Glossário da ocupação iraquiana

por Paul de Rooij [*]

Todas as vezes que há guerra ou uma ocupação de outro país, os propagandistas e os seus media substitutos exigem linguagem que tranquilize, desculpe e esconda a realidade amarga ou a cobiça sórdida. Numa tentativa de obter um entendimento mais profundo do que está realmente a acontecer no Iraque, este glossário elucida a terminologia habitualmente utilizada nos media. Os seu objectivo é permitir-nos ver através do nevoeiro linguístico.

Há um problema fundamental com um glossário deste género. Os propagandistas cunharão sempre novas expressões para desculpar ou amenizar aspectos das actividades do ocupante, e os aspectos da ocupação cuja menção não pode ser evitada. Contudo, os propagandistas detestam referir-se aos aspectos inconfortáveis ou repugnantes da guerra de ocupação. Exemplo: é muito claro que os militares americanos não publicarão listas das mortes de civis iraquianos. (NB: eles compilam algumas listas, mas não as mostram [1] ). Os responsáveis dos hospitais iraquianos são "desestimulados" a compilar listas de baixas civis e conceder aos jornalistas visitas às morgues. A lista dos tópicos "proibidos" aos medias complacentes é longa, mas um subconjunto é apresentado abaixo.

Finalmente, as justificações para a guerra contra o Iraque, e a subsequente ocupação, foram mudando ao longo do tempo. A terceira lista (abaixo) documenta as justificações oferecidas pelos ocupantes americanos até à data. Esta lista em crescimento é o cemitério das justificações.

Glossário

Terminologia mal usada Tradução
Abuso de prisioneiros

Tortura de prisioneiros.

Al-Qaeda

Rei dos bicho-papão.
Não havia ligação entre a Al-Qaeda e o Iraque anterior a 2003, e mesmo agora os EUA não conseguem mostrar provas de uma conexão iraquiana.

Embaixador Proconsul,
É muito estranho chamar Paul Bremer de embaixador; o homem até usa botas da tropa!
Forças anti-iraquianas Todas as oposições.
(-- e exemplo claro de dupla linguagem)
"Logo após a ocupação, os Estados Unidos e seus aliados --militares e ideológicos-- referiram-se à resistência iraquiana como 'elementos estrangeiros', 'terroristas' ou 'antigos leais ao regime de Saddam'. Esta fraseologia tornou-se redundante e os porta-vozes militares estadunidenses agora estão a referir-se às guerrilhas como 'forças anti-iraquianas' como a sugerir que as tropas americanas, britânicas, [...] representam o Iraque mas os iraquianos que resistem à ocupação são anti-iraquianos."
--Tariq Ali, "The Iraqi Resistance: a New Phase", CounterPunch, April 10, 2004.
Referir-se a muitos grupos dá a impressão de que um segmento significativo da população está unido contra os EUA, e isto contradiz a afirmação propagandística de que a oposição é uma "pequena minoria". Além disso, os americanos, incluindo Bush, são famosos pelo seu desconhecimento do quem é quem no país. Assim, esqueça os pormenores, e ponha tudo no grupo da cesta grande!
Vingança Matar 100 vezes dos deles por cada um dos nossos.
"A história iraquiana já está a ser escrita. Como vingança pelo assassínio brutal de quatro mercenários americanos -- pois é o que eles eram -- os US Marines executaram um massacre de centenas de mulheres e crianças e guerrilheiros na cidade muçulmano-sunita de Faluja. Os militares estadunidenses dizem que a grande maioria dos mortos eram militantes. Falso, dizem os médicos. Mas as centenas de mortos, muitos dos quais eram na verdade civis, foram um reflexo vergonhoso da soldadesca americana que efectuou estes ataques indisciplinados a Faluja."
--Robert Fisk, "By endorsing Ariel Sharon's plan George Bush has legitimised terrorism", The Independent, April 16, 2004.
NB: o princípio de vingar as perdas do ocupante através da punição colectiva é um crime de guerra. Em Lídice, durante a Segunda Guerra Mundial, os alemães mataram pelo menos 172 civis para "vingar" alguns dos seus próprios homens, e isto foi considerado um crime de guerra. Em Faluja, o assassínio de quatro mercenários resultou em "centenas" de civis iraquianos assassinados. Ariel Sharon aprovaria.
Lealistas baathistas Um outro falso grupo muito conveniente.
Se os EUA rejeitam os "grupos islâmicos" e os "bathistas", quem sobra?
NB: "baathistas" tanto poderiam ser os nacionalistas que a CIA ajudou a assassinar na década de 1960 ou aqueles que aderiram aos criminosos que assassinaram o antigo grupo. Os baathistas perseguidos (aqueles que se opuseram a Saddam) podem ter um ressentimento legítimo contra os EUA, os outros eram os FDPs dos EUA.
"Evidentemente, a CIA ajudou a levar os criminosos do partido de Saddam Hussein ao poder e inevitavelmente enfraqueceu as perspectivas da democracia iraquiana. Algumas fontes confiáveis acreditam que mais de dez mil pessoas foram assassinadas e mais de uma centenas de milhar presa por ocasião do golpe e das semanas sangrentas que se seguiram, descritas pelos historiadores Peter e Marion Sluglett [...] como 'uma das mais terríveis violênias até agora experimentadas no Médio Oriente do pós-guerra".
--Hanna Batatu, "CIA Lists Provide Basis for Iraqi Bloodbath", 1978.
Ver Como a CIA ajudou Saddam a tomar o poder e a dizimar a intelectualidade iraquiana
Cano das espingardas Espingardas de quem?
"Na semana passada, em meio ao crescente caos em cidades iraquianas, Bremer denunciou brutalmente grupos 'que pensam que o poder no Iraque deveria vir do cano de uma espingarda'. Aparentemente ele não se referia às forças americanas e britânicas que tomaram o poder no Iraque inteiramente e exclusivamente pela utilização prolongada dos canos de milhares de armas".
--Paul Foot, "The beam in Bremer's eye", The Guardian, April 14, 2004.
Baixas Baixas americanas, naturalmente.
Utiliza-se baixas tanto para mortos como para feridos. Nos relatos do Pentágono "baixas" só incluem as fatalidades; os feridos não contam na sua pavorosa contabilidade.
Cessar fogo

