Não vote inútil: Tome partido no primeiro turno
- Escolha a melhor alternativa de esquerda e não o capitalismo
"menos ruim"
por PCB
Nos últimos anos, os processos eleitorais caracterizam-se pela completa
despolitização e o debate ideológico se apresenta como se
só houvesse um projeto para a humanidade, o da burguesia. Cada vez mais
as campanhas dos partidos da ordem baseiam-se em grandes
produções midiáticas, em que buscam vender candidatos que
melhor se apresentam para gerenciar a máquina pública em favor
dos interesses capitalistas.
Nas eleições deste ano o quadro não é diferente. Em
vários aspectos, há uma americanização da disputa
eleitoral: a mercantilização crescente do processo leva à
falsa polarização entre duas coligações
representantes da ordem burguesa. As classes dominantes tentam impor ao povo
brasileiro uma polarização artificial.
Nenhum dos candidatos do sistema se propõe a enfrentar o grande poder
dos bancos, das grandes empresas e do agronegócio. Mas o jogo
midiático eleitoral os apresenta como adversários
inconciliáveis. Para tanto, manipulam a opinião pública e
excluem os partidos de esquerda nos grandes jornais e sobretudo nos
espaços e debates na televisão.
Nesta conjuntura, torna-se fora de propósito a defesa do chamado
"voto útil", mais ainda em se tratando de uma
eleição em dois turnos, que cria a oportunidade, no primeiro
turno, do voto ideológico, do voto em quem se acredita de verdade, do
voto no melhor candidato e não no "menos ruim". A
justificativa do voto útil não tem o menor sentido, menos ainda
quando as pesquisas eleitorais apontam para a possível
solução da disputa já no primeiro turno.
Agora, portanto, é hora do voto consciente. O voto da identidade da
esquerda. O voto pelas transformações sociais. O voto para a
construção de um futuro socialista em nosso país.
A esquerda não pode votar rebaixada neste primeiro turno. Em nome de
nosso próprio futuro, é necessário reafirmar a identidade
da esquerda e demonstrar o inconformismo com o capitalismo e a ordem burguesa.
Não se pode esquecer que nosso país se transformou no
paraíso dos banqueiros e dos grandes capitalistas. Se o governo FHC
implantou o neoliberalismo e alienou o patrimônio público, nunca
esses setores lucraram tanto como no governo Lula, que aprofundou a reforma da
previdência, implantou as PPPs, aprovou as novas leis das S/A e de
falências, para favorecer o grande capital; que financiou o grande
capital monopolista e o agronegócio, com juros baratos e dinheiro
público; o mesmo governo que inviabilizou a reforma agrária
tão prometida no passado.
Se as pesquisas estiverem corretas, serão mais quatro anos de governo
para os ricos, com apenas mais algumas migalhas para os pobres e desta vez com
Michel Temer de Vice e o PMDB com uma força inaudita.
Por isso, a esquerda tem a responsabilidade de reafirmar seu compromisso com as
transformações sociais e a causa socialista.
Nesse sentido, o PCB, reconstruído revolucionariamente, por suas
propostas, sua história, sua participação nas lutas
sociais e seu internacionalismo militante, se apresenta com autoridade
política para cumprir o papel de estuário do voto
ideológico da esquerda que não se rendeu, do voto que pensa na
frente de esquerda para além das eleições.
É o voto pela revolução socialista e em defesa das lutas
dos trabalhadores no Brasil e em todo o mundo. O voto de repúdio
à ação do imperialismo no planeta, de apoio aos povos e
governos responsáveis pelas transformações sociais na
América Latina, de solidariedade incondicional a Cuba Socialista, de
apoio militante ao Estado Palestino.
Com sua coerência e firmeza, sem concessão na sua linha
política em troca do voto, o PCB se credencia para contribuir na
construção da Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, a
frente política e social que irá liderar o processo de
transformações revolucionárias em nosso país.
Por entender que não está sozinho neste caminho, o PCB
também compreende a importância do fortalecimento dos demais
partidos da verdadeira esquerda nestas eleições. O voto na
esquerda é fundamental para que se possa construir na prática o
grande movimento político e social que irá desencadear o processo
de mudanças no Brasil.
Não deixe que a direita escolha a "esquerda" por você.
Escolha você mesmo. Resista à tentativa de esmagamento da
verdadeira esquerda. Não vote inútil. Não escolha a forma
de gestão do capitalismo. Vote útil, no socialismo.
Quem sabe faz agora, não espera acontecer.
Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2010.
Comissão Política Nacional Comitê Central do PCB
O original encontra-se em
www.pcb.org.br
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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