À atenção dos defensores de um novo aeroporto para Portugal

IATA prevê perdas de US$2,5 mil milhões em 2009
– A pior perda de receitas da aviação mundial em 50 anos

por IATA [*]

GENEBRA – A International Air Transport Association (IATA) anunciou a sua previsão para 2009: ela mostra uma perda de US$2,5 mil milhões para a indústria aeronáutica. Espera-se que todas as regiões, excepto os EUA, apresentem em 2009 perdas maiores do que em 2008.

A previsões a destacar são:

  • Espera-se um declínio de US$501 mil milhões nas receitas da indústria. Isto representa uma queda de US$35 mil milhões em relação às receitas de US$536 mil milhões previstas para 2008. Esta queda de receitas é a primeira desde os dois anos de declínio consecutivo verificados em 2001 e 2002.
  • Os rendimentos declinarão em 3,0% (5,3% quando ajustados às taxas de câmbio e inflação).
  • Espera-se um declínio de 3% no tráfego de passageiros , a seguir ao crescimento de 2% em 2008.
  • Espera-se um declínio de 5% no tráfego de carga , a seguir a uma queda de 2% em 2008. Antes de 2008, a última vez que o tráfego de carga declinou foi em 2001 quando se registou uma queda de 6%.
  • Espera-se que o preço do petróleo ronde os US$60 por barril (Brent) para uma factura total de US$142 mil milhões. Isto é US$32 mil milhões inferior a 2008, quando o preço médio foi de US$100 por barril (Brent).
.

"A perspectiva é negra. A crise crónica da industria continuará em 2009 com perdas de US$2,5 mil milhões. Enfrentamos o pior ambiente quanto a receitas em 50 anos", afirmou Giovanni Bisignani, Director-Geral e Presidente da IATA.

A IATA também actualizou a sua previsão para 2008 para uma perda de US$5 mil milhões. Isto é uma ligeira melhoria em relação aos US$5,2 mil milhões projectados em Setembro pela Associação, primariamente devido a um rápido declínio nos preços do combustível.

A redução nas perdas da indústria de 2008 a 2009 deve-se primariamente a uma guinada nos resultados das transportadoras norte-americanas. As transportadoras nesta região foram atingidas duramente pelos altos preços do combustível com hedging muito limitado e espera-se que registem as maiores perdas da indústria em 2008, US$3,9 mil milhões. Uma redução anterior de 10% na capacidade interna em resposta à crise de combustível deu às transportadoras da região uma vantagem inicial no combate à queda na procura induzida pela recessão. A falta de hedging não está a permitir que as transportadoras da região aproveitem plenamente o preços spot em declínio rápido do combustível. Em consequência, espera-se que as transportadoras da América do Norte registem um pequeno lucro de US$300 milhões em 2009. "A América do Norte será a única região com resultados positivos, mas o lucro esperado de US$300 milhões é menos de 1% da sua receita. 2009 será outro ano difícil para todos", disse Bisignani.

. Todas as outras regiões mostrarão perdas:

  • As transportadoras da Ásia-Pacífico verão perdas superiores ao dobro dos US$500 milhões de 2008, de US$1,1 mil milhões em 2009. Com 45% do mercado global de carga, as transportadoras da região serão desproporcionalmente atingidas pela queda esperada de 5% no mercado global de carga do próximo ano. O maior mercado da região – o Japão – já está em recessão. E os seus dois principais mercados em crescimento – China e Índia – espera-se que apresentem uma grande mudança de desempenho. O crescimento chinês será mais lento devido à queda na exportações. Os transportadores da Índia, os quais já estão a lutar com altos impostos e infraestrutura insuficiente, podem esperar uma queda na procura a seguir aos trágicos incidentes de terror em Novembro.
  • As perdas para transportadores europeus aumentarão dez vezes, para US$1000 milhões. As principais economias da Europa já estão em recessão. Para muitas transportadoras da região, o hedging bloqueou os altos preços do combustível em termos de dólares dos EUA, e o enfraquecido Euro está a exagerar o impacto.
  • As linhas aéreas do Médio Oriente verão as perdas duplicarem para US$200 milhões. O desafio para a região será compatibilizar a capacidade com a procura quando as frotas se expandem e o tráfego diminui – particularmente para conexões a grande distância.
  • As transportadoras da América Latina experimentarão perdas de US$200 milhões. A forte procura por mercadorias que tem conduzido o crescimento da região foi severamente restringida com a actual crise económica. Os maus tempos na economia dos EUA estão a atingir a região duramente.
  • As linhas aéreas africanas verão a continuação das perdas de US$300 milhões. As transportadoras da região enfrentam forte competição. A defesa da fatia de mercado será o principal desafio.

