Abaixo assinado
Não ao muro de Sharon
O Governo de Sharon, mau grado a significativa oposição de amplos
sectores do seu próprio país e de uma generalizada
condenação da opinião pública internacional,
insiste em levar por diante a construção de um muro destinado a
tornar estanques os territórios de Israel e da Palestina. Este
propósito, para além de todas as reservas éticas e
políticas que suscita, uma vez que consagra, simbolicamente e na
prática, a impossibilidade futura de os dois povos se entenderem e
viverem em paz, constitui um acto prepotente e violento, que não
contempla um traçado de fronteiras previamente caucionado pelas
Nações Unidas e que faz tábua rasa das sucessivas
resoluções já emitidas por aquela
organização internacional a tal respeito, acabando por impor
unilateralmente a incorporação em Israel de largas faixas de um
território conquistado pela força das armas, onde vivem
populações palestinianas a que se não curou de dar voz,
cerceando drasticamente, e no mesmo passo, a criação do Estado da
Palestina independente e soberano.
Estas populações correrão o risco de ficarem confinadas a
uma espécie de guetos ou bantustões de triste memória,
sem acesso natural aos que foram os seus vizinhos e familiares de sempre e
até mesmo aos terrenos de cultura que agenciavam para sobreviver. A
necessidade de defesa, que Israel invoca, nunca poderá caucionar a
inumanidade e a violência de semelhante conduta. Continuar a responder
com ferocidade redobrada alegando os ataques de que se é objecto,
só servirá para acelerar a corrida demencial para o abismo a que
hoje se assiste.
A partir de 23 de Fevereiro o Tribunal Internacional de Justiça de Haia
reúne-se, por solicitação da Assembleia das
Nações Unidas, para apreciar a legalidade da nefanda
construção. Cientes, embora, que o acto de barbárie que
Sharon pretende promover, acabará por ser devidamente verberado, os
signatários apelam à opinião pública nacional para
que, a tal respeito, manifeste a sua solidariedade com o desamparado povo
palestiniano. Reclamam ainda que o Governo Português, que se absteve
quando na Assembleia das Nações Unidas o assunto foi tratado,
assuma, a partir de agora, uma posição firme, em conformidade
com o Artigo 7 da nossa Constituição, e expresse claramente, sem
subserviência à linha da actual Administração
americana, o seu profundo desacordo quanto à política guerreira
seguida pelo Governo de Sharon.
Entre as primeiras cinquenta adesões recebidas, figuram personalidades
destacadas do meio universitário e intelectual, assim como
personalidades políticas e dirigentes sindicais. Entre eles,
Aquilino Ribeiro Machado
, ex-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa;
Carlos Araújo Sequeira
, advogado;
Carlos Candal
, advogado e deputado ao Parlamento Europeu;
Fernando Loureiro
, médico;
Fernando Oliveira Baptista
, Professor Catedrático e ex-ministro;
Frederico Gama Carvalho
, Investigador Científico do Instituto Tecnológico e Nuclear;
Frei Bento Domingues
, Frade Dominicano;
Gualter Basílio
, ex-deputado à Assembleia da República;
João Caraça
, Investigador;
João Cunha e Serra
, engenheiro e Presidente do Conselho Português para a Paz e
Cooperação;
João Vasconcelos Costa
, Professor Universitário;
Joaquim Santos Simões
, Pedagogo;
Jorge Figueiredo,
Economista;
José Barata Moura
, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de
Lisboa;
José Casanova
, Escritor e Director de Jornal;
José Delgado Rodrigues
, Geólogo;
Kalidas Barreto
, ex-dirigente sindical;
Manuel Carvalho da Silva
, secretário-geral da CGTP;
Miguel Urbano Rodrigues
, Jornalista;
Pedro Pezarat Correia
, General (ref.) e Professor Universitário;
Rui Namorado Rosa
, Professor Universitário;
Silas Cerqueira
, Investigador e Docente Universitário;
Vasco Gonçalves
, General (ref.) e ex-Primeiro Ministro;
Vasco Lourenço
, Coronel (ref.);
Vítor Alves
, Coronel (ref.).
Novas adesões podem ser encaminhadas a:
Aquilino Ribeiro Machado,
aquilinoribeiromachado@yahoo.com.br
ou
Silas Cerqueira,
s.cerqueira@netcabo.pt
Este abaixo assinado encontra-se em
http://resistir.info
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