As guerras nucleares iminentes [1]

por Angelo Baracca [2]

Os EUA estão a efectuar uma escalada alarmante rumo à guerra nuclear.
Estão a renovar totalmente o seu arsenal nuclear estratégico, a preparar activamente o lançamento de um "ataque preventivo", e a desenvolver armas químicas e bacteriológicas, enquanto o escudo anti-míssil completará um impressionante sistema ofensivo.
Uma "quarta geração" de ogivas nucleares de baixa potência e altamente penetrantes provavelmente já foi desenvolvida e utilizada.
Elas anulam a distinção entre armas "nucleares" e "convencionais" e tornam factível uma guerra nuclear sem violar formalmente os tratados existentes.


AS GUERRAS DO SÉCULO XXI AMERICANO

A esperança de eliminar armas nucleares e de destruição em massa da superfície da Terra parecem realmente mais remotas do que nunca. Ao contrário, o perigo da sua utilização efectiva é actualmente mais concreto do que durante todas as décadas da Guerra Fria. Os EUA, no quadro de uma corrida às armas sem precedentes, apesar de uma constante redução numérica do seu arsenal estratégico redundante, está a executar o maior esforço de todos os tempos para renová-lo com ogivas nucleares totalmente novas , ao mesmo tempo em que se prepara para lançar um "ataque preventivo". Além disso, com a instalação do escudo anti-míssil está a construir um tremendo sistema ofensivo. Washington também está a desenvolver armas químicas e biológicas, ao mesmo tempo que boicota verificações e inspecções que poriam e execução as Convenções para a proibição destas armas .

Como matéria de facto, a utilização de ogivas nucleares está a tornar-se cada vez mais conveniente nas guerra que Washington está a planear e combaterá no futuro. De facto, as operações de guerra da última década mostraram que o rácio custo-efeito dos explosivos convencionais entregues por munições guiadas com precisão resultaram ser excessivamente elevados (alguns objectivos exigem o gasto de vários sistemas de entrega): isto conduziu a investigação por novas armas nucleares mais efectivas que pudessem ser aceites politicamente pelo seu baixo custo e baixa radiactividade residual. É neste contexto que tem de ser interpretada a decisão de Bush de Março de 2002 de desenvolver novas ogivas nucleares de baixo custo e de penetração profunda. Dentro desta linha, uma investigação avançada efectuada nos grandes laboratórios de armas nucleares está a tentar desenvolver uma nova geração de "micro-armas nucleares" ("micro-nukes") , que apagará a distinção entre armas nucleares e convencionais, legitimando a utilização de armas nucleares em conflitos convencionais, ou abaixando o patamar para um conflito nuclear, sem violar formalmente os tratados existentes.

Deve ser enfatizada que, como a investigação e desenvolvimento nestes campos é estritamente classificado, só são possíveis especulações, ligando e entrecruzando informação oficial ou evidências com pistas, lacunas de ligações, questões abertas inquietantes. É altamente provável que os grandes laboratórios de investigação militar nos EUA (provavelmente também no Reino Unido, França, Rússia, ou na antiga União Soviética) já estejam a conceber ou construir novas armas, baseadas provavelmente em princípios novos ou desconhecidos, que foram testadas nas guerras travadas na última década. Deste ponto de vista, pode ser avançada a alarmante mas séria hipótese de que os EUA já construíram uma "Quarta geração" de "micro armas nucleares" e que elas já foram testadas e provavelmente utilizadas extensivamente nas guerra da última década . Não tenho informação de que algum cientista tenha levantado a questão de como uma "micro arma nuclear" poderia contornar o problema da massa crítica para uma reacção de cisão (fission reaction) sustentável [3] , o que autoriza a supor que algum novo mecanismo ou processo está a ser experimentado, se não já montado e aplicado. Voltarei a este ponto.

É certo que novos métodos de "guerra de destruição em massa e indiscriminada" estão a ser desenvolvidos, aperfeiçoados e utilizados naquilo que é considerado guerra "convencional", para enfraquecer as estruturas do inimigo, infra-estruturas, população e moral, poupando as vidas dos próprios soldados, e além disso testando as eventuais reacções internacionais ao uso de tais métodos. Exemplo: os extensos bombardeamentos das fábricas químicas de Panchevo e Novy Sad durante a guerra dos Balcãs provocou na população civil efeitos muito semelhantes àqueles de uma verdadeira guerra química [4] . No caso das munições de urânio empobrecido (depleted uranium, DU) [5] , parece preocupante que, embora tenham sido desenvolvidas há muito tempo, não tenham sido utilizadas extensivamente até o colapso da União Soviética, começando o seu uso na Guerra do Golfo de 1991. Como matéria de facto, verifica-se que o seu uso não provocou uma oposição internacional e interna suficientemente forte, apesar dos quase 80 mil americanos e milhares de veteranos canadianos e britânicos afectados pela "Síndroma do Golfo", para não falar dos soldados europeus nos Balcãs e das populações no Iraque, nos Balcãs e no Afeganistão. Na avaliação habitual, as munições DU são bombas radiológicas, "armas de efeitos indiscriminados" nos termos do 1º Protocolo adicional das Convenções de Genebra [6] . Contudo, tal interpretação pode ser discutida sob mais do que um ponto de vista. Parece difícil (pelo menos para mim) entender e acreditar como uma substância de baixa radioactividade poderia produzir tais generalizados e extensos efeitos sobre a saúde, embora espalhada no ambiente e na cadeia alimentar pela explosão "pirofórica" do DU. Além disso, algumas testemunhas oculares relatam que os tanques atingidos por uma munição DU (DU shell) mostram-se profundamente distorcidos ou destruídos, além de ser altamente radioactivo [7] tal efeito parece difícil de explicar na base deste efeito "pirofórico", e pode-se suspeitar de envolver uma espécie de fenómeno explosivo muito mais forte. Por outro lado, como poderia a administração americana autorizar a realização das novas "mini armas nucleares" penetrantes se o principio e o mecanismo da sua operação já não estivesse estabelecido? A especulação mais natural — tão fantasiosa como possa parecer — poderia ser que as munições DU já haviam estabelecido, e utilizado, alguma nova espécie de novo processo explosivo nuclear, altamente classificado e ainda desconhecido para a comunidade científica. Voltaremos a este ponto com mais pormenor.

COMBATE SEM QUARTEL PELOS RECURSOS E PELO DOMÍNIO DO MUNDO

De facto, os perigos de um conflito nuclear, e da utilização de armas de destruição em massa, vêm primariamente dos EUA, e não dos países apontados como "o eixo do mal": para o Iraque uma guerra consistiria, paradoxalmente, em "impedir" armas desconhecidas (unconfirmed) de destruição em massa através da utilização efectiva de armas de destruição indiscriminada ou em massa! Deveria ser explicado porque . Como matéria de facto, a estratégia americana do novo século adopta a guerra como o meio para resolver (ou provocar) conflitos internacionais e para impor os seus próprios interesses (negando os princípios fundamentais do Direito Internacional, tal como foram declarados e incorporados na Carta das Nações Unidos e na maior parte das constituições avançadas de muitos países): os interesses americanos prevalecem sobre qualquer interesse geral, princípio democrático, justiça social e mesmo "direitos humanos", cuja violação é denunciadas pelos EUA só quando consideram da sua conveniência directa, enquanto Washington defende abertamente ou impõe ditaduras e provocam catástrofes humanitárias [8] .

As origens desta estratégia mundial devem ser vistas na vocação imperial do país e na falta de um contra-poder comparável, bem como nos poderosos interesses do seu complexo militar industrial (cuja influência em impor, por exemplo, o escudo anti-míssil está fora de dúvida) e na escolha da guerra como o meio para ultrapassar as crescentes dificuldades da sua economia e para impor leis internas restritivas, denunciando instrumentalmente os perigos de um "terrorismo" internacional que é em grande parte um produto da própria política americana, e é adoptado ao invés pelos próprios EUA e pelos seus aliados próximos e protegidos, como Israel. Mas uma motivação básica para uma tal estratégia está a volver-se no combate pelo controle directo das fontes de recursos naturais e de áreas e corredores estratégicos, e em particular dos depósitos de combustíveis fósseis naturais. De facto, em contraste com todos os argumentos que vigoraram durante as últimas décadas acerca da longa durabilidade destes abastecimentos, actualmente é aceito que — apesar da durabilidade residual dos furos de petróleo — a taxa de extracção de petróleo e gás natural atingirá um pico absoluto nestes anos a seguir, e principiará a baixar bem antes de meados deste século [9] Numa tal perspectiva, o combate pelo controle militar directo destes recursos está a tornar-se uma necessidade vital. Alguém notou, por exemplo, a diferença da atitude e dramatização de Washington em relação ao Iraque e a Coreia do Norte, ambos acusados de desenvolver um avançado programa militar nuclear? É provável que, após o Iraque, o objectivo seguinte venha a ser o Irão e não a Coreia do Norte: o controle directo do Iraque e do Irão dariam de facto aos EUA o controle de uma enorme área estratégica crucial estendendo-se desde o conjunto do Mar Mediterrâneo até à fronteira da China, incluindo penetração militar nos países do Cáucaso e da Ásia Central.

Alguém poderia admirar-se, pelo contrário, da total submissão de tão grande número de países, em primeiro lugar os europeus, à estratégia de Washington, na ilusão falaciosa de que o poderoso aliado também garantirá os seus interesses.

NOVAS ARMAS NUCLEARES E ATAQUE PREVENTIVO

Qual é a consistência real da acumulação nuclear estratégica?

Realmente tem havido uma redução persistente no número de ogivas nucleares da Rússia e dos EUA: o seu número actual ronda as 5000 para cada um, embora o pleno cumprimento do tratado START-2 conduzisse a 3000 a 3500 para cada lado no ano de 2007. O problema é que este tratado foi rejeitado pela Rússia, após a retirada unilateral de Washington do tratado ABM (Anti Ballistic Missile) ! Mas é verdade que os arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares, construídos sob a estratégia da dissuasão e da destruição mútua assegurada, eram realmente redundantes e super exagerados.

