À beira da eclosão da maior crise da história do capitalismo

– Nossa tarefas

Os filósofos não fizeram mais que interpretar o mundo de diversos modos, do que se trata é de transformá-lo.
Tese 11 sobre Feuerbach, Carlos Marx

CNC [*]

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Ao observar a realidade em que vivemos é necessário perguntar: existe alguma relação entre a paralisação e a precarização crescente das condições de trabalho, a enorme carestia dos produtos de primeira necessidade, a grande quantidade de pessoas que emigram em desespero dos seus países possuidores de grandes jazidas das matérias-primas mais valiosas, a crescente militarização da sociedade intensificada com o pretexto do Covid, o desmesurado incremento dos suicídios entre as pessoas mais jovens, o desmantelamento dos serviços públicos e das pensões, o aumento espetacular dos gastos militares e do ruído de tambores de guerra, a instauração absoluta do pensamento único nos meios de comunicação, a implantação da censura ou o auge do fascismo?

A espetacular colocação em cena à escala mundial de uma pandemia apocalíptica, implementada mediante o disciplinamento a partir dos governos, a censura de todo pensamento crítico, o suborno de instituições sanitárias e o controle absoluto dos meios de comunicação para justificar a adoção de medidas sem suporte científico algum, não foi identificada pelas organizações revolucionárias – salvo exceções – como aquilo que significou autenticamente: um grande experimento de controle social em grande escala.

E não apenas isso. A instauração do terror que permitiu os confinamentos, os passaportes Covid e a inoculação de fármacos insuficientemente provados e que tornou possível, junto com o enriquecimento sem precedentes das empresas tecnológicas (Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft) e da indústria farmacêutica, a destruição maciça de pequenas e médias empresas e o empobrecimento consequente de amplos sectores populares, tão pouco foi identificado como o começo que é de uma grande ofensiva das classes dominantes contra os povos.

E tudo isso foi por acaso uma conceção de quatro magnatas, aprendizes de bruxo, como interpretam alguns? Ou há causas estruturais que estão levando as classes dominantes à adoção de medidas de destruição e expropriação sem precedentes em tempos de “paz” e que exigem um disciplinamento – também inédito – da populações, para manter sua dominação e evitar uma revolução?

Apesar de o materialismo histórico e dialético nos proporcionar os instrumentos de análise imprescindíveis para compreender a realidade dramática em que vivemos, até agora as organizações revolucionárias não conseguiram dotar-se dos instrumentos de interpretação do mundo necessários para transformá-lo e, de forma mais precisa, assumir a tarefa de conhecer empreendendo decididamente o caminho da transformação.

Agora, quando o tempo aperta e a ameaça da barbárie mais destrutiva da história do capitalismo desde a II Guerra Mundial aparece no horizonte próximo, urge avaliar o mais rigorosamente possível as causas e os conteúdo da ditadura da burguesia, de forma que as organizações da classe operária estejam em condições de enfrentá-la e de derrotar seu projeto depredador da sociedade e da natureza.

O presente Relatório da Coordenação de Núcleos Comunistas pretende analisar as causas da crise geral do sistema capitalista, provavelmente a maior da sua história e a estratégia concebida pelas classes dominantes para manter seu poder de dominação, assim como propor algumas linhas de trabalho das organizações revolucionárias para resistir ao seu programa de destruição e empreender a acumulação de forças necessária para a grande confrontação que se avizinha.

15/Julho/2022

O texto integral (24 p.) do Relatório político da CNC pode ser descarregado aqui.

[*] Coordinación de Núcleos Comunistas, Espanha

O original encontra-se em cnc2022.wordpress.com/2022/07/15/a-las-puertas-del-estallido-de-la-mayor-crisis-de-la-historia-del-capitalismo-nuestras-tareas/

Este documento encontra-se em resistir.info

17/Jul/22