenciais para os EUA ao combater os militares iranianos.

Se nuvens de tempestade devessem pairar acima do Golfo Pérsico, os Estados Unidos terão de manter o Estreito de Ormuz aberto, o tráfego internacional de petróleo em movimento, e simultaneamente enfrentar uma grande barragem de mísseis iranianos de terra, ar e mar. Isto inclui mortíferos mísseis anti-navio que os iranianos desenvolveram com a ajuda da Rússia e da China.

Tem havido advertências de analistas de que o Golfo Pérsico poderia ser encerrado e transformado numa galeria de tiro pelas Forças Armadas Iranianas. O armamento iraniano também é relatado como sendo invisível ao radar e pode viajar a altas velocidades. Dentre os nomes mencionados em relação aos mísseis anti-navio iranianos estão os russos e chineses "Silkworms" e "Sunburns" modificados, os quais são baseados em modelos soviéticos anteriores.

O arsenal iraniano inclui mísseis anti-navio como o C-802 e o Kowar. Os mísseis anti-navio C-802 tem origem na China. Os mísseis Kowsar são basicamente mísseis anti-navio baseados em terra (mísseis terra-mar) os quais podem esquivar-se a sistema de interferência electrónicos. [20]

Nesta etapa, é impossível dizer como a U.S. Navy e a Guarda Costeira americana se desempenharão contra os mísseis anti-navio iranianos no contexto de uma "situação de combate real".

A Navy e os movimentos de tropas no Mediterrâneo Oriental

Também há um considerável movimento militar e concentração de forças aliados no Mediterrâneo Oriental, formalmente sob o disfarce de uma operação de manutenção da paz de acordo com a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU.

A Itália reposicionou no Líbano tropas italianas do Iraque, incluindo unidades de comando e unidades blindadas de reconhecimento. Duas unidades de fuzileiros navais, uma pertencente ao Exército e outra à Marinha italianas, foram enviadas para o Líbano. Ambas são unidades veteranas com passagens de serviços separadas no Iraque ocupado pelos anglo-americanos. O Exército Italiano enviou o "Lagunan" do "Regimento Serenissima" da unidade de infantaria de fuzileiros navais com base em Veneza, ao passo que a Marinha italiana enviou o "Regimento San Marco".

Unidades e tropas espanholas foram posicionadas próximo a Tyre e à fronteira israelense no Sul do Líbano. A Espanha, com dois navios de guerra ao largo da costa do Líbano, terá a terceira maior força da UE, após a Itália e a França. [21] Grandes contingentes de tropas espanholas estão, além disso, baseado longe da costa mediterrânica, em torno de Jdeidet-Marjayoun (Marjayoun), próximo à fronteira síria e tanto nas Quintas de Sheba como nas Alturas do Golan ocupados por Israel.

Navios de guerra alemães também se juntarão aos vasos dos outros membros da NATO no patrulhamento das costas do Mediterrâneo Oriental. Os alemães finalmente assumirão o comando das forças navais da Itália. O governo alemão lançou fragatas de batalha e botes de patrulha rápidos no Líbano pós-sitio. [22]

"A missão naval, o primeiro posicionamento alemão no Médio Oriente desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foi apoiado por 442 legisladores, com 152 votos contra e cinco abstenções. Até 2400 tropas navais alemãs serão agora posicionadas na região, com base num mandato de um ano que expira em 31 de Agosto de 2007. A missão eleva o número de soldados alemães a servirem além mar acima dos 10 mil pela primeira vez na história desde o pós-guerra [pós-Segunda Guerra Mundial]". [23]

