Nota do MST sobre afastamento da presidente Dilma Roussef
Este é um golpe institucional e anti-democrático, que
desrespeitou a vontade de 54 milhões de eleitores
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem a público
manifestar seu repúdio e inconformismo em relação à
decisão do Senado Federal, dessa quinta-feira (12), de admitir o
processo de Impeachment contra a Presidenta Dilma Roussef e afastá-la do
cargo temporariamente. Temos certeza, como afirma o texto do processo, que a
Presidenta não cometeu nenhum crime com as pedaladas fiscais. Se assim
fosse, o processo deveria atingir também o vice que ora assume, Michel
Temer, e o senador Anastasia, ex-governador de Minas.
Esse é um golpe institucional e anti-democrático que desrespeitou
a vontade de 54 milhões de eleitores e foi orquestrado pelos setores
mais conservadores da sociedade, em especial o empresariado neoliberal e
subserviente aos interesses das empresas estadunidenses. Um golpe sustentado
por uma campanha permanente dos grandes meios de comunicação
em especial, a Rede Globo , e pela ação seletiva e
midiática de setores do poder judiciário.
O golpe referendado pelo Senado não desrespeita apenas a opinião
da população sobre quem deve ser o Chefe de Estado, mas, como
anunciado pelo Vice usurpador, pretende aplicar um programa recessivo,
neoliberal, de tristes lembranças para o povo brasileiro nos tempos dos
governos Collor-FHC. Ele será anti-popular e um retrocesso social que
diversas vezes foi rejeitado pela maioria da população nas urnas.
Incapazes de conviver com a democracia e de se submeterem à vontade popular, as
elites afastam a Presidenta sem qualquer comprovação de crime,
apenas para que seu projeto de cortes sociais, desemprego e
privatização seja levado a cabo.
A "Ponte para a recessão", do golpista Michel Temer, só
levará à acentuação da crise social e
econômica e ampliará a instabilidade política do
país. O novo governo que se anuncia, por seu histórico, tampouco
representa ruptura com os métodos corruptos, que todos denunciamos nas
ruas.
Esperamos que o Senado se redima, quando tiver que julgar o mérito. E se
assim não proceder, as forças partidárias
democráticas e contrárias ao Golpe devem recorrer ao STF. A
sociedade brasileira sabe que estamos enfrentando uma crise econômica,
política, social e ambiental. Essa crise não se supera com
golpes. Ela necessita de um amplo debate na sociedade que aglutine a maior
parte das forças populares e sociais, para buscarmos construir um novo
projeto de país que enfrente as crises.
Em relação à crise política instaurada, defendemos
com os demais movimentos populares, que somente uma reforma política
profunda, que devolva ao povo o direito de escolher seus representantes
legítimos, pode ser uma saída verdadeira. O atual congresso
não tem condições e nem vontade política.
Daí a necessidade do senado aprovar a realização do
plebiscito que dê ao povo o direito de convocar uma assembleia
constituinte, que culmine numa reforma política com a
realização de eleições gerais em
condições democráticas.
O MST permanecerá mobilizado em defesa da democracia e dos direitos
sociais, ao lado da Frente Brasil Popular e dos milhares de trabalhadores e
trabalhadoras que não aceitarão o golpe. Seguiremos sempre em
luta, contra o latifúndio e o agronegócio, pela reforma
agrária popular e pelo direito constitucional de todos os trabalhadores
rurais terem terra e vida digna no campo.
Não ao golpe! Fora Temer!
Coordenação Nacional do MST
Brasília, 12 de maio 2016
O original encontra-se em
www.mst.org.br/...
Esta nota encontra-se em
http://resistir.info/
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