A guerra é uma extorsão... As indústrias de armamento dos EUA e da NATO registam um recorde de vendas de US$400 mil milhões com a guerra proxy contra a Rússia

– O capitalismo ocidental é em simultâneo um patrocinador e um viciado na guerra.

SCF [*]

A expansão da NATO provoca guerras.

Os fabricantes de armas ocidentais estão a abrir garrafas de champanhe por causa do recorde de vendas, com um total de receitas de 400 mil milhões de dólares no ano passado. De acordo com informações dos media, no fim deste ano,esse valor recorde será ultrapassado em mais US$50 mil milhões.

A Ucrânia assemelha-se a um banho de sangue, como observámos no editorial da semana passada. Mas, aparentemente, as corporações militares ocidentais nadam numa bonança de lucros e investimentos na bolsa.

A maior parte deste novo negócio lucrativo resulta da guerra por procuração da NATO contra a Rússia na Ucrânia, a qual caminha para o seu segundo ano. Não há sinais de um esforço diplomático por parte do Ocidente ou do regime de Kiev que ele patrocina para pôr fim ao banho de sangue.

Os principais beneficiários corporativos que estão a fazer uma matança financeira com a Ucrânia são, de longe, as empresas americanas. Entre elas, contam-se gigantes como a Lockheed Martin, a Boeing e a RTX (antiga Raytheon). Mas também desfrutam de lucros crescentes os fabricantes de armamento de outros países da NATO:   BAE, no Reino Unido, Airbus, em França, Holanda e Espanha, Leonardo, na Itália e Rheinmetall, da Alemanha.

Esta semana, a administração de Joe Biden pediu mais 24 mil milhões de dólares de ajuda à Ucrânia, financiada pelos contribuintes americanos. É difícil acompanhar o dinheiro que flui dos países da NATO para apoiar o regime nazi de Kiev. Nem mesmo as autoridades da NATO parecem saber os números exatos, tal é a corrupção desenfreada que está inevitavelmente associada à vasta distribuição de fundos. Mas as estimativas da ajuda total dos EUA e da NATO à Ucrânia variam entre US$150 e 200 mil milhões, só no ano passado.

O que estamos a assistir é uma extorsão audaciosa através do qual o público americano e europeu subsidia a canalização do dinheiro dos seus próprios contribuintes para os cofres das empresas de armamento. E não há qualquer escolha democrática nesta matéria. É um facto consumado. Ou, dito de outra forma, extorsão.

É claro que também fazem parte desta enorme fraude os recortes financeiros maciços para o círculo íntimo do regime de Kiev, incluindo o seu presidente fantoche, Vladimir Zelensky, e o descaradamente sórdido chefe da defesa, Aleksy Reznikov. Calcula-se que pelo menos US$400 milhões tenham sido desviados pelos membros de topo do regime do bazar de armas que flui para dentro da Ucrânia. Reznikov chegou mesmo a gabar-se de que o seu país serve de campo de ensaio para o armamento da NATO.

Há quase um século, o antigo general do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Smedley D Butler, popularizou a frase "a guerra é uma extorsão" (“war is a racket”) como título do seu livro clássico, no qual condenava a forma como o capitalismo americano lucra obscenamente com as invasões militares e as matanças.

A crítica de Butler é ainda mais relevante hoje em dia, como evidenciado pelo conflito na Ucrânia.

Os media ocidentais admitem cada vez mais – ainda que timidamente – que a guerra é um desastre para o regime de Kiev e, por extensão, para as potências da NATO. O número de mortos entre as forças ucranianas pode ascender a 400 mil desde o início do conflito, em fevereiro de 2022. A muito aguardada contraofensiva ucraniana, lançada no início de Junho, não resultou em quaisquer ganhos territoriais, apesar das terríveis baixas e do gigantesco fornecimento de armas, treino e apoio logístico da NATO.

Uma reportagem publicada esta semana no Washington Post mostra que a maioria dos ucranianos está a desesperar com a guerra e as baixas intermináveis. Não vêm qualquer utilidade na continuação das hostilidades, dado que as forças apoiadas pela NATO não conseguem avançar contra as bem fortificadas linhas de defesa russas.

No entanto, perante esta triste realidade, os responsáveis americanos e europeus mantém a correr as torneiras do sangue.

Vemos os líderes da NATO, como o Presidente polaco Andrzej Duda, a instar esta semana pelo envio de mais armas para a Ucrânia, mesmo admitindo a derrota militar [verificada] até agora.

Zelensky e os seus comparsas estão, sem surpresa, a exigir mais armas da NATO e a afirmar com bravata que nunca irão negociar com o Presidente russo Vladimir Putin. Algumas pessoas querem que este conflito continue por causa da sua russofobia irracional e simplesmente porque também é lucrativo para o seu próprio benefício pessoal.

