Iraque Livre — tropas fora já!

Brutal assalto do IV Reich americano contra Faluja e a heróica resistência popular iraquiana

por George Galloway [*]

Criança de Faluja, com três anos, assassinada a 16 de Outubro por um ataque da Força Aérea dos EUA. Principiou o mais sangrento assalto já efectuado contra Faluja.

As forças da ocupação ilegal não esperaram pelos resultados das eleições presidenciais americanas no mês que vem.

A ofensiva principiou no primeiro dia do mês sagrado para os muçulmanos, o Ramadão — um insulto bárbaro que não poderia ser mais calculado a fim de humilhar o mundo islâmico.

Os canais britânicos e europeus de notícias não mostrarão as fotos que a Al Jazeera está a mostrar em todo o mundo que fala o árabe.

Mesmo antes do último assalto, na realidade por trás das imagens expurgadas (sanitised) que aqui nos foram mostradas está o horror de mulheres decapitadas pelas bombas americanas, de corpos de crianças queimadas tornadas irreconhecíveis e os corredores do que outrora foi um hospital avançado inundado com sangue e sujeira.

Tudo o que foi experimentado sobre o povo palestiniano ao longo dos últimos quatro anos está agora a ser despejado em poucos dias sobre o povo de Faluja e de outras cidades iraquianas, depois de os militares americanos receberem os conselhos tácticos apropriados dos generais de Israel.

O que significa esta "operação" em Faluja? Significa um cerco e uma blitzkrieg contra uma cidade da dimensão de Plymouth, Verona ou Granada.

Mas a redeslocação forçada de tropas americanas para cometerem este assassínio significa alguma coisa mais.

Significa que homens armados apenas com armas de mão, a defenderem seus lares e famílias, estão a barrar o avanço da maior super-potência da história, com os seus F-16s, tanques e artilharia.

Em Bagdad e outras cidades iraquianas o povo tomou as ruas para apoiar Faluja.

As hordas de "combatentes estrangeiros" no Iraque são aquelas que estão a usar uniformes americanos e britânicos.

A resistência não é obra de terroristas.

É a obra de combatentes da liberdade que têm feito o que os aldeões vietnamitas fizeram quando também tomaram armas para libertar o seu país da ocupação estrangeira.

Então, tal como agora, os ocupantes dizem que foram convidados a permanecer pelos mesmos quislings que eles instalaram.

Mas, como eu e outros previmos antes desta guerra, o povo iraquiano na sua imensa maioria não aceitará nem a ocupação nem um governo fantoche.

Tudo aquilo que nos disseram aqueles que nos levaram à guerra era uma mentira, e tudo o que o movimento anti-guerra disse que aconteceria está a acontecer.

Agora, aqueles que nos disseram haver armas de destruição em massa no Iraque estão a propalar uma nova mentira — que estão a ocupar o Iraque para proteger os iraquianos de si próprios.

Mas são as forças americanas e britânicas as responsáveis pelo dobro de mortes iraquianas em relação à resistência.

Não pode haver equívoco, nem queda em outra mentira. A ocupação deve terminar agora, e todos os que querem a paz devem ficar com o povo iraquiano que resiste.

O destino imediato do impulso americano por um novo império será selado no Iraque — talvez nas próximas semanas.

No mês passado houve uma média de 87 ataques armados por dia às forças americanas.

Este número foi mais alto do que em Agosto, o qual por sua vez foi mais alto do que em Julho, o qual foi mais alto do que em Junho.

O imperialismo está a chegar a um bom covil sangrento no Iraque, entre o martelo da resistência iraquiana e a bigorna do movimento anti-guerra global.

O povo de Faluja e a resistência iraquiana estão na linha de frente.

Iremos nós permanecer sem tomar atitude, ou iremos resistir internamente?

Marchámos aos milhões contra a guerra, e o nosso movimento tem continuado até agora.

Agora devemos mobilizar um movimento de milhões pela imediata retirada das tropas do Iraque e em solidariedade com a resistência iraquiana.

O movimento anti-guerra já se configurou como opinião mundial.

Na semana passada um inquérito encomendado por jornais conhecidos internacionalmente revelou que a oposição à ocupação estende-se desde o Canadá até à Europa, à Coreia do Sul e à Austrália.

E, da costa atlântica do norte de África até o arquipélago da Indonésia, o mundo muçulmano ferve.

Na Grã-Bretanha, 71 por cento do povo quer as tropas fora do Iraque.

Mas Tony Blair está a considerar o envio de mais. Ele está a deslocar forças para Bagdad a fim de libertar forças americanas para o novo assalto.

Ele está a ordenar a mais dos nossos jovens — como Gordon Gentle, recrutado nas filas de esmolas — que matem e sejam mortos para aquele imbecil na Casa Branca.

Esta aventura imperial está a fracassar. A única questão é quantas vidas mais Bush e Blair sacrificarão antes de serem expelidos do Iraque.

O nosso êxito dar-nos-ia a esperança de que se nos mobilizássemos agora com o entusiasmo que mostrámos em 15 de Fevereiro do ano passado e com a tenacidade do povo de Faluja poderíamos então acabar com este pesadelo mais cedo ao invés de mais tarde.

Não "desmobilizaremos" nem nos "fecharemos".

Pois aqui na Grã-Bretanha enfrentamos um outro pesadelo, um cadáver à procura de um enterro decente — Tony Blair e o seu governo.

Não permitiremos que este mentiroso em série (serial liar) banhado em sangue possa escapar.

Se a conferência do Partido Trabalhista e os deputados trabalhistas não o sujeitarem a prestar contas, então nós o faremos — nas ruas, nas nossas escolas, nas faculdades e nos lugares de trabalho, e nas eleições.

Assim como trazemos nova energia ao nosso movimento anti-guerra, vamos também forjar uma força para desafiar os partidos belicistas na próxima eleição geral.

É o que estamos a fazer em Respect. Convido-os a aderir.

[*] Deputado no Parlamento britânico. Discurso foi pronunciado perante 1500 pessoas num comício do movimento Respect. De George Galloway ver também Um discurso histórico.

O original encontra-se em http://www.socialistworker.co.uk/article.php4?article_id=2930


Este artigo encontra-se em http://resistir.info .
18/Out/04