Garzon escorrega no solo mexicano
Nos últimos tempos vêm surgindo informações, dados e
testemunhos que contrariam a imaculada imagem que o juiz espanhol Baltasar
Garzón esforçou-se por desenhar no seu próprio
interesse naquilo que os peninsulares com nostalgias da Conquista gostam
de chamar "Iberoamérica".
As últimas escorregadelas de Garzón na América Latina
são uma reiteração. Repudiado em várias
ocasiões pelos zapatistas e pelo próprio subcomandante Marcos,
por pretender meter o seu nariz imperial no México (Garzón
escreve "Méjico" conforme o velho modo colonial), tornado a
criticar na Colômbia pelas forças populares, quando se soube do
seu comparecimento a reuniões com autoridades do governo fascista de
Uribe Vélez para assessorá-las sobre como reprimir mais e melhor
os insurgentes desse país, o juiz acaba ganhar todos os prémios
de repúdio em suas apostas na loteria ingerencista.
Lendo e relendo a informação publicada pelo prestigioso
diário La Jornada
http://www.jornada.unam.mx/indexfla.php
será possível observar que Garzón e esse tribunal
repressivo de excepção denominado Audiência Nacional
Espanhola parecem acreditar que ainda estão na época de
Hernán Cortéz ou de Francisco Pizarro. Com efeito: não
só participaram no interrogatório de cidadãos mexicano
(facilitado por autênticos "colaboracionistas" da estrutura
judicial desse país) como pretenderam sem êxito
interrogar militantes bascos detidos no México. Muito semelhante ao
que, em época não muito longinquas, fizeram as estruturas
repressivas do continente para deter, torturar, processar e fazer desaparecer
cidadãos de cada um dos nossos países. Nessa instância
chamava-se "Operação Condor".
Armado com a sua tradicional arrogância e acompanhado de outro
funcionário da Audiência Espanhola, Garzón dias
atrás tentou entrar na prisão mexicana Reclusorio Norte e
participar da audiência judicial dos presos bascos, que há meses
encontram-se ali à espera de um pedido de extradição feito
pelos espanhois. Entretanto, desta vez Garzón não teve sinal
verde e o seu aborrecimento foi visível
http://www.rebelion.org/spain/040201gar.htm
(ver carta a La Jornada). Com tanto azar que foi desmascarado
("escrachado", para usar uma terminologia argentina) pelos meios de
comunicação ali presentes.
Garzón acredita que os latino-americanos são idiotas e submissos.
Garzón supõe que a colonização continua e
não se dá conta que os povos se levantam sucessivamente para
demonstrar que estão fartos e desprezam estes novos Cortéz e
Pizarros que, difarçados de Telefónica, Repsol, BBV e Endesa,
pretendem amordaçar e esfaimar os países do continente.
Garzón não pode entender mas já é tempo de
que anote na sua agenda repressiva que são muitos os que sabem
que na Espanha se tortura, que se violam detidos e detidas, que se desterram
prisioneiros políticos e sobretudo, que se ilegalizam patidos, que se
fecham jornais e que se tenta amordaçar a dissidência
política basca. Como muito bem tem informado sempre o diário La
Jornada, que Garzón acusa de "manipulador".
Precisamente porque tudo isso se sabe é que começam a surgir
solidariedades insuspeitadas contra a actuação impune de
juízes espanhois que se creem jagunços de latifúndio.
De qualquer forma, o que acaba de ocorrer no México é grave.
Não porque o tenham retirado com maus modos e sim porque demonstra que
nos nossos próprios países ainda restam lacaios (apesar de o sr.
Vicente Fox se esforçar por desmentí-lo junto aos círculos
de imprensa) dispostos a violar os seus próprios preceitos
constitucionais a fim de "ficar bem" com os amos do poder colonial.
Lamentavelmente para eles, ainda restam os povos solidários com todos
aqueles que lutam pela auto-determinação, bem como alguns poucos
mas meritórios funcionários que cumprem com a letra do que deve
ser um país independente e, especialmente, alguns medias honestos e
progressistas como "La Jornada", dispostos a contar o que pode ser
uma grande afronta à nação mexicana. Todos eles
estragaram a jogada de Garzón e seus mandatários.
[*]
Director de
Resumen Latinoamericano
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O original encontra-se em
http://www.rebelion.org/opinion/040201azn.htm
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Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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