Manifesto do grupo de apoio à
Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque (Porto)
Sim, sr. Bush
Diga, sr. Bush
Como queira,
sr. Bush.
O Estado português é cúmplice
dos crimes cometidos no Iraque
Desde 2001 quiseram que acreditássemos que o Iraque tinha armas de
destruição maciça e, por isso, o
ocidente
corria perigo!
A MAIORIA DE NÓS NÃO ACREDITOU!
Desde 2001 quiseram que acreditássemos que, mesmo não havendo
essas armas, o Iraque seria o cadinho do terrorismo internacional! A MAIORIA DE
NÓS NÃO ACREDITOU!
Depois quiseram que acreditássemos que a guerra seria
limpa, breve e cirúrgica,
útil para derrubar um ditador odioso e restituir a
liberdade
e a
democracia
ao violentado povo iraquiano. A MAIORIA DE NÓS, NÃO ACREDITOU!
Mais tarde quiseram que acreditássemos que a guerra
tinha acabado
no início de Maio de 2003! A MAIORIA DE NÓS, DE NOVO, NÃO
ACREDITOU!
Em desespero de causa quiseram que acreditássemos que o povo iraquiano
readquiriria a sua
soberania nacional
a partir de fins de Junho de 2004! A MAIORIA DE NÓS, AINDA ASSIM,
NÃO ACREDITOU!
Disseram-nos, por fim, que queriam velar pelo mundo, defender-nos,
proteger-nos, dar-nos paz, garantir a nossa segurança, tornar o planeta
mais livre e democrático
e no entanto
CONTINUAMOS TEIMOSAMENTE
A NÃO ACREDITAR!
Desconfiados, achamos que a luta contra os
infiéis
tinha sido originada pela decisão iraquiana em Novembro de 2000
de instituir o euro como moeda de referência para as suas
transacções de petróleo o que a ser seguido pelos
restantes produtores poderia despoletar uma hecatombe na economia
americana habituada a fabricar dólares/papel 24 horas por dia.
Desconfiados, a maioria de nós nunca acreditou em nada porque
também sabíamos que, como disse o ministro dos Negócios
Estrangeiros britânico nos princípios deste ano, a
pacificação
era imprescindível para que
os recursos naturais do Iraque, petróleo incluído, pudessem
ser utilizados em benefício de toda a gente!
Desconfiados, afirmámos que sabíamos quem era
toda a gente
e dissemos que seria
essa gente
a beneficiar dos lucros da rapina!
Desconfiados, pusemos em causa as
provas
não por termos tido expectativas quanto ao carácter do
regime de Saddam Hussein generosamente apoiado durante anos pelas
administrações americanas, nomeadamente na chacina ao povo curdo
mas porque tínhamos a certeza que, mais tarde ou mais cedo, um
qualquer
Colin Powell
viria dizer que tinha
dúvidas sobre a veracidade de algumas alegações a
respeito de armas de destruição maciça!
Desconfiados, nunca tivemos ilusões sobre
guerras limpas
ou
cirúrgicas
! A
reconstrução
do Iraque tem permitido o desafogo económico de múltiplas
empresas da
coligação
nomeadamente as afectas a Dick Cheney, actual vice-presidente de W. Bush!
Desconfiados, nunca aceitamos que esta guerra pudesse servir a paz: o mundo
não está hoje mais seguro e a violência alastrou a zonas
onde antes não tinha guarida! Desconfiados, percebemos o golpe:
(
) depois de destruir os taliban, depois de destruir o regime de
Saddam, a mensagem aos outros é: Vocês são a seguir
(
)
decretava o
Príncipe das Trevas
americano, Richard Perle, no início da invasão ao Iraque.
NUNCA ACREDITÁMOS, SEMPRE DESCONFIÁMOS MAS NUNCA PENSÁMOS
QUE O DESPUDOR E A IMPUNIDADE PUDESSEM CHEGAR TÃO LONGE!
Desde a 2ª Guerra Mundial os EUA, enquanto Estado ou
clandestinamente,
intervieram em mais de 30 países soberanos, à bomba ou com
acções tipo
Rambo/Rangers do Texas.
