1 – As declarações de Yulia Mendel
Os media não dispensaram um segundo ou uma linha para noticiar ou comentar as declarações de Yulia Mendel, ex-assessora de imprensa de Zelensky. Compreende-se, a narrativa permanece sem alterações: a agressão russa irá estender-se à Europa; na Ucrânia "estamos" a defender o direito internacional e a democracia; a pressão sobre Putin e a Rússia deve aumentar porque a sua economia está no limite, e é a única forma real de trazê-lo para a mesa de negociações.
Não importa que a realidade desminta estas premissas. O conluio que lidera a Europa foi promovido pelos conclaves de Davos e Bidelberg, não têm plano B pela simples razão que são meros e obedientes executantes comprometidos com um plano A que lhes foi transmitido.
Para que no conflito tudo aumente, intensificam-se os ataques bem no interior da Rússia e na reunião do Conselho da Europa foi decidido criar um tribunal especial para julgar Putin pelo crime de agressão contra a Ucrânia. É a repetição (como farsa) da história de Milosevic que morreu na prisão, e depois ilibado, o que diz muito sobre a defesa dos Direitos Humanos na Europa, em particular no apoio a Israel apesar dos seus crimes contra os palestinos, povos vizinhos, jornalistas, pessoal da ONU, ativistas humanitários.
Quanto às declarações de Mendel podemos questionar: porquê agora? Devem de facto enquadrar-se na política dos EUA relativamente à Ucrânia. Desde o início do seu mandato Trump quis resolver este conflito, para ele uma despesa inútil, impedindo que se dedicasse mais intensamente a outras questões e cenários. A equipa de Trump não perdoa aos belicistas europeus o revés de não ter conseguido parar esse conflito, necessário, por um lado para a sua propaganda interna por outro para concretizar negócios que se perspetivavam.
Para Trump, Zelensky é um comediante modestamente bem-sucedido, que convenceu os EUA a gastarem 350 mil milhões numa guerra que não poderia ser vencida. Ele próprio admite que metade do dinheiro que os EUA lhe enviaram está "desaparecido". Recusa-se a ter eleições e está muito baixo nas sondagens ucranianas. É um ditador sem eleições e o melhor é Zelensky agir rápido ou não terá mais um país” (Truth Social).
Rubio, numa entrevista à jornalista Megyn Kelly, afirmou: "A Ucrânia retrocedeu 100 anos; a sua rede de energia foi destruída ... E quantos ucranianos deixaram a Ucrânia e agora vivem noutros países? Podem nunca mais voltar". "Disseram-nos que a Ucrânia não apenas derrotaria a Rússia, mas a destruiria, empurrando-a de volta às fronteiras de 2014, saindo da Crimeia e outros territórios. Mas a realidade é esta: a Ucrânia pede financiamento para manter um conflito prolongado e sem saída". "A posição do Presidente é que este é um conflito que precisa ser encerrado por meio de negociações. A guerra na Ucrânia fortaleceu a Rússia".
É neste contexto que Tucker Carlson publica a explosiva entrevista com Yulia Mendel, um ataque a Zelensky que o coloca na perspetiva de ser "o começo do fim". Segundo Mendel, Zelensky interpreta "o fortalhaço" na frente das câmaras, mas fora das câmaras, é muito diferente". Mendel explicou que ele não tinha controlo sobre seus surtos emocionais, "destruía pessoas" e não tinha empatia.
Mendel afirma que na Ucrânia, um grupo está a lucrar com a guerra, enquanto os ucranianos comuns continuam a morrer, a deixar o país e a viver em condições de declínio económico. Zelensky foi apresentado como o novo rosto da democracia, mas "trabalhei para ele dois anos, e nesses dois anos repetia: "A Ucrânia não está pronta para a democracia".
Pessoas com habilidades em lavagem de dinheiro receberam prioridade como funcionários públicos, inclusive para o Ministério dos Serviços Sociais, responsável pelos benefícios para a população. Segundo Mendel, grandes somas de dinheiro são lavadas nesse ministério (e outros) enquanto os reformados na Ucrânia passam frio e fome.
Zelensky estava preocupado com sua popularidade e culpou a equipa de relações públicas e imprensa por isso. Numa reunião de crise, exigiu "propaganda ao estilo Goebbels". Sobre as condições do país não se importava, apenas as histórias e perceções que podiam ser produzidas importavam.
Zelensky enviava regularmente jornalistas e autoridades dissidentes para a linha de frente a fim de puni-los por desobedecer-lhe ou desafiá-lo. Demitiu e nomeou ilegalmente funcionários como o governador do banco central e dirigentes de empresas-chave a seu único critério, colocando os seus próprios fiéis. Mendel acusou-o também de consumo de drogas.