Os media celebraram o acordo de Junho último entre Bush Jr e Putin para reduzir os stocks destas ogivas para 1700 a 200 para cada lado. Na realidade, isto não foi senão um grande bluff (basta lembrar que as ogivas removidas não serão destruídas, de modo que um total de 4600 ogivas americanas, instaladas ou removidas, acabarão por permanecer: sem levar em conta um número não definido de ogivas tácticas, às quais retornaremos depois). Apesar de durante os últimos anos muita gente no interior da administração ter proposto que as ogivas fossem reduzidas para um máximo de 1500 para cada lado, Moscovo sabe bem que nos próximos anos dificilmente será capaz de manter mais do que um milhar de ogivas eficazes [10] .

Mas o problema básico real é que Washington está a renovar totalmente o seu arsenal estratégico com novas gerações de ogivas mais eficazes e mais especializadas.

Além disso, em Janeiro de 2002 a Nuclear Posture Review e o Defense Planning Guidance reconheceram a possibilidade de um "ataque preventivo" [11] , naturalmente contra países pertencentes ao "eixo do mal", acusados de possuírem armas de destruição em massa, mesmo que elas frequentemente sejam "made in USA" [12] . Não foi posto de parte que um tal ataque pudesse ser lançado contra o Iraque. Em Dezembro de 2002 foi confirmada a disposição dos Estados Unidos para retaliar com armas nucleares a ataques químicos ou biológicos a solo americano ou a tropas americanas além-mar [13] .

Há evidentes preparativos em marcha, tal como a anunciada unificação do Space Command (SpaceCom) , responsável por operações militares no espaço e na rede informática, e no Strategic Command (StratCom) , responsável por forças nucleares [14] . A possibilidade do recurso ao ataque nuclear está ligada à instalação do escudo anti-míssil, cujo efeito será, como analisaremos em mais pormenor, encorajar uma corrida às armas nucleares e uma viragem para ataques terroristas, contra os quais o escudo é absolutamente inútil. A isto poder-se-ia acrescentar as futuras plataformas orbitando o espaço equipadas com armas de alta tecnologia e capazes de golpear qualquer inimigo em questão de minutos (comparados com os quase 30 minutos de um míssil balístico intercontinental, ICBM). De facto, em Junho de 2002 Washington recusou uma proposta feita pela Rússia e pela China na Conferência para o Desarmamento em Genebra de um novo tratado para a proibição de armas baseadas no espaço [15] .

Pelo seu lado, Moscovo abandonou a sua doutrina tradicional do não primeiro uso ; a Nova Doutrina Militar adoptada um par de anos atrás permite explicitamente a possibilidade de uma resposta nuclear mesmo a um ataque com armas convencionais "em situações consideradas críticas para a segurança nacional". Pequim está a fortalecer o seu arsenal nuclear e de mísseis (a alguns anos atrás a China já declarou ser capaz de construir uma bomba de neutrões). Sem mencionar a Índia e o Paquistão, constantemente à beira de um conflito que poderia tornar-se nuclear, e de Israel, pronta para uma resposta nuclear a qualquer ataque do Iraque [16] . De acordo com documentos oficiais da ONU e do CTBT (Comprehensive Test Ban Treaty) , mais de quarenta países têm capacidade nuclear [17] .

Estamos sentados sobre um barril de pólvora, e aparentemente estamos destinados a pensar com saudades no "equilíbrio de terror" do passado. Vamos rever os vários projectos para construir novas ogivas nucleares.

SUPER COMPUTADORES E SIMULAÇÃO DE TESTES NUCLEARES

Os EUA lançaram a mais maciça corrida armamentista da sua história. Uma pessoa fica estarrecida não só pelos assombrosos números do orçamento militar como também pela forma como aumentaram, de US$ 250 mil milhões em 1999 para o actuais mais de US$ 400 mil milhões no ano fiscal de 2003 [18] (mais de 40% dos gastos militares de todo o planeta, maior do que os gastos somados das catorze potências militares seguintes, ligeiramente menor do que o PNB da Índia, quase a metade daquele do Brasil, quase um terço do da Itália; o orçamento militar de toda a União Europeia é cerca de US$ 150 mil milhões, embora haja fortes pressões para aumentá-lo [19] . Isto desencadeia um aumento das despesas militares em todos os países.

Neste orçamento do tamanho do céu, as despesas com novo armamento estão a aumentar. Washington está, em particular, a fazer um esforço sem precedentes para realizar uma nova geração de ogivas nucleares. Os mais recentes, os contestados testes nucleares de Chirac em 1995, foram executados por conta dos Estados Unidos, com o qual Paris havia assinado um acordo confidencial para permuta de dados, a fim de experimentar com uma carga de força variável [20] .

Um mega-projecto para executar testes nucleares virtuais, utilizando os super computadores mais rápidos [21] , provocou uma despesa de US$ 67 mil milhões em quinze anos (quase três vezes o custo do Projecto Manhattan ou do Projecto Apolo). A despesa anual de US$ 4,5 mil milhões só com este projecto é mais do que a média dos US$ 3,7 mil milhões por ano verificada durante a guerra fria.

Um laboratório do governo revelou os pormenores do mais poderoso super computador do mundo, o "Asci White" [22] (Advanced Strategic Computation Initiative) , desenvolvido pela IBM, mil vezes mais poderoso do que o seu antecessor, o "Deep Blue", que venceu o campeão mundial de xadrez Gary Kasparov: é composto por 8192 microprocessadores, pesa tanto como 17 grandes elefantes, seu sistema de resfriamento absorve uma energia equivalente àquela de 765 habitações, e executa 12,3 triliões de operações por segundo. A simulação de uma explosão nuclear, planeada para 2005, exige 100 triliões de operações por segundo.

Um segundo projecto é o National Ignition Facility (NIF), a ser realizado em 2003, em que 192 lasers são supostos simular o calor gerado por uma explosão termonuclear. O Projecto está em riscos de atrasar-se e quase certamente custará mais do que os US$ 1200 milhões planeados inicialmente. Como veremos, será uma instalação multi-propósitos, destinada a projectos nucleares radicalmente inovadores.

Ogivas miniaturizadas, de baixa potência (low-yield) e altamente penetrantes estão entre os principais objectivos destas investigações. A proposta de Bush apresentada em Março de 2002 de desenvolver uma nova geração de ogivas nucleares de baixa potência, capazes de penetrar profundamente dentro da terra (três centenas de metros em granito) antes de explodir, começou a circular oficialmente um par de anos atrás [23] , e já há três anos atrás estava a circular na Rússia uma proposta para construir uma nova geração de mini-nukes (0,4 kilotons) para utilização no campo de batalha.

Vale a pena notar que os EUA não estão sozinhos no desenvolvimento de tais projectos. Recentemente foi revelado que a Grã-Bretanha também está a planear um projecto de 2 mil milhões de libra (US$ 3 mil milhões) em Aldermaston para construir supercomputadores e desenvolver ogivas nucleares de baixa potência [24] : seria estranho se este projecto não estivesse relacionado com aquele dos EUA. Por sua vez, a França está a construir um sistema combinado de uma supercomputador para modelar explosões nucleares e mais uma aparelho radiográfico gigante, chamado Airix (em operação desde Setembro de 29000), para estudar o comportamento de materiais expostos a uma explosão, e o maior laser do mundo, chamado Mégajoule, para reproduzir as condições físicas da fusão termonuclear: comparado com o NIF, esta última entregará uma energia de 2 milhões de joules utilizando a convergência de 240 feixes de laser sobre um alvo, e uns 30 dispositivos de medida [25] .

Tudo está a ser preparado para desenvolver, testar e utilizar novas armas nucleares sob condições controladas!

NANOTECNOLOGIA, A NOVA FRONTEIRA EM ARMAS NUCLEARES

Perspectivas radicalmente inovadoras em armas nucleares são abertas pela nova fronteira da nanotecnologia — isto é, a ciência de conceber estruturas microscópicas na quais os materiais e as suas relações são maquinados e controlado átomo por átomo (em distâncias de 10 -9 m, a comparar com as de 10 -6 m na microelectrónica, que é da ordem dos 100 átomos) — e que de facto nasceu há umas poucas décadas exactamente em laboratórios de armas nucleares. Um importante artigo de André Gsponer [26] denuncia o desenvolvimento activo destas técnicas (obviamente classificadas) nos laboratórios militares, com um campo de aplicações muito vasto tanto em armas convencionais (tais como sensores de alto desempenho, transdutores (transducers) , accionadores (actuators), e componentes electrónicos) e em armas nucleares. Segundo os argumentos de Gsponer, um primeiro campo de aplicação da nanotecnologia para armas nucleares é melhorar os tipos de ogivas existentes. Mecanismos de armação e disparo extremamente robustos e seguros são necessários para armas nucleares tais como obuses (artillery shells) atómicos, nos quais o explosivo nuclear e o seu disparo experimentam aceleração extrema, e os componentes cruciais devem ser fabricados tão pequenos quanto possível. Também o desenho de ogivas que detonariam depois de penetrar no chão mais de dez metros exige alguma espécie de mecanismo de penetração activa e implica que o pacote nuclear e todos os componentes tenham de sobreviver a condições extremas de tensão até a ogiva ser detonada. O impulso em direcção à miniaturização de armas nucleares e explosivos de potência muito baixa (entre uns poucos quilogramas e umas poucas toneladas de equivalente em altos explosivos) tornou-se a principal actividade de investigação em armas nos laboratórios nucleares, utilizando ferramentas gigantes como o já mencionado NIF e o Laser Megajoule da França. Foi reconhecido que é mais fácil conceber uma micro-fusão do que um explosivo de micro-cisão (o qual tem a vantagem adicional de produzir muitos menos precipitação radioactiva do que um dispositivo de micro-cisão da mesma potência).

