Equador: O Poço da dívida social
José Marti, um dos ilustres filhos desta América, disse que a
inteligência americana é um penacho indígena.
Não vêem como, com o mesmo golpe que se imobilizou o
índio, se imobilizou também a América? E até que
não se faça andar o índio, a América não
começará a andar como deve ser, disse Martí.
E como poderá a América andar, com o peso da dívida
externa, que se paga uma e outra vez e nunca se acaba? Uma dívida
externa que em 1985 era de 300 mil milhões de dólares e hoje
é de 800 mil milhões. Quando é que nos pagarão o
ouro e a prata dos nossos avós, que roubaram no saqueio do continente?
Quando nos pagarão as árvores, os rios que contaminaram e
continuam a contaminar, os pássaros que ficaram sem um lugar onde viver?
Quando nos pagarão tudo aquilo que nos devem? Quem deve a quem?
E como pode o Equador seguir em frente, com o Pozo
[NT]
da dívida, que
decidiu que os pobres não tem direito à saúde nem à
educação? Um Pozo da dívida que não entrega
o orçamento que esses sectores necessitam.
Parece que para o Pozo da dívida os únicos que têm
direitos são os credores, que são os donos dos juros da
dívida. Pozo entrega 40% do orçamento de Estado para pagar
a dívida e deixa de lado a dívida social. Quem serão os
donos do Pozo? Quem serão os donos dos juros? O Equador e o
continente devem exigir às nações desenvolvidas, ao FMI e
ao Banco Mundial, que pelo menos uma vez mostrem capacidade de arrependimento e
ofereçam às nações latino-americanas um tratamento
similar àquele que teve a Alemanha depois da segunda guerra mundial.
Nessa altura os países credores actuaram com virtude. Hoje, os nossos
credores, actuam com o coração no dinheiro.
A soberania popular exige-nos uma saída para a dor do dólar, para
a dor da dívida e para o Pozo da dívida. Uma saída
colectiva, uma saída associativa.
Façamos uma associação de países latino-americanos
para sacudir de cima de nós a dívida externa. Façamos uma
associação de equatorianos e equatorianas para sacudir de cima de
nós o Pozo da dívida e para fiscalizar a dívida
externa equatoriana. Como se gerou? Quem foram os seus beneficiários?
Para onde foi o dinheiro? Muita é a corrupção que se
esconde por trás da dívida e dos credores e dos governos que nos
levam para o poço e aos quais não importa nem a saúde, nem
a educação nem a dívida social.
[*]
Dirigente indígena e Deputado. Presidente do Parlamento
Indígena da América. Tradução de Ana Santos.
[NT]
O autor faz um jogo de palavras com o nome do actual ministro da Economia,
Maurício
Pozo ('Poço' em português).
O original encontra-se em
http://www.rebelion.org/internacional/040508ecu.htm
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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