Marxismo, social-democracia e “socialismos” (2)

– Uma entrevista do filósofo e militante marxista argentino Nestor Kohan a “La Manigua” (Cuba)

Daniel Vaz de Carvalho (seleção e notas)

Nestor Kohan.

Prosseguimos a transcrição das partes que considerámos mais relevantes, da entrevista de Nestor Kohan (NK) que pode ser lida na íntegra aqui, aqui e aqui . Não é demais salientar a sua relevância para o necessário e urgente esclarecimento de temas como o marxismo, o movimento de libertação dos povos, a construção do socialismo, a fraude da social-democracia enfeudada ao imperialismo qualquer que seja o rótulo usado.

Um aspeto a atentar: o dinheiro que escoa para organizações agentes do imperialismo, largamente referidas por NK, sem que esses neofascistas, "democratas" ou "socialistas" a soldo, se incomodem com as desigualdades e a pobreza que reinam no país capitalista hegemónico, os EUA, modelo que a fortióri defendem nos seus países.

A historia "esquecida" da velha social-democracia pro-imperialista

“Vamos do geral ao particular. Da história geral da social-democracia ao caso específico cubano e à suposta "social-democracia republicana" que agora pretendem vender ao povo cubano como uma "grande novidade" apresentada como uma suposta alternativa ao Partido Comunista Cubano, que é de facto uma síntese das várias correntes revolucionárias cubanas, como referimos”.

“O termo "social-democrata" mudou historicamente de significado. Até à Primeira Guerra Mundial, sob este rótulo coexistiram correntes reformistas, profundamente eurocêntricas e ocidentalistas, até mesmo diretamente colonialistas (como as expressadas pelos alemães Eduard Bernstein, August Bebel e Friedrich Ebert; o holandês Hendrikus Hubertus (Henri) Van Kol e o belga Emile Vandervelde) às vertentes radical, revolucionária e profundamente anti-imperialista, onde Rosa Luxemburgo e Lenine foram militantes”.

Conforme diz NK, estas duas correntes, a reformista e a revolucionária, separam-se e confrontam-se quando a primeira apoiou a política imperialista ao votar a favor dos créditos do Estado para guerras coloniais de rapina e conquista de mercados e para o massacre da Primeira Guerra Mundial.

“A primeira corrente acabou por assumir exclusivamente o nome de “social-democracia”, mas não foi apenas moderada e reformista: foi escandalosamente racista e colonialista. Em algumas das minhas obras fiz citações desses social-democratas sem antes esclarecer o seu autor e parecem ser textos de...Hitler. Tão escandalosas eram as posições políticas e culturais, hoje "esquecidas"!

“Atualmente com dinheiro da Fundação Friedrich Ebert, que promove a revista social-democrata New Society, pretende-se vender em Cuba que social-democracia é sinonimo de "pluralismo", "ampliação de direitos", "respeito às diferenças" e muitas outros engodos absolutamente enganosos. Armadilhas para incautos. Mas quem realmente estudou este assunto com seriedade e rigor e não é bolsista daquela instituição nem mercenário contratado, sabe perfeitamente que Friedrich Ebert e todos seus comparsas eram escandalosamente racistas, supremacistas, etnocêntricos, apologistas flagrantes da dominação ocidental e do imperialismo”.

Escrevia Bernstein na revista teórica do Partido Social Democrata Alemão (SPD) Die Neue Zeit [A Nova Era] "Os povos inimigos da civilização e incapazes de aceder a níveis superiores de cultura, não têm o direito de pedir a nossa condescendência quando se levantam contra a civilização (...) Vamos processar e combater certos métodos pelos quais os selvagens são subjugados, mas não vamos questionar ou opor-nos à sua submissão e ao direito da civilização se afirmar perante eles”.

“Como se tudo isto não bastasse, Friedrich Ebert (a mesma personagem de quem tomou o nome a triste fundação que hoje põe muito dinheiro para combater a revolução cubana!) foi quem tomou a decisão política de executar extrajudicialmente Rosa Luxemburgo e seus companheiros. Teria sido o assassinato de Rosa por ordem de Friedrich Ebert (então chanceler da Alemanha e um dos principais chefes políticos da social-democracia) e do seu ministro da Defesa, Gustav Noske, também do SPD, realizado para defender o “pluralismo”, “ampliar os direitos do cidadão” e respeitar “o direito à diferença”?

