Por que será?
por José Casanova
O ataque sistemático à CDU através da
desvalorização, da deturpação, da
descriminação e da manipulação da sua campanha
eleitoral; e o apoio total e entusiástico ao Bloco de Esquerda (BE)
através da super valorização, do super elogio, do
super encómio à sua campanha eleitoral: eis a linha dominante, a
preocupação maior e prioritária, da
intervenção dos média na campanha eleitoral. Há
excepções a esta prática de desinformação
organizada? É possível mas, mesmo que as haja, elas não
alteram minimamente o traço marcante acima referido.
Em relação às outras forças concorrentes, a
comunicação social dominante divide-se num pluralismo comovente:
uns quantos órgãos puxam para a coligação
PSD/CDS-PP, outros preferem o PS sendo certo que as razões destas
opções têm tudo a ver com os interesses dos grupos
económicos que são donos de cada um dos órgãos de
comunicação social em causa.
Tudo isto é normal, natural, inevitável e se aqui se chama a
atenção para o facto não é com a ilusão de
vir a alterar o que quer que seja a esta realidade mas tão
somente para, entre outras coisas, lembrar, mais uma vez, que a quase total
concentração dos média na posse do grande capital
(anticonstitucional, como há-de saber quem tem por missão zelar
pelo cumprimento da Lei Fundamental do País) conduz à
liquidação do direito a ser informado direito humano
fundamental, sublinhe-se.
O carinho maternal prodigalizado pelos média (todos!) ao BE, em
contraste com o ataque sistemático dos mesmos média (todos!) ao
PCP, não acontece apenas em período eleitoral: trata-se de uma
prática diária e constitui preocupação maior e
permanente das têvês, rádios e jornais nacionais.
Há-de haver razões para tal prática e essas razões
não hão-de andar longe da tal questão da propriedade dos
órgãos de comunicação social. Ou seja: se os
média são propriedade dos grandes grupos económicos e
existem para defender os interesses dos seus patrões; e se o PCP
é o partido que combate o grande capital e luta pela defesa dos
interesses dos trabalhadores é natural que o PCP seja o alvo
preferencial dos ataques da comunicação social do grande capital.
Quanto ao BE, que se apresenta, e é apresentado pelos média, como
«o mais à esquerda» e «o mais radical» e que,
por isso, deveria constituir alvo preferencialíssimo dos ataques dos
média do grande capital é tratado pelos média
(todos!) com carinhos maternais. Por que será?
O original encontra-se em
http://www.avante.pt/noticia.asp?id=5604&area=25
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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