Iraque:
Organizador de esquadrão da morte substitui Bremer
por Doug Lorimer
A 20 de Abril, quando o número de mortes nas tropas americanas no Iraque
já ultrapassou as sete centenas, o presidente norte-americano George
Bush nomeou
John Negroponte, actual embaixador de Washington nas Nações
Unidas, para substituir Paul Bremer no cargo de embaixador norte-americano no
Iraque.
Se esta nomeação for aprovada pelo Senado norte-americano,
Negroponte assumirá o controlo da maior embaixada norte-americana no
mundo. Esta embaixada dispõe de, pelo menos, 3000 funcionários,
incluindo oficiais que irão continuar a dirigir os ministros do governo
iraquiano como conselheiros quando a Autoridade Provisória da
Coligação dominada pelos EUA e que Bremer chefia, for formalmente
dissolvida a 30 de Junho.
Ao anunciar esta nomeação, Bush sublinhou a "enorme
experiência e perícia" de Negroponte. Tal
afirmação indicia a intenção de a perícia de
Negroponte ser utilizada na consolidação do apoio das
Nações Unidas à ocupação norte-americana do
Iraque, reforçando uma decisão unânime do Conselho de
Segurança da ONU tomada em Outubro passado e que autorizava Washington a
criar uma "força multinacional sob comando unificado que pudesse
tomar todas as medidas necessárias para contribuir para a
manutenção da segurança e estabilidade no Iraque".
No entanto, Negroponte evidencia outras capacidades que são de maior
utilidade, para Washington no Iraque.
Segundo uma pormenorizada investigação efectuada em 1995 pelo
jornal
Baltimore Sun
, Negroponte enquanto embaixador dos EUA nas Honduras, entre 1981 e 1985,
supervisionou um esquadrão da morte hondurenho treinado pela CIA.
Conhecida como batalhão 3-16, esta organização sequestrou,
torturou e assassinou centenas de políticos da oposição ao
governo hondurenho de direita, incluindo missionários norte-americanos.
Negroponte supervisionou igualmente a criação da base
aérea El Aguacate, que alguns hondurenhos mais críticos,
denunciaram como sendo utilizada pela CIA e por militares hondurenhos como
local secreto de detenção e de tortura durante os anos 80. Em
Agosto de 2001, escavações na base puseram a descoberto os
cadáveres de 185 seres humanos, incluindo os de dois missionários
norte-americanos.
Quando Bush anunciou a nomeação de Negroponte para o cargo de
embaixador nas Nações Unidas no início de 2001, enfrentou
muitos protestos nos EUA pelo papel por ele desempenhado nas Honduras. No
entanto, uma investigação do Senado sobre o envolvimento de
Negroponte nas actividades criminosas do Batalhão 3-16 foi evitada
quando a administração Bush deportou dos EUA vários
antigos membros do Batalhão 3-16.
Entre estes mesmos membros, cujos vistos norte-americanos estavam caducados,
encontrava-se Luis Alonso Discua, o comandante do Batalhão 3-16 e
na altura da revogação do seu visto diplomático
representante hondurenho nas Nações Unidas.
Em 1994, a Comissão Hondurenha de Direitos Humanos publicou um
relatório sobre as actividades do Batalhão 3-16 que acusava
Negroponte da violação de inúmeros direitos humanos.
Filho de um magnata grego armador e nascido em Londres, Negroponte goza
igualmente de uma significativa experiência na supervisão de
operações de contra insurgência, tendo mesmo chegado a ser
funcionário de assuntos políticos na embaixada norte-americana em
Saigon, hoje cidade Ho Chi Minh, de 1964 até 1968, durante o
período da escalada maciça da guerra norte-americana no Vietname.
© Green Left Weekly, 29/Abril/2004.
O original encontra-se em
http://www.greenleft.org.au/back/2004/580/580p16b.htm
Tradução de João Hinard de Pádua
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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