NK menciona também o caso de Mário Soares como homem intimamente ligado à CIA, “conseguindo neutralizar a Revolução dos Cravos e evitar "uma nova Cuba" na Europa Ocidental em meados dos anos 1970. Por seus serviços, Mário Soares foi condecorado por Frank Carlucci, chefe destacado da CIA. Filipe González, seguindo exatamente o mesmo curso, de mãos dadas com a CIA, introduziu o Estado espanhol na NATO”.

“Quando tentam insultar a tradição revolucionária e radical inspirada por Lenine ou menosprezar Fidel, promovendo a social-democracia como uma alternativa “pluralista” e “respeitadora das diferenças” que, supostamente, resolveria magicamente todos os problemas pendentes na sociedade cubana, vale a pena lembrar o triste e trágico papel desempenhado pelo presidente social-democrata da Venezuela (contra a qual insubordinou o jovem Hugo Chávez), Carlos Andrés Pérez (...) nada menos que vice-presidente da Internacional Socialista [IS].

Em 1982, prossegue NK, sob a ditadura militar argentina, Carlos Andrés Pérez visitou o país em representação da IS. Durante uma semana, realizou 30 reuniões e deu 15 entrevistas, reuniu-se com o almirante Emilio Massera, um dos principais terroristas da ditadura militar, responsável pelo campo de tortura, violação e extermínio conhecido como ESMA (Escola Superior de Mecánica de la Armada), onde 5 000 pessoas foram sequestradas, torturadas e feitas desaparecer, segundo organizações de direitos humanos. Não se conhecem queixas públicas do dirigente social-democrata Carlos Andrés Pérez contra a ditadura militar genocida. “Em vez de denunciar o desaparecimento de 30 mil pessoas na Argentina, não teve ideia melhor do que atacar Cuba e o marxismo”.

“Carlos Andrés Pérez, tornou-se presidente da Venezuela. Em 1989, aplicou um pacote neoliberal contra seu próprio povo. A gente humilde e a classe trabalhadora da capital venezuelana saíram às ruas para protestar. Será que a social-democracia no poder defendeu "o direito à dissidência", "a diversidade das subjetividades", "os direitos sagrados e inalienáveis da Constituição" e o "pluralismo"? Não. A social-democracia pluralista e democrática usa outros métodos (...) A resposta de Carlos Andrés Pérez, líder mundial da IS, foi de cerca de 2500 mortos em três dias. Outros historiadores fornecem números muito mais elevados para as pessoas assassinadas naquele fatídico 1989”.

“Naqueles mesmos anos, o presidente argentino Raúl Alfonsín, amigo e colega de Carlos Andrés Pérez e Felipe González, também membro da IS, promoveu e sancionou as leis de “Ponto Final” e “Devida Obediência” permitindo que saíssem em total impunidade e sem qualquer sanção, milhares de genocidas da ditadura militar, sequestradores, torturadores, violadores e apropriadores de filhos e filhas de militantes populares. Torturaram, cegaram, cortaram tendões, aplicaram eletricidade nos órgãos genitais, etc., e fizeram desaparecer Daniel Hopen, Haroldo Conti, Raymundo Gleyzer e tantos outros companheiros, pais e mães de meus amigos.

"Social-democracia republicana" para Cuba?

“Um novo modelo, supostamente para superar o socialismo de Fidel e Marti é agora oferecido, como “social-democracia republicana”. É assim que funciona o mercado das ideologias. Uma nova marca e modelo 2.0, para a mercadoria antiga”.

NK descreve como é feito funcionar:

(a) O financiamento flagrante e inegável da contra-revolução pela Open Society Foundation de George Soros, o NED, a USAID e outras frentes da CIA, juntamente com fundações do imperialismo alemão (principalmente a Fundação Ebert, mas não apenas esta).
(b) A adoção e repetição automática dos dogmas da escola “antitotalitária” nascidos nos tempos sombrios do macarthismo. Uma tendência que identifica mecanicamente o comunismo com "totalitarismo" e, nos seus aspetos mais estúpidos, o comunismo com o nazismo.
(c) O plagio de “a” a “z”, da vulgata mais comum do eurocomunismo, particularmente a espanhola, da qual adotaram a suposta “novidade” do republicanismo social-democrata.