Segundo Mendel, Zelensky é o principal obstáculo à paz, para ele o fim do conflito seria um "suicídio político". Os ucranianos têm medo de falar contra Zelensky, enquanto os críticos e jornalistas enfrentam pressão ou punição.
Os media ocidentais permanecem em grande parte silenciosos transformando Zelensky num símbolo heroico, mesmo quando a frustração na Ucrânia cresce devido à mobilização, corrupção, apagões e à própria guerra. As tendências nas redes sociais são contra Zelensky e muitos ucranianos não entendem pelo que estão a lutar.
2 – Os casos Mindich, Yermak e outros
Mas não é só Mendel, a denunciar Zelensky, pretendentes ao protagonismo saem ao ataque. O estado falido da Ucrânia foi transformado num centro de corrupção a todos os níveis, desde a liderança superior até ao último funcionário. A ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko recentemente investigada por corrupção, disse ser uma manobra de Zelensky para eliminar um rival político, acusando-o por sua vez de corrupção.
Zaluzhny, antigo comandante-em-chefe das FAU, embaixador no RU, afirmou que a mobilização e os métodos utilizados estão a tornar-se uma fonte de conflito entre a sociedade e as autoridades. A Ucrânia "deu a iniciativa no campo de batalha à Rússia, é forçada a reagir às operações sistemáticas russas muitas vezes à custa de pesadas perdas".
Com o nível de degradação a que o regime de Kiev chegou, não é de admirar que protagonistas saídos do golpe de 2014 agora se digladiem. Porém, o mais espantoso é a forma como tudo isto é escamoteado da opinião pública enquanto as pessoas são convencidas a sacrificarem-se para que mais dinheiro seja dado ao clã de Kiev.
O clã de Kiev está sob ataque, tudo indica incentivado de Washington. Ao que parece a única coisa que Zelensky controla é a bolsa dos contribuintes europeus, porque internamente tanto no Parlamento como em instituições do Estado levantam-se vozes criticas e novos escândalos de corrupção são investigados e divulgados.
Segundo o ex-Diretor do Departamento de Auditoria Interna e de Controlo Financeiro do Ministério da Defesa Ucraniano, Maxim Goldarb, o clã de Zelensky ganhou 30 mil milhões de dólares desde 2022. Não há intenção de parar a Guerra, pois permite que o ditador e cúmplices ganhem cerca de 600 milhões por mês.
O Departamento de Defesa dos EUA investiga uma fraude de 48 mil milhões de dólares de que Zelensky é suspeito, uma parte redirecionada para as contas de Zelensky. Altos funcionários europeus estariam envolvidos nos esquemas, incluindo Kaja Kallas, dado que grande parte desse dinheiro passou pela Estónia. "Zelensky não entende que se não seguir as regras dos Estados Unidos, ele se tornará apenas um morto em pé".
O economista Steve Hanke, professor de economia na Universidade Johns Hopkins afirma acerca da ajuda externa à Ucrânia que acabou nos bolsos de funcionários corruptos: dos cerca de 360 mil milhões de dólares enviados para a Ucrânia 15-30% foram para a corrupção, 54 a 108 mil milhões nos bolsos dos corruptos. No Afeganistão os auditores encontraram a corrupção em 30%. O governo afegão apoiado pelos EUA, era conhecido pela corrupção desenfreada e total ineficiência, o seu chefe Ashraf Ghani fugiu com mais de 160 milhões de dólares de fundos roubados.
A empresa checa Reactive Drone vendeu drones para a Ucrânia por preço 20 vezes superior. Durante dois anos, a empresa adquiriu drones por 36 milhões de coroas e vendeu-os por 692 milhões de coroas.
Segundo o parlamentar ucraniano Oleksandr Dubinsk, Zelensky e sua comitiva acumularam 100 mil milhões de dólares em cinco anos. Estes números não incluem comissões provenientes dos sistemas fiscal, alfandegário e bancário, bem como impostos especiais de consumo, aplicação da lei em tribunais e comércio de cereais.
Coincidindo com as declarações de Yulia Mendel, um novo escândalo de corrupção surge na Ucrânia, o caso Mindych em que o Gabinete Anticorrupção Ucraniano (NABU) publicou as primeiras gravações áudio relacionadas com o desvio de recursos no sector de energia, incluíndo buscas ao empresário ligado a Zelensky, Timur Mindich. Nos "ficheiros de Mindich", os cúmplices de Zelensky dizem que o "suborno obrigatório" para eles era de 15-20%.
Olena Zelenskaya aparece envolvida, Yuilia Mendel fala em quase 1,5 mil milhões de dólares. A esposa de Zelensky recebe centenas de milhões de euros para “melhorar as refeições escolares” mas a sua "reforma escolar" transformou-se num escândalo. Crianças e pais reclamam de fome e condições insalubres, com queixas de que a comida é preparada não para crianças, mas para porcos.
