Era totalmente previsível.
O Babuíno da Bárbaria e os seus lacaios quebraram a promessa de suspender as sanções petrolíferas contra o Irão. O compromisso foi revogado pelo Departamento do Tesouro.
Quebraram o frágil cessar-fogo – com ataques aos postos litoraneos do sul do Irão; o Irão respondeu; os EUA intensificaram a resposta; e a escalada voltou a ganhar força.
Quebraram o acordo sobre a navegação no Estreito de Ormuz com provocações sucessivas contra petroleiros: a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) respondeu na mesma moeda.
Eles romperam – através do culto da morte – a promessa do Memorando de Entendimento de pôr fim à guerra "em todas as frentes, incluindo o Líbano".
O "Babuíno da Bárbaria" assinou o Memorando de Entendimento com grande alarde em Versalhes e, com a sua habitual atitude asquerosa e brutal, violou-o durante as prolongadas cerimónias fúnebres do líder assassinado, o aiatolá Khamenei — com dezenas de milhões de iranianos a demonstrarem total coesão nacional, juntamente com iraquianos em Najaf e Karbala.
O controlo total iraniano do Estreito de Ormuz está novamente em vigor.
E o Estreito de Bab el-Mandeb poderá vir a seguir.
Tudo isto decorria em simultâneo com a cimeira da NATO em Ancara — onde Trump declarou, espumando pela boca e histérico de raiva, que o cessar-fogo estava "acabado" e descreveu os políticos iranianos, ao estilo de um neo-Crasso, como "escória" e "mentirosos", "pessoas cruéis e violentas". É o que se chama de auto-projeção narcisista.
Foi inteiramente apropriado que o Babuíno da Bárbaria voltasse a intensificar a guerra logo a seguir a uma cimeira da Organização Terrorista do Atlântico Norte. Os alvos do CENTCOM incluem as infraestruturas civis e os corredores de conectividade do Irão. Táticas de terror comprovadas.
É sempre crucial voltar a sublinhar que a guerra da NATO contra a Rússia e a guerra americana contra o Irão são variações da mesma guerra imperial contra Estados-civilização soberanos profundamente implicados na integração da Eurásia.
Veja-se aquele medonho secretário-geral da NATO, Tutti Frutti al-Rutti, a revelar o jogo, ao descrever a Europa como "uma grande plataforma de projeção de poder para os Estados Unidos": afinal, "5 000 aviões haviam descolado de aeroportos europeus" para apoiar a guerra americana contra o Irão.
Aqui está, para que qualquer pessoa com um QI superior a 50 em todo o Ocidente compreenda: a NATO não passa de uma plataforma de lançamento — vassala — do Império do Caos, da Pilhagem e da Pirataria.
O Babuíno da Bárbaria não ficou impressionado com o palhaço holandês. Pelo contrário: vociferou contra a Itália — "muito má" — por não ter aberto as suas bases; contra o Reino Unido por ter aberto apenas algumas; ameaçou a Espanha com um corte comercial, uma vez que Madrid fechou o seu espaço aéreo à guerra em março passado; e acrescentou a sua "necessidade" de engolir a Gronelândia.
É assim que o Império trata a "plataforma" vassala: como "escória".
A NATO aos europeus: "Que comam drones"
O título curto para descrever a cimeira da NATO em Ancara é "Que comam drones". A mensagem é dirigida a todos os contribuintes europeus, de todos os quadrantes.
A NATO quer que todos os Estados-membros se transformem numa economia de guerra, com cada nação a pagar uns avultados 5% do PIB para acolher bases norte-americanas utilizadas para atacar as proverbiais "ameaças existenciais" ao Império: Rússia, Irão, China.
Siga o dinheiro. Não há dinheiro. Nenhum destes Estados-membros depauperados de recursos financeiros consegue, de forma alguma, atingir o limiar de 5% do PIB para armas. Nenhum deles é suficientemente estúpido para acreditar que precisa de entrar em guerra contra a China. Não fazem a mínima ideia de como reagir à enorme derrota estratégica que o Irão infligiu aos EUA.
No entanto, todos estavam de excelente humor quando se tratava de continuar a levar a cabo a sua guerra contra a Rússia — que qualquer pessoa com um mínimo de juízo sabe que está perdida —, despejando mais 70 mil milhões de dólares no buraco negro que é a Ucrânia para que a guerra continue até ao último ucraniano.
Agora compare toda esta demência agravada do Ocidente com o espetáculo surpreendente dos milhões de pessoas nas ruas de Teerão, Qom e Mashhad — e em Najaf e Karbala, no Iraque — a prestar homenagem ao falecido líder, o aiatolá Khamenei, assassinado.