Guerra por outros meios.

" Com o 'cessar fogo', bombardeamentos em grande escala eram raros. Com o alto nos grandes bombardeamentos, os americanos não estavam a atacar com artilharia pesada e sim basicamente com atiradores de elite (snipers) ".
--Raul Mahajan, "Report from Fallujah -- Destroying a Town in Order to Save it", April 12, 2004.
Contratados civis
(Civilian contractors)
Mercenários.
"Hoje há mais mercenários no Iraque do que soldados britânicos -- um número estimado de 40.000 'security contractors'. Os anúncios na secção trazeira de Soldier of Fortune , a revista da especialidade para mercenários literatos, indica tempos de bonança para a profissão.
Limpeza Massacre.
"É crítico que limpemos o corpo político iraquiano do veneno que permanece ali após os 35 anos do governo totalitário de Saddam Hussein"
--Dan Senor (assistente do proconsul americano), April 12, 2004. Comentário ao ataque dos US Marine contra Faluja e Najaf.
NB: Faluja e Najaf eram conhecidas por sua oposição a Hussein, não podiam ser um "veneno".
Coligação "serviçais simbólicos" (John Pilger, Apr. 1, 2004)
"Coligação" só quando isto é adequado para os americanos. Quando se trata de relatar baixas, só as dos militares americanos contam. Quando se trata de proporcionar contratos sumarentos, as companhias americanas obtêm a fatia do leão. O que pensam os membros da "coligação" acerca disto? Os britânicos estão a queixar-se de que não são nem mesmo consultados --- eles gostariam muito de actuar como segundo violino.
Autoridade Provisória da Coligação
Coalition Provisional Authority (CPA)
Autoridade Americana de Ocupação.
"Coligação"? Só quando lhes for conveniente. Provisória? Começa a parecer antes como permanente.
Democracia Um senhor da guerra, um voto.
Sátrapas escolhidos prontos para aprovar a ocupação do Iraque, a pilhagem dos seus recursos e a construção de várias bases militares. É especialmente bizarro que enquanto os EUA conclamam o Médio Oriente a "democratizar-se" se tenham envolvido activamente no derrube do governo eleito do Haiti. Ali, gangs liderados por esquadrões da morte armados, treinados e financiados pelos EUA montaram o golpe. Assim, na versão americana, o respeito pela democracia pode ser aplicado mesmo a líderes de esquadrões da morte.
Intelecto devastador Louvores entusiasmados
"Bremer foi descrito num número especial do Financial Times da semana passada como 'uma figura imponente com um intelecto devastador' ". --Paul Foot, "The beam in Bremer's eye", Guardian, April 14, 2004.
Será especialmente interessante ver o que dirá o FT quando Bremer for substituído. A contagem decrescente para o despedimento de Bremer já começou, e John Negroponte já foi indicado como o seu provável substituto. A experiência de Negroponte em organizar os contras na Nicarágua e os seus anos como proconsul em Honduras dão-lhe credenciais impecáveis. Ele é um outro destes "intelectos que devastam".
Eleições Algum dia no futuro quando o Iraque estiver pronto para a democracia.
Os americanos querem "estabilidade" primeiro, e então, após um período experimental suficientemente longo, pode haver "eleições". Os EUA, naturalmente, continuam como o único árbitro para julgar se o Iraque está ou não "estável".
Fim das grandes operações de combate O dia 1 de Maio de 2003, o princípio da ocupação do Iraque.
Extremista Qualquer um que se oponha à ocupação americana.
Ai-reiq Iraque.
Mesmo após vários anos obcecados com o Iraque, o presidente e a maior parte da sua corte pronunciam mal o nome do país.
Pontos explosivos
(Flashpoints)
Cidades onde os iraquianos levantam-se contra a ocupação.
"Flashpoints" é a expressão favorita da BBC quando se refere ao conflito no Iraque. Quando se refere aos territórios ocupados pelos israelenses ela utiliza "pontos quentes" (hotspots) . Contrastar com a linguagem que a BBC utilizava um mês atrás quando se referia ao gang armado que montou um golpe contra o governo eleito no Haiti: "cidades levantam-se contra o governo opressivo de Aristide". Não importava que líderes de esquadrões da morte e pessoas acusadas de crimes em massa tenham liderado os rebeldes na tomada de cidades, brutalizando a população.
Estrangeiros Olha quem fala!
"Enquanto isso, um comandante da U.S. Marine declarou que nem todos os combatentes na cidade iraquiana de Faluja são iraquianos. O Tenente-General James Conway, o comandante Marine em Faluja, disse que há alguns combatentes estrangeiros em Faluja --- e informou que eles podem ter estado ali desde há algum tempo"
--BBC Online, April 7, 2004.
Alguém deveria chamar a atenção daquele cavalheiro para o facto de que ele é um estrangeiro também. E será isto uma justificação para atacar uma cidade?
" 'Combatentes estrangeiros' estavam agora na batalha, segundo o secretário de Estado americano Donald Rumsfeld. Os media americanos acompanharam esta insensatez, apesar de nem um único operacional da al-Qaeda ter sido preso no Iraque e de dos 8500 'detidos de segurança' em mãos americanas apenas 150 parecerem ser de fora do Iraque. Apenas 2 por cento" --Robert Fisk.
"Uma guerra que foi baseada sobre mentiras e ilusões contem uma simples verdade: os iraquianos não nos querem", The Independent, Apr. 9, 2004.
Detectar ameaças Criar ameaças.
"O sr. Bush também disse que a lição daqueles ataques foi que a América tem ter tratar de 'detectar ameaças' antes que elas frutifiquem, uma política que catalisou a invasão liderada pelos EUA do Iraque"
--BBC Online, April 14, 2004.
A política americana não é tanto sobre responder a "ameaças detectadas", mas sim "semear e colher as ameaças"
Cedência do poder
(Handover of power)
Redenominação cosmética da ocupação.
Corações e mentes O sr. é um Lindo Rapaz só se houver estabilidade.
"Ganhar corações e mentes por trás das paredes seguras dos palácios de Saddam, ou num veículo blindado, é impossivel. Mas dado o nível de risco, podemos agora mover-nos para um ponto de viragem na condução das operações. Se a insurgência provocar as forças da coligação, então o progresso firme para uma democracia pacífica no Iraque será interrompido. Sem um claro e acordado processo político, os comandantes do exército argumentarão em favor da prioridade da segurança das suas próprias tropas".
--Tim Garden, "Coalition forces fight a losing battle to win the peace", The Guardian , April 6, 2004.