A história tem demonstrado, factualmente, que os Estado Unidos têm
uma paranóia compulsivamente imperial, desmedida, funcionando como uma
espécie de
Rei Midas
ao contrário: transformam em guerra, miséria e sofrimento tudo
aquilo em que tocam! Sem necessidade de
disfarçar
ou
aparentar
tudo se passa em
tempo real:
é assim porque é assim! Invade-se porque se pode, ocupa-se
porque se quer, pilha-se porque é preciso. Para o imperialismo americano
e seus apaniguados o mundo é um tabuleiro de xadrez com um só rei
e trinta e um peões.
MAS A IMPUNIDADE TEM LIMITES!
DESTA VEZ A CULPA NÃO VAI MORRER SOLTEIRA!
Em 1946 o Tribunal de Nuremberga julgou e condenou alguns dos principais
criminosos nazis dignificando a história e a memória!
Nos anos 60 a opinião pública mundial julgou moralmente
com o Tribunal Cívico Bertrand Russell os crimes de guerra
cometidos pelos Estados Unidos no Vietname.
Pouco tempo depois do 25 de Abril de 1974
o Tribunal Cívico Humberto Delgado organizou-se para julgar,
também moralmente, a Pide e os múltiplos agentes da
repressão do fascismo.
Nada pode apagar
o concerto dos gritos(
)
(
) dos povos destruídos
dos povos destroçados (
),
escreveu Sophia Mello Breyner (1919-2004)
na sua
Cantata da Paz.
Chegou, por isso a altura de construir o
dia inteiro e limpo
criando condições para
julgar
(infelizmente só em termos morais) Bush, Blair, Aznar, Barroso e toda a
panóplia de
comentadores
e
opinion makers
que ajudaram a construir uma monstruosa mentira!
Na tradição do Tribunal Russell foi constituído em 2003 o
TRIBUNAL MUNDIAL SOBRE O IRAQUE
(TMI) com o propósito de investigar os crimes perpetrados contra o
povo iraquiano, debater as motivações da agressão e a teia
de embustes
criada, acusar os autores e seus cúmplices, fortalecer a
acção mundial pela paz contra as políticas belicistas.
Este Tribunal (de opinião) é composto de várias
sessões a culminarem numa sessão final em Istambul, Turquia, a 20
de Março de 2005. Depois de realizadas iniciativas em Londres, Bombaim,
Copenhaga, Nova York e Roma deverão acontecer algumas outras em Espanha,
Grã-Bretanha, Egipto, Coreia do Sul e Portugal.
Sabemos que o Iraque tem armamento de destruição massivo,
biológico e químico. Pode estar na iminência de possuir
armas nucleares
afiançava no Parlamento português, em 2002, o actual Presidente da
Comissão Europeia, José Manuel Barroso, tirocinando certamente
para servir de estalajadeiro na
Cimeira da Guerra
realizada nos Açores no ano seguinte.
Porque além de não acreditarmos também não
esquecemos,
metemos os pés ao caminho:
A 12 de Novembro, pelas 21 horas, na Cooperativa ÁRVORE, no Porto,
ocorrerá uma sessão destinada a analisar e pontuar a mercadoria
putrefacta
e respectivos
comissionistas
que quiseram, e despudoradamente continuam a querer, vender-nos!