Mas as mais alarmantes perspectivas são as aplicações da nanotecnologia no desenvolvimento de novos tipos de explosivos nucleares, isto é, uma quarta geração de armas nucleares [27] , que pode ser desenvolvido no pleno cumprimento do Comprehensive Test Ban Treaty (CTBT) utilizando instalações de inertial confinement fusion (ICF) tais como o NIF ou o Megajoule, e outras tecnologias avançadas que estão em desenvolvimento activo em todos os principais Estados com armas nucleares e nas maiores potências industriais como a Alemanha e o Japão. É interessante acompanhar os argumentos de Gsponer: "numa nutshell, a característica técnica definidora das armas de quarta geração é o disparo — por alguma tecnologia avançada tal como um superlaser [28] , compressão magnética, antimatéria, etc — de uma explosão termonuclear relativamente pequena na qual uma mistura de deutério-trítio é queimada numa dispositivo cujo peso e tamanho não são muito maiores do que uns poucos quilogramas ou litros. Uma vez que a potência destas ogivas poderia ir de uma fracção de uma tonelada a muitas dezenas de toneladas de equivalente em altos explosivos [29] , a sua entrega por munições guiadas com precisão ou outros meios aumentará dramaticamente o poder de fogo daqueles que os possuem — sem ultrapassar o limiar do uso de armas nucleares de kiloton a megaton, e portanto sem romper o tabu contra a primeira utilização de armas de destruição em massa. Além disso, desde que estas novas armas não usarão (ou usarão muito pouco) materiais cindíveis, elas virtualmente não produzirão qualquer precipitação radioactiva. Os seus proponentes definem-nas como armas nucleares "limpas" — e possivelmente traçam um paralelo entre a sua utilização no campo de batalha e as consequências das despesas com munição DU [30] .

É exactamente esta consideração, se verdadeira, que apresenta problemas em relação aos processos de cisão e fusão nucleares conhecidos: de facto, uma vez que a primeira precisa de uma massa crítica da ordem dos quilogramas e a segunda a produção de uma temperatura de um milhão de graus, que pode ser realmente gerada por uma explosão em cisão, isto é muito mais elevado do que aquelas relatadas para as novas "mini-nukes". Parece altamente crível, portanto, que algum novo processo ou mecanismo haja sido descoberto e aplicado a fim de conceber ou realizar as tais "micro-nukes". Se o presidente Bush Jr. autorizou o seu desenvolvimento, é altamente provável que elas já tenham sido testadas ou desenvolvidas. Gsponer refere-se à possível utilização de um superlaser para disparar um pequeno processo de fusão. Contudo, já discutimos a enorme complexidade e dimensões de tais instalações, como o NIF ou o Mégajoule, concebidos para reproduzirem as condições de uma explosão termonuclear. Além disso, mesmo que o superlaser exista, como poderia ele ajustar-se dentro de uma ogiva miniaturizada? A qual, além disso, deveria resistir a acelerações extremas e condições de tensão!
Parece mais plausível que alguma nova espécie de processo nuclear haja sido descoberta e desenvolvida em matéria condensada, inflamando espontaneamente o "explosivo" de cisão ou fusão. Que espécie de processo é difícil dizer, uma vez que estas investigações são absolutamente top secret . Isto poderia nada ter a ver com o DU, ou ao contrário poderia apenas ser algum processo anteriormente desconhecido dentro dele. Provavelmente é apenas fantasia, mas isto poderia explicar muito melhor os efeitos das munições DU: neste caso, o seu "mecanismo" em explosão seria bastante diferente daquele que é actualmente suposto.

Se confirmadas, estas hipóteses implicariam que as guerras combatidas na última década já eram verdadeiras guerras nucleares, tal como também o seria a próxima guerra ao Iraque. Como matéria de facto, em Dezembro de 2002 a Casa Branca confirmou explicitamente prever a utilização de ogivas nucleares quando e onde as considerar convenientes, sem excluir a guerra ao Iraque: qual seria a vantagem de utilizar num tal campo de batalha, num país que deveria ser militarmente ocupado, ogivas nucleares tão poderosas como alguns milhares de toneladas de explosivo equivalente?

RETOMADA DE TESTES NUCLEARES?

Mas as perspectivas alarmantes relativas às armas nucleares não param aqui. De facto nos EUA, sobretudo sob a nova administração Bush, está a ganhar força a opinião de nunca ratificar o CTBT, o qual proíbe testes nuclear subterrâneos (aqueles na atmosfera estão proibidos desde 1963), e na verdade deixar a porta aberta para a sua retomada.

Durante anos testes nucleares subterrâneos com plutónio foram executados em Nevada, em Los Alamos e no Livermore Laboratory (o 18º de tais testes foi executado em Outubro de 2002), ao passo que o programa secreto Appaloosa prevê simulações em escala natural de explosões nucleares sobre a superfície utilizando plutónio 242 como um substitutivo para o plutónio militar [31] .

Contudo, há pressões crescentes no sentido do reinício de testes nucleares reais, especialmente para desenvolver as novas ogivas de baixa-potência. O secretário assistente da Defesa, Wolfowitz, referiu-se às circunstâncias em que os testes nucleares "deveriam ser contemplados" [32] . A administração Bush pediu a académicos da especialidade ogivas nucleares para examinarem a possibilidade de reiniciarem rapidamente explosões nucleares no deserto do Nevada, se o governo decidisse por um fim à moratória de 11 anos aos teste [33] , e reduziu o financiamento aos programas de não proliferação, incluindo a ajuda à Rússia.

Na Rússia, muitos cientistas estão frustrados pela proscrição dos testes nucleares, que eles respeitam enquanto Washington rejeita o CTBT e actualiza o seu arsenal. Moscovo também executa testes nucleares sub-críticos em Novaya Zemlya [34] e a CIA fez saber que é incapaz de monitorar possíveis testes russo de baixa intensidade com suficiente precisão a fim de garantir o respeito do CTBT [35] , dando assim aos opositores da ratificação um novo argumento.

Enquanto isso, a China executa testes nucleares sub-críticos (uns poucos anos atrás comprou dispositivos de contenção da Rússia para disfarçar os efeitos sísmicos de uma explosão nuclear). Por trás da colisão de um avião espião americano Ep-3e com um interceptor chinês (Abril de 2001) estava a intenção de verificar se Pequim estava a preparar-se para um teste nuclear no perímetro de experimentação de Lop Nur [36] . Há alguns anos a China adquiriu à Rússia os aparelhos de contenção concebidos para disfarçar os efeitos sísmicos de uma explosão nuclear.

A França também está a executar testes nucleares sub-críticos. De modo que os testes nucleares já estão a proliferar por todo o mundo.

AUMENTA O RISCO DE "ERROS" (OU ABUSO?)

Um factor de tensão e perigo adicional é que Washington continua a manter mais de 2000 ogivas estratégicas em constante estado de alerta, "pronta para lançar", destinadas a alvos "inimigos" [37] , quase 500 só na área de Moscovo. Isto aumenta o risco de um lançamento por erro (em 1995 Moscovo confundiu um foguete experimental lançado pela Noruega com um míssil balístico estratégico; a represália foi detida no último momento, quando a "valise" de Eltsin já estava a ser aberta).

O problema mais sério é que não só o arsenal estratégico como também o sistema de alarme russo estão decrépitos e "cegos" durante parte do dia: vários satélites de advertência já estão extintos, mas a maioria deles estão no fim da sua vida útil operacional. Paradoxalmente, o perigo na Rússia vem mais da sua fraqueza do que da sua fortaleza.

Por fim, mas não menos importante, uma proposta mais alarmante está a emergir: a de carregar os mísseis interceptores do escudo anti-míssil com uma ogiva nuclear a fim de assegurar a destruição de todas as armas ingressantes, sem ser necessário distinguí-las de armadilhas (decoys) [38] Uma proposta semelhante fora abandonada na década de 1979, num sistema conhecido como Safeguard, pois uma explosão nuclear para destruir ICBMs soviéticos que avançassem poderia cegar os sensores americanos e os satélites de advertência, aumentando assim a possibilidade de que uma segunda onde de mísseis atingisse seus objectivos. Hoje, entretanto, Washington está concentrada na ameaça de um número muito limitado de mísseis lançados por um "estado vilão" ou terroristas: como as defesas de mísseis não estariam prontas até 2005, a alternativa nuclear podia ganhar terreno. Os detractores desta proposta argumentam que se a carga nuclear de intercepção for demasiado pequena, uma explosão mais poderosa danificaria todos os satélites militares e comerciais em torno da Terra.

ESCUDO ANTI-MÍSSIL E PROLIFERAÇÃO

A instalação do escudo anti-míssil terá sérias consequências desestabilizadoras. O projecto National Missile Defense (NMD) é o mais bem conhecido, mas a administração Bush está a trabalhar para a concretização de uma defesa por camadas (layered defense) , consistente em muitos tipos complementares de defesas anti-mísseis, a fim de atacar um míssil ingressante de muitas maneiras: este sistema adopta sob muitos aspectos o projecto da "Guerra das Estrelas" de Reagan, de 1983.

Vale a pena recordar que o voo de um míssil balístico é composto por três diferentes fases: a fase do arranque, a fase do voo inercial fora das camadas densas da atmosfera, e a fase da reentrada na atmosfera. Durante a fase do arranque seria mais fácil interceptar o míssil, uma vez que ele se move mais vagarosamente e os motores estão a queimar: mas o espaço de tempo é muito curto, e seria necessário um sistema interceptor muito próximo do país atacante. O problema da defesa contra mísseis é extremamente complexo e difícil. Os possíveis ataques não são limitados a mísseis balísticos intercontinentais, mas incluem as ogivas de campo de batalha, mísseis de cruzeiro, além de possíveis ataques de mísseis a partir do mar. Há muitas contramedidas eficazes e económicas, tais como armadilhas ou ogivas falsas (este é um dos principais problemas verificados nos testes do NMD). Por fim, o escudo é ineficaz contra ataques terroristas executados com meios diferentes.