"Para ganhar os corações e as mentes a América precisa acender as luzes, proporcionar água limpa, dar empregos às pessoas e impor lei e ordem. Mas dificilmente algo assim aconteceu porque a administração Bush -- ligado a firmas como a Halliburton e Bechtel -- roubou a maior parte do dinheiro destinado a tais tarefas."
--Christian Parenti, "Autopsy of a Failed Occupation", AlterNet.org, April 14, 2004.
Melhoria

As coisas estão realmente a ficar pior.
Uma das justificações para a contínua ocupação é ajudar o Iraque a emergir como um país próspero. Infelizmente as coisas estão a ficar pior. Quase um ano de ocupação e a maior parte do país não tem electricidade, os sistemas de saúde quase entraram em colapso e assim por diante.
Naturalmente, quem pergunta o que está a acontecer no terreno torna-se então alguém "do contra".

Conselho Governante Iraquiano
Iraqi Governing Council (IGC)

Sátrapas expectantes.
No dia 10 de Abril um membro do IGC queixou-se de que eles não foram consultados sobre a carnificina americana contra Faluja e Najaf. Isto é assim tanto para "governar" quanto para "aconselhar".

Matar ou capturar Morto ou vivo.
A terminologia do Far West utilizada pelo porta-voz do CentCom quando declara a intenção de encontrar o clérigo Moqtada Sadr. NB: O pai de Sadr é altamente reverenciado no Iraque, e a família é famosa pela sua oposição a Hussein. Naturalmente, este ramboísmo é aceitável devido ao inato preconceito anti-islâmico dos ocupantes -- para eles, o clérigo é apenas mais uma "cabeça com turbante" (raghead).
Exército Mahdi
(Mahdy Army)
Milícia dos esfarrapados.
“Os jovens e geralmente pouco educados seguidores do jovem clérigo foram alcunhados o Exércido Mahdi. Eles não são um exército — são antes um grupo mal resolvido de iraquianos xiitas com Kalashnikovs. Como disse um voluntário, Syad Mustafa: 'Não temos quaisquer bases. Não temos quaisquer tanques. Não temos quaisquer jactos.' ”
— Luke Harding, “Huge US attack to crush Iraq rebels”, The Guardian , 28/Abr/2004.
Contrução da nação (também conhecida como Construção da paz) Construir instituições neo-coloniais.
"O que os imperialistas denominam 'contrução da nação' ou 'construção da paz' refere-se à necessidade de construir e manter um regime político e social no 'pós-guerra', ou mais precisamente, no cenário de intervenção pós-militar. Isto exige uma modalidade de compromisso qualitativamente mais intensa caracterizada por séria micro-administração do governo por procuração (proxy government). Segundo o estudo de melhores práticas da Rand Corporation, a 'construção da nação' não é basicamente reconstruir a economia do país, mas sim transformar as suas instituições políticas".
--Alejandro Bendaña (Antigo representante nicaraguense na ONU), "Nicaragua's And Latin America's 'Lessons' For Iraq", FocusWeb.org, April 8, 2004.

