Como a política económica mata a investigação
fundamental
por Rui Namorado Rosa
A Europa foi e procura ser a primeira potência mundial na
criação de conhecimento. Todavia, os EUA tornaram-se um foco de
atracção de trabalhadores intelectuais europeus, particularmente
de investigadores, desde o estabelecimento do regime nazi na Alemanha e suas
ramificações, foco de atracção depois
reforçado no período da Segunda Guerra Mundial e nesse
após guerra época em que os EUA se afirmaram como
potencial hegemónica mundial, na esfera capitalista.
Os fluxos internacionais de estudantes e de investigadores em início de
carreira mantém um consistente saldo favorável aos EUA (onde
cerca de metade dos estudantes europeus permanece, após o seu
doutoramento). O predomínio mundial da Europa na produção
de artigos científicos publicados ainda se mantém, com 41 % do
total mundial face a 31% dos EUA, mas deu sinais de regressão nos
últimos anos. Em termos de citações feitas na literatura
científica a artigos anteriormente publicados, a Europa situa-se contudo
atrás dos EUA na maioria das disciplinas, com cerca de um terço
de citações a menos. São consequências
inevitáveis de vários anos de sub-financiamento e de fuga
de cérebros que se reflectem na quebra de produção
em investigação europeia, quer fundamental quer aplicada.
A estratégia de Lisboa e as metas de Barcelona, relativas à
sustentação na Europa da economia mais dinâmica e
competitiva no plano mundial, baseada no conhecimento, não só
vão falhando e distanciando, com o passar do tempo, como também
introduziram nas políticas da União Europeia
orientações que se revelam crescentemente contraproducentes. Uma
das suas manifestações é a subalternidade cometida e a
debilitação de capacidades em investigação
fundamental, sob a pressão de objectivos utilitaristas que adicionam, no
imediato, aos interesses económicos mais poderosos mas subtraem, a
prazo, competências e recursos necessários aos desenvolvimentos
nacionais.
A INVESTIGAÇÃO FUNDAMENTAL
A oposição entre investigação básica e
aplicada, ou entre livre e orientada, tem razão filosófica mas
tem sido também instrumento de manipulação argumentativa.
Tanto se podem invocar exemplos de investigação básica ou
livre que rapidamente evolui para nova tecnologia como de
investigação aplicada ou orientada que não chega a
produzir resultados técnicos e económicos. A
criação científica é um processo integral em que a
diferenciação de etapas nem sempre é nítida e
é desnecessária para o seu progresso; e os ritmos de
progressão são muito variáveis. No limite, a
revolução científica e técnica integra todas essas
etapas, desde a aquisição do conhecimento fundamental até
à realização da invenção técnica, num
processo único e cada vez mais célere. Essa
integração está reconhecidamente mais avançada nos
EUA e é considerada por vários autores como uma fragilidade
estrutural da dinâmica produtiva na Europa. [Os termos
investigação fundamental e investigação
básica são frequentemente utilizados indiscriminadamente; para o
que nos ocupa aqui não importa diferenciá-los.]
Na Europa, a maior parte da investigação fundamental é
desenvolvida nas universidades, financiada em parte através das suas
dotações próprias e em parte por fontes externas,
sobretudo públicas, raramente privadas. Mas em muitos países
europeus existem grandes instituições públicas que
desempenham um papel também importante em domínios de
investigação fundamental. São os casos, do CNRS em
França, do CSIC em Espanha, do CNR em Itália e do Max Planck
Gesellschaft na Alemanha. A investigação fundamental é
aí financiada através de dotações anuais ou
através de programas plurianuais, destinadas a determinadas unidades ou
domínios temáticos. Sem excluir projectos financiados por fontes
externas, sob a forma de financiamentos concorrenciais, nacionais ou europeus.
Mas a cooperação científica no domínio da
investigação fundamental entre estados europeus remonta à
década de 1950, com a criação do CERN
(Organisation Européenne pour la RechercheNucléaire);
e na década de 1960 foi fundado o ESO
(European Southern Observatory)
e o EMBL
(European Molecular Biology Laboratory);
todas estas instituições continuam a desempenhar papéis
importantes em matéria de investigação fundamental.