Onde é que a democracia entra nisto? Não entra, de todo. As sondagens mostram que a maioria dos americanos se opõe à continuação do fornecimento de ajuda militar à Ucrânia. Há boas razões para crer que a maioria dos cidadãos europeus também se opõe firmemente a que se alimente uma guerra sangrenta em que os cadáveres ucranianos continuam a acumular-se. Além disso, a perpetuação deste conflito corre o risco ultrajante de sair do controle e transformar-se numa guerra total entre os Estados Unidos e a Rússia, as maiores potências nucleares do mundo.

Contra o pano de fundo da monstruosa exploração da violência e da morte, há as crescentes crises sociais e económicas decorrentes da pobreza e da privação nas nações ocidentais. No ano passado, registou-se um número recorde de suicídios nos Estados Unidos, cerca de 49.000 pessoas, causados por uma crescente e aguda angústia material e psicológica. Apesar das enormes necessidades humanas básicas não satisfeitas nas suas próprias sociedades, os líderes ocidentais de elite optaram por dar prioridade ao fomento de uma guerra por procuração com a Rússia. A ajuda à Ucrânia solicitada esta semana pela administração Biden excede o que a sua administração está a destinar para ajudar o estado americano do Havai, no Pacífico, e outros estados americanos devastados este verão por tempestades e incêndios florestais.

O que é ainda mais desprezível é que o conflito na Ucrânia poderia ter sido evitado se os Estados ocidentais se tivessem comprometido com a Rússia para resolver as suas preocupações de segurança geoestratégica relativamente à expansão da NATO, que dura há décadas, e à deterioração dos tratados de controlo de armamento liderada pelos EUA. Ainda é possível acabar rapidamente com este conflito se for dada prioridade à diplomacia.

Mas os Estados Unidos e os seus lacaios europeus não têm mostrado qualquer ímpeto para a diplomacia. Ficaram intoxicados com as suas narrativas de propaganda ilusórias sobre "defender a Ucrânia da agressão russa". A russofobia entre os políticos e os media ocidentais tornou-se tão endémica que parece impossível prevalecer qualquer pensamento razoável. Os media ocidentais censuram descaradamente quaisquer notícias que mostrem a natureza nazi do regime de Kiev, incluindo o seu presidente, dito judeu, que elogia os colaboradores ucranianos da Segunda Guerra Mundial no holocausto nazi.

Lamentavelmente, também, os lucros astronómicos da guerra na Ucrânia são o principal impedimento a qualquer acordo pacífico. As empresas de armamento ocidentais estão entre os grupos de pressão mais influentes que podem comprar os votos dos legisladores. O complexo militar-industrial (MIC) controla efetivamente a política governamental e as narrativas dos meios de comunicação social nos Estados ocidentais. A influência nefasta, tal como observada por Smedley Butler na década de 1930 e mais tarde por Dwight Eisenhower na década de 1960, é ainda mais poderosa e insidiosa atualmente. Atualmente, o MIC tem muito mais camadas e dimensões. E isso não se aplica apenas aos Estados Unidos, mas a todas as economias capitalistas ocidentais. Estas economias são, de facto, economias de guerra, geridas por e para empresas de armamento que dominam a política e o discurso público através da publicidade nos meios de comunicação corporativos e do financiamento de grupos de reflexão. Em suma, o capitalismo ocidental é simultaneamente um patrocinador e um viciado em guerra.

A continuação do derramamento de sangue e da destruição na Ucrânia é uma depravação. Mas, vergonhosamente, vai continuar porque as forças ocidentais que a conduzem não conhecem outra forma. Estão trancadas dentro de um matadouro viciante que desafia toda a moralidade, legalidade e princípios democráticos.

Não parece haver outra maneira de acabar esta guerra contra a Rússia senão erradicando completamente o regime nazi de Kiev. Quando dentro em breve a contraofensiva da NATO finalmente vacilar, a Rússia terá de esmagar o regime nazi de uma vez por todas. As potências ocidentais e a sua cabala de Kiev são incapazes – e indignas – de qualquer outra solução.

11/Agosto/2023

Ver também:
  • Putin’s Excessive Caution Is Leading Directly to WW III, Paul Craig Roberts, 09/Ago/23
  • [*] Strategic Culture Foundation.

    O original encontra-se em strategic-culture.org/news/2023/08/11/war-iracket-us-nato-arms-industries-make-record-400-billion-sales-from-proxy-war-with-russia/

    Este editorial encontra-se em resistir.info

    13/Ago/23