"[O Gabinete do Secretário da Defesa] recentemente tomou conhecimento do emergente estilo americano de guerra e começou a ultrapassar a gramática tradicional da guerra com uma nova. Contudo, esta nova gramática --que se foca na obtenção de vitórias militares rápidas-- estava preparada só para ganhar batalhas, não guerras. Portanto, o cumprimento com êxito do objectivo da administração de construir um governo democrático no Iraque, por exemplo, ainda está em causa, com uma insurgência a crescer rapidamente".
--Lt. Col. Antulio J. Echevarria, "Toward an American Way of War", Strategic Studies Institute, March 2004.
Assim, mesmo os militares consideram que embora tendo vencido a batalha podem bem perder a guerra. Obviamente, alguns estão a questionar a "gramática" de Rumsfeld.
Não covardia A versão britânica de "resolução".
"Não me acovardarei perante o combate histórico do Iraque".
--Tony Blair, The Observer , April 11, 2004.
Nada como sugerir que os outros têm de continuar a lutar. Isto foi expresso quando Blair estava, apropriadamente, nas Bermudas.
Pacificação Campanha de contra insurreição.
"Com a sua mão pesada, e o crescente reconhecimento iraquiano da sua intenção de dominar, os Estados Unidos acrescentaram combustível a uma insurreição que tem estado a crescer aos saltos. A única resposta da administração Bush a este desenvolvimento é a aplicação de mais forças. Quando aplicada a uma revolta profundamente enraizada na população civil isto significa guerra de contra-insurreição, com utilização abundante de armas mortais, e portanto escalada nas baixas civis. Assim, depois de uma guerra inicial de agressão estamos agora a descer para uma guerra de pacificação. Isto envolverá uma nova destruição do Iraque a fim de salvá-lo --- para os fins do Ocidente e para salvar a campanha eleitoral de Bush"
--Edward Herman, "Temos de destruir [preencha o nome do país] a fim de salvá-lo", Swans.com, April 12, 2004
Pacificadores
Peacekeepers
Tropas de ocupação
Clérigo radical Oxímoro conveniente.
Alguém que pode galvanizar a resistência.
Os clérigos moderados são, naturalmente, o tipo de rapazes que apreciamos.
Reconstrução

Conseguir que o petróleo jorre.
Quanto recentemente (Abril) perguntaram a um porta-voz do CentCom onde se podia ver um projecto de reconstrução que beneficiasse directamente a população iraquiana, ele não foi capaz de citar um único! A maior parte dos projectos de reconstrução estão centrados na indústria petrolífera.

"Um jornalista americano descobriu que muitos projectos de reconstrução que alegadamente haviam sido 'reconstruídos' na realidade mal foram tocados. Uma escola 'reparada' estava inundada com esgotos. Quando visitei Ramadi e Faluja em Janeiro, as pessoas de ambas as cidades estavam iradas com as faltas cronicas de água e electricidade. As centrais eléctricas, estações de telefones e sistemas de esgotos permaneciam todas destruídas e bombardeadas. Segundo a ONG CorpWatch, só 10 por cento dos US$ 2,2 mil milhões de contratos para a Halliburton foram gastos para atender necessidades comunitárias."
--Christian Parenti, "Autopsy of a Failed Occupation", AlterNet.org, April 14, 2004.
Resolução

Teimosia obstinada.
Uma característica má vontade em reconhecer que foram cometidos erros, e que retirar transmite um sinal de "fraqueza". Retirar transmitindo um "sinal de força", significaria então que os EUA tem de seguir o exemplo de Sharon ao retirar-se de Gaza. No caso de Gaza, isto envolveu transformá-la num gigantesco campo de prisioneiros, assassinando líderes, impedindo a entrega de ajuda alimentar de emergência.

