A linguagem do império e a sua tradução

  • Com base em depoimento de Roger Noriega perante o Senado dos EUA
  • por Toni Solo [*]

    Cartoon de Colorado. Poucas pessoas chegam a ler as declarações imperiais americanas no original. O acesso aos textos imperiais é sobretudo através de interpretações e traduções publicadas em jornais, revistas, rádio ou TV. Tais traduções tendem a ser inconfiáveis pois os próprios jornalistas-burocratas dos media corporativos tendem a ser traiçoeiros, preguiçosos, tendenciosos e convencidos. Talvez a regra mais segura seja ler qualquer texto imperial como tendo o significado oposto daquilo que parece dizer.

    Apesar de esta regra ser bem exacta na maior parte dos casos, aqueles que precisam de traduções mais rigorosas podem achar que esta cartilha elementar será útil como ferramenta prática. Para maior simplicidade todos os exemplos foram extraídos do depoimento de Roger Noriega [1] perante o Senado dos EUA. Um glossário acessível de expressões pode ser encontrado entre os cemitérios clandestinos, nos restos de aldeias massacradas e nos corpos de centenas de milhares de vítimas de torturas ao longo de toda a América Latina. Basta ver as dezenas de milhões de pessoas a viverem com menos de US$2 por dia.

    EXERCÍCIO 1: PLUTOCRATA A IMPLORAR POR MORALIDADE

    Fala o império: "O nosso próprio destino está ligado unicamente aos nossos vizinhos do norte e do sul ... Nossas sociedades abertas, contudo, são vulneráveis tanto a ameaças internas como externas — crime de todas as espécies e dimensões, conflitos internos, como o 11 de Setembro evidenciou, novas formas perigosas de terrorismo".

    Tradução: Não se pode esperar que erradiquemos os comércios de narcóticos e de armas uma vez que eles são uma parte essencial e significativa do nosso sistema financeiro e económico. Eles ajudam a manter ricos e poderosos a mim, a vocês senadores e à administração do governo americano. Precisamos significativamente de mais dinheiro dos contribuintes a fim de que possamos continuar a direccionar tais questões para falsas preocupações com uma exibição de actividade concertada e sobretudo irrelevante. Por que? ... Oh, para fazer com que a corrupta plutocracia que vocês senadores e eu próprio representamos se torne ainda mais rica e poderosa do que já é.

    Fala o império: "O desenvolvimento mais encorajador no hemisfério ao longo das últimas duas décadas foi a mudança decisiva para a governação democrática. Em 1980, pouco menos da metade dos países do hemisfério elegeram livremente os seus dirigentes. ... (agora) Apenas um — Cuba — não o faz. Na Cimeira das Américas, no princípio de 1994, 34 chefes de Estado e de governo reiteradamente endossaram a democracia e o livre comércio como princípios guiadores".

    Tradução: Apesar do lamentável facto de as nossas ditaduras preferidas, assassinas e cleptocratas, não serem mais sustentáveis ou, estritamente falando, necessárias, continuamos a projectar o nosso poder por meio de oligarquias locais corruptas e de intervenções eleitorais decisivas como por exemplo na Nicarágua e em El Salvador e actualmente nos referendos boliviano e venezuelano. Precisamos de financiamento substancial a fim de subverter processos eleitorais livres e limpos em todas as Américas de modo a impedir que a maioria pobre desenvolva qualquer alternativa àquilo que queremos. Além disso, meu colega representante do Comércio dos EUA, Robert Zoellick, não pode tornar as Américas seguras para os negócios das corporações multinacionais se os seus acordos comerciais "cumpra de qualquer maneira" forem sujeitos ao devido escrutínio democrático. Assim, isso compensa.

    Fala o império: "Nações democráticas e prósperas constituem os melhores vizinhos. ... Elas provavelmente trabalharão connosco para combater ameaças trans-nacionais e para promover visões semelhantes às nossas em forums multilaterais como a ONU, a OEA e as instituições financeiras internacionais.