O NMD é apenas um dos oito programas principais que estão a ser experimentados (dentre não menos de 20), com custos (provavelmente subestimados) que ultrapassarão os US$ 115 mil milhões [39] . Os olhos vitais do sistema são o System-Low-the-missile-warning e os satélites de raios infravermelhos para acompanhar a trajectória. A Marinha tem dois projectos: o Navy Area Theater Ballistic Missile Defense , e o Navy Theater Wide . O Exército também tem dois projectos: o THAAD ( Theater High Altitude Area Defense : um sistema baseado em terra que deveria proteger as tropas no terreno ameaçadas por mísseis de teatro) e o sistema Patriot PAC-3. Há ainda dois projectos da Força Aérea: Airborne Laser (transportado por um Boeing 747-400, destruiria os mísseis durante a ascensão, a uma distância não superior a 400 km) e o Space Based Laser (baseado ao contrário no espaço). Os custos globais (provavelmente subestimados, em particular quanto às despesas durante o ciclo de vida dos sistemas, estimado em cerca de 20 anos) ultrapassam a assombrosa quantia de US$ 115 mil milhões [40] , ver a tabela:

Tabela (dados de 2001)
Programa Aquisição (US$ 10 9 ) Ciclo de vida (US$ 10 9 )
NMD 24,4 43,2
System-Low-the missile 8,2 10,6
Navy Area 7,3 ?
Navy Theater Wide 5,5 ?
THAAD 16,8 23,0
Patriot-3 10,1 ?
Space Based Laser 3,0 ?
Airborne Laser 6,4 11,0

A Ballistic Missile Defense Organization (BMDO) prevê investigações simultâneas em várias áreas. A administração pressiona no sentido de acelerar os projectos, de modo que alguns possam estar operacionais no fim do mandato de Bush (2004), solicitando fundos adicionais ao Congresso. O estado dos projectos está em evolução contínua e a situação é fluída. Algumas das notícias que circularam no ano passado foram as seguintes. O programa da Marinha de defesa táctica Navy Area encontrou dificuldades técnicas e prevê-se a sua instalação com um atraso de 20 meses em relação à data prevista de Dezembro de 2003. O THAAD está previsto para 2007, mas poderia ser antecipado em um ano ou dois [41] . O Airborne Laser está previsto para 2008, mas a sua instalação poderia ser antecipada (embora algumas notícias relatem que deve ser redesenhado, pois ficou demasiado pesado). Alguns sistemas baseados no mar poderiam ser instalados em 2005. O teste do Space Based Laser está previsto para 2012 e deveria custar US$ 4 mil milhões.

Nas verbas para defesa do ano fiscal de 2003 o presidente Bush conseguiu uma grande vitória para o NMD, obtendo US$ 7,4 mil milhões e tornando certo que um grupo de foguetes interceptores logo estará instalado no Alasca [42] : em Dezembro de 2002 Bush decidiu antecipar a instalação dos primeiros mísseis interceptores para 2004 [43] (10 mísseis de intercepção em Fort Greeley e mais 10 interceptores em 2005 ou 2006 — a construção preparatória em Fort Greeley começou em Junho de 2002 e outros elementos do sítio de testes da defesa de mísseis serão construído no princípio de 2003). "O êxito de Bush aconteceu sem muitas das tempestades ideológicas que acompanharam as passadas decisões relativa à defesa de mísseis: nestes dias, os grandes combates são acerca de quais os programas que deveriam ganhar uma fatia do generoso bolo da defesa de mísseis. (...) Ao recusar-se a comprometer-se com uma "arquitectura" específica de defesa de mísseis, a administração parece estar a manter suas opções abertas para ver quais as abordagens mais prometedoras. (...) Uma baixa desta abordagem é o esforço para desenvolver satélites orbitais armados com lasers que poderiam eliminar um míssil em sua "fase de arranque" [44] .

Mas os projectos não acabam aqui. De facto há outros mais do Exército, o Tactical High Energy Laser , a protecção móvel para tropas Medium Extended Air Defense ; ainda dois programas desenvolvidos por conta de Israel, o programa de defesa em teatro Arrow (testado em manobras militares conjuntas dos EUA, Israel e Turquia em 21/Junho/2001), e o laser anti-foguete. Além disso há o sistema de satélites de advertência SBIRS-High (estão previstos US$ 8,2 mil milhões só para investigação e desenvolvimento, mais US$ 2,4 mil milhões de apoio), a rede de administração de campo da Marinha Cooperative Engagement Capability , e vários outros projectos colaterais. Os planos americanos de defesa de mísseis também prevêem instalar três navios de guerra equipados com o sistema de administração de batalha Aegis e o interceptor de mísseis SM-3, para tratar dos mísseis de raio de alcance curto e médio.

Este projectos são contra mísseis balísticos, mas os militares denunciam a falta de defesas contra mísseis de cruzeiro (dos quais se diz que incorporarão capacidades furtivas no futuro). Contudo, já estão a ser testados sistemas para esta tarefa [45] .

O projecto de defesa de mísseis tem várias consequências sérias, que já estão a tornar-se manifestas. Já está a desencadear novas corridas às armas. De facto, qualquer sistema anti-míssil tem uma efectividade limitada [46] e pode ser realmente confrontado por uma série de contramedidas. Uma delas é saturá-lo, aumentando o número de mísseis ou/e ogivas num ataque nuclear.

O novo míssil balístico russo Topol-M (SS-27) parece ter uma manobrabilidade na fase da reentrada na atmosfera a qual lhe permitiria contornar a defesa anti-míssil [47] . Com o abandono por Washington do tratado ABM, Moscovo declarou que não reconheceria mais os tratados START. Assim, a escolha mais eficaz de Moscovo pode ser montar as ogivas múltiplas (MIRV), banidas pelo tratado, em novos mísseis. Sem levar em conta que até agora nenhuma das defesas contra mísseis de cruzeiro que estão a ser aperfeiçoadas por Moscovo estão disponíveis, embora estejam em experimentação. No ano passado a Rússia efectuou um teste num novo míssil intercontinental de cruzeiro de alta velocidade (SS-25) em três estágios mais um veículo pós-arranque contendo a ogiva, a qual consiste num míssil de cruzeiro de alta velocidade que voa na atmosfera para ficar acima das defesas anti-míssil [48] . Nesse ínterim, Moscovo planeia estender a amplitude operacional dos antigos mísseis intercontinentais SS-19, os quais podem ser armados com seis ogivas nucleares.

O cientista do MIT Ted Postol critica o escudo anti-míssil em oposição frontal à administração. Ele denunciou, entre outras coisas, o perigo de que ogivas derrubadas durante a fase de arranque possam cair na Europa, no Canadá ou na América Central. Também foi denunciado o risco de que a intercepção de uma ogiva nuclear por um laser possa ser não menos desastrosa do que a explosão da ogiva, com a diferença de que as vítimas seriam diferentes das que estavam previstas no caso de o míssil atingir o seu alvo [49] .

ARMAS QUÍMICAS

Mas o risco nuclear estende-se hoje a todas as armas de destruição em massa.

A Convenção sobre armas químicas foi assinada em 1997 e ratificada por 120 países, mas os EUA está a violá-la por não ter aprovado legislação para aplicá-la ou regulamentos para a inspecção das suas indústrias químicas. Consequentemente, também a Alemanha e o Japão estão a atrasar a verificação. Em Abril de 2001 a administração Bush exigiu brutalmente a demissão do diplomata brasileiro Bustani do cargo de director-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas devido às suas iniciativas, não coordenadas com Washington, dentre as quais a tentativa de persuadir o Iraque a juntar-se à organização (ver O Brasil, os EUA, a OPAQ e Bustani , de Samuel Pinheiro Guimarães) . Em 26 de Julho o diplomata argentino Pfirter, evidentemente mais alinhado, foi nomeado para o cargo.

Há pouca probabilidade de que a data de 2012 estabelecida para a eliminação das armas químicas seja honrada. Os EUA destruíram um quarto (7000 toneladas) do seu arsenal, ao passo que a Rússia precisaria de US$ 5 mil milhões para destruir as suas 40 mil toneladas [50] .

Parece provável que os EUA utilizaram alucinógenos agressivos na Guerra do Golfo de 1992 [51] . Além disso Washington está a apoiar a posição do uso lícito de armas químicas incapacitantes. "Os EUA apoiam a posição de que o seu uso para controlar prisioneiros de guerra e desordens civis não constitui um método de guerra e portanto não cai sob a alçada da Convenção" [52] . É altamente provável que tal posição se estende a "terroristas", uma vez que os Taliban prisioneiros em Guantanamo não são considerados por eles como prisioneiros de guerra.

ARMAS BIOLÓGICAS

Ainda mais séria é a situação respeitante à Convenção sobre Armas Biológicas de 1972. As armas bacteriológicas constituem de facto o caso mais alarmante, uma vez que técnicas tornadas padrão (funcional para os interesses de multinacionais da alimentação que procuram monopolizar o mercado mundial com organismos geneticamente modificados) permitem mesmo a um grupo terrorista com um laboratório relativamente modesto modificar o código genético de um microorganismo que viva normalmente no corpo humano ou em plantas agrícolas, de forma a que ele produza toxinas letais (os EUA atacaram Cuba repetidamente com produtos químicos agressivos, provocando perdas agrícolas e pecuárias).

