Comunicado acerca da troca de prisioneiros

por FARC-EP

1- O tratamento de temas tão sensíveis e prioritários para a sociedade colombiana, como a troca de prisioneiros, o intercâmbio humanitário ou a possibilidade mesmo de uma solução incruenta para a crise do país, deve ser despojado da politicagem e da demagogia que caracteriza a pugna pela reeleição presidencial.

2- Chama a atenção que, após dois anos de fracassadas intenções de resgate, o governo tenha dado meia-volta no seu discurso quanto ao intercâmbio. Ainda que o valorizemos na sua justa medida, ele contrasta notoriamente com o grave e crescente perigo a que hoje estão submetidos os prisioneiros pela intensificação das operações de resgate.

3- Carece de realismo e seriedade a proposta oficial sobre um intercâmbio que nega à guerrilha a discrecionalidade para definir quais e quantos são os seus presos, ou a discussão sobre as condições e circunstâncias em que devem ser libertados os levantados em armas contra o Estado, ou sobre a ligação de certos delitos com o direito à rebelião. Onde está o intercâmbio quando o governo fica com os guerrilheiros? Além disso, é uma proposta absurda pela pretensão de impor a renúncia a princípios do guerrilheiro como activo transformador revolucionário da realidade social e política

4- O alto comissionado manifesta sua decisão de utilizar os media para enviar suas propostas, como efectivamente fez a 18 de Agosto, e iludir assim a concessão de garantias aos já designados negociadores das FARC.

Os porta-vozes oficiais instalam-se nas cabinas das emissoras e nos estúdios de televisão para saturar com o seu discurso e pressionar os media ao silêncio sobre os nossos comunicados. É a lei do funil.

Convém recordar que um acordo se faz conversando cara a cara e materializa-se por vontade expressa das partes.

5- Desmentimos categoricamente que conhecêssemos antes de 18 de Agosto último a proposta oficial sobre intercâmbio, lida a partir da casa de Nariño.

6- A opinião maioritariamente favorável quanto à troca manifesta em todos os rincões do país e compartilhada por vastos sectores da opinião pública internacional, a luta dos familiares e amigos dos prisioneiros, o esforço e compromisso do movimento popular, dos defensores dos direitos humanos e de importantes personalidades em que se destacam os ex-presidentes da república, são um verdadeiro estímulo para prosseguir batalhando pela troca imediata.

7- Há muitos meses temos designados os nossos negociadores plenipotenciários. Que garantias concede o governo para eles? Quais as garantias aos prisioneiros enquanto chegamos ao acordo? Quem vai negociar em nome do governo? Os nossos estão prontos.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 20 de Agosto de 2004

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info .

23/Ago/04