1.700.000 trabalhadores envolvidos!

Balanço da Greve Geral

Comunicado emitido na
conferência de imprensa da CGTP-IN
10/Dez/02/20h00

Esta foi a 4ª vez após a Revolução de Abril de 1974 que os trabalhadores portugueses precisaram recorrer à Greve Geral. A Greve Geral de hoje fez-se sentir de tal forma nos diversos sectores de actividade e em todo o território nacional e teve tal impacto na vida das pessoas e das famílias, que descredibiliza por completo as apreciações e os ridículos números de adesão que o Governo teima em divulgar.

Partindo dos dados já disponíveis, a CGTP estima que na Greve Geral de hoje estiveram envolvidos cerca de um milhão e setecentos mil trabalhadores.

A Greve Geral teve um enorme impacto no sector produtivo , por todo o país, com expressão num elevado numero de empresas estratégicas e de dimensão significativa da nossa economia.

A participação na Greve Geral teve uma muito elevada adesão no sector de transportes, públicos e privados , provocando a paralisação, total ou quase total, das grandes empresas nacionais e de muitas regionais.

A participação dos trabalhadores da Administração Pública , central, regional e local, e o impacto dessa participação ao nível dos diversos serviços, foi de grande expressão e, em alguns subsectores, mesmo superior à greve de 14 de Novembro.

A participação dos trabalhadores de serviços teve também significativa expressão em vários ramos e foi marcante numa Greve como esta.

O êxito da Greve Geral demonstra que os trabalhadores não desistem de lutar e hão-de vencer; os derrotados serão os que se mantêm autistas e cegos perante os seus protestos.

Esta Greve Geral constitui uma demonstração de força da democracia e a condenação da arrogância e prepotência deste Governo.

A adesão à Greve Geral prova o descontentamento dos trabalhadores e a sua firme condenação não só do Código do Trabalho, como também das políticas salariais e sociais injustas que o Governo teima em impor.

Prova-se igualmente que o Código do Trabalho do Governo é um factor desestabilizador do meio laboral e das empresas, de desmotivação dos trabalhadores, desestruturador da sociedade e, como tal, afecta a produtividade e a competitividade, que se diz querer aumentar.

O Código do Trabalho do Governo é fonte de conflito e instabilidade social.

Por isto, a CGTP reclama do Governo o abandono da sua proposta de Código de Trabalho.

A CGTP espera que as forças políticas parlamentares assumam a sua responsabilidade no processo em curso na Assembleia da República e criem as condições necessárias para que:

O direito do trabalho seja defendido e valorizado, os direitos individuais e colectivos dos trabalhadores respeitados e a negociação colectiva defendida e implementada;

Os custos do trabalho reduzidos e a produtividade aumentada através da promoção da gestão e organização, da inovação de produtos e tecnologias, da formação e qualificação profissional;

O poder dentro da empresa (entre capital e trabalho) seja equilibrado e a democracia não fique à porta da empresa;

A modernização da legislação de trabalho se desenvolva através dum processo que garanta a efectivação das leis vigentes, uma adequada sistematização da legislação em vigor, através de diálogo sério e negociação adequada com os parceiros sociais, que tenha em conta a evolução da estrutura económica e respeite a valorização do trabalho e a dignificação dos trabalhadores.

A CGTP afirma com toda a clareza e empenho a sua disponibilidade e determinação em prosseguir a luta por tais objectivos, em convergência e unidade na acção com todos os trabalhadores e todas as organizações sindicais que para tal se predisponham.

Lisboa, 2002-12-10 A Comissão Executiva

do Conselho Nacional da CGTP-IN

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2º. BALANÇO PROVISÓRIO DA GREVE GERAL

O PCP apoiou. Os objectivos que foram propostos pela CGTP-IN para a Greve Geral estão a ser plenamente alcançados.

De facto, a greve geral está a fazer-se sentir na generalidade dos sectores de actividade e por todo o território nacional , como o confirmam os dados recolhidos até ao momento, que apontam para uma adesão nacional de 87,25% em 830 empresas.

A Greve Geral está a ter grande impacto a nível do sector produtivo e, em particular, em empresas de significativa relevância económica.

Amostragem:

  • Sector Têxtil, Vestuário e Calçado – Em Braga: Maconde (95%), Coelima 80%, Lameirinho 92%, Grupo Somelos 70%, TMG/Ronfe 50%, Grupo Almeida & Filhos 70%, Têxtil Vizela 70%, Fiação & Tecidos O. Ferreira 80%; no Porto: Baiona 95%, Luís Correia 99%, Flor do Campo 50%, Foncar 50%, Coats & ClarK 50%, ARA Portuguesa 60%, Granit 60%, Growela 80%, Ricker 80%, Finex 95%; em Aveiro: Califa 60%, Lunick 100%, Rhode 100%, Ecco'let 100%, Basílios 90%, Siaco 50%; em Coimbra: Matugal 50%; em Castelo Branco: Beiralã 90%, Sotave 85%, Vodragés 98%, Carveste 93%, Avri 93%, Nova Penteação 100%, Paulo de Oliveira 82%, Penteadora de Unhais 80%, Fiper 100%; em Setúbal: Melka 95%; em Lisboa: Plúvia 80%; em Santarém: Ipetex 70%.
  • Sector Químico e Metalúrgico – Autoeuropa (Palmela) 80%; Opel Portugal (Azambuja) 80%; Petrogal 80%; Petrogal (Matosinhos) 80%; Oliva (S. João da Madeira) 100%; Cerlei (Porto) 100%; Euroresinas (Sesimbra) 100%; Tomé Feiteira (Leiria) 100%; Ramel (Palmela) 100%; CACIA (ex-Renault) (Aveiro) 94%; Bombardier/Sorefame (Amadora) 90%; Sonafi (Porto) 90%; Sec (Aljustrel) 88,89%; Tegopi (Porto) 92%; Adubos Portugal (Barreiro) 88%, Westpharma (Amadora)100%; Estaleiros Navais V. Castelo 99%; Impormol (Azambuja) 90%; Somincor (Ourique) 100%; Minas da Panasqueira (C. Branco) 90%; Caetano Bus (Aveiro) 80%.
  • Sector de Material Eléctrico e Electrónico – Complexo Grundig (Braga) 90%; EDP Distribuição/Centro de Comando (Braga) 100%; EDA/Central Térmica (Ilhas do Corvo e Faial) 100%, (Ilha Terceira) 75%, (Ilha do Pico) 50%; EDP/ Barreiro, Setúbal, Seixal e Sesimbra 100%; EDP/Porto 67%; EDP/Sines 50%; Delphy (Portalegre) 100%; Alcoa / ex Indelma (Seixal) 91%; Vestion – Ford Electrónica (Palmela) 80%; Kaz (Porto) 91%; Tyco (Évora) 75%; Autosil, empresa do presidente da ANIMEE (Lisboa) 85%; Tudor (Lisboa) 100%; Efacec (Ovar) 96%; Dura (Guarda) 99,1%; Vitrohn (Carcavelos) 86%; Enertel (Palmela) 90%; Grupo EDP/REN, média de 88,38% em 26 locais de trabalho, com as centrais de Terceira e S. Miguel (Açores) a 100%.
  • Construção, Madeiras e Mármores – José M. Loureiro (Porto) 95%; Sogal (Porto) 90%; Soares da Costa (Porto) 70%; Móveis Ferreira (Porto) 60%; Mecânica Piedense (Cova da Piedade) 95%, Móveis Justino (Porto) 95%, em obras em curso, em Lisboa: Estádio da Luz 56%, Estádio de Alvalade 76%, Complexo da Musgueira (87,5%), Parque das Nações (90%)
  • Celulose, Papel, Gráfico e Imprensa – Portucel: Cacia 90%, V.V.Rodão 100%, Setúbal 90%, Portucel Embalagem (Lisboa, Leiria e Porto) 75%; INCM (Lisboa) 75% com paragem total da laboração; Papelaria Fernandes Converting (Cacém) 78%; Companhia Papel do Prado (Tomar) 80% com laboração totalmente parada;
  • Correios e Telecomunicações – CTT 68% num total de 7800 trabalhadores, incluindo 1800 a prazo (falta apurar dados relativos a cerca de 9200);
  • Cerâmica, Cimentos e Vidros – Cimpor (Souselas) 100%; Cimpor (Maia) 99%; Cimpor/Cabo Mondego (F. Foz) 100%; Cimpor (Loulé) 100%; Covina (S. Iria) 100%; Crisal (M. Grande) 80%; Atlantis (Alcobaça) 60%; Atlantis (M. Grande) 99%; Maiaporce Porcelanas (Maia) 80%; Novinco (S. Mamede Infesta) 90%; Sociedade de Porcelanas (C. Rainha) 100%; Secil (Outão) 100%; Secil Prebetâo (Coimbra) 100%; Secil Prebetão Montijo) 93%; Secil Prebetão (Olhão) 99%; Mármores Batanete (Souselas) 100%; Unibetâo (Caxias e Frielas) 100%; Cimianto (Alhandra) 100%; Cavan (S. Iria e Setúbal) 100%; Abrigada (Alenquer) 100%; Betopal (Linhó) 100%; Jomatel (Linhó) 100%; Argibetão (Azeitão) 100%; SSGP (S. Iria) 100%; Sanchez (Sesimbra) 100%; Santos Barosa (M. Grande) 90%; Barbosa & Almeida (M. Grande) 90%; Dâmaso (V. Leiria) 96%;
  • Alimentação e Bebidas – Sogral (Ovar) 100%; Provimi (Ovar) 100%; Danone (C. Branco) 98%; Centralcer (V.F.Xira) 95%; Parmalat (Setúbal) 88%; Nacional (Lisboa) 100% na produção; Matadouro (Famalicão) 50%; Tabaqueira (Rio de Mouro) 48,86%; Isidoro (Montijo) 50%; Socar (Montijo) 90%, Alcântara açucares (Lisboa) 64,51%; Refrige (Palmela) 100%; Águas Glaciar Nascente (Manteigas) 100% na produção; Águas Caldas de Monchique 100%; Águas Castelo de Vide 100% na produção; Rical (Santarém) 100% na produção, Águas do Alardo (Castelo Branco) 100% na produção; Águas do Luso 50%;
  • Cortiça – Robbison Bros (Portalegre) 100%; em Sta. Maria da Feira: Corticeira Amorim 65%, Amorim & Irmãos 100%, Binocor e Subcor, empresa do presidente da associação patronal, 100%, Cok Ribas 100%:
  • Pescas – frota da sardinha (Peniche) 100%; frotas de malha de Olhão e de Portimão (100%)
  • Portos e Barras do Algarve –;encerrados;
  • Lota do Porto da Horta (Açores) - encerrado