Embora a Convenção de 1972 tenha sido ratificada por 143 Estados (incluindo todas as principais potências militares), ela não contem nenhum mecanismo de verificação. No anos passado Washington, com a sua arrogância habitual, destruiu o acordo forjado com grandes esforços em Genebra para um protocolo de inspecção, uma vez que "isto poria em risco a segurança nacional e informações confidenciais", isto é, o negócios das indústrias biotecnológicas [53] . Recentemente foi revelada a existência de uma laboratório no deserto de Nevada onde, em violação da Convenção de 1972, agentes biológicos letais são produzidos utilizando engenharia genética, sob o pretexto de executar simulações para reduzir a ameaça. Na realidade é uma programa de investigação secreta sobre armas biológicas [54] em qualquer caso, a produção aberta de armas biológicas viola a Convenção. Na verdade, o caso das cartas anthrax deixou um rastro dentro dos EUA...

Ainda pior, os EUA e o Reino Unido foram citados [55] como estando a desenvolver uma nova geração de armas biológicas que, tal como a nova geração de ogivas nucleares, minaria e possivelmente violaria tratados internacionais sobre a guerra biológica e química. O Pentágono, com a ajuda de militares britânicos, está a trabalhar com armas "não letais" semelhantes ao gás narcótico utilizado pelas forças russas para acabar com sítio de terroristas em Moscovo. Os EUA está a encorajar uma colapso nos controle de armas com a sua investigação de bombas cluster biológicas, anthrax e armas não letais para serem utilizadas contra multidões hostis, e pelo secretismo em que estes programas estão a ser conduzidos. Os EUA argumentam que o trabalho de investigação está a ser feita para propósitos defensivos, mas a sua legalidade sob a Convenção das Armas Biológicas é altamente questionável. Além disso, os signatários da Convenção concordaram em fazer declarações anuais sobre os seus programas de biodefesa, mas os EUA nunca mencionaram qualquer destes programas nos seus relatórios. Segundo uma análise recente [56] , a investigação britânica e americana sobre armas alucinogénicas encorajou o Iraque a encarar agentes semelhantes e mostrou-lhe o caminho. Os programas referidos são:

1. Esforço da CIA para copiar uma bomba cluster soviética concebida para dispersar armas biológicas.
2. Um projecto do Pentágono para construir uma bio-arma a partir de materiais comercialmente disponíveis a fim de provar que terroristas poderiam fazer a mesma coisa.
3. Investigação da Defense Intelligence Agency acerca da possibilidade de conceber geneticamente uma nova cepa de anthrax resistente ao antibióticos.
4. Um programa para produzir esporos de anthrax secos e armados (weaponized) .

Poderia recordar-se que recentemente os EUA acusaram Cuba (contra a qual eles efectuaram ataques biológicos) de estar a desenvolver armas químicas e biológicas. A fim de justificar o desenvolvimento de novas armas, novos inimigos e ameaças devem constantemente ser encontrados, ou... inventados.

Enquanto isso, a paranóia por um ataque bacteriológicos está a difundir-se, alimentada pela administração. No fim de 2002 uma campanha maciça de vacinação contra a varíola foi anunciada por razões de segurança [57] , principiando pelo pessoal militar, trabalhadores da saúde e de serviços de emergência, e oferecendo a seguir imunização ao público numa base voluntária a partir de 2004. Os responsáveis do governo consideram que cerca de 500 mil militares e 500 mil civis seriam cobertos pelas fases iniciais do plano; finalmente, a até 10 milhões de pessoas envolvidas com a aplicação da lei, cuidados de saúde e serviços de emergência poderia ser oferecida a vacina. A oposição ao uso extensivo da vacina contra a varíola, entretanto, está a ferver a partir de três fontes: da área da psicologia, da medicina e da sociologia [58] .

MODIFICANDO O CLIMA: GUERRA METEOROLÓGICA E ECOLÓGICA

Mas a investigação insana por novos métodos de guerra parece infindável! Realmente, tanto os americanos como os russos desenvolveram capacidades para manipular as condições climáticas para finalidades guerreiras [59] . Protocolo de Quioto, realmente!

Nos EUA, a nova tecnologia está a ser aperfeiçoada no âmbito do High-frequency Active Aural Research Program (HAARP) que é parte da Strategic Defense Initiative (SDI, “Guerra das Estrelas”) [60] , um sistema de antenas poderosas baseadas em Gokona, Alasca, administradas em conjunto pela US Air Force e pela US Navy. Evidências científicas recentes sugerem que a HAARP está plenamente operacional e tem a capacidade de potencialmente desencadear inundações, secas, furacões e tremores de terra, através do lançamento de fluxos de vapor na atmosfera da Terra ou do disparo de perturbações atmosféricas mediante o uso de ondas electromagnéticas de muito baixa frequência. Do ponto de vista militar, o HAARP é uma arma de destruição em massa pois é capaz de desestabilizar selectivamente os sistemas agrícolas e ecológicos de regiões inteiras.

ARMAS CONVENCIONAIS DE ALTA TECNOLOGIA BASEADAS NO ESPAÇO

Para agravar este cenário complicado, há o papel crescente e o efeito cada vez mais desestabilizador da alta tecnologia, armas convencionais de alta precisão que estão a ser freneticamente desenvolvidas pelos EUA. Embora não seja armas de destruição em massa no sentido estrito, elas estão a assumir efeitos subtis, poderosos e devastadores, e estão a entrecruzar-se progressivamente com as perigosas armas de destruição em massa, e a sobreporem-se com alguns dos efeitos das armas nucleares. Deve ser enfatizado que as guerras são ocasiões para testar novas armas. Nesta evolução furiosa o papel crucial é desempenhado pelo poderoso complexo industrial e militar dos EUA.

Uma das últimas novidades neste campo deverá ser uma nova arma que Washington está ansiosa por experimentar no assalto ao Iraque: uma arma constituída por um microondas de alta potência que é suposto deitar abaixo os componentes electrónicos e os sistemas informáticos [61] , a serem utilizados junto com o emprego maciço de aviões não tripulados, testados com êxito na guerra da Jugoslávia. Um outro caso são as futurísticas armas de laser em desenvolvimento pelos militares americanos, que estão a fazer a transição do campo da ciência ficção para a realidade e logo poderiam estar prontas para desempenhar um papel principal na protecção de tropas nos campos de batalha do século XXI. Descargas de teste com êxito já se tornaram rotina para o Zeus, o qual destroi minas e bombas não explodidas, bem como o Mobil Tactical High-Energy Laser (MTHEL), uma arma conjunta americano-israelense concebida para derrubar foguetes de pequeno raio de alcance e mesmo bombas (shells) em pleno ar [62] . Actualmente também deve ser mencionado o novo BLU-118/B, uma arma "destruidora de bunkers" que pode avançar profundamente dentro da terra antes de detonar [63] Já foi feito um teste este ano num ataque a uma caverna no Afeganistão, suspeita de abrigar a Al Qaeda [64] . O destruidor de bunkers pode tornar-se uma das armas chaves num ataque ao regime de Saddam Hussein.

Os demais países sentem que foram alijados da competição neste campo e vêm a supremacia indiscutível dos EUA a crescer terrivelmente [65] .

Tais preocupações são grandemente intensificadas por uma outro aspecto da paranóia americana: os EUA pensa que a sua supremacia no espaço está em declínio e que isto põe a sua segurança em risco. As propostas estratégicas para o futuro ( Joint Vision 2010 , SpaceCom 2020 ) pretendem reconquistar a hegemonia no espaço com um "domínio de plena amplitude" baseado num sistema digital constituído por satélites espiões, alarmes, comando/controle de defesa de mísseis, armas baseadas no espaço, de modo a serem capazes de atingir qualquer ponto sobre o planeta nuns poucos minutos (ao contrário dos 20 ou 30 minutos exigidos pelos mísseis balísticos). Washington está a estudar um "bombardeiro do espaço", isto é, um "veículo sub-orbital" lançado de uma avião a um velocidade 15 vezes maior do que os actuais bombardeiros, capaz, a partir de uma altitude de 60 milhas (97 km), de destruir alvos do outro lado do planeta em apenas 30 minutos [65] . Isto significa uma nova escalada, uma nova espécie de guerra estratosférica.

Esta paranóia alimenta uma espiral incontrolável. As novas armas convencionais comprometem qualquer possibilidade de estabilidade estratégica. A única opção deixada aos outros países é procurar reequilibrar a situação confiando em armas tecnologicamente menos refinadas de destruição em massa, fortalecer a dissuasão nuclear, considerar o recurso possível a quaisquer meios militares, desde armas químicas e biológicas à guerra ecológica, guerra de guerrilhas e terrorismo (sendo então duramente denunciados por Washington devido a isso).

“CIber-GUERRA”, A NOVA FRONTEIRA

Mas os cenários de gelar a espinha da guerra tecnológica vão ainda mais longe. Durante a guerra nos Balcãs "os Estados Unidos, com o máximo segredo, activaram uma super-armas que catapultou o país para uma nova era militar que pode mudar para sempre os métodos da guerra. Secretamente, as forças americanas lançaram uma ofensiva de "ciber-combate" [66] , baralhando a rede de comando/controle do exército juguslavo, deitando abaixo os computadores integrados na defesa aérea, inserindo mensagens enganadoras, talvez mesmo perturbando a rede telefónica, para induzir os comandos juguslavos a comunicarem-se por telefone móvel, cujas transmissões podem ser facilmente interceptadas.

Segundo os peritos, dados falso podem ser implantados nos computadores inimigos, bancos de memória podem ser apagados, vírus inseridos e até os sistemas de armas do inimigo podem ser modificados (exemplo: reprogramar um míssil inimigo de cruzeiro de modo a que ele reverta sua rota e retorne ao navio ou avião que o lançou), ou até mesmo falsificar a voz de um presidente ou de um comandante, transmitindo ordens suicidas às suas tropas. Foram difundidas notícias de uma invenção britânica que poderia utilizar as antenas dos telemóveis existentes para localizar aviões furtivos (stealth planes) , invisíveis ao radar [67] . A linha divisória entre objectivos militares e não militares torna-se mais e mais difusa, os limites legais e éticos são subtis também quanto às ameaças contra a população civil.

