Baixos salários e enormes desigualdades agravam a crise
por Eugénio Rosa
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Se se analisar a situação dos trabalhadores em Portugal com base
na remuneração média, como é habitual, pode-se
ficar com a ideia de que a maioria dos trabalhadores portugueses recebe em
média, por mês, 1019, pois foi este o valor divulgado pelo
INE em set/2020 como sendo a remuneração bruta base mensal
média. No entanto, isso é uma pura ilusão pois não
corresponde à verdade.
No 3º Trim.2020, 52,5% dos trabalhadores portugueses (2.102.100) levavam
para casa menos de 900 por mês e apenas 1,9% (76.000) tinham mais
de 2500/mês. Baixos salários e desigualdades é a
norma no Portugal de hoje o que torna as consequências da crise atual
ainda mais graves.
por setor de atividade, Set/2020
Em set.2020, segundo o INE, a remuneração bruta base mensal
média do conjunto de todos os setores de atividade económica era
de 1019 por mês. No entanto, não se pense que essa era a
remuneração da esmagadora maioria dos trabalhadores de todos os
setores de atividade económica.
Em 2019, apenas 35% da riqueza criada no país revertia para TRABALHO
(trabalhadores)
que eram 4.009.600, sob a forma de ordenados e salários, enquanto 41%
revertia para o CAPITAL sob a forma de Excedente Bruto de
Exploração, que eram 224.700
(os que empregavam trabalhadores por conta de outrem).
Entre 2009 e 2019, a riqueza criada (PIB), a preços correntes, aumentou
em 29.767,7 milhões (+21,6%), os Ordenados e salários
subiram apenas em 5.649,9 milhões (+13,8%), mas o Excedente Bruto
de Exploração, que reverte para o CAPITAL cresceu em 12.224,9
milhões (+20,8%), ou seja mais 116,4% do que reverteu para o
TRABALHO.
05/Dezembro/2020
[*]
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