    Contrariamente ao que o Governo pretende fazer crer, a elevadíssima adesão verificada a nível dos transportes, públicos e privados , estende-se por todo o país e não só nas regiões de Lisboa e do Porto, com adesões que se situam na generalidade próximo dos 100%, havendo dois casos a 70% % (Auto Viação do Tâmega e Rodonorte).

    No Sector de Serviços , apontam-se também alguns exemplos:
  • Aviação e Aeroportos – ANA (Porto e Faro) 100%; TAP cerca de 80% da operação cancelada; SATA (Açores) sem voos inter-ilhas; encerramento dos aeroportos de S. Miguel e Santa Maria (Açores), Faro e, a partir das 14.00 horas, do Funchal.
  • Comércio, Escritórios e Serviços – portagens (Ermesinde) 85%; portagens (Coina, plena via e Barreiro,) 100%; portagem Vasco da Gama, 2º turno, 80%;portagem de Grijó, 2º turno, 80%; Intermarché (Cartaxo) 80%; Pluricoop (Setúbal) 100%; Pingo Doce (Porto) 45%; Continente (Vila Nova de Gaia) 50%; duas lojas Pingo Doce (Figueira da Foz) encerradas.
  • Portaria, Vigilância e Limpeza – Em Lisboa: Climex/TAP 100%; Livig/Colombo 82%, Securitas/Rondistas 75%, ISS/ Carris Musgueira 80%, Conforlimpa/Hospital de Sta. Maria 88%, Iberlim/Hospital do Barreiro 80%, Conforlimpa/ Hospital da Estefânia 99%, Nova Serviços/Hospital dos Capuchos 90%, Prosegur/Servibanca BES 35%; no Porto: Vadeca/IPO 95%, Limpoclean/STCP 95%, ISS/Aeroporto 90%, ISS/CP Contumil 100%, Safira/Continente e Guimarães Shopping 99%, Alfalimpa/Petrogal Refinaria 100%; em Coimbra: Conforlimpa/Hospital Covões 90%, Cristalimpa/ Hospital Novo 80%, Iberlim/CP Coimbra, Serpins e Figueira da Foz 100%, Multipessoal/Telecom 70%, Such/Hospital Sobral Cid 100%, Climex/CGDepósitos 100%, Figueiralimpa/Hospital Distrital F. Foz 75%; em Setúbal: Sosanidade/ Lisnave 100%, Nova Serviço/Hospital S. Bernardo 100%, ISS/Portucel 95%, Jozilimpa/Ariston Marconi 75%, Limparaiso/Visteon 95%, Limpotécnica/Parmalat 100%
  • Hotelaria – Hotel Estoril Sol (Lisboa) 95%; Gate Gourmet (Lisboa) 80%; Hotel Savoy (Madeira) 70%; Hotel Vila Ramos (Madeira) 80%; Marriott (Lisboa) 90%; Hotel Carlton (Madeira) 50%; Hotel Vila Ramos (Madeira) 81,96%; Hotel Quinta do Sol (Madeira) 50%; Hotel Baía Azul (Madeira) 30%, Pousada Senhora das Neves (Guarda) 100% na cantina;
  • Na Administração Pública Central (Função Pública), em 718 locais de trabalho, regista-se uma adesão superior a 80%, sendo, em alguns sectores, superior à adesão registada em 14 de Novembro.
  • Na Administração Local é cerca de 90%.

  • Ao nível do pessoal docente a adesão foi de 65 a 70%. Em Lisboa na Universidade Nova a adesão total foi de 70%, na Universidade Clássica de 75% e na Técnica 75%.
  • Ao nível da enfermagem 70%;
  • Nos Estabelecimentos Fabris das Forças Armadas e Indústria de Defesa: Em Lisboa, OGMA 85%, Manutenção Militar 70%, Laboratório Militar 50%, OGME 90%, OGFE 75% e no Arsenal do Alfeite 97%.

    10/12/2002/20h00

    Mais notícias acerca da Greve Geral em http://www.cgtp.pt/index2.htm e em http://www.pcp.pt/actpol/temas/trabalho/greve/index.htm

    Este texto encontra-se em http://resistir.info
  • 11/Dez/02