    Tradução: Precisamos de mais dinheiro para continuar a comprar amigos e intimidar opositores de modo a que possamos conseguir o que queremos nas Nações Unidas e na Organização dos Estados Americanos tal como fizemos no Iraque. Eu disse Iraque? Quis dizer Haiti. Da mesma forma, precisamos assegurar que conservamos influência decisiva no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional e na Organização Mundial de Comércio. Assim, dêem-nos o dinheiro, está bem?

    EXERCÍCIO 2: TIRANIA COMO DEMOCRACIA

    Fala o império: "Pretendemos encorajar o progresso contínuo em todo o hemisfério em direcção à democracia efectiva com ampla base de crescimento económico, desenvolvimento humano e segurança tanto pessoal como nacional".

    Tradução: Estamos determinados a continuar a impor o bem estar das corporações através destas mesmas políticas económicas neoliberais que fracassaram rotundamente, nomeadamente e confirmadamente para aliviar a pobreza na América Latina ao longo dos últimos 20 anos. O continente sofre mais pobreza agora do que sofria em 1990 quando nós realmente conseguimos deitá-lo abaixo à força através de privatizações e de cortes nos serviços públicos. Isto é exactamente como deve ser porque torna mais fácil para nós obtermos o que quisermos. Vale o dinheiro que pagamos...

    Fala o império: "Se bem que as manifestações dos males do Haiti sejam pobreza e miséria, as causas que estão na raiz são políticas. O governo do presidente Aristide levou o seu povo à ruína de todas as maneiras. Agora podemos recomeçar a ajudar o Haiti a construir uma democracia que respeite a regra da lei e proteja os direitos humanos dos seus cidadãos".

    Tradução: Nós apoiámos com êxito tiranias assassinas no Haiti desde 1916 até 1990 garantindo assim que o povo daquele país nunca pudesse adquirir ideias erradas como a de tomar decisões por si próprio. Este rapaz, o Aristide, foi um problema durante algum tempo mas nós o minámos com êxito e obrigámo-lo a deixar o poder. Agora precisamos de um bocado de dinheiro para limpar um pouco da bagunça que fizemos ao proporcionar às multinacionais americanas do vestuário uma alternativa às oficinas de super-exploração da China e ao nos dar uma base segura para a nossa intervenção em desenvolvimento em Cuba.

    EXERCÍCIO 3: DEMOCRACIA COMO BRINCADEIRA

    Fala o império: "Apenas há uns pouco meses, a Bolívia estava nas manchetes. Quando Gonzalo Sanchez de Lozada foi eleito presidente da Bolívia em Agosto de 2002 estávamos ansiosos por trabalhar com ele a fim de executar, entre outras coisas, as reformas económicas orientadas para o mercado que ele desenvolvera anteriormente. Contudo, ele têve de demitir-se em Dezembro último devido às manifestações populares contra algumas das suas políticas... Um objectivo principal do nosso programa de democracia na Bolívia é atrair para a vida política a população indígena há muito marginalizada... Acreditamos que uma democracia estável é condição necessária para o êxito contra drogas ilegais".

    Tradução: Ficámos um tanto perturbados na Bolívia mas esperamos manter o lugar na linha principalmente com a compra de políticos e militares locais como sempre fizemos e cooptando organizações políticas populares. Ao mesmo tempo, enquanto estamos ali a subverter a democracia, podemos deslizar para uma forte presença militar com a nossa fictícia "guerra às drogas", que dá para tudo. Os nossos colaboradores locais foram capazes de equiparar o activista colombiano dos direitos humanos Pacho Cortes a um "terrorista", de modo que a "guerra ao terror" adequa-se aqui primorosamente. Como solução de reserva podemos desestabilizar o país encenando um incidente na fronteira com os nossos amigos militares no Chile a exigirem um estado de emergência e a intervenção da OEA. Tranquilo. E barato também.