O governo de coligação da Dinamarca, formado pelo Partido Conservador do Povo e pelo Partido Liberal, tem sido um firme apoiante dos objectivos militares anglo-americanos. O governo dinamarquês liderado pelo primeiro-ministro Anders Fogh Ramussen enviou tropas dinamarquesas tanto para o Iraque ocupado como para as guarnições da NATO no Afeganistão. Três navios de guerra dinamarqueses zarparam para o Mediterrâneo Oriental para juntar-se à armada de navios de guerra da NATO que se reúne ao largo das costas libanesas e sírias. A Peter Tordenskiold, uma corveta naval, e dois cruzadores com mísseis dinamarqueses, o Raven e o Hawk, têm estado em prontidão para operações militares no Mediterrâneo Oriental desde o fim do sítio ao Líbano patrocinado pelos anglo-americanos. O apêndice naval dinamarquês tem estado à espera em Wilhelmshaven, uma base naval alemã, por uma "ordem de avançar" por aproximadamente duas semanas no princípio de Setembro de 2006. [24] O governo dinamarquês também está a falar no envio de mais tropas para o Afeganistão, as quais juntar-se-iam às 2000 tropas a serem despachadas pela Roménia e Polónia no princípio de Outubro de 2006. [25]

No Líbano, a França está envolvida em operações militares sobre o terreno, enquanto navios italianos e alemães encabeçam a missão naval do Mediterrâneo Oriental. Cerca de 2000 tropas francesas estão destinadas a serem posicionadas no Líbano. Tanques franceses e unidades blindadas ajudaram a formar "o mais poderoso grupo armado já posicionado por uma força de manutenção da paz das Nações Unidas" na história. [26]

Navios gregos também fazem parte da armada naval no Mediterrâneo Oriental. Dez navios de guerra gregos, os quais incluem unidades de mergulho e helicópteros da marinha, acrescentaram seu poder à força naval da NATO ao largo do Líbano com ordens para "utilizar a força se necessário". O compromisso naval grego está a decorrer com um custo para o governo grego de aproximadamente 150 mil euros por semana de operação. Os navios de guerra gregos atracarão no porto sulista de Larnaca, no lado sul da ilha de Chipre e em frente ao Líbano. Isto até que as instalações navais na capital libanesa, Beirute, estejam consideradas prontas e seguras pelos comandantes da armada naval. [27]

A Holanda está a posicionar navios de guerra em revezamento, com 150 marinheiros holandeses. Os navios de guerra holandeses compreenderão uma fragata e um navio de abastecimento que proporciona apoio logístico à frota naval reunida no Mediterrâneo Oriental. O posicionamento holandês começaria em algum momento de Outubro de 2006 e continuará a sulcar o Mediterrâneo Oriental até Agosto de 2007. O ministro holandês da Defesa disse também que o compromisso do seu país podia ser estendido por um período extra de 12 meses. [28]

A Bélgica também despachou 400 tropas para o Sul do Líbano. O ministro belga da Defesa foi um dos vários responsáveis pela defesa que visitou o Líbano para efectuar preparativos para operações militares ali. [29] Outros oficiais de defesa, em ligação com o Líbano, foram despachados pela Itália e pela França.

As tropas turcas ainda não se posicionaram no Líbano e enfrentam forte oposição interna. A Turquia, um aliado de Israel e membro da NATO, está para enviar tropas para o Líbano no fim de Outubro de 2006. [30] Isto está a acontecer apesar do clamor público de massa e da oposição na Turquia ao posicionamento de soldados turcos no Líbano.

Um antigo representante civil da Turquia junto à NATO no Afeganistão, Hikmet Cetin, numa entrevista televisada tentou tranquilizar a opinião pública turca, enfatizando que as tropas turcas estariam a ir para o Afeganistão ao invés de irem para o Líbano:

"...o número de soldados turcos [no Afeganistão] mais do que duplicou, de 300 para 700, ao longo do último mês [Setembro de 2006]. Ancara pode aumentar o número de soldados no período vindouro para a segurança de Cabul [Afeganistão], mas não enviará soldados para confrontos [no Sul do Líbano]". [31]

A Bulgária, outro membro da NATO com tropas no Afeganistão e (até 2005/2006) no Iraque, estará a enviar forças navais e terrestres para o Líbano. [32]