Também as actividades da iniciativa da Fundação Europeia
da Ciência (FES), organização não especializada
criada na década de 1970, incidem frequentemente em temas de
investigação fundamental.
Mas quanto às empresas, desde as pequenas às grandes
corporações, na Europa, poucas realizam ou promovem
investigação fundamental; as suas actividades tendem a
concentrar-se em estrita investigação aplicada e no
desenvolvimento experimental. E todavia, elas acabam sempre por ser as grandes
beneficiárias da actividade científica que se faz nas
universidades e nas instituições públicas, bem como nas
instituições de cooperação europeias já
referidas, desde a investigação fundamental à aplicada, na
forma de publicações, patentes, prestações de
serviços e, sobretudo, do conhecimento especializado dos quadros mais
qualificados que recrutam.
Acresce que os grandes projectos de investigação fundamental
são eles também vias para o financiamento da
inovação tecnológica empresarial, por via dos equipamentos
e sistemas que as empresas são solicitadas e fornecer. À
semelhança, aliás, do que acontece com os fornecimentos para
projectos públicos ou em consórcio de natureza industrial
como ESA, ARIANESPACE, GALILEO, etc. Assim, as empresas acabam sempre por
colher indirectamente os frutos da investigação fundamental.
Além do mais, há ainda uma outra motivação subtil
para que as empresas não façam ou digam não fazer
investigação fundamental. Tem a ver com os direitos de
propriedade intelectual sobre os resultados da investigação
científica. Os resultados da investigação fundamental,
básica, e até aplicada, em certa extensão, são
divulgados e circulam livremente. Em termos do direito das patentes, as
descobertas e as teorias científicas não são sequer
passíveis de registo de propriedade intelectual; apenas podem ser
registadas patentes de invenções. A publicação
precoce de uma descoberta poderia arruinar a possibilidade de
protecção e valorização de resultados, com
interesse económico, sob a forma de um produto ou de um processo
patenteável. Para o capitalismo é claro que o dinheiro não
se gasta para deitar a perder.
Subjacente às fragilidades e insucessos de políticas Europeias
está o conflito entre o que é costume designar por uma
agenda económica e uma agenda social. Essa
contradição manifesta-se também nas prioridades da
política científica e, particularmente, no desfavor em que se
encontra a investigação fundamental.
«A esse respeito, é nomeadamente de citar: um grupo de 45 europeus
galardoados com o Prémio Nobel, a Fundação Europeia da
Ciência (FES) e a associação EuroHORCs
(European Heads of Research Councils)
dos Directores e Presidentes dos Conselhos Nacionais de
Investigação, a associação Eurosciences e a
Academia Europeae, o Grupo EURAB
(European Research Advisory Board)
de Conselheiros para a Investigação da Comissão e um
Grupo
ad hoc
de personalidades (ERCEG -
European Research Council Expert Group)
criado na sequência da conferência organizada em Copenhaga, em 7
e 8 de Outubro de 2002, pela presidência dinamarquesa da União
sobre o tema "Conselho Europeu de Investigação".»
[Comunicação COM (2004) 9 de 14.1.2004]
O reforço da investigação fundamental ou básica,
com financiamento próprio e suficiente para apoio a todos os projectos
de mérito e seguindo critérios adequados, tem pois sido defendido
em várias instâncias, com relevo para a comunidade
científica. Sob a presidência dinamarquesa, na Conferência
de Copenhaga, a 7/8 Outubro de 2003, foi proposto um Fundo Europeu para a
Investigação Fundamental, financiado pelo Programa Quadro, e um
Conselho Europeu de Investigação. Sob a presidência
irlandesa, no Simpósio de Dublin, a 16/17 Fevereiro 2004, foi antes
favorecido o reforço do pilar da Investigação
Básica no VII Programa Quadro e a reformulação dos seus
critérios. Entretanto, a Comissão anunciou para o segundo
trimestre de 2004 a apresentação de uma comunicação
com propostas conclusivas, para transposição operacional das
conclusões do debate havido sobre investigação
fundamental, a forma e os mecanismos a implementar a nível europeu.