“Foi Santiago Carrillo (uma espécie de versão latina do que Mikhail Gorvachev viria a ser numa escala mais importante) quem em seu livro "“Eurocomunismo y Estado. El eurocomunismo como el modelo revolucionario idóneo en los países capitalistas desarrollados” (1977 Barcelona, Grijalbo-Crítica) que acaba cortando laços com a herança revolucionária de Lenine, para adotar a ordem capitalista como "o horizonte intransponível de nosso tempo, submisso perante as instituições políticas de domínio imperialista".

“Deixemos às suas costas a sua vergonhosa aceitação da bandeira de Franco e da monarquia Bourbon (duas rendições imperdoáveis, tendo em conta a heroica resistência de quatro décadas à ditadura militar e aos milhões de vítimas sem sepultura deixadas por Franco, apoiado por Hitler) ou a entrevista amigável de Carrillo com a CIA, realizada nos EUA em 1977. Desacreditado pelas suas múltiplas traições, o seu eurocomunismo foi facilmente absorvido por Filipe González, que também mantinha relações viscosas com a CIA”.

NK expõe desta forma o que considera “a novela cubana” da “social democracia republicana”, completamente subordinada ao patrocínio de George Soros e do NED (isto é, CIA) junto com o dinheiro da Fundação Ebert do PSD Alemão:

a) repetem como ventríloquos os axiomas da escola “anti-totalitária” (alegadamente liberal, embora o seu furioso anticomunismo os leve a relativizar os crimes do nazismo).
b) é apresentada ao povo cubano como uma descoberta e uma elaboração própria, absolutamente inédita.
c) a lista completa dos seus lugares comuns reside no velho e carcomido eurocomunismo espanhol (e seus descendentes teóricos), resumida pela social-democracia do PSOE.
d) entrecruzada com o social-liberalismo italiano que falhou durante meio século na sua batalha contra o marxismo (tentando esmagar Marx, insultando Lenine, mutilando Gramsci).

Cursos foram organizados por um académico americano vinculado ao atual diretor da CIA. Felipe González foi um dos palestrantes. A prédica tem tentado a erosão das instituições representativas dos artistas em Cuba, procurando tirar legitimidade a essas organizações. Uma aura de intelectuais autodenominados "socialistas" e "revolucionários" tem se acumulado em torno de Yunior (Yunior Garcia, foi um dos organizadores, com um grupo de dissidentes, dos eventos ocorridos em 27 de novembro de 2020. Vários posts do Facebook, mostraram que Yunior fez dois cursos na Espanha). Seu objetivo é tentar separar a revolução do governo, a revolução do comunismo. Eles tentam gerar confusão total. Têm sido associados a notórios contra-revolucionários e mercenários comprovados que mantêm atitudes violentas.

Ortodoxias, heterodoxias e pensamento crítico

“Em primeiro lugar, a palavra "ortodoxia" não me incomoda. Lembro-me do filósofo húngaro György Lukács por quem sempre tive muita admiração. Lukács não se tornou um revolucionário por fome ou necessidade, mas por causa dos valores e da ética anticapitalista que possuía. Ele nunca precisou de dinheiro, nunca passou fome (como aconteceu com Gramsci). O pai de Lukács era um banqueiro e ele foi o ministro da Cultura no governo dos sovietes húngaros! Lukács era um grande admirador de Lenine! Um de seus livros é intitulado Lenine, a coerência de seu pensamento. Escreveu-o em 1924, quando o líder bolchevique morreu. Em História e consciência de classe há um capítulo que Lukács intitulou precisamente "O que é o marxismo ortodoxo?"

"Ortodoxia", parece velho, que estamos diante de algo antiquado, não só antiquado, mas cristalizado, fechado, que se recusa a dialogar, o oposto do pensamento vivo. Lukács responde a essa pergunta da seguinte maneira: "Em questões de marxismo, a ortodoxia refere-se exclusivamente ao método." (Lukács, György, obra citada, 1982, Volume 3, p. 2). O que Lukács quer sugerir-nos é que não se trata de subscrever a última linha do que Marx escreveu ou disse. Porque até Marx poderia estar errado.

“Ortodoxia não implica defender cegamente as dezenas de milhares de páginas que Marx escreveu. O marxismo consiste em poder usar o método de Marx, até mesmo para discutir alguma observação feita pelo próprio Marx, se ele estiver errado. Portanto, não se trata de repetir os textos de Marx, mas de usar o método de Marx de maneira criativa”.

