Comunicado do CNURI
Aos orgulhosos filhos e filhas do Iraque, aos e às árabes com
honra, aos amantes da liberdade em todo o mundo.
Por estes dias cumpre-se um ano desde a agressão dos EUA e
Grã-Bretanha lançada por Bush e Blair em nome do sionismo contra
o Iraque, "A terra dos dois rios", o berço da
civilização, centro da glória e de uma História
esplendorosa. Depois de haver perdido todos os pretextos para justificar sua
agressão e para impor a lógica da ocupação estamos
a ver nestes dias estes gangsters e ladrões a perderem o rumo diante da
crescente resistência heroica e dos seus valentes ataques. Seus
dirigentes e seu governador civil (Paul Bremer) não têm outra
coisa para anunciar aos iraquianos senão que os esperam dias mais
sombrios. Sim, graças a Deus, haverá dias mais escuros para os
invasores e agressores. Pela graça de Deus e pela vontade do nosso
povo, que 2004 seja o ano da libertação total.
Há dez meses nasceu o Conselho Nacional Unificado da Resistência
Iraquiana (CNUR), que incluía batalhões de muyahidines
[guerrilheiros] militantes baasistas, membros das forças armadas, herois
dos corpos de segurança e, com eles, em completa solidariedade, centenas
de milhares de patriotas iraquianos que recusam a ocupação e a
humilhação. Os nobres sheiks das tribos, os guerrilheiros
religiosos e membros de forças islâmicas uniram-se a esta valente
resistência a fim de constituir um quadro organizativo que execute
operações e coordene os programas da resistência e suas
acções conforme se desenvolva a situação militar e
política.
A fim de clarificar a situação, o CNURI anuncia seu programa
político a todas e todos os iraquianos, a todas e todos os árabes
honrados. Faz um apêlo àqueles iraquianos que erraram e falharam
servindo de qualquer modo a ocupação a que reflictam sobre o que
estão a fazer, a que mudem de imediato essa atitude desonrosa e que
retornem ao seio da resistência. Que Deus os perdoe pelo que fizeram no
passado.
Com este comunicado, queremos manifestar o seguinte:
1- A recusa absoluta e global à ocupação, a seus media, a
seus agentes e a tudo que dela emana, como estruturas, cargos e comités
traidores [instaurados] ao serviço dos invasores e que [por isso]
são traidores do povo iraquiano. Conclamamos todos eles, inclusive o
Conselho Governativo, a darem marcha atrás de uma vez e a que se
distanciem deste fogo que logo acabará por consumí-los; a que
considerem nulas todas as decisões e recomendações porque
tudo o que se criou sobre uma base falsa falso é.
2- A continuidade da resistência em todas as suas formas armadas e a
mobilização popular através de manifestações
e protestos, através do boicote à ocupação e a
todas as suas estruturas, através de todos os meios possíveis
até que o último soldado tenha saído do Iraque;
não aceitaremos nunca nada menos do que essa meta. Que todo o mundo
saiba que aquele que resiste assumindo seu dever contra os invasores e
perseguindo-os para libertar o Iraque é [também] capaz de dirigir
o Iraque e construí-lo; não haverá lugar dentro do Iraque
para os traidores, os ladrões ou os mercenários.
3- Imediatamente após a saída dos invasores, uma vez que o
Iraque esteja libertado, conclamamos ao restabelecimento do Estado em todas as
suas instituições soberanas nacionais e organizativas, assim como
ao retorno do Exército enquanto instituição nacional
unificada, tal e como existia antes do 9 de Abril de 2003.
4- O CNURI anunciará no seu devido tempo a constituição
de um novo Governo Nacional Unificado de Transição de dois anos
[de duração]. Este Governo de Transição
assumirá o papel da soberania e da representação do
Iraque. Cumprirá o urgente labor nacional de curar as feridas e de
ajudar àqueles que sofreram entre o povo. Ficará encarregado de
reconstruir o Estado gestionando as estruturas e seus serviços
públicos vitais, incluindo as seguintes missões:
a) Organizar em dois anos novas eleições supervisionadas pela
Liga Árabe e por observadores internacionais, assim como por
organizações internacionais respeitáveis relacionadas com
processos democráticos.
b) Criar um Conselho Assessor de 150 membros reconhecido por sua sabedoria e
honestidade, eleitos por iraquianos leais, por aqueles que não mancharam
as suas mãos com os invasores, que será considerado como um
conselho de peritos que aconselha e exprime pontos de vista ao governo
transitório e participa com o Conselho de Ministros na
preparação de uma Constituição permanente para o
país, Constituição que incluirá todos os direitos
fundamentais dos cidadãos e cidadãs salvaguardando assim a
unidade do Iraque e sua identidade árabe. Esta
Constituição será proposta mediante referendo popular 18
meses depois da saída dos invasores.
O Conselho Assessor e o Governo transitório actuarão de imediato
para abolir todas as leis de emergência bem como as decisões que
se tiverem promulgado anteriormente.
c) Após a assinatura da Constituição permanente, a
Assembleia Nacional eleita reunir-se-á com o Conselho Assessor para
eleger o presidente da República e o vice-presidente [com mandato] por
cinco anos. O nome do presidente será proposto ao povo em referendo
geral e o candidato deverá obter 60% dos votos nessa
eleição.
d) Estabelecer as liberdades políticas de acordo com leis
específicas que permitirão a liberdade de criar partidos
políticos, associações e organizações
sociais; a criação de jornais e o estabelecimento da liberdade
de imprensa de acordo com critérios patrióticos; a
política da "pessoa adequada para a função
apropriada" com a lealdade como base para obter emprego nos
serviços públicos e impor a noção do Estado de
Direito, do respeito ao sistema político e a suas
instituições.
e) Criar o Alto Conselho para os Direitos Humanos que incluirá
personalidades conhecidas pela sua retidão e pela sua lealdade nacional.
Este Conselho desfrutará de grandes poderes para investigar e pedir
contas àqueles que não respeitem os direitos humanos dos
iraquianos ou sua dignidade. O Conselho informará directamente o
presidente da República, o primeiro-ministro e a Assembleia Nacional das
suas resoluções e recomendações, actuando no
espírito da unidade e com recusa da perniciosa política baseada
em procedências confessionais, sustentando o princípio da
igualdade perante a lei.
f) Desenvolver a Lei de Autonomia do Curdistão iraquiano para garantir
os direitos nacionais e culturais da área curda no âmbito de um
Iraque unificado e da sua soberania, discutindo-se estas questões com as
forças curdas num espírito de diálogo e abertura, mantendo
inalteráveis as bases da bandeira, da soberania, dos assuntos exteriores
e da segurança nacional do Iraque.
Finalmente, o CNURI saúda com grande orgulho e honra o sacrifício
dos gloriosos mártires do Iraque e saúda igualmente todos os
refens e detidos, os encarcerados nas prisões da ocupação.
Deus queira que o dia da vitória esteja próximo.
Conselho Nacional Unificado da Resistência Iraquiana (Ramo
Político)
Comunicado do CNURI, 'al-Moharer', 4 de Abril de 2004. A versão em
espanhol encontra-se em
http://www.nodo50.org/csca/
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info
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