Ordem é ninguém passar fome e Progresso é o povo feliz
Mesmo que o horizonte socialista ainda esteja distante, é fundamental
não perder de vista os valores fundamentais do socialismo. E ter no
posto de comando a necessidade de voltar a estatizar as empresas
públicas privatizadas desde os tempos do ex-presidente Fernando Collor
de Mello e estatizar as grandes empresas e bancos públicos que continuam
privados.
Precisamos continuar defendendo a ampla liberdade para as mulheres, o direito
ao aborto, o direito de gays e lésbicas, contra a homofobia e pelo fim
da Polícia Militar em todo o Brasil. Ter um serviço de
saúde, educação e transporte público decente,
totalmente gratuito e universal.
E punição para os facínoras de ontem e de hoje. Cadeia
para Jair Bolsonaro e Carlos Alberto Brilhante Ustra, que terão
julgamentos justos. Julgamentos que não deram às suas
vítimas, assassinadas nas masmorras da brutalidade.
Vamos lutar e o socialismo vai finalmente triunfar em um ou em muitos
países. Sabemos que o socialismo ainda não deu certo
economicamente. Temos claro que precisamos de um socialismo não
estalinista, mas marxista. O socialismo de esquerda marxista.
Temos de continuar criticando o esquerdismo, o militarismo, o doutrinarismo e o
positivismo, principalmente nas organizações e partidos de
esquerda. Estamos de acordo com Ademar Bogo, da coordenação
nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), poeta, compositor e
cantador de moda de viola, de que
Ordem é ninguém passar fome e Progresso é o povo feliz.
Mas nem por isso podemos concordar que a tese dos positivistas influencie a
esquerda, particularmente a esquerda revolucionária.
A
violência sanguinária recente da PM do governador tucano Beto Richa contra os professores do Paraná
repete o que já acontece em
vários estados do Brasil e contra pobres e negros nas periferias das
cidades. A repressão é a resposta dos neoliberais à crise
capitalista. E vai continuar.
Por isso não basta apenas dizer que é "meia sola" o
partido não aceitar contribuições financeiras de empresas
e deixar o caminho livre para seus parlamentares fazerem isso.
É preciso mais. O povo trabalhador tem o direito de reagir. Não
dá mais para ser espancado e responder apenas com denúncias das
atrocidades ou fazer passeatas de protestos como se estivesse desfilando em
passarelas da fama.
Precisamos dar o exemplo e ter um programa socialista em alternativa ao
capitalismo monopolista. Por enquanto até aceitamos uma espécie
de NEP na República Popular da China.
Sabemos que até o socialismo triunfar teremos que conviver com o
capitalismo, mas não admitimos que sindicalistas viajem às
expensas dos capitalistas e com direito a deitar com prostitutas. Entendemos
que tudo isso é usado pela direita e extrema-direita para cooptar e
desmoralizar lideranças de trabalhadores.
Não podemos fazer manifestações de 1º de Maio com
artistas profissionais, repetindo o que fazem os pelegos
[1]
da Força Sindical. Assim como de pouco adianta espernear para ter o
direito de
participar de atos públicos e falar para pouca gente.
O sistema capitalista é inviável, ele mesmo provoca suas crises,
sempre de superprodução para continuar explorando e aviltando
mulheres, homens, velhos e crianças.
Precisamos avançar, mesmo sem a certeza na frente e a história na
mão.
05/Maio/2015
[1]
Pelegos: sindicalistas amarelos.
[*]
Jornalista, autor de
Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.
Os interessados na Europa em adquir esta obra editada no Brasil devem
transferir 20 euros para o NIB 003601689910004600741 (com a devida
identificação) e a seguir enviar um email para resistir[arroba]resistir.info.
O original encontra-se em
www.correiocidadania.com.br/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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