Contra a privatização da água
No dia 5 de Junho, defender a água de todos com o voto
APELO
Demolidas que estão as barreiras legais à
privatização da água, é imperioso dar a
força do voto a quem, com provas dadas, seguramente use essa
força na defesa da água de todos, da universalidade da sua
fruição, da propriedade e gestão públicas da
água.
O PSD inscreveu no programa eleitoral a privatização do grupo
"Águas de Portugal" (AdP), o que já constava em 2004 de
uma Resolução de Conselho de Ministros do governo PSD/CDS e em
2008 o governo PS iniciou na prática, privatizando as dez empresas
concessionárias de serviços de águas incluídas na
Aquapor.
A privatização da água, toda a água, é um
plano comum ao PS, PSD e CDS, há longo tempo acalentado e prosseguido
pelos mesmos três partidos que agora assinam em conjunto o acordo com a
"troika", unidos e solidários como sempre têm estado na
submissão aos interesses do capital transnacional.
Em contracorrente com a tendência de reversão das
privatizações da água que se verifica por todo o mundo por
exigência das populações, como são exemplos as
remunicipalizações na Grã-Bretanha, França,
Alemanha e Itália e nova legislação para assegurar a
água pública na Holanda, no Uruguai e na Bolívia, PSD, PS
e CDS activa e persistentemente, na sintonia de quem subservientemente cumpre
as ordens dos mesmos senhores, instalam em Portugal o "mercado da
água", eufemismo para os grandes negócios especulativos que
alimentam as poderosíssimas transnacionais do sector, as usuais
destinatárias das "ajudas" do FMI nos mais tenebrosos casos de
privatização da água.
PSD, PS e CDS, em uníssono na Assembleia da República,
alternadamente no Governo, localmente nos Municípios, porfiam há
longo tempo nesse intento. Hoje a situação é
gravíssima e já se iniciou o passo final para entregar à
especulação financeira privada o controlo do abastecimento de
água e saneamento de quase todo o país, que foram arrancando aos
serviços autárquicos e se concentraram agora em Sociedades
Anónimas do Grupo Águas de Portugal.
Enquanto os capitais forem exclusivamente públicos, o
avançadíssimo processo de privatização é
facilmente reversível por uma mudança política. Se a
transição de capitais se realizar, a reversibilidade torna-se
muito mais difícil e mais onerosa.
Na privatização da água como na submissão à
"troika", o PS, o PSD e o CDS constituem um bloco uno, nenhum deles
é "oposição".
Mas há oposição em Portugal, oposição que na
Assembleia da República, nas Autarquias, nos locais de trabalho, nos
sindicatos, nas associações e na rua, tem combatido
incansavelmente estas políticas, defendido a água de todos e o
interesse comum, apresentado propostas sólidas e viáveis e
trabalho conhecido das populações, nomeadamente nos
serviços de água.
Há outro caminho.
Nas eleições legislativas cada voto irá dar um poder de
privatização ou dará um poder de defesa do bem comum.
APELAMOS AO VOTO NO DIA 5 DE JUNHO, EM DEFESA DO DIREITO À ÁGUA,
CONTRA A PRIVATIZAÇÃO E OS SEUS PROMOTORES, PS, PSD e CDS.
FOI POSSÍVEL NO URUGUAI, FOI POSSÍVEL NA BOLÍVIA E FOI
POSSÍVEL NA ISLÂNDIA.
EM PORTUGAL É POSSÍVEL!
Lisboa, 27 de Maio de 2011
A Direcção da
Associação Água Pública
Este apelo encontra-se em
http://resistir.info/
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