Esta iniciativa vai inserir-se na
AUDIÊNCIA PORTUGUESA DO TMI
a realizar em Lisboa, provavelmente no início de 2005 e à qual
deram já o seu apoio centenas de pessoas entre as quais se destacam:
António Borges Coelho, historiador,
António Capelo, actor,
António Reis, actor,
António Ramos Rosa, poeta,
Assembleia Libertária do Porto (adesão colectiva),
Associação dos Médicos Portugueses para a
Prevenção da Guerra Nuclear e de Todas as Guerras (adesão
colectiva),
Avelino Gonçalves, professor,
Carlos Vale Ferraz, escritor,
Corregedor da Fonseca, deputado,
Diana Andringa, jornalista,
Eduarda Dionísio, escritora,
Fausto, cantor,
Fernando Rosas, historiador,
Frei Bento Domingues, padre,
João Gil , músico,
João Semedo, médico,
João Teixeira Lopes, professor universitário/deputado,
Jorge Silva Melo, encenador,
José Leitão, actor/encenador,
José Mário Branco, compositor,
José Viale Moutinho, escritor,
Júlio Cardoso, actor/encenador,
Luiza Cortesão, Professora Universitária,
Manuel Freire, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores,
Manuela de Freitas, actriz,
Margarida Gil, cineasta,
Maria do Céu Guerra, actriz,
Maria João Pires, pianista,
Maria José Morgado, magistrada,
Mário Cláudio, escritor,
Miguel Urbano Rodrigues, jornalista,
Movimento pela Paz, organização cívica/Porto
(adesão colectiva),
Nuno Grande, médico,
Nuno Teotónio Pereira, arquitecto,
Padre Mário de Oliveira,
Paulo de Carvalho , músico,
Pedro Bacelar de Vasconcelos, jurista,
Rui Vieira Nery, musicólogo,
Saldanha Sanches, jurista,
Vasco Lourenço, militar,
Vera Mantero, coreógrafa.
Nem que seja preciso
ressuscitar da morte às arrecuas
que nos querem dar urge dar voz à verdade, responder
afirmativamente à indignação! A
trapaça
e o
contrabando
não são inevitáveis e muito menos será
aceitável
fazer de conta
que não poderia ser de
outro modo.
Se a invasão, ocupação, pilhagem e
delapidação do Iraque forem deixados impunes saberemos em breve
que,
Ontem comecei
a aprender a falar
Hoje aprendo a calar
Amanhã deixo
De aprender
(Erich Fried -1921-1988)
Porto, Outubro de 2004
Acta de Acusação
22 mentiras para uma guerra
Informação editada pelo
Núcleo Chomsky de apoio Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial
sobre o Iraque
1. As informações disponíveis estabeleceram fora de
dúvida... que Saddam tem continuado a produzir armas químicas e
biológicas
(Tony Blair, na introdução ao ao
dossier
sobre o Iraque, 24 de Setembro de 2002).
2. As informações disponíveis estabeleceram fora de
dúvida... que ele [Saddam Hussein] continua a esforçar-se por
desenvolver armas nucleares
(Tony Blair, na introdução ao ao
dossier
sobre o Iraque, 24 de Setembro de 2002).
3. Sabemos que este indivíduo obteve armas de destruição
maciça. Isto pode parecer uma frase abstracta, mas estamos a falar de
armas químicas, biológicas, vírus, bacilos e antraz, 10.000
litros de antraz que ele possui. Sabemos que o tem, o Dr. Blix já o
assinalou e ele recusa-se a dar contas.
(ministro dos Estrangeiros Jack Straw na Câmara dos Comuns, 17 de
Março de 2003).
4. Não há dúvida acerca do programa químico, do
programa
biológico, e mesmo do programa nuclear. Tudo isto está bem
documentado pelas Nações Unidas
(Tony Blair, 30 de Maio de 2003).
5. O Iraque dispõe de agentes e de armas químicas e
biológicas [...] dos
stocks
anteriores Guerra do Golfo
(Tony Blair, no
dossier
sobre o Iraque, 24 de Setembro de 2002).
6. Fábricas anteriormente ligadas ao programa de guerra química
foram reconstruídas. Entre estas está a fábrica de cloro
e de fenol em Faluja 2, perto de Habaniya.
(Dossier
do primeiro-ministro sobre o Iraque, 24 de Setembro de 2002).
7. Segundo as nossas informações, o Iraque conservou pelo menos
20 mísseis Al Hussein... que podem ser usados com cabeças
convencionais, químicas ou biológicas e que, dado o seu alcance
de 650 km, podem atingir diversos países da região, incluindo
Chipre, Turquia, Arábia Saudita, Irão e Israel.
(Dossier
do primeiro-ministro sobre o Iraque, 24 de Setembro de 2002).
8. Temos informações de que o Iraque procurou abastecer-se em
quantidades significativas de urânio em África.
(Dossier
do primeiro-ministro sobre o Iraque, 24 de Setembro de 2002).