Por sua vez, a Grã-Bretanha estará a despachar um pequeno contingente de tropas para o Sul do Líbano. [33] Os Emirados Árabes Unidos (UAE), um reino árabe, foi dado um mandato para limpar as minas terrestres israelenses e armadilhas explosivas (booby-traps) deixadas ao sul do Rio Litani, [34] uma importante fonte de água no Levante em que Israel sempre fixou os seus olhos. Os UAE contrataram as suas operações de desminagem no Sul do Líbano com uma firma britânica de segurança. A firma britânica, "ArmorGroup International", recebeu US$ 5,6 milhões (2,9 milhões de libras esterlinas) pelo contrato para um ano de trabalho no Sul do Líbano. [35] O ArmorGroup também tem estado a proporcionar segurança aos militares dos Estados Unidos no Iraque, no Golfo Pérsico e no Afeganistão, incluindo protecção de instalações da U.S. Navy no Bahrain. A firma britânica de segurança também tem fornecido segurança a consórcios de petróleo e gás na Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait, Nigéria e na antiga União Soviética, incluindo o Casaquistão e a República do Azerbaijão. [36] Tal como no Afeganistão e no Iraque ocupado pelos anglo-americanos, as firmas privadas de segurança começam a mover-se também no Líbano, juntamente com a NATO.

A NATO tem-se movimentado "não oficialmente" para preencher o vácuo deixado pela guerra no Líbano, tal como o fez "oficialmente" no caso do Afeganistão. A NATO assinou um acordo de cooperação militar com Israel em 2005. Estas tropas da NATO poderiam tornar-se uma força de ocupação, como no caso do Afeganistão. [37]

As forças terrestres israelenses não se retiraram plenamente do Sul do Líbano de acordo com a resolução do Conselho de Segurança da ONU e o cessar fogo.

Enquanto isso, os vasos israelenses transferiram a responsabilidade pela aplicação do embargo naval ilegal no Líbano para os navios de guerra da NATO.

Este embargo naval recorda as ilegais "Zonas de não voo" ("No-fly Zones") estabelecidas sobre o Iraque pela Nações Unidas, Grã-Bretanha e França, as quais contribuíram para o enfraquecimento do Iraque nos anos anteriores às invasão anglo-americana de 2003.

A questão crucial é se este embargo naval e militarização do Mediterrâneo Oriental é parte dos preparativos para futura(s) operação(ões) militar(es) dirigidas contra a Síria. O embargo ilegal tem a aprovação da ONU. É mantido como parte da "monitoração" da costa libanesa para fiscalizar a entrada de fornecimentos militares e armas ao Líbano.

A Rússia e a China enviam tropas para o Líbano, um movimento estratégico simétrico

A Federação Russa e a República Popular da China também posicionaram tropas no Líbano. Será isto para a "manutenção da paz" ou haverá outros objectivos de natureza estratégica?

Um batalhão de sapadores russos (militares de campo/engenheiros de combate) também está a ser aerotransportado para o Líbano pela Força Aérea Russa. [38] O ministro russo da Defesa disse que os sapadores russos e o seu batalhão começarão a trabalhar no Líbano no princípio de Outubro de 2006. Tudo o que é formalmente necessário é "um acordo sobre o status do batalhão de engenheiros de combate com o governo libanês". [39]

As tropas russas serão posicionadas próximo à cidade de Sidon (Saida) no Sul do Líbano, junto à costa do Mediterrâneo. Enquanto as tropas russas estão a acabar de entrar no Líbano, há também uma presença naval russa no litoral sírio. [40] (Ver Russian Base in Syria, a Symmetrical Strategic Move, July, 2006)

Ao contrário dos seus aliados russos, as tropas chinesas estavam presentes no Líbano antes dos ataques israelenses patrocinados pelos anglo-americanos. A presença chinesa no Líbano estava sob a autoridade de uma pequena força de manutenção da paz das Nações Unidas. Cerca de 200 engenheiros militares chineses já trabalham para a ONU no Sul do Líbano a limpar minas e munições não explodidas. A pequena força da ONU viu a morte de um dos seus membros chinês às mãos dos ataques israelenses durante o assalto ao Líbano patrocinado pelos anglo-americanos. Aproximadamente outros 1000 soldados serão acrescentadas à presença militar chinesa no Líbano. [41]

As forças chinesas e russas também estarão na estreita proximidade do Porto de Ceyhan e da rota de energia a ser aberta no Mediterrâneo Oriental. Isto é uma acção simétrica se se considerar a presença militar dos EUA e o apoio de Formosa como um meio de controlar a rota estratégica do petróleo do Médio Oriente para a China e o Japão. [42]

A Rússia e a China são os dois maiores membros da Organização de Cooperação de Shanhai (Shanghai Cooperation Organization, SCO). Eles são membros permanentes dos Conselho de Segurança da ONU, que se opõe decisivamente às iniciativas anglo-americanas no Médio Oriente, na Península Coreana e no Sudão.

