22/03: Mobilização nacional contra a reforma da
previdência!
RUMO À GREVE GERAL!
Oposição ao governo Bolsonaro e luta em defesa dos
direitos e das
liberdades democráticas: tarefas imediatas da classe trabalhadora
O desenvolvimento do quadro político no Brasil, principalmente a partir
de 2013, está relacionado à evolução recente da
crise estrutural do capitalismo, agravada pelos efeitos da crise
econômica deflagrada a partir de 2008, cujos efeitos ainda se fazem
sentir, principalmente na Europa, nos Estados Unidos e em muitos países
do mundo. Reafirmam-se as tendências de concentração e
centralização do capital que, reforçadas com a constante
introdução de inovações tecnológicas na
produção, tendem a eliminar mais e mais postos de trabalho e
aumentar a barbárie social em todos os aspectos.
Essas características da situação atual do capitalismo
geram uma crise na fachada democrática do Estado burguês e na
sociabilidade burguesa. A ascensão da direita, da extrema direita e do
neofascismo nas ruas e em parlamentos e governos e a
radicalização das políticas liberais, em muitos
países, promovem mais repressão política,
destruição de direitos, intensa precarização das
relações de trabalho, privatizações e mais
rapinagem internacional dos monopólios capitalistas sobre os povos e as
nações. São consequências desse processo o
aprofundamento da fragmentação da classe trabalhadora, a maior
alienação e a manipulação do senso comum como
formas de ampliação da dominação capitalista, assim
como o aumento da repressão política do Estado aos movimentos
sociais, a disseminação da intolerância e a
perseguição a imigrantes, indígenas, negros, negras e
LGBTIs.
O governo Bolsonaro vem enfrentando um crescente desgaste junto à
opinião pública brasileira e no plano internacional. As
denúncias de envolvimento de membros do governo em esquemas de
corrupção, como o ministro de Turismo, as muitas
indicações de candidatos "laranjas" do PSL, a retirada
de apoio por parte de determinados mentores de sua campanha, as postagens e
falas absurdas nas redes sociais e entrevistas à imprensa contribuem
para provocar alguns desarranjos nas hostes governistas. Somam-se a esses
desgastes as cada vez mais evidentes suspeitas de envolvimento do clã
Bolsonaro com grupos milicianos, de onde saíram os responsáveis
diretos pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
No plano internacional, além da fala insuficiente e superficial e mesmo
do silêncio constrangedor que caracterizou a participação
brasileira no Fórum de Davos, os pronunciamentos sobre Venezuela, Israel
e China geraram insatisfações em importantes bases de apoio do
governo, como o setor exportador e o agronegócio. O governo apresenta
dificuldades para estruturar as ações no campo da
institucionalidade burguesa e no interior do aparato do Estado, vendo-se
obrigado a negar na prática a promessa de campanha de que governaria de
modo diferente, repetindo os velhos hábitos corruptíveis de
alianças com o Congresso na base do "toma-lá
da-cá" e no loteamento de cargos públicos.
Em consequência deste quadro de contradições internas e
dificuldades na condução da máquina estatal, as
forças militares de direita assumem, cada vez mais,
posições de destaque no governo, com Mourão adotando
postura mais protagonista nas declarações políticas,
desautorizando, entre outros, os ministros das Relações
Exteriores e da Educação. Houve significativos recuos do governo
nas posições externadas sobre diversos temas. O presidente
demonstra extremo despreparo político e mesmo psicológico para o
exercício da função.
O governo é, em síntese, de extrema direita, numa
composição de forças heterogêneas, com hegemonia das
frações burguesas ligadas ao capital financeiro e ao
agronegócio. Na sua base social estão movimentos e
indivíduos simpatizantes de ideias fascistas e grupos ultraconservadores
das igrejas neopentecostais. Alguns desses grupos se utilizam de métodos
violentos de ação direta, como agressões físicas e
verbais a militantes políticos e ativistas sociais.
