Viva o regresso todo-poderoso dos "Piratas das Caraíbas", agora atualizados para "Piratas do Golfo Pérsico".
O colapso espetacular dos ditames de Islamabad – a Barbárie veio para ditar, nunca para negociar – foi seguido por uma operação psicológica de coerção com esteróides: Jesus! (literalmente, tal como ele publicou no Truth Social) a ameaçar todos os navios que agora pagam portagem do Estreito de Ormuz.
Como cada grão de areia, do Gobi ao Saara, já sabe, isto tem tudo a ver com a China.
Por isso, a questão tem de ser colocada novamente. O CENTCOM fundiu-se agora com o INDOPACOM, uma nova hidra pirata. Será que o INDOPACOM terá coragem para hostilizar um superpetroleiro chinês que navegou pelo Estreito de Ormuz depois de pagar a portagem em yuan?
No seu modo característico de supremacia delirante, o secretário do Tesouro dos EUA, Bessent, afirmou que a China deixará de poder obter petróleo do Irão.
Este truque do Babuíno da Bárbarie traduz-se, na verdade, numa guerra económica não só contra a China, mas contra um conjunto de nações, na sua maioria asiáticas, perturbando os fluxos energéticos globais, o comércio e o transporte marítimo de todo o tipo de mercadorias do Ocidente para o Oriente e do Oriente para o Ocidente. Um bloqueio petrolífero que visa não só a China, mas também grande parte do mundo multipolar.
Antes do início do bloqueio americano, apenas navios de cinco nações podiam transitar pelo Estreito de Ormuz: China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão. Mais uma vez: será que o INDOPACOM se atreverá a apreender ou afundar navios de quatro potências nucleares?
A Coreia do Sul deu um passo além e despachou um enviado especial para negociações diretas com Teerão, a fim de garantir a passagem segura por Ormuz e comprar mais petróleo e gás a preços mais baixos. Neste momento, pelo menos 26 petroleiros sul-coreanos permanecem retidos.
Agora compare Bessent com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, em Pequim, após conversar com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e ser recebido pessoalmente pelo presidente Xi:
"A Rússia pode, sem dúvida, compensar a escassez de recursos que surgiu".
Cerca de 13% das importações de petróleo da China provêm do Irão – aproximadamente 1,38 milhões de barris por dia. Paralelamente, o Power of Siberia-1 – a funcionar a plena capacidade – fornece 38 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano, e o oleoduto ESPO está a atingir níveis recorde.
O Power of Siberia-2 só poderá entrar em funcionamento no próximo ano. A Rússia já fornece até 20% do petróleo da China. "Compensar", nos termos de Lavrov, significa levar a capacidade excedentária ao limite. Mas isso é viável.
O Irão, por seu lado, pode contar com um oleoduto alternativo e com o terminal petrolífero de Jask, com capacidade para 1 milhão de barris por dia, que contorna completamente o Estreito de Ormuz.
Até agora, oito petroleiros chineses transitaram por Ormuz desde que o bloqueio foi anunciado. Além disso, a China tem até 1,3 mil milhões de barris em reservas, o suficiente para amortecer algumas perdas do Irão durante meses. E a China continuará – em teoria – a receber petróleo de petroleiros que partem de outros portos do Golfo Pérsico não iranianos (eles ainda terão de pagar a portagem).
A grande questão é por quanto tempo o Irão – e a China, aliás – tolerará que a frota-sombra seja interceptada pelo INDOPACOM sem uma resposta balística.
À espera do bloqueio do triângulo de Al Aqsa
Um bloqueio de todos os portos do Irão – e não do Estreito de Ormuz propriamente dito – poderá em breve encontrar o seu adversário à altura: o iminente Bloqueio do Triângulo de Al Aqsa (Bab-al-Mandeb, porto de Yanbu na Arábia Saudita, Suez, em ligação com Ormuz), tal como qualificado pelo Ansarallah do Iémen. Os houthis estão apenas à espera do momento superestratégico para entrar na conversa. Isso levará inevitavelmente o petróleo a ultrapassar os 200 dólares por barril – e a subir.
Tradução: um choque de oferta irrecuperável e a nível de todo o sistema.
A administração covarde do Babuíno da Barbárie certamente não pensou nisto até ao fim – já que está obcecada em privar a China de petróleo e dólares americanos enquanto destrói, em teoria, os nós-chave das Novas Rotas da Seda/BRI.
