Timor Leste: Governo Xanana Gusmão esgota Fundo de Petróleo e
prende estudantes
Na segunda-feira 7 de Julho, às 9 da manhã, aproximadamente 100
estudantes efectuaram um protesto no seu campos, a Universidade Nacional de
Timor Leste, contra os membros do parlamento. Os estudantes não
estão satisfeitos com os deputados, que estão prestes a comprar
carros de luxo para si mesmos. Os estudantes protestaram pacificamente
ostentando faixas, mas 21 deles foram detidos pela Polícia Nacional.
A lei timorense declara que não pode haver manifestações
num raio de 100 metros de edifícios governamentais. Entretanto, os
estudantes estavam a protestar no seu próprio campus. A
localização do mesmo na verdade está a menos de 100 metros
do Parlamento. Contudo, trata-se de um campus de estudantes, um lugar
importante para a livre expressão e manifestações.
Não está claro quem emitiu a ordem de prisão dos
estudantes, mas acredita-se que a ordem tenha vindo do próprio
primeiro-ministro Xanana Gusmão.
Em 23 de Maio de 2008 o Conselho de Ministros aprovou a minuta final do
Orçamento Intercalar de 2008. O montante total proposto é de
US$773,3 milhões, a ser gasto como se segue: 59,4 milhões para
salários dos 12.600 funcionários civis, incluindo polícia
e forças de defesa; 240 milhões para a crise alimentar; 207,4
milhões para bens e serviços; 1,4 milhão para comprar
carros de luxo para cada membro do Parlamento; 114,7 milhões para
desenvolvimento de infraestruturas e 112,2 milhões para pensões e
segurança social.
O governo Gusmão cortou o imposto interno de rendimento para a taxa fixa
de 10% e gastou quase 30% do Fundo de Petróleo para cobrir seu
défice orçamental. O Fundo de Petróleo foi estabelecido
pelo governo anterior da Fretilin. Mas agora o fundo está
ameaçado. A fim de ser sustentável, apenas US$396 milhões
deveriam ser retirados do fundo este ano. Contudo, o governo Gusmão
retirou US$290,7 milhões extras para equilibrar os preços do
material de construção e assistir à crise alimentar,
encarregando o seu amigo, o vice-secretário geral do CNRT, de comprar
arroz em países asiáticos sem concurso.
A contínua incapacidade do governo para executar o orçamento
anterior não impediu Gusmão de aumentar as dotações
orçamentais. Apenas US$31,9 milhões dos US$347,5 milhões
das dotações foram realmente executadas neste primeiro trimestre.
A execução anterior do orçamento de
transição do governo Gusmão não foi certificada
pela Delloitte Company, a qual habitualmente certifica o relatório de
execução do governo timorense.
As questões da compra de carros de luxo e do Fundo de Petróleo
agora são importantes no país. A sociedade civil, os media e o
povo timorense criticaram este orçamento, mas os académicos
estão mudos porque o seu dinheiro vem do governo. Por sua vez, o
ministro da Educação, João Câncio, criticou os
estudantes e pediu-lhe para não usar o campus como lugar para
manifestações. Ironicamente este ministro era anteriormente o
responsável pelo Instituto de Tecnologia de Dili, uma das universidades
do país.
As manifestações de estudantes continuam. A polícia
continua a proteger a zona do parlamento e prendeu mais de 17 estudantes nesta
manhã. A carga sobre os estudantes é irónica,
considerando o papel chave que os estudantes desempenharam na luta de Timor
Leste pela independência, um papel que o próprio primeiro-ministro
Gusmão reconhecer anteriormente.
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Director de Luta Hamutuk, ONG progressista de Timor.
O original encontra-se em
http://links.org.au/node/514
Esta notícia encontra-se em
http://resistir.info/
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