Círculo xiita Nova terminologia de análise militar da CNN.
Assim como o "triângulo sunita" [observe], esta expressão dá a impressão que estas áreas são pequenas e portanto não causam preocupação. As pessoas a viverem ali são "uma pequena minoria". Nunca se menciona quantas pessoas ali vivem.
Maioria silenciosa. Pretensão de que a maior parte dos iraquianos apoiam a ocupação.
Enquanto a Casa Branca faz o seu melhor para evitar comparações com o Vietnam, escolhe ressuscitar uma das expressões favoritas de Nixon para justificar a continuação da Guerra do Vietnam. Nixon afirmava que a maioria silenciosa era favorável à guerra. Assim como isto era um falso argumento então, é um falso argumento hoje.
Ligeiro sobressalto Terminologia militar para uma insurreição.
"As coisas estão a ficar pior, muito pior, no Iraque. Os horrores de ontem demonstraram isso. Ainda na véspera o Brigadeiro General Mark Kimmitt, [...], assegurou-nos que havia apenas um "sobressalto" de violência no Iraque. Não uma súbita onda de violência, assinala, não um aumento terremoto, nem mesmo um 'surto' em violência -- outra das expressões favoritas do general. Não, apenas uma pequena-pequeníssima, mesmo diminuta, um inocente pequeno 'sobressalto'. De facto, ele disse que isto era um 'ligeiro sobressalto'."
-- Robert Fisk, " Things are getting much worse. It's not just a 'spike' or an 'uptick' in violence", The Independent, April 1, 2004.
Pequena minoria, também conhecida como extremistas Maioria oposta à ocupação
"Dentre as mais rizíveis afirmações da administração Bush está aquela de que os mujaheddin são um um pequeno grupo de 'extremistas' isolados repudiados pela maioria da população de Faluja. Nada podia estar mais longe da verdade".
--Raul Mahajan, "Report from Fallujah -- Destroying a Town in Order to Save it ", April 12, 2004.
Soberania Neo-Colonização.
"Agora a Imprensa Livre recusa-se a olhar para o que está por baixo da afirmação de uma intenção de garantir 'soberania' e transferência de poder aos iraquianos em 30 de Junho, a ver os meios pelos quais uma presença militar americana e o poder de vento e constrangimentos sobre a constituição e leis do Iraque resultariam na dominação continuada deste país".
--Edward Herman, "We Had To Destroy [Fill in Country Name] In Order To Save It", Swans.com, April 12, 2004
Estabilidade

Uma ocupação tranquila.
Quando os iraquianos se submeterem e ficarem silenciosos no seu terreno, e quando os media cessarem de se lhe referir, então o Iraque poderá ser considerado "estável".
"Estabilidade" é também uma justificação para a ocupação continuada --- se as forças americanas abandonarem, então estalará a anarquia, e "mesmo os iraquianos não querem isso". Isto ignora o facto de que a maior parte dos iraquianos já vive sem segurança, electricidade, água limpa, empregos adequados, liberdade de imprensa. Chamar anárquica a esta situação daria à anarquia uma conotação má.

Êxito Provocar uma insurreição ou uma elevada contagem de cadáveres.
"O presidente do U.S. Joint Chiefs of Staff [Gen. Myers] disse quinta-feira que a mortífera insurgência que disparou este mês é 'um sintoma do êxito que estamos a ter aqui no Iraque' e um esforço para minar a transição do país para o auto-governo".
--Sewell Chan, "General Calls Insurgency in Iraq a Sign of U.S. Success", Washington Post, April 16, 2004.
Eco do Vietnam: o general aguçou os seus dentes no Vietnam, onde uma alta contagem de corpos era considerada um "êxito".

Ecos de Gaza:
"esta operação foi um grande êxito".
--Ariel Sharon, Out/2002, comentando o bombardeamento do campo de refugiados de Khan Yunis onde uma bomba de uma tonelada despejada por um F16 matou 14 palestinianos e feriu 80.
Triângulo sunita Terminologia CNN para uma outra pequena minoria.
"E, como os ataques contra as forças americanas aumentaram em torno de Faluja e outras cidades muçulmanas sunitas, disseram-nos que esta área era o "Triângulo sunita", apesar de ser muito maior do que o que isto implica e não ter formato triangular"
--Robert Fisk, "Uma guerra que foi baseada em mentiras e ilusões tem uma simples verdade: os iraquianos não nos querem", The Independent, Apr. 9, 2004.
A utilização de palavras como "triângulo" tem muito a ver com "peritos militares" que desenham linhas sobre mapas para a BBC ou a CNN. Ver círculo xiita.
Riqueza de alvos
(Target rich)
Assassínio em massa. Inclusive de civis não combatentes.
"Peritos dos Mariners dizem que Faluja está entre os mais 'ricos alvos' de campos de batalha para atiradores de elite (snipers) desde a batalha de Stalingrado na Segunda Guerra Mundial... Durante cerca de duas semanas de conflito em Faluja, um cabo não identificado destacou-se como o principal atirador, com 24 assassínios confirmados". O Los Angeles Times relata que atiradores americanos têm estado a matar centenas de insurgentes:
"Por vezes um sujeito é abatido, e nós o deixamos estertorar um bocado no chão a fim de destruir o moral dos seus companheiros", explicou um cabo dos Mariners, "a seguir eu dou um segundo tiro".
—Tony Perry, “For Marine snipers, war is up close and personal”, Los Angeles Times , 19/Abr/2004
NB: Os snipers continuam a assassinar iraquianos mesmo durante os supostos "cessar-fogo".
Terrorismo A violência da resistência.
Quando generais americanos e Rumsfeld queixam-se da violência contra as tropas dos EUA, a etiqueta "terrorismo" soa cada vez mais vazia. NB: violência contra uma força de ocupação totalmente armada não é terrorismo.
Bandidos & terroristas Demonizando o bicho-papão.
"Donald Rumsfeld apregoa que a resistência é de apenas uns poucos 'bandidos, gangs e terroristas'. Isto é um perigoso pensamento auto-ilusório. A guerra contra a ocupação agora está a ser combatida abertamento, por pessoas regulares a defenderem os seus lares e vizinhança -- uma intifada iraquiana"
--Naomi Klein, "An Iraqi intifada ", The Guardian, April 12, 2004.
Problema da trafegabilidade. Os iraquianos viajarem para outras cidades no Iraque.
Expressão utilizada por um analisa militar da CNN para se referir à possibilidade de que combatentes da resistência iraquiana possam juntar-se às peregrinações para viajar a outros "pontos explosivos"
"Com as peregrinações temos um problema de trafegabilidade".
-- Kelly McCann, Military Annalyst, CNN, April 11, 2004.
ONU Ocupação vestida com moldura azul.
Resolução inabalável Obtusidade armada
Vietnam Sim, pântano
"[Presidente Bush] afastou como 'falsas' comparações entre o combate no Iraque e a sangrenta Guerra do Vietanm que transtornou os EUA três décadas atrás. 'Acontece que também penso que a analogia envia a mensagem errada às nossas tropas e envia a mensagem errada ao inimigo', acrescentou"
--BBC Online, April 14, 2004
Não é uma questão da "mensagem", é uma questão de avaliar o que era aquela guerra e o que a ocupação americana do Iraque está a tentar alcançar. A resistência à criação de um regime subserviente aos americanos implica que a analogia com o Vietnam é útil.