As pautas conservadoras externadas centralmente pelo clã
Bolsonaro e figuras como Damares e os ministros da Educação e das
Relações Exteriores são funcionais ao capital, pois
servem para desqualificar as lutas contra as opressões, com vistas a
justificar a mais intensa exploração capitalista sobre os pobres,
as mulheres, negros e negras e LGBTIs. Essas pautas atendem também a
demandas de bases sociais do governo consolidadas na campanha eleitoral e ainda
servem para justificar medidas como a privatização das escolas e
universidades públicas e dos institutos federais de
Educação, Ciência e Tecnologia.
Mas o núcleo central do governo está nos Ministérios da
Economia e da Justiça, com Paulo Guedes determinado a aplicar com mais
radicalidade a política neoliberal, por meio das contrarreformas
com destaque para a da Previdência -, que interessam ao capital
transnacional. Moro está incumbido de criar os meios legais para
controlar a reação popular a este projeto, com a
criminalização dos movimentos sociais, a imposição
de mais dificuldades para o funcionamento dos sindicatos e a
ampliação da repressão policial. O projeto fundamental
é o assalto ao fundo público e a transferência dos R$ 650
bilhões ao capital privado. O governo atua no campo da
institucionalidade burguesa, mas pode recorrer à quebra dessa
institucionalidade, caso seja necessário.
Há contradições no interior da classe dominante, expressas
principalmente nas posições de setores da burguesia industrial e
produtiva, descontentes com a política econômica de favorecimento
ao capital internacional, que vem levando à
desindustrialização progressiva do Brasil e à
reprimarização da nossa economia. Há também
contradições significativas com segmentos da sociedade que
votaram em Bolsonaro por conta de insatisfações gerais e de um
sentimento "antipetista", formado, principalmente, pela
identificação do PT com a corrupção
sistêmica. Essas contradições, entretanto, se superam
quando se trata de unir a burguesia para apoiar os ataques contra os direitos
dos trabalhadores e as contrarreformas.
As insatisfações de diversos setores sociais vêm
desembocando, em grande medida, em denúncias e
manifestações contrárias ao governo nas mídias
alternativas e em parte da grande mídia. Muitos protestos foram
registrados ao longo do carnaval, em manifestações individuais e
em blocos, escolas de samba, incluindo enredos de protesto. Foi muito
significativa a celebração do 8 de Março, com
manifestações massivas em todas as cidades brasileiras. Protestos
e greves de trabalhadores começam a eclodir, envolvendo várias
categorias.
O centro da luta política, em torno do qual devem se unificar as
forças progressistas e os movimentos sociais em resistência,
é a contrarreforma da Previdência. Nesse foco devem ser
concentradas as ações dos partidos de esquerda, dos movimentos
sociais e das entidades de classe, na construção de uma forte
base de oposição ao Governo Bolsonaro, para a
unificação de um poderoso movimento sindical e popular que seja
capaz de preparar a GREVE GERAL e barrar os ataques do capital aos direitos
sociais.
É necessária e premente a construção da mais ampla
unidade de ação com todas as forças que se opõem ao
Governo Bolsonaro e à direita no Brasil. Devemos fortalecer,
prioritariamente participando ativamente de sua
estruturação nos estados , o Fórum Sindical, Popular
e de Juventudes de Luta pelos Direitos e pelas Liberdades Democráticas,
criado em São Paulo, em fevereiro, com a participação de
vários sindicatos de trabalhadores e inúmeras entidades de massa.
Neste momento é essencial reforçar as mobilizações
contra a Reforma da Previdência, em conjunto com outras lutas, como a
defesa do SUS, da Educação e do patrimônio público e
da soberania nacional. Para isso, devemos de imediato participar intensamente
da organização e dos eventos programados em todo o país
pelas centrais sindicais e movimentos sociais para o Dia Nacional de Luta, na
próxima sexta-feira, dia 22/03.
Em defesa dos direitos e das liberdades democráticas! Construir a Greve
Geral para derrotar a Contrarreforma da Previdência! Pelo Poder Popular e
pelo Socialismo!
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, PCB
18/Março/2019
O original encontra-se em
pcb.org.br/...
Esta nota política encontra-se em
http://resistir.info/
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