Cuba responde às novas restrições do governo dos EUA:
eliminação do dólar nas operações comerciais
internas
O dólar dos EUA será substituído pelo peso
convertível
A medida entrará em vigor a 8 de Novembro
Reforço do Euro e desmoralização da divisa estadunidense
HAVANA, 25/Out
Onze anos depois de ter autorizado a livre circulação do
dólar estadunidense, Cuba anunciou dia 25 que eliminará essa
moeda das operações comerciais internas. O dólar dos EUA
será substituído pelo bilhete local válido apenas na ilha:
o peso convertível, já existente. O peso convertível tem
o seu valor fixado como equivalente ao da moeda estadunidense..
A medida entrará em vigor a 8 de Novembro. A partir dessa data
não poderá ser realizada nenhuma operação com a
moeda norte-americana. É um facto que marca simbolicamente o fim da
época associada à abertura económica dos anos 90,
após a crise provocada pelo fim da União Soviética.
Em Outubro de 1993 os cubanos foram autorizados a ter dólares, depois de
durante mais de três década a posse do mesmo ser considerada um
delito. Na nova etapa, a posse da moeda estadunidense, em efectivo ou em
contas bancárias, continuará a ser legal mas não se
poderá comprar com essa divisa.
A partir de quinta-feira próxima a população poderá
trocar maciçamente os seus dólares por pesos cubanos
convertíveis, (nome da moeda local equivalente). Os bancos
trabalharão no sábado 6 e no domingo 7 a fim de facilitar a troca.
O primeiro efeito desta decisão será a arrecadação
nos cofres centrais do Estado de grandes volumes de dólares
estadunidenses em papel-moeda. Segundo especialistas, os cubanos
dispõem de grandes quantidades "debaixo do colchão",
acumulados como valor de refúgio.
Após o 8 de Novembro tanto os cubanos como os turistas poderão
trocar os dólares estadunidenses por pesos convertíveis, mas com
um imposto de 10 por cento. Trata-se de uma desvalorização
virtual do bilhete verde "como compensação pelos custos e
riscos provocados pela manipulação de dólares do governo
dos Estados Unidos provoca", segundo a respectiva resolução
do Banco Central.
A partir daquela data, um turista poderá vir a Cuba com papeis-moedas
como o euro, o dólar canadiano, o franco suíço ou a libra
esterlina e obter por esse meio pesos convertíveis sem imposto, ao
câmbio comercial do dia. Poderá também usar cartões
de crédito de bancos que não sejam estadunidenses sem penalidade.
No entanto, se vier com dólares dos Estados Unidos só
poderá trocá-los pela moeda local a uma taxa agravada em 10 por
cento.
Fidel Castro classificou esta medida como uma
"resposta a uma ameaça real devido a uma medida criminosa do governo dos Estados Unidos"
.
Além disso, mencionou o subsecretário assistente para Assuntos do
Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado do EUA anunciou a
criação de um "Grupo de Perseguição de Activos
Cubanos, integrado por funcionários de várias agências
governamentais, para interferir e deter o fluxo de divisas para Cuba e a partir
de Cuba, o que constitui uma agressão sem precedentes na história
das relações financeiras internacionais".
No anúncio público, na TV, o presidente cubano estava acompanhado
pelo presidente do Banco Central, Francisco Soberón, e pelo seu
secretário, Carlos Valenciaga. Este leu um texto onde se explicava que
a decisão corresponde às recentes restrições dos
Estados Unidos às viagens e às remessas de emigrantes, bem como a
pressões de Washington contra bancos internacionais no sentido de evitar
que reciclem o fluxo de caixa cubano em dólares estadunidenses.
O principal caso citado foi o de uma investigação judicial
anunciada em Julho último pelos Estados Unidos acerca da rota seguida
por 3,9 mil milhões de dólares que Cuba trocou em bilhetes
deteriorados através da União de Bancos Suíços
(UBS), como parte de um mecanismo regular de reposição de
papel-moeda, autorizado no mundo todo pela Reserva Federal estadunidense.
UBS MULTADO EM US$ 100 MILHÕES
Antes da investigação, a Reserva Federal (o banco central
norte-americano) impôs uma multa de 100 milhões de dólares
à UBS por facilitar este mecanismo a Cuba, com o argumento de que
há uma norma que proíbe o acesso a este mecanismo a um
país que considere patrocinador do terrorismo.
Soberón afirmou que, se continuasse tal tendência, Cuba corria o
risco de ficar de um momento para outro com montanhas de dólares
estadunidenses convertidos em simples papel, sem poder trocá-los no
exterior.
Após a multa à UBS, os congressistas republicanos de origem
cubana Lincoln Díaz Balarte e Ileana Ros Lehtinen instaram as
autoridades a empreender uma investigação, dizendo que os
dólares de Havana não foram substituídos por bilhetes
novos e sim transferidos para documentos.
"Não é uma acção a fim de arrecadar divisas e
sim uma resposta a uma ameaça real por uma medida criminosa do governo
dos Estados Unidos e uma campanha desavergonhada para atemorizar bancos
estrangeiros", declarou Fidel Castro no texto lido por Valenciaga.
Cuba não pode usar regularmente a moeda dos Estados Unidos nas suas
transacções internacionais devido às leis do bloqueio. O
comércio internacional da ilha realiza-se através de outras
divisas, como o euro, o dólar canadiano e o franco suíço.
De acordo com a
Resolução 80/2004
do Banco Central, os titulares
de contas bancárias em dólares, nacionais ou estrangeiros,
poderão retirar dos seus saldos à ordem, à sua escolha,
pesos convertíveis ou dólares, mas não poderão
depositar bilhetes verdes.
Nos estabelecimentos turísticos cubanos o euro continuará a
circular como moeda corrente.
A resolução do Banco Central garantiu a permanência e os
valores das contas bancárias em dólares, tanto de titulares como
de estrangeiros, e ofereceu a mesma garantia àquelas que forem abertas
nos próximos dias em consequência das novas regras.
Fontes: Granma, La Jornada e Reuters.
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