A comparação com o Vietnam tem mais a ver com referências ao pântano, mas pouco mais. Contudo, há muitas diferenças, e uma impressionante unidade de trato com a lógica de continuar ambas as guerras. No caso do Vietnam, havia uma lógica em andamento ideológica e de realpolitik para alcançar a vitória. O que é diferente no Iraque, e no público americano em particular, é a falta de ressentimento/reacção uma vez que as delgadas justificações para a guerra foram desvendadas.
Exército voluntário Exército profissional

Alguns tópicos de propaganda "proibidos"

A lista dos tópicos esquecidos pelos media é longa. Há ítens que soam inocentes, como a temperatura no Iraque, cuja divulgação subitamente é "suspensa" durante o verão. O conhecimento de que as tropas americanas trabalham em condições que perigam seriamente a sua saúde e segurança está igualmente a ser suprimido. O que acontece à população iraquiana em condições semelhantes raramente é mencionado. O paralelo com o Vietnam é notório; enquanto ali havia alguma menção aos efeitos do Agente Laranja sobre militares americanos, houve um número insignificante de relatos acerca dos efeitos sobre as populações locais. No Iraque, prevalece o mesmo sindroma nos relatos dos media.

Tópicos omitidos pelos media: Explicação
Síndroma da Guerra do Golfo Recentemente foi descoberto que alguns soldados já foram atingidos pelo Síndroma da Guerra do Golfo. Este síndroma matou mais soldados após a guerra de 1991 do que durante a guerra quente. Acontecerá isto mais uma vez?
Responsabilidade pelo bombismo de Kerbala Opinião de Tariq Ali: a grande questão é saber quem estava por trás do bombismo de Kerbala que matou mais de 200 xiitas. A intenção dos bombistas foi provocar hostilidades entre as comunidades xiita e sunita. Todos os grupos negam responsabilidade pela bomba. Assim, a questão que permanece é quem foi a força sinistra por trás disto. (Tariq Ali on DemocracyNow, 23/Abr/2004).
Prisioneiros iraquianos ou "detidos" Não são mantidas quaisquer listas ou elas não estão disponíveis para os membros das famílias dos prisioneiros --- estes não sabem se a pessoa é um prisioneiro ou se "desapareceu". O mesmo acontecia durante a era de Hussein. Fonte: May-Ying Welsh, FlashPoints.net, April 13, 2004.
Baixas iraquianas Isto certamente é uma pérola reveladora:
"Quando as baixas cresciam na cidade sitiada de Faluja, a Al Jazeera com sede no Qatar era uma das únicas cadeias de notícias a difundir a partir de dentro, transmitindo imagens de destruição e vítimas civis -- incluindo mulheres e crianças. Mas quando a "âncora" da CNN Daryn Kagan entrevistou o editor-chefe da rede, Ahmed Al-Sheik, na segunda-feira -- uma rara oportunidade para conseguir informação independente acerca dos acontecimentos em Faluja -- ela utilizou a ocasião para aborrecer Al-Sheik perguntando-lhe se as mortes de civis eram realmente 'a estória' em Faluja."
--FAIR, April 14, 2004.
Urânio empobrecido (Depleted Uranium) a afectar os iraquianos. Houve algumas referênias aos efeitos do DU sobre os soldados amerianos, mas não investigação em profundidade dos efeitos sobre os iraquianos.
Natureza das doenças que afligem os iraquianos Os médicos iraquianos deparam-se com uma epidemia de doenças transportadas pela água, e têm dificuldade em enfrentá-la.
O curriculum escolar Os antigos livros escolares foram removidos, ou pelo menos a foto de Hussein foi removida. Vários grupos estranhos estão a fornecer livros de proveniência desconhecida ou com uma mensagem ambígua.
Temperatura no verão No ano passado as temperaturas do verão em Bagdad foram censuradas na livre imprensa americana. Serão temperaturas acima dos 50º C de alguma forma provocativas?
Tortura Alguns iraquianos foram mortos sob custódia americana, e os seus corpos mostravam sinais de torturas. Assim, será que os EUA contrataram torturadores do antigo regime ou estarão a utilizar os seus próprios torturadores?
Remuneração de soldados e pensões Pouca atenção é dada à remuneração dos soldados e suas esposas. Algumas das esposas dos soldados sobrevivem com selos alimentares (food stamps) ! A pensão ou compensação paga aos sobreviventes é patética.
Abastecimento de electricidade ou água Não há estatísticas sobre a capacidade disponível dos sistemas eléctricos ou de abastecimento de água.
Produção de petróleo Quantos milhões de barris estão a ser bombeados, e o que está a acontecer à receitas obtidas? Quem está a auditar isto?
Assassínio de intelectuais Há um dilúvio de assassínios ou sequestros de intelectuais bem conhecidos. As advertências/ameaças contra essas pessoas aparecem no jornal financiado pelos EUA. O que está por trás disto?
Custo Estimativas do ano passado quanto ao custo da ocupação montavam a US$ 4 mil milhões/mês. Considerando que há resistência activa, qual é o custo agora?
A israelização das tácticas militares americanas Os israelenses vangloriam-se de que os EUA estão a aplicar as suas tácticas no Iraque. Uma vez que várias destas práticas equivalem a crimes de guerra, então quais são as implicações para os EUA? Estão os EUA a aplicar "assassínios selectivos", tortura, demolições de casas? E por que não empregar a coisa real -- por os israelenses a combaterem nesta guerra?
Aumentando os preços do petróleo. Se a guerra também significa a salvaguarda das reservas de petróleo, por que o preço do petróleo aumentou?
A indústria mercenária Soldados de elite por todo o mundo estão a abandonar as suas unidades para se juntarem aos operadores mercenários no Iraque. Os britânicos notam que custa US$ 3 milhões treinar uma das suas tropas de elite (SAS), e eles estão preocupados com a possibilidade de serem recrutados por companhias mercenárias. Em média, soldados a trabalharem como mercenários ganham mais do que 20 vezes o seu salário padrão no exército (sem impostos). Assim, estão os exércitos nacionais a serem substituídos por exércitos de companhias mercenárias?


