Costuma-se chamar "teoria francesa" à amálgama confusa criada em terras gaulesas com objetivos diversionistas e para combater o marxismo. Os seus expoentes mais mediáticos são Roland Barthes, Jacques Derrida, Lucien Goldmann, Jean Hyppolite, Jacques Lacan, Michel Foucault e Gilles Deleuze. É destes cavalheiros que trata a obra Requiem for French Theory, publicada em 2026 pela Monthly Review Press, com prefácio de John Bellamy Foster. O texto abaixo é o seu capítulo conclusivo, com o título "O que está realmente em jogo na luta de classes, do ponto de vista teórico".
O livro, com 131 páginas, é construído na forma de diálogo dos seus autores, Gabriel Rockhill e Aymeric Monville, com Jennifer Ponce de León. O primeiro é autor de 12 livros, incluindo Quem pagou os flautistas do marxismo ocidental, além de editar Western Marxism, de Domenico Losurdo. O segundo é o fundador da Éditions Delga, que anteriormente publicara a versão em francês: Requiem pour la French Theory: Chant funèbre transatlantique sur une tonalité marxiste.
Jennifer Ponce de León: Discutimos as várias formas como a "Teoria Francesa" é um produto ideológico do núcleo imperial que obscurece a realidade material e desorienta politicamente as pessoas, salientando que esta é precisamente uma das razões pelas quais tem sido tão amplamente promovida por forças poderosas no mundo capitalista. Ambos contrapuseram à ideologia da Teoria Francesa a tradição do materialismo dialético e histórico, explicando a sua superioridade teórica e prática e salientando que tal foi comprovado pela história material. Ao encerrar a nossa conversa, gostaria de pedir a ambos que explicassem o que está fundamentalmente em jogo na luta de classes na teoria, particularmente no que diz respeito à batalha que temos estado a discutir entre a Teoria Francesa e o marxismo. Por que razão é importante tal confronto ideológico e por que razão deve ser travado hoje? Por que dedicar tempo e energia a um "Réquiem pela Teoria Francesa", em vez de — por exemplo — simplesmente ignorá-la?
Gabriel Rockhill: Vivemos nos tempos finais, que Georges Gastaud teorizou como a era do exterminismo. Quer se trate de uma guerra imperialista à beira de um apocalipse nuclear, da brutal intensificação do assassinato social capitalista ou da dizimação catastrófica do planeta, pode-se argumentar que os desafios da luta de classes nunca foram tão elevados. É uma questão de vida ou morte para a espécie e até mesmo para a biosfera. Este já não é — se é que alguma vez foi — um momento para nos entregarmos aos jogos teóricos da intelectualidade pequeno-burguesa. É o momento de desmascarar estes últimos pelo que são e de nos empenharmos numa séria guerra ideológica.
A "Teoria Francesa" faz parte de uma guerra mundial intelectual muito mais ampla, que visa desacreditar o materialismo dialético e histórico, bem como o socialismo realmente existente. Tem tido uma influência vasta e profunda, inclusive no seio da intelectualidade marxista em todo o mundo e, mais importante ainda, nos movimentos progressistas. Para aqueles de nós que conhecem esta tradição por dentro, temos a responsabilidade de esclarecer a sua função no âmbito da luta de classes internacional, a fim de, por um lado, defender o marxismo contra as suas rejeições redutoras e, por outro, passar à ofensiva, demonstrando o poder do materialismo dialético e histórico. Enquanto ciência inovadora, coletiva e prática da libertação, podemos recorrer a ela e continuar a desenvolver as suas ferramentas para compreender e transformar o mundo antes que seja tarde demais.
Aymeric Monville: Para concluir, gostaria de mencionar um jogo norte-americano muito inspirador — porque, ao contrário do que possam pensar, há muitas coisas que me interessam no vosso país! — e esse jogo é o póquer. O marxismo e a Teoria Francesa podem evoluir em duas esferas distintas, dando a impressão de que não estamos a evoluir no mesmo mundo, ou mesmo de que não pertencemos ao mesmo mundo (uma vez que a Teoria Francesa também se baseia na "distinção" de Bourdieu). Mas chega um momento em que é preciso colocar as cartas na mesa e comparar. Cabe aos leitores ter a última palavra, na qualidade de árbitros. Em termos simples, essa é a regra: a certa altura, é preciso colocar as cartas na mesma mesa, porque só há um jogo, uma mesa, um mundo. O monismo é, de facto, a base do materialismo, não é?