Paralelamente, tratar-se-ia de estimular o crescimento do financiamento
à investigação Europeia, na sua vertente fundamental, em
complemento e no âmbito do Plano de Acção visando o
objectivo de Barcelona.
A outra agenda está patente em outras
movimentações paralelas. Tomemos uma delas. A
Comunicação da Comissão COM(2004) 72, de 3.2.2004, para
efeitos de uma Acção Preparatória Reforço do
potencial da indústria Europeia no domínio da
Investigação em Segurança 2004-2006, enquadra-se no
reforço da Política Europeia de Segurança e Defesa (ESDP)
e nela se propõe uma dotação de 15 milhões
já em 2004, para apoiar o lançamento de um novo e ambicioso
Programa de Investigação em Segurança
Europeia, a entrar em pleno em 2007. Este programa legitimar-se-á
nas orientações de um Grupo de Personalidades ah-hoc,
em que os interesses económicos também estão directamente
representados. No seu relatório [Research for a Secure
Europe,
http://europa.eu.int/comm/research/security/pdf/gop_en.pdf
] este Grupo advoga a diluição de delimitações
entre investigação para a defesa e a segurança e entre
investigação civil e militar, para mais afirmar que o referido
programa contribuirá para o reforço da base de
investigação científica e o incremento da competitividade
industrial. Para ele propõe um orçamento adicional de mil
milhões/ano, que também teria a virtude de contribuir
para atingir a meta de Barcelona. Note-se que os encargos actuais dos
países da UE em I&D destinada à defesa ascendem a 10 mil
milhões/ano o que, todavia, é apenas um quinto do
equivalente dispêndio nos EUA, facto apontado como mais uma sintoma de
atraso relativo e argumento de peso para incrementar o
dispêndio em investigação para fins militares na Europa.
Eis, pois, a outra agenda Europeia. A do grande capital.
SUA RELAÇÃO COM A ECONOMIA
Comecemos por olhar para o sistema de ensino, a peça central da
transmissão e reprodução social do conhecimento e de todos
os potenciais frutos culturais e económicos que dele decorrem. O
subsistema de Ensino Superior é também uma peça muito
importante na própria criação de conhecimento, desde
ciência fundamental à inovação tecnológica.
A relação entre o ensino superior e a economia é
assimétrica entre os dois lados do Atlântico. Na Europa a economia
é dominada por pequenas e médias empresas que têm, na
grande maioria, limitado potencial inovador e ainda menor capacidade de fazer
ou de partilhar actividades de formação avançada e de
investigação científica. À parte grandes empresas
inovadoras, serviços da administração pública e
serviços não lucrativos de interesse público, a
cooperação universidade-empresa tem apertados limites de
eficácia. Financiamento privado para investigação é
consabidamente muito insuficiente na Europa e, como tal, não pode
atingir os níveis necessários para atingir os objectivos
económicos e sociais fixados pela própria União Europeia,
ainda menos suportar um contexto equilibrado entre ramos de conhecimento e
níveis de pesquisa.
A situação real requer a assumpção do
reforço de investimento público no ensino superior e na
investigação, para que o crescimento económico anunciado
(a mais competitiva economia mundial baseada no conhecimento) e o
desejado progresso social (este de facto o mais importante para os povos
europeus) possam ser atingidos de facto.
Na União Europeia, a cooperação universidade-empresa
é formalmente frágil e a transferência de conhecimento para
o tecido económico é lento e difuso; as taxas de registo de
patentes e de criação de empresas inovadoras é
relativamente baixo (por padrões norte-americanos). Todavia numerosas
empresas tendem a subcontratar investigação e desenvolvimento de
processos e produtos, criando um contexto de competição entre
universidades; clusters de tecnologia avançada podem e
tendem assim a formar-se na vizinhança de certas universidades. A
aceleração do processo de transferência de tecnologia e de
inovação de produtos cria nessas circunstâncias uma
tensão na relação universidade-empresa potencialmente
construtiva. Mas essa é a situação apenas nos
países científica e economicamente mais desenvolvidos.