Pensa-se que actualmente 23 países possuem capacidades neste campo (dentre eles a Índia, a Síria e o Irão). Em Janeiro de 1999 foi identificado um ataque do governo indonésio contra um service provider irlandês da Internet, o qual hospedava um sítio web que exigia independência para Timor Leste. Entre Janeiro de Março hackers russos penetraram na rede informática do Pentágono, aparentemente à procura de códigos navais e dados quanto à trajectória de mísseis. A seguir houve uma ataque a partir da China a uma rede de sítios web de Washington, a qual foi posta três vezes fora de serviço. Naturalmente é muito difícil distinguir hackers isolados daqueles a actuarem por conta de países inimigos. Durante o ano 200 uns 413 intrusos penetraram em redes militares.

O Pentágono — que chama a isto “Information Warfare” (IW) — instalou um novo centro militar na área da base de Peterson, em Colorado Springs, sob o supracitado Air Force Space Command, para administrar as forças da ciber-guerra, um batalhão do espaço, uma Equipe de Tecnologia Móveis e um Laboratório de Defesa Espacial, com a tarefa de coordenar tanto a defesa da rede de informática militar em relação a ameaças externa e acções ofensivas. De facto, ofensivas com "armas computacionais" também estão a ser estudadas [68] .

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NOTAS

[1] O Prof. Gordon Poole, da Universidade “Federico II” de Nápoles, gentilmente traduziu para o inglês uma versão prévia abreviada deste documento Este é de facto uma versão actualizada (até Dezembro de 2002) e ampliada de uma investigação principiada há alguns anos [ver: Giano , n. 33, May-August 1999, p. 33; Guerre e Pace , n. 93, October 2002; Il Manifesto Rivista , November 2002]. Devo dizer que a cada revisão a situação parece muito pior e mais preocupante! A tradução para português foi feita por J. Figueiredo, a partir da versão em inglês.

[2] Do Departamento de Física da Universidade de Florença, Itália; email: baracca@fi.infn.it

[3] Agradeço meu colega Emilio Del Giudice, do INFN de Milão, por esta observação e pela discussão de aspectos relacionados. Deixe-me recordar brevemente algumas noções básicas.
Em Cisão (Fission) um núcleo pesado (urânio 235, plutónio 239) absorve um neutrão e divide-se em dois núcleos mais leves, emitindo energia mais 2 a 3 neutrões. Estes últimos podem partir mais núcleos, disparando uma reacção em cadeia , se eles não escaparam do material cindível. A massa crítica é exactamente o mínimo de massa de material cindível para a qual a reacção em cadeia pode sustentar-se. O seu valor depende de muitos factores — exemplo: a configuração de disparo e o mecanismo (classificado) — mas não pode ser reduzido à vontade.
Em Fusão juntam-se dois núcleos leves, emitindo energia. Este processo pode verificar-se só se os dois núcleos aproximaram-se a uma distância extremamente curta, excedendo a barreira da repulsão eléctrica. Isto ocorre a temperaturas da ordem de um milhão de graus. Esta situação é comum dentro de estrelas, mas é gerada pela explosão em cisão numa arma termonuclear , que é portanto uma bomba de cisão-fusão.

[4] Os dados recentes sobre Pancevo são altamente preocupantes, ver por exemplo: “Long term environmental and health effects”, http://www.enn.com/news/wire-stories/2002/11/11052002/ap_48881.asp .
Por outro lado, as bombas cluster causaram numerosas vítimas mesmo depois de o bombardeamento ter acabado (como veremos, elas estão a ser adaptadas a armas biológicas). Tem sido argumentado que os produtos químicos utilizados na América Latina para destruir as plantações de coca são realmente uma espécie de armas químicas.

[5] O isótopo cindível de urânio (U-235, contendo 235 protons+neutrons) constitui apenas 0,7% do urânio natural. Para utilizações militares o urânio deve ser altamente enriquecido, deixando uma componente chamada "empobrecida" (" depleted ") de U-235, que é composta quase exclusivamente por U-238, um isótopo que é radioactivo e decompõe-se emitindo uma partícula alfa (um núcleo de Hélio). Parece certo, entretanto, que também o urânio do combustível gasto é utilizado em armas. Apesar de ser limpo no processo de retratamento, ele pode continuar sujo por conter resíduos de produtos de cisão e plutónio.

[6] Weapons of mass destruction causam morte súbita ou destruição em áreas alvo, algumas com efeito a longo prazo e generalizados. Weapons of indiscriminate effect causam contaminação generalizada ou perdurável passível de causar danos, doenças crónicas, morte lenta ou severos defeitos de nascença. Ambas estão fora da lei no Primeiro Protocolo das Convenções de Genebra.
Convém notar aqui o estudo de Rosalie Bertell sobre os efeitos globais da radioactividade na população mundial, o qual conclui que "Mais de 1300 milhão de pessoas foram mortas, mutiladas ou tornadas doentes pela força nuclear desde o seu início". Ela analisa e critica também as razões porque os critérios oficiais subestimam profundamente estes números: Rosalie Bertell, “ Victims of the nuclear age”, The Ecologist , November 1999, pp. 408-411 ( http://www.ratical.org/radiation/NAvictims.html ).
Relatórios identificam 21 sistemas de armas suspeitos de utilizar ogivas com urânio que vão desde os Destruidores de bunkers (Bunker Busters) e Mísseis de cruzeiro até bombas cluster. Também há relatórios quanto à utilização do GBU-28 Bunker Buster com bombas guiadas, de 2 toneladas, suspeito de transportar 1000 a 1500 kg de urânio por ogiva.
Uma nova preocupação ascende em relação a um novo tipo de armas de urânio que utilizam urânio padrão, não empobrecido (isto é, tendo a mesma composição isotópica do urânio natural) nas componentes das ogivas. Se utilizado em ogivas grandes e explosivas para "alvos resistentes" (mais de 1500 kg) criará níveis de contaminação radioactiva 100 vezes mais altos e mais generalizados do que os "penetradores" DU anti-tanque utilizados na Guerra do Golfo.
A utilização de munições DU no Iraque e nos Balcãs é certa, e suas consequências são denunciadas, embora encobertas pelo silêncio dos media.
No que se refere ao Afeganistão, embora não esteja provado, novos relatórios destacam preocupações crescentes de que os bombardeamentos americanos possam ter utilizado mais de 1000 toneladas de ogivas de urânio com consequências potencialmente desastrosas para os civis afegãos e colocando sérios riscos de saúde para tropas e expatriados que foram expostos aos bombardeamentos ou áreas contaminadas (veja o sítio web Reuter's Health em < http://www.reutershealth.com/en/index.html > e pesquise "Afghanistan"). Dados actuais de amostras biológicas de Kandahar, Kabul e Jalalabad obtidos análises de espectometria de massa aperfeiçoadas confirmam que é de mais de 100 vez a concentração mais elevada de isótopos de urânio nos espécimes biológicos em comparação com os grupos de controle. Níveis de mortalidade maternal muito elevados no Afeganistão foram relatados em dois estudos recentes: o primeiro da American Medical Association (September, 2002), em http://jama.ama-assn.org/issues/v288n10/ffull/jlf20033.html ; e o último do estudo CDC / UNICEF para o Ministério da Saúde afegão, em http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/news/fullstory_10239.html (November 6, 2002: os investigadores que fizeram estes estudos estavam inconscientes dos perigos do urânio e não relataram acerca da saúde das crianças que morreram antes de nascer, ou sobreviveram à mortalidade materna; não foram relatados exames pós-morte). Houve também várias epidemias letais de "doenças misteriosas" este ano no Afeganistão. Como pano de fundo acerca dos sistemas de armas utilizadas no Afeganistão suspeitas de conterem ogivas de urânio e riscos de saúde potenciais para civis e tropas ver: “Depleted Uranium weapons 2001-2002: Mystery Metal Nightmare in Afghanistan”, 31 January 2002, em http://www.eoslifework.co.uk/du2012.htm (+ cópia PDF do relatório completo); e “Hazards of Uranium Weapons in Afghanistan and Iraq”, 23 October 2002, em: http://www.eoslifework.co.uk/u232.htm (mais links de ficheiros). Para a avaliação mais recente (November 13, 2002) do Prof. Marc Herold ver http://www.cursor.org/stories/uranium.htm (ela contem alguns erros sobre pormenores das armas e assevera que foram utilizadas armas de urânio).
Sobre a próxima guerra ao Iraque, há estimativas de que mais de 1500 toneladas de pó de urânio poderiam ser acrescentadas ao ambiente do Iraque, 5 vezes mais do que o admitido na Guerra do Golfo de 1991. Isto provocaria um grande aumento na epidemia de canceres e nascimentos defeituosos actualmente existente que tornou-se um desastre humanitário no Iraque e provocou múltiplos problemas de saúde para veteranos da Guerra do Golfo.

[7] Ver Jean-Marie Benjamin, 1999 - Iraq, l'Apocalypse , Editions Favre SA, Lausanne, Swizerland.

[8] Na sua crescente paranóia “terrorista”, o Pentágono também está a desenvolver a mais vasta expansão de acções encobertas pelas forças armadas por todo o mundo desde a era do Vietname. Ver William M. Arkin, “The secret war”, Los Angeles Times , October 27, 2002: “O Departamento da Defesa está a construir um exército secreto de elite com recursos que cobrem todo o espectro de capacidades encobertas. Novas organizações estão a ser criadas. As missões das unidades existentes estão a ser revistas. A aviões e navios espiões estão a ser assinaladas novas missões anti-terror e de monitorização do "eixo do mal".