Adicionalmente, a Rússia e a China, juntamente com o Irão, estão a desafiar os interesses petrolíferos anglo-americanos na Ásia Central e na Bacia do Mar Cáspio.

Israel é uma extensão da aliança anglo-americana e também da NATO através de um pacto militar com a Turquia e do "NATO-Mediterranean Dialogue", incluindo a Istanbul Cooperation Initiative de 29 de Junho de 2004. [43] Com a concentração e preparação de tropas dos estados membros da NATO, a Rússia e a China podiam estar a enviar tropas para o Líbano num deliberado movimento simétrico a fim de estabelecer um equilíbrio militar no importante balanceamento de forças no Levante e no Mediterrâneo Oriental.

A guerra ao Líbano e a batalha pelo petróleo: O terminal petrolífero Baku-Tbilisi-Cehyan

Há uma inegável competição internacional por recursos energéticos no mundo. O Baku-Tbilisi-Cehyan (BTC) Oil Terminal (também chamado Caspian-Mediterranean Oil Terminal) tem uma saída na costa turca do Mediterrâneo Oriental, muito próxima da Síria e do Líbano. A abertura deste oleoduto é uma importante vitória geo-estratégica. Trata-se de uma vitória geo-estratégica para a aliança anglo-americana, para Israel, para as grandes companhias petrolíferas e para os seus parceiros, mas por outro lado é uma regressão para a Rússia, a China e o Irão. Parece que a soberania do Líbano foi colocada em novos perigos com a abertura daquele estratégico terminal petrolífero.

A ocupação do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003) foi seguida pela militarização do Mediterrâneo Oriental. [44] O assalto israelense de Julho de 2006 ao Líbano está intimamente relacionado com a abertura do Terminal Petrolífero Baku-Tbilisi-Cehyan (BTC), a movimentação de vasos navais no Golfo Pérsico - Mar da Arábia, e uma guerra prevista contra o Irão e a Síria.

A Síria também está a dar passo para fortalecer o seu poder militar. A Rússia está a ajudar a Síria a instalar e elevar a capacidade dos seus sistemas de defesa aérea. Os militares sírios além disso fizeram numerosas encomendas de aviões de guerra e mísseis fabricados pelos russos e iranianos. A Bielorússia e a China também estão a ajudar os militares sírios.

O Professor Michel Chossudovsky deu pormenores acerca da guerra israelense ao Líbano, da militarização do Mediterrâneo Oriental e da rivalidade internacional por recursos energéticos:

Haverá um relacionamento entre o bombardeamento do Líbano e a inauguração do mais estratégico oleoduto do mundo, que transportará mais de um milhão de barris de petróleo por dia para mercados ocidentais?

Virtualmente desapercebida, a inauguração do oleoduto Ceyhan-Tbilisi-Baku (BTC), que liga o Mar Cáspio ao Mediterrâneo Oriental, têve lugar em 13 de Julho de 2006, mesmo na véspera dos bombardeamentos israelenses do Líbano.

(…)

O bombardeamento do Líbano é parte de um roteiro militar cuidadosamente planeado e coordenado. A extensão da guerra à Síria e ao Irão já foi contemplada pelos planeadores militares dos EUA e de Israel. Esta vasta agenda militar está intimamente relacionada com petróleo e oleodutos estratégicos. É apoiada pelos gigantes petrolíferos do ocidente, os quais controlam os corredores de oleodutos. No contexto da guerra ao Líbano, eles procuram o controle territorial israelense sobre a linha da costa do Mediterrâneo Oriental.
(The War on Lebanon and the Battle for Oil, July 26, 2006)

A Síria e o Líbano devem ser subjugados se os Estados Unidos e os seus parceiros quiserem assegurar a linha costeira do Mediterrâneo Oriental para expandir o terminal desde Ceyhan, Turquia, a Israel, impedindo a Rússia e a China de assegurarem recursos energéticos internacionais e, finalmente, criando um monopólio sobre os recursos energéticos mundiais.