    Fala o império: "A Venezuela permanece um motivo de preocupação considerável... Os Estados Unidos têm um grande interesse em preservar e regenerar a democracia na Venezuela e facilitar uma solução pacífica e constitucional para a crise política em andamento. Os recursos da assistência ao estrangeiro serão utilizados para a melhoria do funcionamento das instituições que servem de base à democracia, particularmente partidos políticos e ONGs mais fortes e mais democráticos. A ausência de tais actores confiáveis aumentou grandemente a distância entre Chavez e os seus detractores e prolongou a crise, com efeitos devastadores também sobre a economia nacional".

    Tradução: O apoio popular ao presidente Chavez da Venezuela é uma dor de cabeça real. Temos de encontrar um meio de fazer com que a velha oligarquia corrupta volte ao poder: preferivelmente sem uma dispendiosa intervenção armada. Estamos a despejar milhões de dólares na subversão do processo eleitoral, comprando políticos e organizações civis locais e a apoiar os media da oposição local cuja credibilidade e vendas estão em queda livre. É um desapontamento que a economia venezuelana esteja a melhorar mas ainda podemos escapar impunes mentindo acerca disto durante uns poucos meses: nenhum dos media americanos irá verificar os factos, de qualquer modo. Assim, dêem-nos tempo para isso... e dinheiro...

    Fala o império: "Em Cuba, o único país da região que não tem um governo eleito livremente, a nossa política é encorajar uma transição rápida e pacífica para a democracia caracterizada por forte apoio aos direitos humanos e uma economia de mercado aberta... Pretendemos ajudar a criar as condições que porão um fim ao único governo totalitário do hemisfério e reintegrar o povo cubano como membro da comunidade das Américas".

    Tradução: Cuba é o único país da América Latina que está sistematicamente a mostrar-nos quão arrogantes, hipócritas, assassinos em massa e racistas somos nós. Isto não é bom para a nossa auto-estima ou para a nossa postura internacional. Temos de destruir este êxito em relação a qualquer outro lugar da América Latina: as disposições sociais, económicas e culturais que os cubanos desfrutam actualmente, forçar pelo menos 60% a entrar na pobreza tal como acontece em toda a América Latina e vender barato tudo o que pertence ao povo cubano a nós próprios e aos nossos amigos a preços pateticamente baixos. É o que acontece por toda a América Latina e, de outro modo, eles nunca poderão ser um membro real da nossa vizinhança, certo? Isto custa dinheiro também.

    EXERCÍCIO 4: A POBREZA, UMA VERGONHA (LÁGRIMAS ALUGADAS A CROCODILOS)

    Fala o império: "Na Cimeira Especial das Américas ocorrida em Monterrey, México, em Janeiro último, os chefes de Estado e de governo democraticamente eleitos declararam o seu compromisso para com o crescimento económico a fim de reduzir a pobreza... A declaração da Cimeira saudou o progresso alcançado até à data rumo ao estabelecimento de um Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA) e reafirmou o compromisso de completar a ALCA dentro do calendário estabelecido, isto é, até ao prazo final de Janeiro de 2005. A declaração continha numerosas outras afirmações de apoio a políticas macro-económicas sadias, administração fiscal prudente, e políticas públicas que estimulem as poupanças internas, satisfaçam a necessidade de criar empregos produtivos e contribuam para uma maior inclusão social".

    Tradução: Fizemos uma excursão ao ensolarado México no último inverno e, em conivência com os nossos cúmplices da América Latina, alinhavámos um trato destinado a proteger os ricos, manter os salários baixos, manter dividendos, encorajar a fuga de capitais e promover a especulação lucrativa. Pretendemos completar o livre (para nós) comércio à escala continental enquanto lhes impomos condições que nós próprios não aceitaríamos nem por um instante: "políticas macro-económicas sadias, administração fiscal prudente, e políticas públicas que estimulem a poupança interna, satisfazendo a necessidade da criação de empregos produtivos e contribuam para uma maior inclusão social". sim, Alan Greenspan também pensava que seria divertido... mas tudo isto custa dinheiro...

