por Washington's Blog
|
|
"Uma das coisas penosas acerca do nosso tempo é que aqueles que
sentem certezas são estúpidos, e aqueles com alguma
imaginação e entendimento estão cheios de dúvidas e
indecisão".
Bertrand Russell
"A ignorância mais frequentemente provoca a confiança do que
o faz o conhecimento".
Charles Darwin
|
A
CBS News
, o
Christian Science Monitor
, a
CNN
e a
Reuters
perguntaram, todos eles, se a BP deveria disparar uma ogiva
nuclear no seu furo de petróleo em fuga.
Na verdade, alguns cientistas nucleares russos, bem como peritos da
indústria petrolífera, sugeriram que tal abordagem pararia o
jorro de petróleo no Golfo.
Aqui
está um filme de arquivo dos
russos a "matarem" uma fuga de gás com um dispositivo nuclear.
E o secretário da Energia de Obama e vencedor o Prémio Nobel da
Física, Steven Chu,
inclui
o homem que ajudou a desenvolver a primeira
bomba de hidrogénio na década de 1950 no grupo de cinco homens
encarregados de travar o petróleo.
E o perito da indústria de petróleo Matt Simmons
propõe
a
utilização de um dispositivo nuclear táctico todas as
vezes em que é entrevistado na televisão nacional.
Contudo, mesmo a história da utilização com êxito
pela Rússia de um dispositivo nuclear para fechar o jorro tem algumas
restrições importantes.
Como observa o artigo da Reuters:
Vladimir Chuprov do escritório de Moscovo do Greenpeace é ainda
mais insistente do que a BP em não dar atenção ao conselho
dos veteranos físicos soviéticos. Chuprov contesta os relatos dos
veteranos de explosões pacíficas e diz que várias fugas de
gás reapareceram posteriormente. "O que é louvado como um
êxito e um feito pela União Soviética no essencial é
uma mentira", diz ele.
[O ex-ministro russo da energia nuclear e antigo físico soviético
Viktor] Mikhailov concorda em que a URSS teve de abandonar o seu programa
devido aos problemas que apresentou. "Acabei o programa porque sabia
quão inútil era tudo aquilo", diz ele com um suspiro.
"O material radioactivo ainda estava a emanar através das fendas no
chão e a espalhar-se no ar. Não valia a pena".
O
Christian Science Monitor
destaca:
Anteriormente os russos utilizaram ogivas nucleares pelo menos cinco vezes para
extinguir incêndios em furos. ... O
Komsomoloskaya Pravda
sugeriu que os Estados Unidos poderiam também arriscar-se com um ogiva,
baseado no histórico da taxa de falha de 20%. Ainda assim, a
experiência soviética com o disparo subterrâneo de uma ogiva
nuclear em furos de gás podia demonstrar-se mais fácil em
retrospectiva do que tentar selar o desastre com o furo de petróleo no
Golfo do México que teve lugar 5.000 pés [1.524 m] abaixo da
superfície. Os russos estavam a utilizar ogivas para extinguir
incêndios em furos de gás em campos de gás natural,
não a selar furos de petróleo que jorravam líquido, de
modo que há grandes diferenças e este método nunca foi
testado em tais condições.
O artigo da CBS New destaca que nem todas as ogivas nucleares russas
funcionaram:
Mas nem todos os casos de utilização de energia nuclear tiveram o
resultado desejado. Uma carga de 4 kilotoneladas posta na região de
Kharkov da Rússia falhou em travar uma fuga de gás. "A
explosão foi misteriosamente deixada à superfície,
formando uma nuvem em cogumelo", relatou o jornal.
Na verdade, vários peritos disseram que disparar uma ogiva nuclear no
furo pode piorar a situação.
O artigo da Reuters nota:
Há uma probabilidade de que qualquer explosão possa fracturar o
leito do mar e provocar um jorro subterrâneo, segundo Andy Radford,
engenheiro de petróleo e conselheiro do American Petroleum Institute
sobre questões offshore.
A reportagem da CNN nota ser concebível que o disparo da ogiva no furo
em fuga desestabiliza outros furos de petróleo a quilómetros de
distância.
O
New York Times
escreve
:
Governo e peritos nucleares privados concordam em que utilizar uma bomba
nuclear seria ... tecnicamente arriscado, com consequências da
radiação desconhecidas e possivelmente desastrosas ...
Um cientista senior de Los Alamos, a falar na condição de
anonimato porque os seus comentários não foram autorizados,
ridicularizou a ideia de utilizar uma explosão nuclear para resolver a
crise no golfo.
"Isso não está em vias de acontecer", disse ele.
"Tecnicamente, seria explorar novo terreno em meio a um desastre e
você pode torná-lo pior".
E um dos físicos de topo do mundo o
teórico das cordas
Michio Kaku
escreve
:
Penso que isto é uma ideia má, do ponto de vista da
física. Deixe-me dizer que o meu mentor quando estava na faculdade e em
Harvard, Edward Teller, pai da bomba H, era um firme advogado da
utilização de armas nucleares para escavar canais e outros
grandes projectos de engenharia.
Debaixo do chão, temos então uma cavidade esférica de
gás vaporizado, com paredes que foram vitrificadas a partir da areia.
Esta cavidade esférica é estável durante umas poucas horas
ou uns poucos dias, mas finalmente o peso da rocha leva a esfera ao colapso. O
resultado é um colapso súbito da esfera, muitas vezes libertando
gás radioactivo para o ambiente.
Se isto se verificar sob o leito do mar (o que nunca foi feito antes),
haverá complicações. Primeiro, haveria a
libertação de produtos químicos perigosos e
solúveis em água tais como iodo radioactivo, estrôncio e
césio, os quais contaminariam a cadeia alimentar no Golfo. Segundo, o
"selo" criado pela areia vitrificada provavelmente seria
instável. E terceiro, pode realmente tornar o problema pior, criando
muitas mini fugas no leito do oceano. Determinar o efeito preciso de semelhante
explosão debaixo da água dependeria de cruciais
simulações em computador das várias camadas de rocha sob o
leito do oceano, as quais nunca foram feitas antes.
Por outras palavras, isto seria um enorme experimento científico, com
consequências inesperadas. Além disso, com a estação
de furacões sobre nós, e previsões de oito ou mais
furacões nesta estação, significa que a água do mar
várias centenas de pés abaixo da superfície da água
podia ser agitada e então depositada a Sul. Esta água do mar,
contendo óleos e produtos radioactivos da cisão, ampliaria o
problema ambiental.
Em suma, não é uma boa ideia utilizar ogivas nucleares para selar
fugas de petróleo.
Além disso, o presidente Bill Clinton
disse
domingo à CNN
(começa às 03h13 no vídeo) que havia examinado a
questão e que uma ogiva nuclear não é necessária.
Ele disse que a Armada pode utilizar explosivos convencionais para selar o
furo. Como antigo comandante-em-chefe, provavelmente Clinton está a
obter tal informação de alguém muito alto na Armada.
Para mais sobre a opção nuclear, ver
isto
.
02/Julho/2010
Ver também:
A fuga de petróleo no Golfo "pode perdurar anos" se não for travada
, F. William Engdahl
O original encontra-se em
http://www.washingtonsblog.com/
e em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=20003
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.