“Escrevi a pedido de alguns movimentos sociais rebeldes ligados à Teologia da Libertação. São camaradas do Brasil, vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Esse livro é intitulado “Introdução ao pensamento marxista”. Foi o presente de “boas-vindas” para todo o movimento camponês e operário que assistiu à inauguração da Escola Nacional do MST. Alguns colegas do Brasil, do Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae (CEPIS), expressaram-me na época: “Precisamos de uma ferramenta pedagógica para difundir o marxismo nos movimentos sociais, mas renovada e escrita a partir de Nossa América”. Precisavam de uma introdução ao marxismo diferente dos manuais soviéticos, mas também diferente dos antigos manuais da camarada Marta Harnecker (althusseriana).

Então aquele livro, Introdução ao Pensamento Marxista, ou Abordagens ao Marxismo, segundo a editora, escrito a pedido dos padres da Teologia da Libertação do Brasil, era usado por camponeses, editado e usado por trabalhadores e na Argentina serviu de instrumento para fazer formação política com a classe operária das fábricas recuperadas e com o movimento piquetero. (piquetero, termo que designa o movimento iniciado por trabalhadores desempregados da empresa petrolífera argentina YPF).

"Claro que sou ortodoxo, sou ortodoxo em relação ao Marx que viveu na Argélia!" A um livro que reúne as Cartas da Argélia, porque Marx viveu na África, embora poucos saibam disso. Então esse é o Marx de que gosto, o Marx que da África escreve para Paul Lafargue, para o seu amigo Engels e para suas filhas, que o colonialismo é uma porcaria, enquanto tenta uma espécie de classificação de todos os colonialistas da Europa Ocidental, os franceses, os ingleses, os holandeses, os espanhóis, os portugueses e ele diz quais são os piores, ao mesmo tempo que se pronuncia contra o racismo etnocêntrico e com admiração não só pelos muçulmanos mas também pelos africanos.

“Que dirigentes e pensadores da Revolução Cubana (supostamente “não marxistas”, segundo os bloguistas financiados por Soros) escreveram e disseram nos seus discursos que o eixo da luta anti-imperialista à escala mundial estava centrado na Ásia, África e Nossa América? Fidel Castro e Ernesto Che Guevara. Mas vamos lembrar que o método de Marx não é um conjunto de regras processuais puramente formais. É um método centrado nas contradições sociais antagónicas que também está associado, na obra e no pensamento de Karl Marx, a uma perspetiva anti-imperialista, anticapitalista, descolonizadora, de Terceiro Mundo. Então, como qualificar o republicanismo reciclado do Estado espanhol, das derrotas e da rendição do eurocomunismo, das capitulações à social-democracia, mecanicamente transferido para Cuba, envolvido com dinheiro de Soros e Fundação Ebert?

“Lenine, teve que introduzir reformas económicas em 1921, abrindo a porta ao mercado (mesmo que não gostasse absolutamente nada!) .Como foi esse processo conhecido? Como a Nova Política Económica, a NEP. Foi um caminho estratégico para transformar a sociedade? Não acredito. E por que Lenine fez isso? Estava louco? Não, levou em consideração as relações de força. No caso bolchevique, eles estiveram em guerra civil durante três anos, venceram a guerra, mas estavam exaustos”.

“Acredito que as reformas económicas que a Revolução cubana está realizando não são o caminho estratégico para o socialismo e o comunismo. Sem conhecer a fundo e detalhadamente esse processo, fico com a impressão, em primeiro lugar, de que constituem um produto da correlação de forças. Em segundo lugar, eles ocorrem num contexto de crise global. Porque Cuba, embora seja uma ilha, está inserida num mercado mundial e num sistema mundial”.

“O capitalismo mundial está em crise. Mas outra seria a história da economia cubana se ela estivesse rodeada por quatro ou cinco revoluções socialistas. Porque nesta fase da vida todos sabem que nenhum país, grande ou pequeno, pode marchar para o socialismo isoladamente, se não for na companhia de outros povos e sociedades. Cuba faz muito por ser um país tão pequeno, sem grandes recursos naturais próprios e também tão próximo da principal potência político-militar do planeta! Neste contexto, podemos exigir que Cuba marche sozinha, isolada, sem ninguém para acompanhá-la, para o comunismo? No meu modesto entendimento, seria um absurdo”.

