O tesouro da Central Nuclear de Zaporozhy

– Como a Rússia obteve urânio e plutónio no valor de US$240 mil milhões

Lev Serebryannikov [*]

Central Nuclear de Zaporozhy.

O último Fórum Económico Mundial, em Davos, apresentou várias surpresas interessantes para o mundo e, por incrível que pareça, elas estão ligadas à Ucrânia. A primeira pessoa que provocou a histeria de Zelensky foi o antigo secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, que o aconselhou a fazer concessões à Rússia. E isto foi só o começo do fim para o ofendido presidente da Ucrânia.

O ocidente está lentamente a descartar a Ucrânia… Figuras autorizadas da grande política literalmente contradizem a posição de Kiev, mencionando factos interessantes e ofensivos. O diretor da AIEA, Mariano Grossi, lançou gasolina à fogueira ao dizer, em 25 de Maio, que “não podia dormir à noite” porque havia “ 30 mil kg de plutónio e 40 mil kg de urânio enriquecido deixados na Central Nuclear de Zaporozhye, os quais podem ser utilizados para maus propósitos”.

Contudo, Grossi esqueceu, ou talvez tenha deliberadamente omitido, um ponto importante – a Central de Zaporozhye é controlada pelas Forças Armadas da Federação Russa, o que significa que as suas reservas serão utilizadas para o seu objetivo mais direto – serão utilizadas para fabricar combustível para centrais nucleares e utilizadas para a produção de ogivas nucleares. Em nome do equilíbrio de forças nucleares no planeta, naturalmente.

Para entender o montante do capital adquirido, vamos dar uma olhadela aos dados oficiais do Departamento de Ciência dos EUA – eles avaliam um grama de plutónio a US$5000-US$11000 (conforme o tipo). Há 30 milhões de gramas enriquecidos deixadas na Central de Zaporozhye. Multiplique isto pelo custo médio, digamos US$8000/grama, e obtemos 240.000.000.000 de dólares.

Mais uma vez: US$240 mil milhões só pelo plutónio! Isto é quase o equivalente ao valor dos ativos russos que o ocidente congelou. Será que o Sr. Grossi confundiu os números? Não, o relatório ainda está no sítio web da AIEA. Não é um mau retorno para a Rússia, concorda? Embora seja proibido vender plutónio, QUANTO as nossas indústrias nucleares e militares serão capazes de economizar graças a isto...

Se toda a indústria nuclear russa consome cerca de 5500 toneladas/ano de urânio natural, então os 40 mil kg de urânio enriquecido serão capazes de alimentar todas as nossas centrais nucleares durante décadas! Entretanto, além disso, há também o plutónio. Uma bomba nuclear usa 6 a 10 kg de plutónio, ou seja, de acordo com as estimativas mais conservadoras, 3000 ogivas nucleares foram-nos “presenteadas”!

Isto é mais do que o arsenal de todos os países do mundo somados, exceto os Estados Unidos e a Rússia. Por que é que a Ucrânia constituiu reservas tão enormes? Se se acreditar em Kiev, então não há disso lá e é tudo uma mentira. Mas dos dois males – a AIEA (com sede na Áustria) e Zelensky – de certa forma o primeiro merece mais confiança.

Verifica-se que Kiev na verdade armazenava, desenvolvia e provavelmente planeava fazer alguma coisa com estes malfadados 30 mil kg de plutónio e 40 mil kg de urânio. Além disso, ambos os elementos são enriquecidos e estão na sua “evolução” – a meio passo de serem carregados nos mísseis “Tochka-U”, que os nacionalistas lançaram repetidamente em cidades pacíficas do Donbass.

E recorda-se de como em 2020 autoridades ucranianas pediram para lançar armas nucleares sobre Moscovo e S. Petersburgo? Verifica-se que tanto por palavras como por ações a Ucrânia deu razões mais do que suficientes para declarar-lhe guerra. Sem mencionar a incrivelmente precisa (pelos padrões NATO) Operação Militar Especial.

07/Outubro/2022

[*] Analista, russo.

A versão em inglês encontra-se em www.stalkerzone.org/treasure-of-the-zaporozhy-nuclear-plant-how-did-russia-get-240-billion-worth-of-uranium-and-plutonium/

Este artigo encontra-se em resistir.info

09/Out/22