Para agravar a escassez de financiamento privado, as universidades europeias
atraem menos estudantes e menos investigadores estrangeiros que as
norte-americanas, particularmente estudantes de
pós-graduação e doutorados em ciências exactas e
tecnologias, aqui se incluindo metade dos estudantes europeus que, depois de se
doutorarem nos EUA, aí permanecem. Na realidade existe um fluxo
migratório de estudantes e de doutores cujo balanço global
é sobretudo favorável aos EUA e desfavorável aos
países Asiáticos e da América Latina, em que a Europa
mantém um saldo negativo com os EUA.
A escassez de financiamento privado também decorre da
deslocalização de actividades de I&D&I
(investigação, desenvolvimento e inovação). Por
exemplo, um número crescente de empresas das indústrias
química e farmacêutica, sectores dos mais intensivos em I&D&I,
está a deslocalizar estas suas actividades para os EUA ou a reduzir o
seu volume de investimento, quando anteriormente promoviam, com os seus
próprios meios, grandes projectos de investigação na
Europa. Não que as corporações sediadas na UE reduzam o
volume de financiamento privado em I&D, porque o incrementaram de 28% para 31%,
entre 1998 e 2002, ao passo que as sediadas nos EUA o reduziram de 43% para
41%, no cômputo mundial. Mas porque o investimento em I&D pelas empresas
Europeias cada vez mais é aplicado fora da Europa, como as
indústrias química e farmacêutica exemplificam. Isto num
período em que o investimento em I&D pelas 300 maiores
corporações mundiais regrediu.
A União Europeia anunciou em Barcelona (Março de 2002) a
intenção de incrementar o investimento em I&D de 2 para 3% do PIB
em 2010, invocando como referência os indicadores homólogos dos
EUA e do Japão. Essa meta denotava já a percepção
que a estratégia de Lisboa (Março de 2000) estaria em risco e
procurava concretizar o caminho mais seguro para ainda a poder realizar
Todavia, na realidade, esse investimento em I&D estabilizou e até
declinou em potências como o Reino Unido e a França. O alargamento
da União (a 1 de Maio de 2004) ainda torna mais remota essa meta, tendo
em vista a perspectiva do mais rápido crescimento do PIB do que da
despesa bruta com I&D (DBIT) nos países do alargamento. Mais ainda,
torna ainda mais assimétrica a União Europeia; à data do
alargamento, os dez despendiam apenas 3 mil milhões por ano em
I&D (contra 175 mil milhões nos quinze); embora a Espanha,
Grécia e Portugal invistam em I&D uma menor fracção do PIB
que a Republica Checa e a Eslovénia.
A distância entre a UE e os outros pólos do
capitalismo mundial (os ditos rivais económicos) é
atribuível, sobretudo, ao mais baixo nível de investimento
privado em I&D por corporações sediadas na Europa (56% contra 66%
nos EUA e 73% no Japão), ao balanço negativo dos fluxos de
investimento estrangeiro em I&D pelas grandes corporações
baseadas num e noutro lado do Atlântico e, ainda, ao mais expressivo
nível de financiamento para a defesa nos EUA (o que
porém não é o caso do Japão). Tudo somado, a
contribuição pública para a I&D é relativamente
equivalente entre os dois lados do Atlântico, mas a
contribuição privada é sensivelmente mais baixa na Europa;
de tal modo que o número de investigadores a trabalhar em empresas
é, na Europa, menos de metade que nos EUA.
Se a União Europeia conseguisse aumentar as suas despesas em
investigação para o nível fixado em Barcelona, estima-se
que o seu crescimento económico aumentaria 0,5% e, a partir de 2010,
seriam criados, todos os anos, 400.000 novos postos de trabalho. A
Comissão já afirmou a necessidade de incrementar o financiamento
em I&D à taxa anual de 8%; mas não se pronuncia ainda sobre o
correspondente reforço da dotação para o VII Programa
Quadro de Investigação. O orçamento comunitário
para investigação deveria ser também claramente
incrementado, dos 5% actuais para 7% do orçamento total [Rolf Linkohr,
Proposta de Resolução do Parlamento Europeu sobre Investir
na investigação: um Plano de Acção para a Europa
Exposição de motivos
http://www.linkohr.de/6portugues/2003_2148.htm
]. Ou não fosse a estratégia de Lisboa uma prioridade, como nos
querem fazer crer.