O cemitério das justificações

A lista das justificações para a guerra e a subsequente ocupação continua a expandir-se. Todas as vezes que uma justificação é demolida, uma outra é produzida. Aqui está uma breve lista das justificações que foram demolidas e umas poucos que são raramente discutidas.

Justificação O que lhe aconteceu?
WMD (Armas de destruição em massa) Seguramente jogada fora.
Terror Falso desde o princípio. As acções americanas estão a causar o terrorismo.
Liberdade
"Duas noites atrás, o mais importante terrorista, George Bush, conversou acerca da 'liberdade no Iraque'. Não da 'democracia' no Iraque. Não a 'democracia' nunca mais foi mencionada. A 'democracia' foi simplesmente deixada fora da equação. Agora trata-se apenas de 'liberdade' -- liberdade de Saddam ao invés daquela liberdade de ter eleições. E o que é que esta suposta 'liberdade' envolve? Um grupo de iraquianos indicados pelos americanos cederá o povo para um outro grupo de iraquianos indicados pelos americanos. Será isto a 'histórica passagem poder' da 'soberania' iraquiana. Sim, posso ver bem porque George Bush quer testemunhar uma "mudança" de soberania. 'Nossos rapazes' devem ficar fora da linha de fogo -- deixem os iraquianos serem os sacos de areia."
--Robert Fisk, " By endorsing Ariel Sharon's plan George Bush has legitimised terrorism ", The Independent, April 16, 2004.
Democracia Ver "liberdade".
Estabilidade As acções americana estão a provocar o oposto
Libertação Só a libertação da produção de petróleo. A ocupação indica claramente que os iraquianos estarão sob uma canga americana por algum tempo.
Apoios às nossas tropas Não ouvimos isto mais. Foi só um pretexto para conseguir que aqueles que se opunham à guerra calassem a boca durante a mesma.
Tolerância religiosa
"Estamos presos numa luta histórica no Iraque. Se falhássemos, o que não acontecerá, seria mais do que o poder da América a ser derrotado. A esperança de liberdade e tolerância religiosa seria destruída".
--Tony Blair, The Observer, April 11, 2004.
Esta declaração foi expressa na mesma semana em que os americanos tentavam "matar ou capturar" o clérigo M. Sadr.
Os iraquianos querem que os americanos intervenham. Há um crescente número de inquéritos a tentar provar que os iraquianos estavam a favor da guerra ou estão a fazer "o melhor" agora (mesmo sem electricidade). O valor destes inquéritos é dúbio, e mesmo assim é claro que os iraquianos querem que os americanos deixem o país.
Petróleo Embora esta motivação reine suprema, é curioso que a Livre Imprensa raramente queira questionar o regime Bush sobre isto. E porque deveriam os EUA ter de conquistar o Iraque para poder comprar petróleo?
Bases militares e "projecção de poder" Há sete bases militares planeadas neste momento.
Apoio a Israel Finalmente, Philip Zelikow, um conselheiro de Bush, revelou que a guerra EUA-Iraque foi lançada para "proteger Israel". A Imprensa Livre não deu seguimento a isto, nem levantou questões acerca dos motivos porque os israelenses não estão a combater esta guerra. "Israel: porta-aviões da América no Médio Oriente" começa a chamar por mais ao invés de aliviar (especialmente a US$ 6 mil milhões/ano).
Interesses corporativos Com poucas excepções, o papel das grandes corporações americanas na promoção da guerra não foi investigado.