Bisignani enfatizou a contínua contracção do tráfego de carga aérea que principiou em Junho de 2008. "A carga aérea abrange 35% do valor dos bens comerciados internacionalmente. Os 7,9% de declínio em Outubro constituem uma indicação clara que o pior ainda está para vir – quanto às linhas aéreas e ao arrefecimento da economia global", disse Bisignani.

"As companhias de aviação fizeram um trabalho notável de auto-reestruturação desde 2001. A rubrica de custos não combustível caiu 13%. A eficiência do combustível melhorou em 19%. E as vendas e os custos de marketing reduziram-se em 13%. A IATA deu uma contribuição significativa para esta reestruturação. Em 2008 nossa campanha do combustível ajudou as companhias de aviação a pouparem US$5 mil milhões, o equivalente a 14,8 milhões de toneladas de CO2. E os nosso trabalho com fornecedores monopolistas proporcionou poupanças de US$2,8 mil milhões. Mas a ferocidade da crise económica empanou estes ganhos e as companhias estão a lutar para corresponder à capacidade com a queda esperada de 3% na procura de passageiros em 2009. A indústria permanece doente. E serão precisas mudanças para além do controle das companhias de aviação a fim de navegar de volta ao território lucrativo", disse Bisignani.

Bisignani esboçou um plano de acção para 2009 que reflectiu a Declaração de Istambul da Associação, de Junho deste ano. "O trabalho deve entender que os empregos desaparecerão se os custos não se reduzirem. Os parceiros da indústria devem contribuir para ganhos de eficiência. E os governo devem cessar a tributação louca, consertar a infraestrutura, dar às linhas aéreas liberdades comerciais normais e regular efectivamente fornecedores monopolistas", disse Bisignani.

  • Ver Previsão Financeira completa da IATA para 2009 (pdf)

    Ver também:
  • Disponibilidade de slots no Aeroporto de Lisboa (Portela) na semana de 15 a 21 de Dezembro de 2008
  • A produção de jet fuel e a dispensabilidade de novos aeroportos , de John Busby.
  • Peak Oil: A crise global que se aproxima e o declínio da aviação , de Alex Kuhlman.
  • Esgotamento do petróleo, tráfego aéreo e construção de novos aeroportos , de John Busby.
  • O Novo Aeroporto de Lisboa e a escassez de petróleo , de Demétrio Carlos Alves.
  • Novo aeroporto: O falso problema e o verdadeiro , de Jorge Figueiredo.
  • A produção de jet fuel e a dispensabilidade de novos aeroportos , de John Busby.
  • Peak Oil: A crise global que se aproxima e o declínio da aviação , de Alex Kuhlman.
  • Esgotamento do petróleo, tráfego aéreo e construção de novos aeroportos , de John Busby.
  • O Novo Aeroporto de Lisboa e a escassez de petróleo , de Demétrio Carlos Alves.
  • Novo aeroporto: O falso problema e o verdadeiro , de Jorge Figueiredo.

    Clique para aceder ao abaixo assinado.


    [*] A IATA (International Air Transport Association) representa cerca de 230 companhias de aviação que abrangem 93% do tráfego aéreo internacional.

    O original encontra-se em http://www.iata.org/pressroom/pr/2008-12-09-01.htm


    Este press release encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 15/Dez/08