Existem sinais contraditórios mas um sentido único das
conclusões finais: a União Europeia tem feito progressos no
âmbito de objectivos fixados, mas nem esses objectivos serão
coerentes, nas as políticas para os atingir serão sólidas,
nem os outros centros da economia mundial pararam à espera da Europa.
A contribuição da Europa para o comercio internacional de alta
tecnologia é sensivelmente inferior à quer dos EUA quer do
Japão; todavia, por outro lado, a taxa de crescimento das
exportações Europeias de alta tecnologia tem sido a mais elevada
no contexto mundial.
O Terceiro Relatório Europeu sobre Indicadores de Ciência e
Tecnologia 2003 [
http://www.cordis.lu/indicators/third_report.htm
] confirma que tanto os indicadores de investimento como de desempenho da
economia do conhecimento globalmente revelam abrandamento de
crescimento no seio da EU-15. Mas a esta observação deve ser
contraposta estoutra: segundo o relatório Emprego na Europa
2003 os países que exibem tendência ascendente em
actividades de alta tecnologia e dispõem de indústrias e
serviços com maior intensidade de conhecimento, são também
os que se destacam pelo crescimento global de emprego; de tal modo que
países que praticam salários elevados podem competir no plano
mundial desde que mantenham e elevem o conteúdo de conhecimento, a
qualificação e a especialização da sua força
de trabalho.
O investimento empresarial em I&D tem crescido a nível mundial. Na EU-15
aumentou 50% no período 1995-2001, mas nos EUA aumentou 130% no mesmo
período. Os seus montantes ascendem a 104 mil milhões e
185 mil milhões (em 2000). Os fluxos de investimento entre estes
dois espaços económicos tiveram um saldo de 5 mil
milhões, favorável aos EUA. O saldo entre a UE e o Japão
foi de 1 mil milhões, também desfavorável para a
Europa [
http://www.cordis.lu/indicators/third_report.htm
]. Do investimento norte-americano em I&D no estrangeiro, a Europa é o
principal destinatário, tendo aumentado cerca de 50% (em termos reais),
de 1991 para 2000; declinou na Alemanha (de 27 para 20%), manteve-se
estacionário na França (em cerca de 10%) e cresceu no Reino Unido
(de 18 para 22%).
Entretanto, os EUA maximizam proveitos quer deslocalizando actividades, mesmo
de média-alta tecnologia, indo contratar cérebros lá onde
eles se encontrarem e remunerando-os a nível de
terceiro-mundo, quer importando cérebros do vasto manancial
do terceiro-mundo para com eles realizar I&D e actividades de alta
tecnologia nas sedes norte-americanas.
A Oracle pretende duplicar para 6 mil o número dos seus especialistas de
software a trabalharem na Índia. A Accenture tem já mais de 4 mil
especialistas contratados fora dos Estados Unidos - na China, na Índia,
na Rússia e nas Filipinas. A IBM pretende reduzir os seus efectivos nos
EUA e transferir actividades para outros países. E a Microsoft
terá contratado mais 500 programadores na Índia só no ano
de 2003.
Em contrapartida, os EUA atrai um número crescente de jovens
investigadores qualificados tanto do Terceiro Mundo como mesmo da Europa,
porque as perspectivas profissionais dos investigadores nos EUA ainda
são as melhores a nível mundial. Este exemplo confirma que a
investigação científica sempre foi internacional e revela
que ela é uma frende de confronto entre os principais centros
económicos mundiais. A investigação de ponta será
uma questão vital para o enunciado projecto Europeu.
Concluindo, o que existe de verdade é um sistema capitalista mundial em
que tem lugar a formação de blocos
político-económicos. A enunciada ou a omissa rivalidade entre
tais blocos é sobretudo um factor de mobilização ou de
distracção das massas. O capital está já muito
largamente globalizado e não tem pátria e de todo
não tem projectos de desenvolvimento nacional.
15/Jun/2004
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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