    Fala o império: "Actualmente, demasiada gente no hemisfério está presa na pobreza e sofre de desnutrição. Sem atenção às necessidades humanas elementares — alimentação, saneamento básico, qualidade da educação e cuidados de saúde, eles nunca serão capazes de participar nos ganhos gerados pelo crescimento económico e pelo comércio acrescido. Consequentemente, continuamos a dedicar recursos significativos para melhorar a nutrição e os cuidados de saúde em países e regiões seleccionadas".

    Tradução: Não damos a mínima importância à pobreza como tal, mas é má publicidade para nós dizer isso. Continuaremos a gastar cerca de 0,1% do nosso PIB (amendoins, certo?) a lançar migalhas para o alívio da pobreza em todo o mundo, e mesmo alguma coisa disto na América Latina. Mas lembrem-se que toda esta "ajuda" é boa para os negócios americanos e também significa que podemos despejar produtos alimentares geneticamente manipulados sobre pessoas que são demasiado pobres para poderem dizer não. E ISTO significa que as nossas indústrias do agri-business acabam por segurar as rédeas do controle de segurança alimentar por toda a América Latina. Idem quanto a produtos farmacêuticos. Um bom investimento. Financiem-no.

    Fala o império: "Na Nicarágua, o segundo país mais pobre do nosso hemisfério, os nossos programas destinam-se aos obstáculos fundamentais ao desenvolvimento, incluindo ajuda alimentar para melhorar o impacto do desemprego rural e ligar produtos agrícolas aos mercados local, regional e global, dando aos pequenos agricultores um interesse na economia nacional".

    Tradução: Continuamos a obstruir um desenvolvimento rural justo e sustentável na Nicarágua, tal como no resto da América Central, focando sobre exportações não-tradicionais, encorajando medidas para eliminar a auto-suficiência na produção de cereais básicos e a promover a dependência dos agro-químicos. Até agora, tal como nas Honduras, conseguimos encorajar uma maciça mudança demográfica das áreas rurais para as urbanas. Isto criou uma satisfatória grande força de trabalho não qualificada desesperada por empregos que os investidores estrangeiros podem absorver a preços de saldo nas maquiladoras. Assim, internamente temos uma fonte confiável de produtos tropicais baratos durante todo o ano e uma alternativa prática ao Haiti, México ou Honduras para trabalho barato nas maquilas se aqueles lugares começarem a ter ideias estranhas sobre permitir sindicatos ou pagar um salário mínimo.

    EXERCÍCIO 5: MILITARIZAÇÃO, BENS, AMBIENTALISMO... ESTÁ A BRINCAR?

    Fala o império: "Não obstante, o Haiti e a Colômbia continuam a apresentar os casos mais urgentes da região quanto à aplicação da lei e outra assistência. O combate ao narcóticos continua o centro das relações americanas com a Colômbia, a qual fornece 90% da cocaína consumida nos Estados Unidos. Contudo, como as três organizações terroristas da Colômbia — FARC, ELN e AUC — financiam as suas actividades com os rendimentos do tráfico de drogas, é necessária uma resposta unificada. ... O ACI total requerido para o ano fiscal 2005 (incluindo a Colômbia) é de US$731 milhões. Estes fundos são necessários para apoiar uma campanha unificada regional andina contra o comércio da droga e o narco-terrorismo".