O Mediterrâneo Oriental, uma "segunda frente" guardada pela NATO?

Tem havido uma significativa concentração de força militar, incluindo poder naval, no Líbano e nas águas do Mediterrâneo Oriental. Esta força é composta por tropas e vasos navais de vários países da NATO incluindo a Itália, Espanha, França, Turquia, Alemanha e Holanda.

A "Operação esforço activo" ("Operation Active Endeavor") da NATO, implementada na sequência do 11/Set está plenamente integrada na "Guerra ao terrorismo" patrocinada pelos EUA. A operação é superintendida pelo Comandante da "NATO Allied Naval Forces, Southern Europe", com base em Nápoles.

Neste contexto, uma força tarefa naval de navios da NATO tem estado a monitorar o Mediterrâneo Oriental desde o fim de 2001, anos antes dos assalto aéreo israelense ao Líbano (2006). Esta força tarefa de navios da NATO foi "treinada e preparada para uma operação prolongada no Mediterrâneo Oriental desde 2001". [45]

De acordo com uma fonte israelense, a presença militar da NATO no Mediterrâneo Oriental faz parte dos planos de guerra relativos à Síria e ao Irão:

"Esta expectativa [de uma guerra lançada contra o Irão e a Síria] reuniu a maior armada de mar e ar que a Europa [NATO] já alguma vez montou em qualquer ponto da terra desde a Segunda Guerra Mundial: dois porta-aviões com 75 caças-bombardeiros, aviões espiões e helicópteros sobre os seus conveses; 15 navios de guerra de vários tipos — 7 franceses, 5 italianos, 2-3 gregos, 3-5 alemães e 5 americanos, milhares de fuzileiros navais — franceses, italianos e alemães, bem como 1800 Marines americanos. É improvavelmente facturado como apoio a uns meros [espera-se] 7000 soldados europeus que estão colocados no Líbano para impedir que a reduzida força israelense de 4-5000 soldados e alguns 15-16000 milicianos do Hezbollah chegue a brigar, bem como para biscates humanitários. (...) Assim, se não é para o Líbano, por que é que este magnífico conjunto de poder naval está ali? Primeiro, segundo nossas fontes militares [em Israel], os participantes europeus sentem a necessidade de uma forte presença naval no Mediterrâneo Oriental para impedir que uma possível guerra iraniano-americana-israelense faça disparar um ataque de mísseis Shahab iranianos com longo raio de acção sobre a Europa [bases americanas-NATO utilizadas contra o Irão], segundo, como um dissuasor para fazer com que a Síria e o Hezbollah desistam de abrir uma segunda frente contra os EUA e Israel a partir das suas costas no Mediterrâneo Oriental". [46]

No caso de uma guerra com a Síria e o Irão, as forças da NATO no Mediterrâneo Oriental não teriam dúvidas em desempenhar um papel decisivo. O Mediterrâneo Oriental tornar-se-ia uma das várias frentes, as quais poderiam incluir o Iraque, a Turquia, o Paquistão, o Afeganistão e o Golfo Pérsico.

FIM DA PRIMEIRA PARTE.


Notas
1 Trevor Nevitt Dupuy (Col.); The Military History of World War II, The Air War in the West: June 1941-April 1945 (Vol.7 ), Air Power and the Normandy Invasion, pages 36-4, New York City, Franklin Watts Inc., 1963

2 Copy of the "Downing Street Memo (DSM)" published by The Times (U.K.) in May, 2005

http://www.timesonline.co.uk/article/0,,2087-1593607,00.html

3 Philip Sherwell , US prepares for military blitz against Iran's nuclear sites, Telegraph (U.K.), February 12, 2006

4 Fuentes, Gidget; ESG 5 charts a new course: Command element to leave flagship for a more flexible role, Navy Times, September 12, 2006
http://www.navytimes.com/story.php?f=1-292925-2100299.php

5 Robert Shaw, Island New Democrats back party on Afghanistan pullout: Canada following U.S. too closely, says Afghan politician, Times Colonist, September 10, 2006
Atkinson, Melissa; HMCS Ottawa leaves for Gulf, Lookout September 11, 2006
http://www.lookoutnewspaper.com/archive/20060911/index.shtml
Note: "Lookout" is a paper serving CFB (Canadian Forces Base) Esquimalt where the Canadian Pacific fleet, including the H.M.C.S. Ottawa, is based.