“É muito fácil escrevê-lo e publicá-lo num blog ou site. Mas quem coloca isso num blog ou num site da Internet, e começa a lançar e espalhar matéria fecal contra a Revolução Cubana porque, neste momento, não está indo diretamente para o comunismo, me parece é que está recebendo dinheiro de uma potência imperialista. Cuba poderá avançar para o socialismo, o comunismo, quando triunfarem outros países, povos e sociedades que o acompanhem”.

“O que existe hoje é capitalismo mundial mergulhado numa crise civilizacional agudíssima. Não é casual que apareçam opções de extrema-direita e intentos de construir artificialmente “novas” direitas na Argentina, no Brasil, na Espanha. Ainda hoje, em 2021, negam que tenha havido pessoas desaparecidas na Argentina! Dizem que os direitos humanos das famílias de pessoas desaparecidas, sequestradas e torturadas “são um negócio para obter dinheiro”. Eles insultam o marxismo e a esquerda na TV. Eles gritam. Veja-se a linguagem que eles usam: macarthista, extremista, fascista”.

“Quem financia as campanhas desses bizarros personagens neofascistas? As mesmas instituições contra-revolucionárias que tentam intervir em Cuba. Em Cuba, eles falam de "republicanismo". Na Argentina, imitam a estética e os discursos de Hitler e do fascismo espanhol. Por que o Vox aparece? Uma "nova" direita que quer expulsar todos os imigrantes da Espanha. Por que essa "nova" direita surge na Argentina ou no Chile? Na minha opinião, porque o capitalismo está em crise aguda.

O NED, a USAID, a Fundação Ebert também atuam na Bolívia. Também na Bolívia têm uma linguagem aparentemente “progressista”. E a partir dessas posições questionaram o movimento indígena porque queria construir estradas. Havia indígenas isolados na Bolívia que nunca viram um hospital na vida porque a selva os impede de ter acesso aos hospitais. Também não têm escolas. Então, apenas tentando construir uma estrada asfaltada para integrar as regiões indígenas isoladas, surgiram movimentos falsamente “ambientalistas”, atacando duramente Evo Morales.

A ultradireita racista de Santa Cruz de la Sierra, neonazista, que reivindica a supremacia branca contra o movimento indígena, foi, oh coincidência!, articulada com movimentos falsamente "progressistas" e "ambientalistas". Comecei a procurar na Internet: foram todos financiados pelos Yankees! Todos receberam bolsas da Guggenheim! Todos eles tiveram financiamento da USAID e de Soros!”

“Exatamente a mesma coisa do que acontece em Cuba, onde essas pseudo "social-democracias republicanas” se articulam com a extrema-direita de Miami, que coincidência! Qual é a diferença? Que na Revolução Cubana existe uma fortaleza que não existia na Bolívia, por isso o golpe de Estado conseguiu triunfar na Bolívia. Por outro lado, em Cuba nunca terão êxito”.

Temos que continuar lutando. A longo prazo, vamos vencer. Não desistir nunca. Como disse Fidel Castro, quem ganha as corridas, quem ganha as maratonas? Aqueles que têm persistência para ir até o fim. Se você correr cem metros muito rápido e depois se cansar, é inútil. Melhor ter persistência para seguir até o fim. A luta pelo socialismo é mundial e é como uma longa maratona. No longo prazo, vamos vencer.”

20/Outubro/2021

A primeira parte deste artigo encontra-se em resistir.info/v_carvalho/n_kohan_1.html

Ver também: Livros de Nestor Kohan

A entrevista completa encontra-se em
lapupilainsomne.wordpress.com/2021/10/27/socialdemocracia-en-cuba-cronica-de-un-fracaso-anunciado-parte-1-por-nestor-kohan/,
lapupilainsomne.wordpress.com/2021/10/28/socialdemocracia-en-cuba-cronica-de-un-fracaso-anunciado-parte-2-por-nestor-kohan/ e
lapupilainsomne.wordpress.com/2021/10/29/socialdemocracia-en-cuba-cronica-de-un-fracaso-anunciado-parte-3-por-nestor-kohan/

Este artigo encontra-se em resistir.info

09/Nov/21