Uribe, o fascista fracassado
Entrevista do Cmte. Raúl Reyes, das FARC-EP,
à Agência de Notícias Nueva Colombia
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ANNCOL: Comandante Raúl Reyes, segundo as últimas
declarações do presidente Álvaro Uribe Vélez, a
propósito da sua visita à Europa, os amigos das FARC estão
desgostosos porque estas estão a ser derrotadas; que nos pode dizer
destas afirmações?
Raúl Reyes: É tão grande o desespero do senhor Uribe pelo
contundente desaire sofrido na Europa que não se cansa de repetir em
todos as situações ao seu alcance a conhecida soberba e
arrogância própria de um fascista fracassado.
ANNCOL: Como vêm as FARC, a reacção crítica da
comunidade europeia face ao governo de Uribe Vélez?
Raúl Reyes: A reacção majoritária da comunidade
europeia é sensata, firme e coerente com a sua política de defesa
dos direitos humanos e do direito internacional humanitário,
grotescamente espezinhados pelo governo da Colômbia, depois de ter
acabado de assinar o compromisso de os cumprir.
ANNCOL: Com o périplo do presidente colombiano pelos países
europeus, viu-se claramente que existe uma preocupação crescente
e generalizada na comunidade internacional com a situação dos
direitos humanos na Colômbia. Como analisam as FARC, esta
situação?
Raúl Reyes: É compreensível a preocupação de
boa parte dos países europeus pela decadente situação dos
direitos humanos na Colômbia. É esta a causa principal do
levantamento armado do povo na Colômbia contra o Estado e os seus
governos, baseia-se no facto de estes direitos universais serem
sistematicamente violados pelos sucessivos governos liberal-conservadores.
ANNCOL: Crê que isto seja positivo para exigir uma saída negociada
para o conflito?
Raúl Reyes: A verdade é que, enquanto na Colômbia o Estado
continuar sem políticas sérias destinadas a proteger a vida das
populações, mediante a criação de emprego,
construção de habitações dignas para os sem tecto,
programas de saúde e educação eficientes e gratuitas em
benefício dos sectores mais pobres, entre outras necessidades urgentes,
aumentarão os níveis de confrontação
política e social, sem que nada nem ninguém o impeça.
ANNCOL: As FARC consideram possível a troca de prisioneiros com este
governo?
Raúl Reyes: As FARC-EP persistirão com todas as suas
forças na concretização da troca de prisioneiros em poder
de ambas as partes, independentemente da posição de desinteresse
do governo paramilitar fascista liderado por Uribe.
ANNCOL: Qual é a opinião das FARC a respeito da política
de mão dura que o governo de Uribe continua a manter?
Raúl Reyes: A política de mão dura do governo de Uribe
é própria da sua concepção fascista e do seu
compromisso com a política paramilitar. É de mão dura com
a gente do povo e de coração grande com os paramilitares,
politiqueiros e corruptos que diz combater na sua pretensão de enganar
os incautos.
ANNCOL: Comandante, na sua opinião, a que se deve o apoio de que gozam
as FARC em muitos países do mundo?
Raúl Reyes: O apoio às FARC-EP, em muitos países do mundo,
deve-se à sua longa história de luta revolucionária na
defesa dos direitos e das liberdades da gente pobre do nosso povo, até
à concretização da paz definitiva e duradoura.
ANNCOL: As FARC têm uma política internacional, como se afirma no
jornal Tiempo?
Raúl Reyes: As FARC-EP têm com certeza uma política
internacional, fundamentada no respeito pela livre
autodeterminação de cada povo, pelas suas autoridades,
tradições, costumes e cultura ancestral. Em coerência com
esta formulação, as FARC abstêm-se de realizar
operações militares fora das fronteiras da Colômbia e ao
mesmo tempo exigem dos povos e autoridades de outros países igual
procedimento. Lutamos por cimentar relações políticas,
diplomáticas, económicas e culturais em igualdade de
condições com todos os países.
ANNCOL: Acha que há desinformação na Europa, relativamente
ao conflito colombiano, como afirma o presidente?
Raúl Reyes: Eu creio que a grande maioria dos governantes e povos da
Europa conhecem as imensas possibilidades que possui a Colômbia, pela sua
posição geográfica privilegiada na região, pelas
suas riquezas em flora, fauna, pesca, biodiversidade, país apto para
produzir de todos os produtos durante os 12 meses do ano. Além de contar
com formidável potencial energético e mão-de-obra de alta
qualidade. Ao conhecer estas riquezas, os europeus recusam-se a justificar os
níveis de pobreza e miséria em que vivem cerca de 60% dos
colombianos. Por isso, condenam a violência do Estado contra os que
reclamam os seus direitos e liberdades cerceadas pela classe governante.
ANNCOL: Como analisa o movimento insurgente a negociação do
governo com os paramilitares?
Raúl Reyes: A negociação do governo com os paramilitares,
é igual à negociação do pai com os seus filhos. No
fundo, o que pretende Uribe Vélez é legalizar o terrorismo de
Estado na Colômbia e institucionalizar a impunidade pelos massacres,
desaparecimentos, desalojamentos e exílios forçados, provocados
pelos bandos de mercenários ao serviço dos seus interesses.
ANNCOL: Uribe, foi apelidado de "narco-paramilitar" no Parlamento
Europeu. Como analisam as FARC este tipo de reacções?
Raúl Reyes: Na Colômbia diz-se que a justiça é
manca mas chega. Na Europa chamaram Uribe pelo seu próprio nome.
Sem dúvida que se sentiu bem estimulado pelo reconhecimento
internacional da sua condição de narcoparamilitar,
depois de largos anos a traficar nesse mundo do crime.