[9] Ver por exemplo vários sítios web, como: http://www.petroconsultants.com/iwatch/index.html ; http://www.dieoff.com ; http://www.iea.org/g8/world/oilsup.htm . Convém notar que o declínio da taxa de extracção de combustíveis fósseis não é devido à exaustão dos furos: bem antes do esgotamento de um furo, a energia exigida para a extracção do petróleo ultrapassa o conteúdo energético do próprio petróleo.

[10] Um aspecto incerto e delicado no cálculo da consistência da acumulação de stocks é devido às ogivas tácticas ( tactical warheads) , que foram removidas das instalações (mas não desmanteladas) no fim da década de 1980 pelo tratado INF (Intermediate Nuclear Forces) , mas não estão cobertas pelos START (Strategic Arms Reduction Treaties) . O número exacto de ogivas tácticas russas não é conhecido, mas é estimado na ordem dos milhares. Dada a dificuldade de obter financiamento para novas ogivas, foi feita a proposta de mantê-las operacionais como um componente da dissuasão nuclear (o exército russo tem efectuado exercícios simulando a utilização de ogivas tácticas). Acerca disto a posição americana não é clara, uma vez que (além de também ter ogivas nucleares tácticas) mantém bombas de gravidade na Europa que ainda são um dos pilares da sua ligação atlântica. Documentos desclassificados revelaram que nas últimas décadas os EUA introduziram armas nucleares sem informar os países hospedeiros (dentre eles o Japão, cuja Constituição explicitamente proíbe tais armas sobre solo japonês).

[11] Los Angeles Times , July 13 and 14, 2002; Global Security Newswire , July 15, 2002; US News , July 15, 2002. Também a NATO, que sempre foi dominada pelos EUA, parece estar a adoptar uma estratégia semelhante: Adam Tanner, “NATO says could launch pre-emptive strikes”, Swiss radio International , November 2, 2002.

[12] Um chocante ensaio de Dominique Lorentz, Affaires Nucleaires , Paris, Les Arénes, 2001, documenta a política de proliferação conduzida pela Casa Branca ao longo do meio século do pós-guerra, tanto directamente ou, mais frequentemente (a fim de contornar as proibições de leis federais ou o controle parlamentar), através de intermediários, principalmente França, Israel, Alemanha, Argentina, Índia, Paquistão e assim por diante. Programas nucleares "civis" foram o caminho habitual para introduzir programas militares, pois na maior parte dos casos eles incluíam instalações de enriquecimento e/ou retratamento. De facto, muitos dos países referidos estavam longe de sofrerem quaisquer restrições energéticas!
A França e a Alemanha estavam envolvidas no programa nuclear do Iraque: Israel sabotou o reactor "Osirak" quando ele ainda estava em França, e depois bombardeou o sítio de Tamuz, no qual estava a ser construído. Durante a sangrenta e esquecida guerra Iraque-Irão na década de 1980 — instrumentalmente estimulada e apoiada pelos EUA contra o regime do Ayatollah, que eles haviam imposto a fim de afastar o Xá (a história repete-se!) — Washington forneceu a Bagdade know-how tanto para a guerra química como biológica (e obviamente sabia e aprovava a sua utilização contra o Irão e contra os curdos).
Os negócios internacionais de Washington muitas vezes voltaram-se contra si próprios, como nos casos de Saddam Hussein, ou do regime Taliban no Afeganistão.
O programa nuclear iraniano era apoiado directamente pelos EUA sob o regime do Xá, e posteriormente pela França e Alemanha. Teheran tem uma participação de 10% no “Eurodif” European uranium enrichment program. O verdadeiro princípio do sangrento terrorismo islâmico da Jihad foi durante a década de 1980, quando Paris (e Washington) tentaram cortar esta participação, até que foi confirmada oficialmente em 1991. Parece que alguns dos testes nucleares do Paquistão testaram realmente ogivas iranianas (o mesmo foi feito para Israel nos testes indianos). Moscovo está actualmente envolvida nos programas nucleares iranianos, para o término da instalação de Busher (no qual a Alemanha estava envolvida anteriormente).
O New York Times (November 25, 2002) denunciou o apoio do Paquistão ao programa nuclear da Coreia do Norte, depois do apoio dado pelos nortecoreanos ao programa de mísseis do Paquistão. Apesar da negativa categórica do presidente Musharraf, é altamente crível que toda a história seja verdadeira, e é a pista para as manobras anteriores conduzidas pelos EUA.

[13] Mike Allen and Barton Gellman, “Preemptive Strikes Part Of Strategy, Officials Say”, Washington Post , December 11, 2002 Pg. 1.

[14] Reuters, June 25, 2002; Manlio Dinucci, il manifesto , June 17, 2002.

[15] Associated Press , June 27, 2002.

[16] Israel recentemente equipou com mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares três submarinos convencionais comprados à Alemanha.

[17] Ver por exemplo o citado ensaio de Dominique Lorentz'. Estes países são: Argélia, Argentina, Austrália, Áustria, Bangladesh, Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, Chile, China, Colômbia, Congo, Egipto, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Hungria, Índia, Indonésia, Irão, Israel, Itália, Japão, México, Coreia do Norte, Noruega, Paquistão, Peru, Polónia, Roménia, Rússia, Eslováquia, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos, Vietname.
Há países, como a Alemanha e o Japão, que não possuem ogivas nucleares, mas possuem o know-how e a capacidade para as construírem, uma vez que têm feito isto em outros países.

[18] Além disso, o enorme custo de uma guerra ao Iraque não está incluído neste orçamento, mas será coberto como despesas de emergência. O antigo director do Gabinete para a Administração e o Orçamento, Lawrence Lindsey, foi fortemente criticado e em seguida demitido da administração por ter previsto uma despesas de guerra entre US$ 100 e 200 mil milhões. O seu sucessor, Mithchell Daniels, baixou esta previsão para US$ 60 a 90 mil milhões. Contudo, tal som não inclui nem as despesas com uma longa ocupação militar nem aquelas para a reconstrução. Os custos da Guerra do Golfo de 1991 foram em torno do US$ 80 mil milhões, mas não incluíam uma ocupação militar, e foram amplamente assumidos pela Arábia Saudita, pelo Kuwait e pelo Japão.
Seumour Melman, professor emérito da Universidade de Columbia, está a denunciar há muitos anos os super-gastos militares maciços do orçamento federal e o seu efeito de des-industrializar o país, que custa milhões de empregos e prejudica severamente o investimento em obras públicas. Num recente memorando, chamado “The Pentagon connection”, ele reitera a maciça redundância e opulência de vários sistemas de armas, tal como a próxima onda de aviões de combate, mísseis, submarinos e aviões de carreira. A American Society of Civil Engineers estima que um a três triliões de dólares são necessários para a reparação de doze categorias de obras públicas. Ver Ralph Nader, “The Pentagon connection”, January 17, 2003, http://commondreams.org/ .

[19] Chirac aumentou em 6% o orçamento militar francês, e propôs que as despesas militares não fossem incluídas no Pacto de Estabilidade da União Europeia.

[20] Dominique Lorentz, cit., pp. 567-8.
[21] Christopher E. Paine, Scientific American , September 1999; John Barry, Newsweek , August 20, 2001.

[22] Reuters , August 16, 2001.

[23] Fas Public Interest Report , January/February 2001, Vol. 54, no. 1. Ben MacIntire, The Times , April 16, 2001; Julian Borger, The Guardian , April 18, 2001.

[24] The Guardian , June 18, 2002.

[25] Uma descrição pormenorizada é apresentada por Luc Allemand, “Mégajoule: le plus gros laser du monde”, La Recherche , No. 360, January 2003, pp. 60-67. Parece interessante observar que o Comissariat à l'Énergie Atomique está a desenvolver uma operação de "sedução" junto a físicos civis anunciando que a instalação será em parte dedicada a investigações civis.

[26] André Gsponer, “From the Lab to the Battlefield? Nanotechnology and Fourth-Generation Nuclear Weapons”, Disarmament Diplomacy , No. 67, October-November 2002; ver: http://www.acronym.org.uk/dd/dd67/67op1.htm .

[27] A primeira e segunda geração de armas nucleares são as bombas atómicas e de hidrogénio desenvolvidas durante as décadas de 1940 e 1950, ao passo que a terceira geração compreende um certo número de princípios desenvolvidos entre as décadas de 1960 e 1980. Exemplo: a bomba de neutrões, que nunca encontrou um lugar permanente nos arsenais militares.

[28] O 'superlaser' proporciona um aumento do factor de um milhão na potência instantânea de lasers de mesa, e é possivelmente o mais significativo avanço recente em tecnologia militar; os fotões podem ser concentrados em números ilimitados de modo que um muito localizado e breve impulso de luz pode conter enormes quantidades de energia — tão grandes que um superlaser de mesa pode iniciar reacções nucleares tais como a cisão ou a fusão. Este aumento de potência é da mesma magnitude como o factor de um milhão que diferencia a densidade de energia entre a energia química e nuclear.

[29] Comparada com as ogivas habituais expressas em quilotons ou megatons, respectivamente um milhar e um milhão de toneladas de equivalente em altos explosivos.

[30] André Gsponer, cit. Ver um estudo sobre aspectos radiológicos da quarta geração de armas nucleares em: http://arxiv.org/abs/physics/0210071

[31] < http://www.lasg.org/appaloos/appaloos.htm >

[32] Richard Butler, New York Times , July 13, 2001.

[33] Knight Ridder, Tribune News Service , June 28, 2001.

[34] Washington Times , September 15, 1999; embora o ministro da Energia Atómica tenha negado ( Itar Tass , September 16, 1999).

[35] Washington Post , October 3, 1999, p. A01.

[36] Bill Gertz, Washington Times , April 9¸2001. Que o teste sub-crítico tenha sido executado parece ter sido confirmado posteriormente: Bill Gertz and Rowan Scarborough, Washington Times , June 6, 2001.

