Equador: Governo do Coronel Gutierrez
atenta contra liberdade de expressão

-Tentativa de silenciamento da Rádio La Luna
-Perseguições contra jornalistas
-Intelectuais equatorianos protestam

por ALTERCOM [*]

Clique a imagem para aceder a 'La Luna'. A liberdade de expressão não admite restrições nem censura alguma. Ou existe, ou não existe. Qualquer censura ou a censura de um só meio de expressão que seja, é um ataque global à liberdade de expressão, um dos direitos humanos fundamentais dos povos e dos indivíduos. Assim o entendeu a Constituição equatoriana, as declarações universais dos direitos humanos, as resoluções da ONU e como um dos seus melhores exemplos, a primeira emenda da Constituição dos Estados Unidos.

A pretensão do governo de encerrar a Rádio La Luna , caso o seu director, Paco Velasco, não prove as supostas acusações difundidas nos programas realizados a propósito do criminoso atentado contra Leonidas Iza, é um despropósito e um disparate sem nome, que apenas revela a sua concepção repressiva e o seu desprezo pelos direitos fundamentais do povo equatoriano. E, imposta no quadro da série de atentados que pretendem criar um estado de violência política, constitui uma intolerável tentativa de afectar as tradições libertárias mais caras à sociedade equatoriana. A perseguição ao jornalista Miguel Rivadeneira, da Rádio Quito , ao jornal Opción e a comunicadores e meios de comunicação alternativos faz parte desse quadro.

O problema, aliás, não incide apenas em Paco Velasco e na direcção da Rádio. La Luna , rádio alternativa, surgiu para dar voz a um amplo leque de forças sociais, políticas, culturais, que encontraram nos seus programas, no seu tom, nas suas linguagens e nos seus formatos singulares, a dimensão imaginária e simbólica que responde às suas ideias, sensibilidade e imaginação. La Luna promoveu insistentemente a participação dos seus ouvintes como um meio de formar uma verdadeira e democrática opinião pública, que surja da sociedade e não do poder. São os ouvintes os únicos que podem levantar questões e de facto fazem-no, em cartas, chamadas telefónicas, opiniões pessoais. Consultou-os o Governo acerca das suas intenções de lhes encerrar um dos seus canais de expressão?

A batalha em defesa de La Luna pode e deve transformar-se numa grande batalha cultural pela livre expressão de todos aqueles que nela se reconhecem. Convidamos todos os seus ouvintes, os grupos de artistas que participaram nos seus programas e todos aqueles que não estão dispostos a permitir que se cerceie um milímetro a nossa liberdade de expressão, a dinamizar festivais, actos culturais e a participação contínua nos seus espaços. À maneira de Cantinflas, que não podía parar de falar porque sentia de si fugir a vida, não podemos deixar de falar em La Luna porque está em jogo a nossa sensibilidade e a nossa imaginação.

Alejandro Moreano, Milton Benítez, José Moncada, José Lasso, Alberto Acosta, Eduardo Santos, Jaime Breihl, Napoleón Saltos, Silvia Vega, Pilar Bustos, Pablo Dávalos, María Augusta Calle, Valeria Coronel, Ileana Almeida, Lenin Oña, Ilonka Vargas, Irene León, Iván Oñate, Abdón Ubidia, Ulises Estrella, Pepe Ron, Natalia Sierra, Oswaldo Leon, Magdalena León, Ana María Larrea, Davis Suáres, Margarita Aguinaga e outros.

[*] Agência de notícias equatoriana. altercom@andinanet.net

Este protesto encontra-se em http://resistir.info .

18/Fev/04