    Tradução: Não estamos a fazer qualquer progresso na Colômbia. O presidente Uribe é OK, um fascista genuíno, mas não estamos seguros sobre por quanto tempo poderemos manter a pretensão de que está a ajudar-nos na "guerra às drogas" uma vez que ele depende dos chefes da droga no exército e nos paramilitares para manter as guerrilhas sob controle. Não importa por agora que tenhamos chamados os AUC de terroristas: não nos considerem demasiado seriamente quanto a isto, eles são a nossa espécie de terroristas. Emitimos mandatos de extradição para Mancuso, Castaño e alguns outros rapazes mas precisamos deles para desestabilizar a Venezuela: confiem em mim. Em todo caso, estamos a usar mercenários ali de modo que não há contrapartidas: massacres, corrupção — nada de preocupações. De qualquer modo, a Colômbia não é mais barata do que Israel? Assim, dêem o OK àquele cheque...

    Fala o império: "Sua carta-convite perguntava especificamente se, na minha opinião, havia quaisquer lacunas críticas nos pedidos da administração de assistência externa para o hemisfério ocidental. É desnecessário dizer que há sempre escolhas que têm de ser feitas ao montar um orçamento desta espécie. O nosso nível de pedido é suficiente para dar a máxima prioridade às necessidades do nosso hemisfério".

    Tradução: Você certamente não espera de mim que fale acerca dos desastres ambientais que as nossas políticas estão a promover por toda a América Latina, não é? Desertificação através da promoção de políticas agrícolas insustentáveis, desperdício catastrófico de recursos de água por meio da promoção de esquemas hidroeléctricos inadequados, deslocação sistemática de populações indígenas e rurais como resultado directo e indirecto de programas de exploração de energia e planos de integração de infraestruturas como o Plano Puebla Panama, devastação de vastas áreas agrícolas e florestais por meio de guerras químicas e biológicas como parte da falsa "guerra às drogas", eliminação da biodiversidade com a temerária propagação de transgênicos pelas nossas multinacionais... não, não vamos falar sobre tudo isso...

    EXERCÍCIO 6: CONCLUSÃO FINAL

    Fala o império: "As instituições do governo, serviços sociais e a economia de livre mercado que desfrutamos nos Estados Unidos não foram criadas da noite para o dia. Não podemos esperar que outros países neste hemisfério, a maior parte dos quais tem uma experiência muito mais curta ou inconsistente com a governação democrática, alcancem uma institucionalização semelhante de direitos e liberdades nuns poucos anos. ... Na medida em que se tornarem parceiros mais estáveis nos esforços internacionais e mercados mais abertos para os nossos bens e serviços, nós nos tornaremos mais amigos no sentido lato da expressão. Este é o objectivo global que procuramos através do nosso programa de assistência. Peço-lhes que apoiem o pleno financiamento no orçamento do ano fiscal de 2005 da administração".

    Tradução: Não temos qualquer intenção de deixar que a maioria pobre da América Latina decida o seu próprio destino assim como não tencionamos permitir a democracia genuína e a regra da lei aqui nos EUA. Vocês todos votaram pelo PATRIOT ACT, não é? OK, portanto. Tal como aqui em casa, asseguraremos que as disposições políticas por toda a América Latina sirvam as nossas vorazes necessidades destrutivas agora e no futuro, tal como sempre fizemos desde a Declaração do presidente Monroe... Haverá vários milhares de milhões de dólares que gastaremos com o bem estar global das nossas corporações militares-industriais — todos nós ganharemos com isto, acreditem-me.

    Fala o império: "Obrigado pela vossa atenção".

    Tradução: Rapazes, votem esse financiamento já e obrigado por esquecerem cuidadosamente o vosso dever constitucional de sujeitar esta mistura de invenções e meias verdades a qualquer exame que mereça tal nome.

    [*] Email do autor: tonisolo01@yahoo.com .

    [1] Depoimento de Roger F. Noriega, secretário de Estado Assistente, Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental, Departamento de Estado, perante o Comité do Senado dos Estados Unidos sobre Relações Exteriores, 02/Março/2004.

    O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/solo07102004.html .
    Tradução de JF.


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info .

    15/Jul/04