O Pico Petrolífero revisitado

Jorge Figueiredo [*]

Os que prognosticaram a morte do Pico petrolífero (Peak Oil) certamente tomaram seus desejos por realidade. O estudo agora publicado por Steve Andrew, de The Energy Bulletin, mostra:

  1. Em 2021, 73% dos 89,9 milhões de barris/dia produzidos no mundo foram fornecidos por apenas dez países (ver tabela abaixo). E praticamente todos eles já atingiram o pico máximo da produção. Só três (Canadá, Iraque e Brasil) poderão ainda ter aumentos.
  2. No mesmo ano, 16,5% da produção foi fornecida pelos dez países seguintes. Destes, todos eles não só já atingiram o pico como tiveram uma redução da produção em 2021.
  3. Verifica-se assim que quase 90% da produção petrolífera mundial está concentrada em apenas 20 países, os quais já atingiram os seus respetivos máximos possíveis. A restante produção mundial é, portanto, residual.
  4. A única grande descoberta de petróleo em 2021 foi na Guiana (ex-inglesa). No entanto, ela ainda não está dimensionada.
  5. Dos 50 países listados, 31 apresentam produções em decréscimo e 16 produções estagnadas ou variáveis.
Produção de gás natural na UE e importações da Rússia.

Esta realidade tem implicações fundas. Dos recursos energéticos planetários, os únicos que continuam a existir em abundância são o carvão e o gás natural. Quanto ao urânio, ele começa a apresentar escassez (mas para o nuclear há a alternativa do tório e os chineses estão a desenvolver micro centrais com este combustível). As energias intermitentes (eólica e fotovoltaica) são inconfiáveis e, ao contrário do que diz a ideologia verde da UE & a menina Greta, não podem garantir o abastecimento de um país minimamente industrializado. Quanto ao hidrogénio, ele é apenas um sonho demagógico de políticos ignorantes pois o H2 não é uma energia primária (o que significa que tem de ser produzido e a sua produção tem custos energéticos).

Assim, o que é que sobra para o mundo no imediato e para aquele em que viverão os nossos filhos e netos? Só o carvão e o gás natural. Tristemente, os políticos asnáticos que dominam a UE não têm consciência da disponibilidade relativa dos recursos mundiais e estão a reboque do capital financeiro que só pensa em termos de curto prazo. Até cerca do ano 2000 a produção de gás natural na UE era maior do que as importações de gás natural da Rússia. Mas os que dominam a UE decretaram então que o metano não era suficientemente “verde” para o gosto deles e utilizaram o fantasma do “aquecimento global” para afastá-lo. Os resultados hoje estão à vista.

Quanto ao burgo lusitano, convém recordar que o governo António Costa recentemente mandou para a sucata duas centrais termoelétricas a carvão (Sines e Abrantes) que estavam perfeitamente operacionais. Mas ninguém se responsabiliza por crimes como estes contra a economia nacional. Os culpados, tanto na UE como em Portugal, andam todos por aí muito pimpões.

Tabela elaborada por Steve Andrew.
in https://docs.google.com/spreadsheets/d/1xP1Y5ZGbENe_Yx6HXuPWPY4fRdnqxUEpS_1kxB0H9B8/edit#gid=1980594382

19/Setembro/2022

Ver também:
  • Petrocalipsis y el futuro de la energía, exposição do Dr. Antonio Turiel, 13/Set/22
  • O original encontra-se em docs.google.com/spreadsheets/...

    Este artigo encontra-se em resistir.info

    20/Set/22
    21/Set/22