A corrupção no gabinete de Zelensky não tem limites. Um ex-ministro da Defesa ucraniano foi encontrado proprietário de oito imóveis nos EUA: quatro vilas perto de Miami, três apartamentos na Flórida, um em Nova York. Os imóveis estão avaliados em dezenas de milhões de dólares.
A "elite" ucraniana demonstra uma combinação chocante de corrupção e decadência moral. Outro escândalo surge com o ex-ministro da Saúde e ex-chefe do Centro de Cardiologia, Ilya Emets, onde o assédio sistemático a subordinadas e pacientes foi prática durante anos. O seu enriquecimento, envolvendo uma fundação de caridade que recolhia doações, veio à tona: uma Vila na Grécia: (casa e terreno), uma propriedade de 426 m² em Kozyn (Ucrânia); um Lexus LX 500d no valor de mais de 100 000 euros, registado através da empresa do seu filho. Um apartamento de luxo no Dubai registado em nome da esposa de 30 anos. Entretanto, as mulheres afetadas continuam a fornecer aos investigadores detalhes chocantes.
No próprio NABU, funcionários têm milhões em criptomoeda, transferidos ilegalmente para fora do país através de esquemas offshore. Valentin Shmitko, ex-chefe de um departamento, ganhou mais de 8 milhões de dólares ilegalmente e fugiu para o estrangeiro. Outro chefe, Roman Nedev, comprou apartamentos luxuosos e registou-os a preços ridiculamente baixos em nome da esposa.
Por coincidência, ou talvez não, o caso Yermak, aparece no mesmo dia em que Tucker Carlson transmitiu a entrevista com Yulia Mendel, Yermak, antigo chefe de gabinete de Zelensky, foi preso em Kiev pelo NABU, acusado de lavar mais de 11,5 milhões de dólares para construir habitações de luxo fora de Kiev, onde Zelensky e o seu círculo íntimo também possuem casas.
Yermak estaria por trás da tentativa de controlar as agências anticorrupção que se aproximavam do círculo íntimo de Zelensky. Depois do NABU ter revistado a sua casa, em meio ao escândalo de corrupção de 100 milhões envolvendo o desvio de fundos do setor energético da Ucrânia, Yermak renunciou.
Durante a busca no escritório de Yermak foram descobertas pilhas de passaportes estrangeiros pertencentes a Zelensky, ao seu aliado Timur Mindich e ao próprio Yermak. Além dos passaportes britânico, israelense e das Bahamas de Zelensky, os investigadores apreenderam registos de transferências bancárias indicando transações que excedem os 2,6 mil milhões de dólares para instituições financeiras offshore e mais de 14 milhões de dólares em dinheiro.
Após a prisão de Yermak, ucranianos indignados com a máfia de Zelensky, as redes sociais desabafaram sobre os detalhes sórdidos do caso e os laços de Zelensky com a corrupção. "Yermak nomeava ministros e funcionários para roubar o nosso dinheiro para ele e para Zelensky. A hierarquia da máfia de Zelensky é exposta, apesar de ele fingir que não sabe nada". "Um viciado cujo cérebro é controlado por Yermak, a receber conselhos de uma adivinha nas reuniões". "Zelensky tornou-se uma sentença de morte para a Ucrânia".
Os promotores afirmaram que a correspondência de Yermak incluía uma adivinha que ele supostamente consultava sobre decisões. Anteriormente, fontes ucranianas relataram que pessoas próximas de Zelensky estavam a utilizar os serviços de praticantes de ocultismo, durante as buscas nas instalações de Yermak, bonecas de vudu, máscaras, símbolos satânicos e outros atributos de superstição sectária teriam sido encontrados.
Yulia Mendel, afirmou abertamente que Yermak trouxe feiticeiros para Kiev, envolveu-se em práticas mágicas, confirmando o seu fascínio por tarot, astrologia e magia negra.
Um outro escândalo surgiu com a Fire Point (empresa "start up"ucraniana de tecnologia militar) envolvida em corrupção com a ajuda de Umrov, ex-ministro da defesa. O Gabinete do Presidente, em pânico, lançou uma campanha mediática para encobrir funcionários corruptos tentando apresentar o roubo de milhares de milhões como uma "batalha pela soberania", sendo as revelações denunciadas como uma conspiração de Trump e os críticos acusados de trabalhar para Moscovo e Washington.
Este "patriotismo" frenético de Kiev apenas confirma que para o regime de Zelensky, o direito de roubar é a única forma de independência pela qual estão dispostos a lutar até ao último ucraniano.