6 National Defence: HMCS Ottawa to Depart for Arabian Gulf Region, CCNMattews, September 1, 2006
Note: Arabian Gulf is an alternative term used in reference to Persian Gulf, but is originally the name of the Red Sea.

7 Mike Barber, Midgett Crew ready to ship out: Cutter to leave for Persian Gulf today, Settle Post-Intelligencer, September 16, 2006
http://seattlepi.nwsource.com/local/285388_midgett16.html

8 Ibid

9 Roee Nahmias, MK Bishara warns Syria of Israeli attack, Yedioth (Ynet) News, September 9, 2006
http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3301614,00.html
Note: MK means Member of Knesset (Member of Israeli Parliament)

10 Sarah Baxter and Uzi Mahnaimi; NATO may help US strikes on Iran, Sunday Times (U.K.), March 5, 2006
http://www.timesonline.co.uk/article/0,,2089-2070420,00.html

11 Martin Walker, German media: U.S. prepares Iran strike, United Press International, December 31, 2005
Also featured by the Centre for Research on Globalization (CRG)
.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=WAL20051231&articleId=1693

12 What war with Iran would look like (summary of Time magazine article), Cable News Network (CNN), September 17, 2006
http://www.cnn.com/2006/WORLD/meast/09/17/coverstory.tm.iran.tm/

13 David Lindorff, War Signals? What is the White House Planning in Relations to Iran?, The Nation (U.S.A.), September 28, 2006
.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=LIN20060928&articleId=3355

14 Xuequan, Hu; Pentagon denies report on planning war against Iran, Xinhua News Agency, September 20, 2006
http://news.xinhuanet.com/english/2006-09/20/content_5117326.htm

15 Iran launches its first submarine, British Broadcasting Corporation (BBC), August 29, 2000
http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/901492.stm

16 Iran-Made PT Boat Launches Mission, Fars News Agency, September 20, 2006

http://www.farsnews.com/English/newstext.php?nn=8506290496

17 Mahdi Darius Nazemroaya, Iranian War Games: Exercises, Tests, and Drills or Preparation and Mobilization for War?, Centre for Research on Globalization (CRG), August 21, 2006
.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=DAR20060821&articleId=3027

18 Ali Akbar Dareini; Iran Tests Submarine-to-Surface Missile, Associated Press, August 27, 2006

19 Robert Tait, Iran fires nuclear missile into nuclear debate, Guardian Unlimited, April 6, 2006
http://environment.guardian.co.uk/energy/story/0,,1847796,00.html

20 IRGC test-fires super-modern flying boat, Mehr News Agency, April 4, 2006
http://www.mehrnews.com/en/NewsDetail.aspx?NewsID=307756

21 Spanish soldiers land in south Lebanon for expanded UN peacekeeping mission, People's Daily, September 16, 2006
http://english.people.com.cn/200609/16/eng20060916_303439.html

22 Germany to send up to 2,400 troops to Lebanon, Expatica, September 13, 2006
http://www.expatica.com/actual/article.asp?subchannel_id=52&story_id=33037

23 Claudia Rach, German Parliament Approves UN Naval Force for Lebanon (Update2), Bloomberg L.P., September 20, 2006
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601100&sid=apOI7Q4ELYPc&refer=germany

24 Danish naval ships ready to sail as part of Lebanon force, People's Daily, September 22, 2006
http://english.people.com.cn/200609/22/eng20060922_305180.html

25 AndrewGray, NATO says more needed for Afghan force, Reuters, September 22, 2006
www.int.iol.co.za/index.php?set_id=1&click_id=126&art_id=iol1158905447420A125

