Mais de um milhão de barris de petróleo por dia perdidos para o
esgotamento
por Oil Depletion Analysis Centre
O mundo agora está a perder mais de um milhão de barris de
petróleo por dia para o esgotamento o dobro da taxa de dois anos
atrás segundo uma nova análise publicada este mês na
revista
Petroleum News,
do Instituto de Energia de Londres.
As análises mostram que a produção de 18 países com
produção de petróleo significativa, representando quase 29
por cento do total da produção mundial, declinou em 1,14
milhão de barris por dia (mb/d) em 2003. A taxa anual de
declínio também parece estar a acelerar-se, ao contrário
da visão amplamente generalizada de que o esgotamento avança
lentamente.
Com base nos dados da última BP Statistical Review of World Energy, a
produção deste grupo de 18 países atingiu o pico em 1997
com 24,7 mb/d e em 2003 havia caído para 22,1 mb/d. Em 1998 a sua
produção total reduziu-se em menos de um por cento, ao passo que
no ano passado declinou aproximadamente em cinco por cento.
"Parece que o esgotamento está agora a tornar-se muito mais
significativo, apesar de geralmente não reconhecido, tendo em
consideração a equação da oferta-procura, e pode
estar a contribuir para a ascensão do preços do
petróleo", afirmou Chris Skrebowski
[*]
, que elaborou a nova análise.
"Com a procura mundial de petróleo a levantar-se mais rapidamente
do que qualquer um esperava, não é de admirar que as ofertas
actuais estejam tensas até ao limite", afirmou.
Através do reordenamento dos dados da BP numa série
contínua daqueles produtores com os maiores declínios até
aqueles com os maiores ganhos, a sua análise mostra em 2003 os
produtores ainda capazes de expandir a produção tiveram de
aumentar a sua produção total em mais de 7,5 por cento para
alcançar o crescimento da produção mundial de cerca de 3,7
por cento.
"Visto deste modo, você vê um quadro bastante diferente e mais
preocupante do que aquele apresentado no relatório da BP",
considerou Skrebowski.
"Aqueles produtores que ainda têm potencial de expansão
estão tendo de trabalhar cada vez mais arduamente apenas para compensar
o acelerar das perdas do grande número que já atingiram o pico
claramente e estão agora em declínio contínuo",
afirmou.
A produção declinante de petróleo em países
inteiros, oposta à de campos individuais ou de regiões, é
um desenvolvimento recente. Até a década de 1990, apenas dois
países estavam em declínio, incluindo os Estados Unidos onde a
produção atingiu o pico em 1971 e em 1985 começou a
declinar continuamente. No fim da década de 1990, as
estatísticas da BP mostravam pelo menos 10 produtores significativos em
declínio. Mais dois por ano foram acrescentados de 1999 a 2001.
Estas são algumas das descobertas chave do relatório da
Petroleum Review:
O Gabão, onde a produção atingiu o pico em 1996,
está no topo da lista de países em declínio sustentado com
a produção ali a cair mais de 18 por cento em 2003, mais do que o
dobro da sua taxa de declínio média nos últimos três
anos.
A Austrália viu a sua produção despencar mais de 14 por
cento em 2003, quase o dobro da taxa de declínio médio desde que
atingiu o pico em 2000.
A produção do Reino Unido, a partir do Mar do Norte, que atingiu
o pico em 1999, contabilizou-se como o quarto maior declínio do mundo em
2003 a aproximadamente 9 por cento.
A Indonésia, membro da OPEP, tem estado em declínio por 12
anos, numa média de 2,6 por cento ano, mas ao longo dos últimos
poucos anos isto acelerou-se e no ano passado chegou aos 8,5 por cento.
Tendo confirmado que as suas maiores regiões produtoras estão
agora em declínio, a China, que teve apenas um modesto crescimento da
produção de 1,5 por cento no ano passado, tudo indica que
vá entrar em declínio dentro em breve.
"Também vimos taxas de crescimento bastante espectaculares em
alguns países que ainda estão a expandir a sua
produção, mas na maior parte dos casos parece improvável
que tais grandes aumentos possam ser repetidos ou mantidos sem novo
investimento maciça", observou Skrebowski.
"Com pouca ou nenhuma capacidade de produção sobressalente
agora disponível no mundo, a expansão da produção
dependerá principalmente de novos projectos que arranquem. Contudo,
neste momento vemos muito poucos destes programados para virem a produzir
após 2008", considerou.
"Claramente, em algum ponto talvez mais cedo do que muitos possam
esperar as perdas e os ganhos se equilibrarão e a
produção global de petróleo entrará então em
declínio".
24/Ago/2004
[*]
Membro do Conselho de Directores da ODAC. Anteriormente editou a
Petroleum Economist
e foi analista do mercado de petróleo para os sauditas, em Londres,
durante oito anos. Principiou a sua carreira na indústria
petrolífera como planeador a longo prazo da BP, ingressando a seguir na
Petroleum Times
como jornalista, e editou a revista
Offshore Services
no fim da década de 1970.
O relatório completo da
Petroleum Review,
"Depletion now running at over 1 mn b/d", de Agosto/2004, pode ser
descarregado em formato PDF no sítio web da ODAC:
http://www.odac-info.org
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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