O que todos os demais estão a prestar atenção é como o bloqueio imposto pelo INDOPACOM irá devastar dezenas de nações fora da China.
O que nos leva a um cálculo banal, mas bastante viável – em sintonia com tipos como Bessent: vamos privar todos de petróleo e dólares americanos para que fiquem desesperados por vender as suas obrigações do Tesouro dos EUA de volta aos EUA muito abaixo do valor nominal, desde que possam obter petróleo e/ou dólares americanos em troca.
Esta é a Central dos Vigaristas: os americanos retiram a sua dívida de circulação – com um enorme desconto – e simplesmente apagam aqueles pagamentos de juros gigantescos sobre a dívida que não conseguem pagar.
Não há garantia de que a administração do Babuíno da Bárbarie consiga o que quer. Teerão não depende de rotas marítimas. Após décadas de sanções, desenvolveram uma série de corredores terrestres alternativos, canais de comércio de troca e mecanismos de permuta, por exemplo, através do Turquemenistão.
A China, mais uma vez, já não é prisioneira do Dilema de Malaca – entre a Malásia e Sumatra, na Indonésia – porque diversificou meticulosamente as suas fontes, a começar pelos gasodutos sino-russos.
Além disso, o oleoduto China-Mianmar contorna totalmente Malaca.
O longo gasoduto China-Ásia Central que atravessa o Turquemenistão, o Uzbequistão e o Cazaquistão – pago pela China e contornando a talassocracia americana – está em funcionamento desde o início da década de 2010.
Depois, há o porto de águas profundas de Gwadar, no Mar Arábico, o nó-chave do Corredor Económico China-Paquistão (CPEC) e um pilar da BRI. Gwadar fica apenas a 80 km a leste do porto de Chabahar, em Sistan-Baluchistão, no Irão: portanto, longe do Golfo Pérsico. Isso traduz-se numa rota terrestre do Mar Arábico até Xinjiang.
A China não passará fome se for privada do petróleo iraniano. A China lidera em quase todos os setores de produção de energia e eletricidade. Possui a capacidade industrial — falando de capitalismo produtivo —, as matérias-primas, as cadeias de abastecimento e mão de obra qualificada suficiente para produzir a tecnologia e a infraestrutura necessárias para todos os sistemas energéticos relevantes: painéis solares, turbinas, baterias, linhas de transmissão, tudo no que diz respeito à energia solar, eólica, hidráulica e nuclear de última geração. Foi exatamente isso que vi ao viajar por Xinjiang de um lado ao outro no ano passado, enquanto filmava um documentário.
Obviamente, os lacaios míopes do Babuíno da Bárbaria não conseguem compreender como a estratégia da China de domínio total em veículos elétricos, baterias solares e exportação de eletricidade está a proteger o Império do Meio de choques artificiais de petróleo/gás, tal como o bloqueio.
Neste momento, a Armada Invencível permanece na periferia do Golfo de Omã, fora do alcance de muitos – mas não de todos – os mísseis e drones iranianos, mas certamente passível de ser alvejada por mísseis balísticos de longo alcance e hipersónicos. Os americanos continuarão a usar o seu ISR para rastrear navios; depois, pequenas embarcações e helicópteros iniciarão o procedimento de "interdição".
Até agora, nada aconteceu. Bem, na verdade, aconteceu algo de grande: um superpetroleiro não iraniano, sujeito a sanções e capaz de transportar 2 milhões de barris de petróleo, navegou para o Irão através do Estreito de Ormuz com o AIS [Automatic Identification System] ligado, para que todos os rastreadores o pudessem ver. O INDOPACOM não se atreveu a tocá-lo.
Os iranianos, entretanto, estão apenas à espera. De forma assimétrica. Mas não se enganem: estão ansiosos por combater – caso o cessar-fogo se desmorone.
Nesse caso, seremos mergulhados diretamente na Mãe de Todos os Suspenses. O Irão só precisa de afundar um contratorpedeiro americano; e/ou "incapacitar" um daqueles alvos fáceis multimilionários com uma salva de mísseis/drones, guiada pela inteligência chinesa.
O planeta inteiro verá então o que isso realmente é: a derrota estratégica definitiva e gritante do Império do Caos, das Mentiras, da Pilhagem, da Pirataria e do “Se eu não gostar de ti, eu mato-te”.
Que venha.