Propostas vazias e ameaçadoras de um presidente cada vez menos legítimo

– O fracasso macroniano

PRCF [*]

Dinheiro para os salários, não para a guerra .

Por um lado, Macron não podia deixar de se pronunciar esta noite, dada a grande agitação que se vive no país; sobretudo porque o chamado Partido da Ordem está a deitar achas para a fogueira, instigado por Le Pen e pelo não menos perigoso Retailleau.

Por outro lado, poderia o chefe de Estado realmente invocar o estado de emergência ou recorrer ao artigo 16.º da Constituição, como exige a extrema-direita, sem correr o risco, para a sua classe social, a grande burguesia capitalista, de uma mobilização em massa da juventude, mesmo que seja verdade que as direções sindicais moldadas ao modelo europeu pareçam ter esquecido o significado da palavra "greve geral"…

O resultado é que o chefe de Estado está a um passo do xeque-mate, tal é o seu descrédito devido ao balanço desastroso em todos os seus planos:   poder de compra, defesa da paz, progresso social, emprego, serviços públicos, produção em França, independência nacional, democracia, ambiente; a sua política de desintegração euro-atlântica de França, de fascização e de marcha para a guerra contra a Rússia, que exacerbou o declínio do nosso país na sequência da implementação da Europa supranacional, tão cara tanto à direita quanto à falsa esquerda.

Isto não significa, de forma alguma, que este presidente destruidor da França e belicista não tenha ainda meios para causar danos, tentando criminalizar a esquerda popular, nomeadamente a LFI (detenção de um deputado de Marselha, ameaças de morte contra outro, pedido de Retailleau para "proibir a LFI"…), ou ao pedir aos prefeitos que proíbam as manifestações, departamento a departamento.

Quanto às reivindicações, não há forma de as satisfazer sem recorrer aos enormes créditos de guerra apoiados pelo arco político que vai do RN [Rassemblement National] ao PS e distribuídos sem limites aos acionistas do setor do armamento. Não há forma de viver melhor neste país sem pôr finalmente em causa os superlucros do [indice da bolsa] CAC 40 e a Europa de Maastricht, que transformou a França num campo de ruínas a nível industrial, agrícola e até mesmo linguístico, escolar e cultural.

É claro que os leninistas que nós, militantes do PRCF, nos orgulhamos de continuar a ser, não aceitamos de forma alguma idealizar a violência selvagem de certos indivíduos que nada têm a ver com o movimento operário revolucionário outrora encarnado pelo grande PCF de Ambroise Croizat e pela CGT de Henri Krazucki.

Esta violência cega não passa, contudo, de uma consequência distorcida da enorme violência de Estado de um sistema capitalista cada vez mais fascista, belicista e portador de tendências sombrias, ou mesmo niilistas. Note-se, aliás, que Macron não proferiu uma única palavra de compaixão pelos jovens mutilados para toda a vida nos últimos dias pelas tropas desenfreadas de Nunez.

Nestas condições, o PRCF apela aos comunistas para que se unam na ação e tomem plena consciência — ainda que desagrade em simultâneo os senhores Mélenchon e Roussel — do desastre histórico que foi, para a nação e para a classe trabalhadora, a destruição pseudo-inovadora do Partido Comunista de vanguarda e do sindicalismo de classe. Para não falar do abandono, por parte da esquerda e da extrema-esquerda estabelecidas, da resistência patriótica e popular organizada contra a UE do capital. O que é tanto mais insensato quanto a "Marselhesa" e a bandeira tricolor fizeram um regresso espetacular nas manifestações dos alunos do ensino secundário!

Com espírito de responsabilidade e combatividade, o PRCF continuará ao lado das manifestações populares dos trabalhadores e da juventude pelo progresso, pelas liberdades, pelo poder de compra e pela paz, ao mesmo tempo que exorta os sindicalistas de luta a lançarem uma campanha de esclarecimento junto dos trabalhadores:   não haverá reconstrução da França nem salvaguarda da paz sem que a greve geral dos proletários acabe por vir em socorro da juventude, reafirmando o "papel central do mundo do trabalho na vida da nação", tal como souberam fazer outrora os fundadores do CNR.

As manifestações sindicais de 5 de novembro devem constituir, deste ponto de vista, um novo momento alto a nível nacional da mobilização mais ampla e altamente legítima das forças populares.

Secretariado Nacional do PRCF, 18 de outubro de 2026

18/Outubro/2026

Ver também:
  • 17octobre : la France des travailleurs dans la rue, des millions en colère [Reportage]
  • [*] Pôle de Renaissance Communiste en France

    O original encontra-se em initiative-communiste.fr/articles/prcf/propos-a-la-fois-creux-et-menacant-dun-president-de-moins-en-moins-legitime-declaration-du-prcf/.

    Esta declaração encontra-se em resistir.info

    20/Out/26