Não poderia haver uma representação mais vívida da civilização contra a barbárie.
A cerimónia de despedida no santuário sagrado de Abbash, em Karbala, destacou a profunda ligação entre os centros religiosos e espirituais cruciais no Irão e no Iraque: em suma, a unidade xiita extrapolou-se também como uma demonstração de poder suave, uma vez que sunitas e cristãos também prestavam as suas homenagens.
Tradução: a franja salafista-jihadista foi relegada para o caixote do lixo. E essa é a razão principal pela qual os suspeitos do costume, em pânico, precisaram de reiniciar o ataque cinético contra a Pérsia. Simplesmente não podem dar-se ao luxo de uma rejeição regional, por toda a Ásia Ocidental, da sua barbárie.
Entram em cena os suspeitos do costume, a utilizar as bases e os espaços aéreos do Catar (Al Udeid) e da Arábia Saudita (Príncipe Sultan) para atacar alvos iranianos e reacender a estratégia de "dividir para reinar" entre árabes e persas e entre xiitas e sunitas.
Teerão havia chegado a um acordo com o Catar e Abu Dhabi há semanas: o Irão não os bombardearia em troca da libertação dos fundos iranianos congelados. O mesmo se aplica a Riade – em troca de melhores relações diplomáticas. Os mediadores paquistaneses estão agora a dar o seu melhor para recompor o que se partiu.
O último ato extraordinário de Khamenei
Mais uma vez, teremos de voltar ao significado da marcha prolongada de milhões na sólida coesão nacional desencadeada pelos rituais e cerimónias ligados ao assassinado aiatolá Khamenei.
Não se tratou apenas de uma homenagem — proveniente de todos os meios e de todas as classes sociais — a um dos principais líderes espirituais e políticos do final do século XX e início do século XXI.
Mais de 100 nações enviaram delegações de alto nível às cerimónias. Estava representado o "quem é quem" do Sul Global. A Rússia enviou o número dois do governo, Medvedev "o Destravado", como enviado pessoal de Putin. A China enviou a sua liderança parlamentar de topo. O Paquistão enviou o seu primeiro-ministro, lado a lado com o poderoso marechal de campo Asim Munir.
A Ásia Central, o Cáucaso, a Ásia Ocidental e até mesmo o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros dos talibãs – estavam todos presentes. Nem um único vassalo da NATOstão enviou uma delegação. Bem, na verdade o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão não convidou nenhuma nação ocidental que tivesse apoiado a guerra americana.
Além disso, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso no Sul Global sabe que estas "democracias liberais" ocidentais estão a ser mergulhadas pelas suas elites indescritivelmente medíocres no abismo mais negro do colapso moral niilista.
De qualquer forma, o Irão, enquanto potência regional e do Sul Global em ascensão e ressurgimento, com a sua coesão interna plenamente reafirmada, mesmo perante enormes desafios, não precisa delas. A Rússia, a China, o Paquistão, a Turquia, os países da Ásia Central — essa era a multipolaridade emergente a assistir a um funeral e a posar para uma das fotografias definitivas do Novo Grande Jogo.
Portanto, sim: devemos considerar as cenas extraordinárias desta semana no Irão e no Iraque como o último — e extraordinário — ato de Khamenei. Desafio. Resiliência. Soberania. Dignidade. É como se a sua intuição lhe tivesse dito que isso iria inexoravelmente acontecer; como se ele se sentisse reconfortado pelo significado extraordinário que o seu assassinato teria para o Irão.
Para além de toda a grosseria, das mentiras e da raiva furiosa demonstradas pelo império bárbaro, esta é a semana que ficará na História como aquela em que o Irão consolidou o seu estatuto de Estado-civilização incontestável – orgulhoso da sua história profunda e da sua coesão nacional.
Não admira que a Barbária tema tanto os persas.
E depois, claro, há a China — que apoiou desde o início o Memorando de Entendimento (MoU) quase sem vida e agora verifica porque é que Teerão já não se importa minimamente com isso.
Enquanto ninguém estava a ver, Pequim expandiu a sua reserva de liquidez em yuan para 500 mil milhões de dólares (duplicou as quotas do Bond Connect); lançou um centro de compensação de ouro em Hong Kong; e anunciou futuros de ouro denominados em yuan.
O Banco da China vê claramente como a procura global pelo yuan está a expandir-se para além do comércio, abrangendo "investimento, financiamento, fixação de preços" e, fundamentalmente, "reservas cambiais". Tradução: desdolarização acelerada. É melhor a Bárbaria preparar-se para um rude despertar.