9. O planeamento militar [de Saddam Hussein] permite que alguns dos WMD
estejam prontos a ser usados 45 minutos depois de serem dadas ordens
(Dossier
do primeiro-ministro sobre o Iraque, 24 de Setembro de 2002).
10. O Iraque tentou comprar tubos de alumínio de alta resistência
e outros equipamentos necessários à centrifugação
de gás, os quais são usados para enriquecimento de urânio
para armas nucleares.
(Presidente Bush, 7 de Outubro de 2002).
11. As Nações Unidas concluíram que Saddam Hussein tem
materiais suficientes para produzir mais de 38.000 litros de toxina
botulínica, o suficiente para provocar a morte de milhes de pessoas por
colapso respiratório
(Presidente Bush, 28 de Janeiro de 2003).
12. Em 1998, os peritos da ONU concordaram que os iraquianos tinham
aperfeiçoado técnicas de secagem para os seus programas de armas
biológicas
(secretário de Estado Colin Powell ao Conselho de Segurança da
ONU, 5 de Fevereiro de 2003).
13. Saddam Hussein... tem os meios necessários para produzir a
varíola
(secretário de Estado Colin Powell ao Conselho de Segurança da
ONU, 5 de Fevereiro de 2003).
14. Quando a nossa coligação expulsou os Taliban, a rede de
Zarqawi ajudou a estabelecer um outro campo para treino em venenos e
explosivos, o qual se encontra no nordeste do Iraque. Estou a ver uma imagem
desse campo.
(secretário de Estado Colin Powell ao Conselho de Segurança da
ONU, 5 de Fevereiro de 2003).
15. A informação recolhida pelo nosso governo e por outros
governos não deixa dúvidas de que o regime iraquiano continua a
possuir e a esconder algumas das armas mais mortíferas alguma vez
criadas.
(presidente Bush, Mensagem à Nação, 18 de Março de
2003).
16. As provas acerca do Iraque são tão fortes que o Conselho de
Segurança concluiu por unanimidade em 8 de Novembro que a posse e a
proliferação pelo Iraque de armas de destruição
maciça e de sistemas de mísseis não autorizados, assim
como a sua recusa em acatar as decisões das Nações Unidas,
originam, passo a citar, uma ameaça à paz e segurança
internacional.
(ministro dos Estrangeiros Jack Straw, numa entrevista, 14 de Maio de 2003).
17. Não tenho dúvida absolutamente nenhuma de que as armas
estão lá... Desde que tenhamos a colaboração dos
cientistas e dos peritos [iraquianos], não tenho dúvida de que as
encontraremos.
(Tony Blair, entrevista em 4 de Abril de 2003).
18. Quanto às armas de destruição maciça, sabemos
que o regime as possui e que quando cair as encontraremos.
(Tony Blair, conferência de imprensa com George Bush, 8 de Abril de
2003).
19. Sabemos que estão lá. Estão na zona entre Tikrit e
Bagdad e
algures a leste, a oeste, a sul e a norte.
(Donald Rumsfeld, entrevista em 30 de Março de 2003).
20. Existem informações que provam a ligação entre
membros da Al-Qaeda e pessoas do Iraque.
(Tony Blair no Comité de Contacto da Câmara dos Comuns, 21 de
Janeiro de 2003).
21. Acreditamos que houve e continua a haver alguns operacionais da Al-Qaeda
em zonas do Iraque controladas por Bagdad. É difícil acreditar
que possam lá estar sem autorização do governo iraquiano.
(porta-voz do Foreign Office, 29 de Janeiro de 2003).
22. O nosso objectivo não foi uma mudança de regime, o nosso
objectivo foi eliminar as armas de destruição maciça.
(Tony Blair, conferência de imprensa, 25 de Março de 2003).
(Extraído de
The thirty-six lies that launched a war,
comunicação de Glen Rangwala, enviada ao Tribunal de Bruxelas
sobre o Iraque, 11 de Julho de 2003).
Contacta com a Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque:
tribunaliraque@yahoo.com
Rua S. Pedro de Alcântara, 63 - 1 Dto.
1250-238 Lisboa
Estes documentos encontram-se em
http://resistir.info
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