ANNCOL: Como vêm as FARC a situação do país neste
momento?
Raúl Reyes: O nosso país está inegavelmente dividido em
dois blocos determinantes. Num estão Álvaro Uribe Vélez,
com o seu antro de colaboradores no governo, com sectores dos partidos liberal
e conservador, do empresariado, dos grandes ganadeiros, dos altos comandos
militares e de polícia com os seus paramilitares e os principais meios
de comunicação, apoiados pelos governos dos Estados Unidos,
Espanha e Reino Unido, os aliados da guerra no mundo.
O outro bloco é composto por uns 70% da população
colombiana, formada por desempregados, indigentes, subempregados, empregados
com baixos salários, camponeses pobres, indígenas, negros,
pequenos proprietários e transportadores, juventude e mulheres
desamparadas. Além de importantes sectores progressistas dos partidos
liberal-conservadores, o Polo Democrático, a Frente Social e
Política, os Partidos Comunistas, o Movimento Bolivariano, Sindical,
Agrário e a Guerrilha revolucionária na sua
condição de parte inseparável do povo.
ANNCOL: Há uma saída para a Colômbia? Qual e em quanto
tempo?
Raúl Reyes: A saída política para a Colômbia
está na organização e na luta do povo pelos seus direitos
e liberdades, até que haja mudanças profundas nas estruturas do
Estado e do seu Regime político, no interesse das maiorias nacionais
hoje afundadas na pobreza e na miséria.
ANNCOL: As FARC têm uma proposta de um governo alternativo; explica-nos
um pouco essa proposta, comandante?
Raúl Reyes: O governo alternativo proposto pelas FARC-EP, é a
verdadeira opção de mudança que tem hoje em dia o nosso
povo, no objectivo de superar a crise actual e de derrotar as despóticas
medidas políticas, económicas, sociais e repressivas do governo
fascista de Álvaro Uribe Vélez.
O novo governo alternativo pela paz com justiça social, será
garante da concertação entre a família colombiana, no
propósito de iniciar a reconstrução do país,
gerando emprego, garantindo saúde, educação,
habitação, terra gratuita para os camponeses pobres, com
créditos baratos e escoamento para os seus produtos com a
construção de novas vias de comunicação
O novo governo será integrado por reconhecidos dirigentes
políticos, sociais e populares comprometidos com a defesa dos interesses
das suas comunidades e do povo em geral. Dessas diversas expressões,
sairão as 12 personalidades encarregadas de elaborar uma plataforma de
luta e um programa de governo que expresse o interesse majoritário dos
colombianos. E essas 12 personalidades, por consenso, elegem ou nomeiam o
candidato à presidência da república.
ANNCOL: Que aconteceria a Uribe, no caso disto ser possível?
Raúl Reyes: A sabedoria do povo com o novo governo à
cabeça decidirá o destino do senhor Uribe e do seu círculo
de sequazes, politiqueiros e corruptos, inimigos acérrimos da paz da
justiça social.
ANNCOL: Como analisam as FARC o facto de que Uribe Vélez esteja
procurando maneira de ser reeleito? Seria positivo ou negativo para a busca da
paz?
Raúl Reyes: Esta é uma ambição própria dos
ditadores e fascistas obcecados pela guerra total e pelo lucro pessoal. O
senhor Uribe caminha na Colômbia pelos escalavrados caminhos abandonados
no Peru pelo tristemente célebre Alberto Fujimori.
ANNCOL: Ultimamente, fala-se muito nos meios de comunicação da
detenção de comandantes e pessoas de responsabilidade dentro das
FARC. Que há de verdade em tudo isso?
Raúl Reyes: É uma constante da campanha de Uribe e dos seus
generais na sua guerra contra a guerrilha colombiana, afirmar que cada um dos
mortos ou capturados pelas suas tropas, são combatentes guerrilheiros de
muita responsabilidade no interior das organizações armadas.
Fazem-no com o objectivo de vender a imagem de eficácia nas suas
operações militares, com a finalidade de pedir mais
dólares aos gringos e demais financiadores da guerra e de passagem,
justificar condenações injustas contra os revolucionários
ao abrigo da segurança democrática do uribismo.
ANNCOL: Como vêm as FARC o papel dos meios de comunicação
na Colômbia?
Raúl Reyes: Com poucas excepções, o papel dos meios de
comunicação na Colômbia é péssimo.
Estes meios desinformam e defendem incondicionalmente as políticas e
interesses do governo de turno, em benefício dos seus
proprietários. Estão ao serviço da classe no poder.
Espezinham sistematicamente os princípios elementares da ética
dos jornalistas, desvirtuam a verdade de modo a estarem de bem com o governo,
os generais e os grandes empresários.
ANNCOL: Finalmente comandante, umas palavras para os familiares das pessoas
retidas pelas FARC e outras para o povo colombiano, que é quem aguenta a
pior parte nesta guerra.
Raúl Reyes: Aos familiares dos prisioneiros de guerra do Estado e das
FARC, saúdo-os e ratifico a inquebrantável vontade
política da Organização guerrilheira para conseguir a
Troca ou o Acordo Humanitário que ponha fim ao cativeiro dos seus entes
queridos.
Ao povo colombiano, garantir-lhe que os nossos homens, armas e bandeiras de
luta avançam decididamente para o objectivo de construir a nova
Colômbia digna e soberana, sem exploradores nem explorados.
23/Fev/2004
Entrevista concedida via rádio a Ana Sofia, jornalista da
ANNCOL
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Tradução de Carlos Coutinho
Esta entrevista encontra-se em
http://resistir.info
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