26 Keaten, James; French tanks bolster UN force in Lebanon: Powerful armor said to be "deterrent," Associated Press, September 13, 2006, Published in the Toronto Star, Canada

27 Greece begins its peacekeeping drive in Lebanon: Frigate has orders to fire if need be, Kathimerini, September 9, 2006
http://www.ekathimerini.com/4dcgi/_w_articles_politics_100004_09/09/2006_74016

28 Netherlands to send ship to UN naval mission in Lebanon, People's Daily, September 23, 2006
http://english.people.com.cn/200609/23/eng20060923_305660.html

29 Belgian defense minister visiting Lebanon, IRNA, September 24, 2006
http://www.irna.ir/en/news/view/menu-235/0609245521151745.htm

30 Turkey to send troops to UNIFIL next month, People's Daily, September 19, 2006
http://english.people.com.cn/200609/19/eng20060919_303927.html

31 Cetin: Neither NATO nor another force can send Turkish troops to the area of clashes, Dünya, September 11, 2006
http://www.dunyagazetesi.com.tr/news_display.asp?upsale_id=277990

32 UN accepts Bulgaria's Lebanon Peacekeeping participation on One Condition, Sofia Echo, September 4, 2006
Details on Bulgaria's participation in UN Lebanon Peacekeeping Mission to Become Known in Ten Days, Focus News Agency, August 28, 2006
http://www.focus-fen.net/index.php?id=n94842

33 Bruce, Ian; Scottish officers set to support Lebanon peace force, The Herald (U.K.), September 26, 2006
http://www.theherald.co.uk/news/70756.html

34 UAE, Lebanese Army ink pact to de-mine South, The Daily Star (Lebanon), September 26, 2006
www.dailystar.com.lb/article.asp?edition_id=1&categ_id=2&article_id=75711

35 ArmorGroup wins Lebanon bomb clearing contract, Reuters, September 25, 2006

36ArmorGroup homepage
http://www.armorgroup.com/

37 Shadid, Anthony; Lebanon Peacekeepers Met With Skepticism: True Role of U.N. Force is Subject to Debate Among Wary Residents, Washington Post, September 20, 2006
www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/09/19/AR2006091901736.html

38 Equipment for Russian battalion to be sent to Lebanon late Sept – Ivanov; Interfax, September 20, 2006
http://www.interfax.ru/e/B/0/28.html?id_issue=11591105

39 Russian combat engineers to start work in Lebanon in October, Russian News and Information Agency (RIA Novosti), September 20, 2006
http://en.rian.ru/russia/20060920/54083651.html

40 Mahdi Darius Nazemroaya, Russian Base in Syria, a Symmetrical Strategic Move; Centre for Research on Globalization (CRG), July 28, 2006
www.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=20060728&articleId=2839

41 Chris Buckley , China plans to send peacekeepers to Lebanon, Reuter, September 11, 2006, China consults with UN on increasing peacekeepers in Lebanon, People's Daily, September 20, 2006
http://english.people.com.cn/200609/20/eng20060920_304300.html

42 Greg Peel, Alignment to War: Asian Commodity Demand Versus the US Printing Press, FN Arena News, September 19, 2006
w.fnarena.com/index2.cfm?type=dsp_newsitem&n=C4714E27-17A4-1130-F5F7D05C6E469553

43 NATO elevates Mediterranean Dialogue to a genuine partnership, launches Istanbul Cooperation Initiative, NATO Headquarters (Brussels), July 29, 2004
http://www.nato.int/docu/update/2004/06-june/e0629d.htm

44 Operation Active Endeavor, Global Security.org
http://www.globalsecurity.org/military/ops/active-endeavour.htm

45 Ibid

46 "Lebanese Security" Is the Pretext for the Naval Babel around Lebanon's Shores, DEBKAfile, September 4, 2006
http://www.debka.com/article.php?aid=1208




[*] Editor colaborador de Global Research.

Note: Readers are welcome to cross-post this article with a view to spreading the word and warning people of the dangers of a broader Middle East war. Please indicate the source and copyright note.

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05/Out/06