Ocupantes norte-americanos intimidam jornalistas no Iraque
por Federação Internacional dos Jornalistas
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A Federação Internacional dos Jornalistas acusou a autoridade
norte-americana de ocupação do Iraque de tentar "controlar e
intimidar" os media, na sequência da recente detenção
de vários jornalistas coreanos pelas forças do US Army em Bagdad.
Em 6 de Março os militares norte-americanos no Iraque detiveram
três jornalistas da Korea Broadcasting System (KBS) durante quatro horas
por suspeita de transportarem explosivos. Os jornalistas foram algemados e
permaneceram em custódia com base em "regulamentos internos",
apesar do facto de a Embaixada Coreana no Iraque haver confirmado as suas
identificações e solicitado libertação imediata dos
mesmos.
"Tais acções são absolutamente
inaceitáveis", afirmou Aidan White, secretário-geral da FIJ.
"É muito difícil não interpretar isto como uma
tentativa directa de intimidar os media".
Depois de verificar que não havia traço de explosivos na sua
bagagem e reconhecer finalmente que eles eram repórteres
autênticos a cobrirem o processo em curso de reconstrução
do Iraque, o jornalistas acabaram por ser libertados.
A FIJ está a apoiar a sua filiada, a Associação dos
Jornalistas da Coreia, que está a convidar os militares e a
administração norte-americanos no Iraque a pedirem desculpas e a
tornarem públicas as ditas "regulamentações
internas" que serviram de base para as autoridades militares americanas
deterem os jornalistas.
"Tais regulamentações são utilizadas para controlar
jornalistas, mas os jornalistas ignoram o que sejam e como são
aplicadas", declarou White.
Este último incidente ocorre no momento em que o direito de todos os
jornalistas entrarem no Iraque para cobrirem todos os lados da história
sem a necessidade de uma licença, permissão específica ou
acreditação pelas autoridades americanas foi restringido. No
princípio de Março, forças norte-americanas anunciaram que
todos os jornalistas actualmente no Iraque, ou que a ele cheguem, devem
registar-se junto às mesmas e obterem um cartão de imprensa
especial.
Como parte de uma campanha internacional, a FIJ declarou 8 de Abril o
aniversário do ataque pelos militares dos Estados Unidos a um hotel de
Bagdad cheio de jornalistas estrangeiros, nos quais foram mortos dois
como dia de luto e protesto pelos assassínios de jornalistas durante a
guerra do Iraque e pelo "fracasso abjecto" do Pentágono em
efectuar investigações adequadas e publicar os resultados.
"A detenção dos nossos colegas coreanos, tal como outros
incidentes nos últimos meses, confirma o nosso sentimento de que os
militares americanos operam com senso de impunidade quando tratam com
jornalistas", afirmou White. "Eles actuam como se todos os
jornalistas fossem potencialmente hostis e isto põe todos os
repórteres e as equipes dos media em risco".
O original encontra-se em
http://www.ifj.org/default.asp?Index=2330&Language=EN
Esta notícia encontra-se em
http://resistir.info
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