Mais glossários!

Seguir as pistas da dupla linguagem é um modo interessante de entender o estado do império americano. Depois de escrever uns tantos deles, e tendo compilado centenas de termos de propaganda, emergem os seguintes padrões desta linguagem.

1) A terminologia muda constantemente. Quando os propagandistas descobrem uma contradição na terminologia que dá resultados com conotações negativas, os termos serão imediatamente renovados. Um exemplo interessante é a denominação do grotesco muro circundando porções do West Bank. Inicialmente era chamado "grade de separação" -- com uma ênfase sobre grade, a indicar algo frágil e movível. A palavra "separação" era infeliz porque implicava "apartheid" e para os propagandistas isto era anátema. A expressão substitutiva foi "grade de segurança". E agora os propagandistas israelenses estão promover "grade de segurança para prevenção terrorista"! Esta última é exagerada, demasiado longa e transparente — será substituída.

2) Um outro aspecto curioso desta terminologia emergente é a participação de bom grado dos "jornalistas" na propagação das expressões criadas pelos propagandistas. Exemplo: James Reynolds da BBC declara: "Costumava ser chamada grade de segurança mas os responsáveis sentiram que o nome não funcionava no exterior. Assim, agora a barreira tem um novo nome oficial "a grade de prevenção do terrorismo" [2] . Não se preocupe, a partir deste momento este "jornalista" irá palrar as últimas terminologias cozinhadas pelos seus manipuladores israelenses.

3) É evidente --a partir dos "pontos de conversação" gerados pelos consultores dos vários media-- que a nova terminologia é posta à prova em grupos focais, e é prestada muita atenção à sua "estruturação". Quando as circunstâncias mudam, ou uma expressão se torna transparente para o público, ela é logo substituída.

4) Alguém poderia esperar que um público educado resistisse ao abuso de linguagem e às manipulações pretendidas, e que tal propaganda não fosse efectiva. Talvez fosse necessária subtileza para não estimular hostilidade entre a audiência alvo. Entretanto, ao invés de uma tendência para a subtileza, testemunhamos o oposto! No ano passado a terminologia da propaganda tomou emprestada até mesmo a terminologia colonial/imperial. Os propagandistas nem mesmo se preocuparam por terem as políticas americanas etiquetadas como "imperialismo". A razão disto, em parte, tem a ver com a natureza auto-referencial dos novos media. Isto significa que uma declaração lida por um repórter a partir dos relvados da Casa Branca é considerada notícia. A terminologia utilizada tem pouco a ver com as condições sobre o terreno, digamos, no Iraque. Quando as pessoas não estão conscientes do que está a acontecer no Iraque, a terminologia utilizada pode até mesmo imitar o jargão colonial --- isso não parece importar.

5) É surpreendente como o jargão de propaganda gerado pelos EUA no Iraque se assemelha às expressões que os propagandistas israelenses tem usado ao longo de anos. Há muitas expressões "civis" para encobrir uma ocupação militar. Exemplo: os israelenses utilizam "administração civil" para se referirem à ocupação militar; os americanos utilizam semelhante terminologia civil no Iraque. Tanto Israel como os EUA tentam retratar as suas ocupações como benígnas e mesmo esclarecidas (construção da nação, reforma, etc). Na frente militar, os EUA estão a reciclar a dupla linguagem israelense ao mesmo tempo que adoptam as tácticas dúbias e muitas vezes falidas de Israel. Pode-se aguardar a utilização de "assassínios selectivos" e tudo o mais no Iraque. As tácticas são partilhadas e a terminologia certamente se seguirá.

Outros glossários descrição
Glossário da ocupação Discute terminologia comum utilizada em referência aos territórios ocupados israelenses.
Glossário dos promotores da guerra
Glossary of Warmongering
Discute a terminologia prevalecente durante os meses que antecederam a guerra EUA-Iraque
Observador de uma guerra de palavras enganosas A segunda metade deste artigo discute a terminologia utilizada durante a guerra EUA-Iraque.

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Notas
[1] "US Military Keeps Track of Some, If Not All, Civilian Casualties in Iraq", MemoryHole .
[2] James Reynolds, "Sharon prepares barrier defence," BBC Online, Jan. 18, 2004.



[*] Paul de Rooij é escritor, vive em Londres, e pode ser contactado pelo email proox@hotmail.com (todos os attachments serão automaticamente eliminados).
©2004 Paul de Rooij.

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/rooij04232004.html

Este documento encontra-se em http://resistir.info .
26/Abr/04
Actualizado em 07/Mai/04