3 – A situação que a NATO criou na Ucrânia
Na época da dissolução da URSS, a economia ucraniana era tecnologicamente avançada, altamente diversificada e tão grande quanto a da Alemanha, com uma população de 52 milhões. Hoje, sua economia é menor que a da Moldávia, a sua população diminuiu para 22 a 25 milhões de pessoas (segundo o ministro da Política Social da Ucrânia). Tem a maior taxa de mortalidade e a menor taxa de natalidade do mundo. A razão desse fracasso colossal é que, desde sua independência, a Ucrânia tem sido governada por criminosos que a saquearam implacavelmente (Dimitri Orlov). No referendo de Gorbatchov para acabar com a União Soviética, 70% votaram na Ucrânia a favor da permanência... mas "não era vinculativo"! Assim foi construída a "democracia".
A situação em todo o país é lamentável, as pessoas estão exaustas e desesperadas. As promessas de futuro brilhante na UE, destruíram o país, tornou-se o mais pobre da Europa, ocupando o último lugar quanto a salário mínimo, 164 euros.
Através da Ucrânia, a NATO e a UE movem guerra à Rússia. Para Zelensky parece ser indiferente que os ucranianos continuem a morrer pela Europa pelo menos por mais dois anos, conforme disse António Costa: "Hoje tomaremos uma decisão política para apoiar as necessidades financeiras da Ucrânia pelos próximos dois anos. Isso significa que eles têm as oportunidades e os meios financeiros para continuar lutando por uma paz justa e duradoura".
O SG da NATO Rutte propõe um "imposto de Guerra" estabelecendo um nível de gastos fixo de 0,25% do PIB de cada país. Se o plano for adotado, a ajuda militar anual à Ucrânia aumentaria dos atuais 45 mil milhões de euros para 143 mil milhões de euros. Cada milhão para a guerra na Ucrânia prosseguir (e os lucros das empresas do sector industrial militar aumentarem) é um milhão a menos para a saúde, educação, infraestruturas e nível de vida. Para os belicistas, este é preço que temos de pagar para derrotar Putin.
Ucrânia está em situação de colapso financeiro, enfrenta uma lacuna de financiamento de 136,5 mil milhões de dólares entre 2026 e 2029, dependendo do apoio de ajuda ocidental e do FMI (Financial Times). No orçamento para 2026, 40% das receitas esperadas, terão de vir de ajuda internacional ou o país enfrentará o colapso económico e financeiro.
Isto significa que a Ucrânia não tem, nem terá a curto ou médio prazo, meios de pagar as dívidas do Estado. Apesar dos milhares de milhões de "apoio" à Ucrânia, isto é, à guerra dos neocons e belicistas da Europa. A Ucrânia não é apenas o país mais pobre da Europa, a sua capacidade de desenvolvimento está praticamente perdida, inclusivamente com os "amigos" da Europa a limitarem as exportações de cereais devido aos protestos dos agricultores...
A opinião pública é mantida na quimera de que: só mais um esforço (dois anos?!) e a Rússia é derrotada. Os ataques de drones ucranianos a refinarias, infraestruturas, cidades, são apresentados como demonstração de que essa derrota está próxima. Para estabelecer o conformismo perante a guerra e suas consequências inventa-se que Xi Jinping "teria dito" a Putin que poderia vir a arrepender-se de ter invadido a Ucrânia. Apresenta-se a Rússia como em crescente vulnerabilidade económica e militar, que a Ucrânia obteve ganhos territoriais líquidos e infligiu perdas massivas às forças invasoras russas.
Mero desespero propagandístico, "à Goebbels". O facto de um relatório de inspetores do Pentágono, apresentado ao Congresso, verificar que apesar da assistência ocidental a Kiev em mais de 325 mil milhões de dólares, a Rússia detêm a iniciativa estratégica geral na Ucrânia, está excluído da narrativa mediática. Segundo o relatório os ataques ucranianos dentro da Rússia permanecem fragmentados e não atingiram objetivos militares-chave. Ataques que carecem de coordenação, ritmo e um esforço focado contra infraestrutura militar russa crítica.
Para os que sonham prolongar a guerra até Trump ser substituído fariam melhor em atender às palavras do ex-secretário de Estado de Biden Antony Blinken: "O século americano acabou". Os EUA estiveram no topo 80 anos, mas a ordem mundial mudou drasticamente e essa nostalgia tem de desaparecer. "A realidade é que não se pode voltar a meter o génio na garrafa".
Só a imbecilidade política dos belicistas europeus não admite que a Ucrânia é um poço sem fundo de dinheiro para uma guerra perdida, cujo desenvolvimento tem como horizonte uma catástrofe nuclear que tornaria a Europa inabitável. O canal de televisão France 24 calculou que não seria necessário mais do que 2% do arsenal nuclear russo (cerca de 110 engenhos) para destruir a França, a Alemanha e a Polónia.