Provável escassez de petróleo após 2007
por Oil Depletion Analysis Centre
[*]
A oferta global de petróleo poderá começar a ter
dificuldade para atender à procura depois de 2007, segundo uma
análise recente dos projectos existentes e planeados publicados este
mês na
Petroleum Review
.
Enquanto um dilúvio de produção nova está pronta
para chegar ao mercado durante os próximos três anos, os volumes
esperados dos novos projectos previstos a partir daí provavelmente
ficarão bem abaixo das necessidades, afirma o relatório.
"Não há bastantes projectos em grande escala a serem
preparados para se desenvolverem a partir de agora a fim de compensar o
declínio da produção nas áreas maduras e atender
à procura global para além de 2007", declarou Chris
Skrebowski, autor do relatório, editor da
Petroleum Review
e nomeado recentemente membro da direcção do Oil Depletion
Analysis Centre (ODAC), em Londres.
"Uma vez que desde a descoberta inicial de um mega-projecto até o
começo da produção de óleo passam em média
seis anos, qualquer novo projecto aprovado hoje provavelmente não
começará a fluir antes do fim da década", observou
Skrebowski.
O relatório, "Oil field mega projects 2004", analisou todos os
projectos conhecidos com reservas estimadas superiores a 500 milhões de
barris e com potencial anunciado para produzir mais de 100 mil barris de
petróleo por dia. Projectos nesta escala representam cerca de 80 por
cento da oferta mundial de petróleo.
O relatório revela que apenas três de tais projectos
entrarão em produção em 2007 e mais três em 2008.
Nenhuns outros novos projectos puderam ser identificados como devendo arrancar
em anos subsequentes.
"A procura sempre crescente por petróleo significa que há um
mercado pronto para ofertas adicionais de modo que novas descobertas
substanciais tendem a entrar em desenvolvimento num tempo muito
rápido", salientou Skrebowski. "Mas um quarto a um
terço da produção mundial de petróleo já
está em declínio e constata-se que novas descobertas gigantes,
destinadas a substituir capacidade perdida, estão a tornar-se muitos
escassas".
A taxa de grandes novas descobertas de campos de petróleo caiu
dramaticamente nos últimos anos. Houve 13 descobertas de mais de 500
milhões de barris em 2000, seis em 2001 e apenas duas em 2002, de acordo
com os analistas da indústria IHS Energy. Em 2003, nem uma nova
descoberta de mais de 500 milhões de barris foi relatada. [A
tendência para a queda de descobertas é confirmada por outro
relatório recente do consultor de energia Wood Mackenzie, conforme
artigo datado de 23/Jan/2004 no
Wall Street Journal
].
As constatações chave do relatório da
Petroleum Review
são as seguintes:
-
Entre 2003 e princípios de 2007 nova capacidade de uns 8 milhões
de barris deverá entrar em produção. Isto deveria ser mais
do que suficiente para compensar o declínio da produção
global de cerca de 3-4 milhões de barris por dia naquele mesmo
período e o projectado crescimento da procura em torno dos 3
milhões de barris por dia.
-
O ano de pico para novos mega-projectos, sobretudo desenvolvimentos offshore,
será 2005, quando 18 projectos, com uma capacidade potencial de pico de
3 milhões de barris por dia, deverão entrar em
produção.
-
O ritmo de desenvolvimento reduzir-se-á em 2006 com 11 novos projectos a
arrancarem. A sua capacidade de pico conjunta estará em torno dos 2
milhões de barris por dia.
-
Somente três novos mega-projectos deverão entrar em
produção em 2007 e mais três em 2008, acrescentando menos
de 2 milhões de barris de nova capacidade potencial ao seu pico.
-
A partir de 2007, os volumes de nova produção provavelmente
ficarão aquém das expectativas das necessidades combinadas para
substituirem a capacidade perdida dos campos mais antigos, em fase de
esgotamento, e satisfazerem o crescimento contínuo da procura mundial.
-
Fora identificados uns 23 outros projectos que potencialmente poderiam ser
desenvolvidos em algum momento no futuro. Todos eles, excepto dois,
estão na Rússia e no Médio Oriente mas, devido a um
conjunto de incertezas políticas, legais e técnicas, não
é provável que algum deles acrescente nova oferta ao mercado
antes do fim desta década.
O relatório inclui pormenores dos 54 projectos aprovados, com suas
reservas estimadas, datas esperadas de arranque e picos de fluxos projectados,
tais como relatados pelas companhias petrolíferas. Um certo
número de picos de fluxo projectados parecem elevados em
relação à reserva base antecipada, o que sugere que estes
picos podem ser de duração temporal relativamente curta, notou
Skrebowski.
Quase todos os projectos listados são campos offshore (no oceano). Uma
vez que os custos de infraestrutura e operacionais de projectos offshore
são muito mais elevados do que nos projectos onshore (em terra),
habitualmente são desenvolvidos de modo a que os fluxos de pico sejam
alcançados rapidamente dentro de cerca de um ano após o
arranque e mantido por tanto tempo quanto possível. Os campos
offshore esgotam-se mais rapidamente, em consequência.
Agência Internacional de Energia prevê um crescimento médio
anual na procura de petróleo a médio prazo em torno de um e meio
por cento. Isto por si só exigiria aumentos na produção da
ordem de um a um e meio milhão de barris em cada dia do ano. Em 2002, a
produção mundial de petróleo foi cerca de 74
milhões de barris por dia, mas mais de 21 milhões de barris por
dia vieram de países onde a produção já está
em declínio.
"Os resultados desta análise sugerem que com uma
reduçãodo conjunto de novos grandes projectos de
recuperação de petróleo, o mundo pode estar a entrar numa
era de declínio permanente das ofertas de petróleo nas
próximas décadas", afirmou Skrebowski.
"Alguns outros analistas previram um pico de produção global
de petróleo dentro aproximadamente da mesma estrutura temporal, com base
em análises da produção passada e de estimativas de
reservas. Este estudo adopta uma abordagem diferente para chegar a
conclusões semelhantes".
[*]
Chris Skrebowski, autor do estudo, é editor da
Petroleum Review
, revista mensal publicada pelo Energy Institute de Londres e um dos sete
avalistas
(trustees)
do
Oil Depletion Analysis Centre
(ODAC). Anteriormente editou
Petroleum Economist
e durante oito anos foi analista de mercado para os sauditas. Principiou a sua
carreira na indústria petrolífera como planeador a longo prazo da BP e a seguir
entrou para o
Petroleum Times
como jornalista e editou a revista
Offshore Services
nos fins dos anos 1970.
O estudo 'Oil field mega projects 2004' está publicado na edição de Janeiro de
2004 da
Petroleum Review
e pode ser descarregado em
ODAC
(formato PDF, 98 kB).
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info
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