[37] Walter Pincus, Washington Post , June 20, 2001, p. 8. Manter este estado de alerta custa ao Pentágono uns US$ 20 mil milhões por ano. Em anos recentes o números de objectivos estratégicos na Rússia realmente aumentou.

[38] Daniel G. Dupont, “Nuclear reactions”, Scientific American , September 2002.

[39] John M. Donnely, Defence Week , April 2, 2001

[40] 40 John M. Donnely, cit.
[41] M. Selinger, Aerospace Daily , 14.06.2001.

[42] Pat Towell, “Bush's missile defense victory signifies changing times”, Congressional Quarterly Weekly , October 26, 2002.

[43] Bill Gertz, “U.S. To Deploy Anti-Missile System By '04”, Washington Times , 17 December 2002, Pg. 1
Deve-se acrescentar que a CIA considera que o Irão, Iraque, Líbia e Síria também poderiam emergir com ameaças de mísseis de longo alcance e que o sistema inicial da Costa Oeste será incapaz de deitar abaixo mísseis daqueles países. Foi relatado que responsáveis da administração declararam que o Pentágono está a planear um segundo sistema de defesa de mísseis, baseado num sítio interceptor em Maine, orientado para ameaças de mísseis da Europa e do Médio Oriente, que poderia ser construído previsivelmente em 2010-2015 ( The Hindustan Times , December 20, 2002).

[44] Pat Towell, cit: são os seguintes os principais programas financiados sob a lei de defesa do ano fiscal 2003, e são destinados a desenvolver armas que poderiam interceptar um míssil nos primeiros minutos após o seu lançamento.

Fase de arranque (Boost Phase) : Air-Borne Laser - Boeing, Lockheed Martin e TRW estão reunidos num projecto de US$ 10,7 mil milhões para por em campo sete 747 cargo jets equipados com enormes lasers que podem destruir mísseis a uma distância de várias centenas de milhas. A lei de verbas da defesa dá US $598 milhões no ano fiscal 2003.
Space-Based Laser - Embora alguns conservadores tenham durante anos defendido satélites armados com lasers anti-mísseis, o Congresso cortou os US$ 170 milhões pedidos no ano fiscal de 2002 porque o primeiro teste da arma não começaria até 2013. A equipe de empreiteiros a trabalhar no projecto —TRW, Lockheed Martin, Boeing — dissolveu-se no fim de Setembro. A lei de verbas da defesa de 2003 cortou os pedidos da administração para o projecto de US$ 35 para US$ 25 milhões.
Kinetic-Energy Weapons - A administração pediu dois novos programas para desenvolver mísseis guiados que pudessem ser lançados de navios (US$ 90 milhões) e de satélites (US$ 54 milhões) deter um ataque de mísseis logo após o seu lançamento, destruindo-o com a força do impacto. A lei de verbas do ano fiscal de 2003 cortou US$ 50 milhões do total de US$ 144 milhões, deixando aos administradores do Pentágono distribuírem as verbas do orçamento reduzido.
Médio-Curso : Há dois grandes programas destinados a deter um interceptor quando ele voa através do espaço:
Baseados em terra - A Boeing dirige uma grande equipe de empresas que desenvolvem interceptores baseados em terra, que o presidente Bill Clinton considerou primeiramente instalar no Alasca. A lei fiscal de 2003 financia os US$ 2,6 mil milhões para os mísseis e o teste de sítios.
Baseado no mar - A lei tira US$ 10 milhões aos US $427 milhões solicitados para desenvolver um sistema semelhante lançado a partir dos cruzadores Aegis da Marinha.
Fase terminal : Patriot PAC-3 - A lei de verbas do ano fiscal 2003 acrescenta US$ 30 milhões aos US $151 milhões solicitados para financiar testes adicional deste sistema Lockheed Martin. A lei também acrescenta US$ 20 milhões aos US$ 472 milhões solicitados para continuar a produção.
THAAD - A lei proporciona US$ 912 milhões dos US$ 932 milhões solicitados para continua a desenvolver este sistema da Lockheed Martin, concebido para interceptar mísseis que voam mais longe e mais rápido do que o PAC-3.
Terminal baseado no mar - Depois de o esforço efectuado pela Raytheon para desenvolver interceptor de curto alcance lançado a partir de navios ter ido para a sucata em 2001, a administração pediu US$ 90 milhões para começar outra vez. Mas a lei de verbas cortou US$ 60 milhões e transferiu os US$ 30 milhões remanescentes para o sistema de médio curso baseado no mar, o qual utiliza alguns dos mesmo componentes.
A fim de acompanhar o desenvolvimento dos programas dos vários sistemas de mísseis, o Center for Defense Information, dos EUA criou gráficos pormenorizando os êxitos e fracassos de todos os testes leves integrados detidos pela Missile Defense Agency (MDA): http://www.cdi.org/missile-defense/systems.cfm

[45] Jeff Bennett, “Inside Missile Defense”, 18.04.2001, p. 1; “Washington Times”, 07.06.2001, p. 6.

[46] Ver por exemplo: V. F. Polcaro, in Contro le Nuove Guerre (M. Zucchetti, ed.), Odradek, Rome 2000, p. 213.

[47] Russia Weekly , Center for Defense Information, Washington, no. 65, September 10, 1999.

[48] Bill Gertz, Washington Times , July 30, 2001: http://washingtontimes.com/national/20010730-13752166.htm

[49] Geoffrey Forden, Bulletin of the Atomic Scientist , September 2002.

[50] Christian Science Monitor , April 6, 2001; Sergei Ishchenko, Trud , Russia, June 21, 2001 ( CDI Russia Weekly , no. 159, June 22, 2001). A Rússia poderia suspender a sua participação numa convenção internacional banindo armas químicas se o pedido de Moscovo para estender a data final para a destruição dos seus arsenais químicos for rejeitada pelos signatários da convenção, relatou a Interfax-Military News Agency reported ( Moscow Times , October 8, 2002 Pg. 4).

[51] Mantido por Wouter Basson, a eminência parda por trás dos planos de guerra química do governo do apartheid na África do Sul, em testemunho perante o Supremo Tribunal de Pretória sobre a destruição deste arsenal. Ele declarou que filmes da rendição de tropas iraquianas mostravam claramente os efeitos destas substâncias agressivas nas caras dos soldados ( India Times , July 28, 2001:
http://timesofindia.indiatimes.com/articleshow.asp?art_id=67147283 ). Após a guerra novas evidências da utilização de substâncias químicas agressivas vieram à luz.

[52] 52 Joint Publication 3-06/Doctrine for Joint Urban Operations (September 16, 2002). Recorde-se que por ocasião do G8 em Génova, em Julho de 2001, a polícia italiana utilizou contra a multidão 6200 bombas lacrimogéneas equipadas com uma substância química chamada CS, a qual é realmente um produto químico agressivo; ver p. exemplo Edoardo Magnone and Ezio Mangini, La Sindrome di Genova. Lacrimogeni e Repressione Chmica , Fratelli Frilli Editori, Genova, September of 2002

[53] E.g., v Richard Beeston, The Times , July 23, 2001.

[54] New York Times , September 4, 2001
( http://www.nytimes.com/2001/09/04/international/04GERM.htm?ex=10 ); New York Times , September 4, 2001 ( http://www.nytimes.com/2001/09/04/international/04BIOW.htm?pagewa ); Manlio Dinucci, il manifesto , September 6, 2001.

[55] http://www.guardian.co.uk/usa/story/0,12271,821306,00.html

[56] Malcom Dando and Mark Wheelis, Bulletin of the Atomic Scientists , December of 2002.

[57] David Brown, “In Vaccination Plan, A World of Unknowns”, Washington Post , December 14, 2002; Page A01 http://www.washingtonpost.com/ac2/wp-dyn/A52661-2002Dec13?language=printer ); Richard W. Stevenson and Lawrence K. Altman, ”Smallpox Shots Will Start Soon Under Bush Plan”, http://www.nytimes.com/2002/12/12/politics/12VACC.html .

[58] A razão médica para se opor à vacinação generalizada é o perigo relativo da vacina e a dificuldade de minimizar o risco. Pelo menos um quarto dos potenciais receptores — e possivelmente um bocado mais — precisará ser filtrado previamente: isto inclui aqueles quem está infectado com o vírus da SIDA, grávidas, com drogas imunodepressivas ou tiver qualquer das doenças da pele conhecidas colectivamente como eczemas. Como a vacina é um vírus vivo que pode ser transmitido a outros, qualquer pessoa em estreito contacto com uma pessoa naquelas categorias também deve ser excluída. Isto será uma tarefa muito difícil e muito vulnerável a erros. Mesmo que tudo acontecesse perfeitamente, haverá milhares de pessoas com braços quentes, inchados e com ferimentos. Mais provavelmente, haverá complicações e umas poucas mortes.
O que mais preocupa os responsáveis pela saúde pública são as consequências sociológicas de uma campanha de vacinação que for mal conduzida, ou mesmo apenas azarada. Em anos recentes, tanto o autismo como sintomas conhecidos como o "Síndroma da Guerra do Golfo" foram atribuídos a vacinas, embora haja pouca ou nenhuma evidência científica para apoiar a afirmação. O cepticismo sobre vacinas é alimentado pelo facto de que ocasionalmente uma delas causa danos, como o caso da vacina rotavirus contra um mal intestinal comum. A vacina foi abandonada depois de ter sido descoberto ter disparado um defeito intestinal em algumas pessoas.

[59] http://www.au.af.mil/au/2025/volume3/chap15/v3c15-1.htm .

[60] Ver: Michel Chossudovsky, “Washington's new order: weapons have the ability to trigger climate change”, http://www.emperors-clothes.com/articles/chuss/haarp.htm ;
and Rosalie Bertell, http://www.globalpolicy.org/socecon/environment/weapons/htm

[61] David A. Fulghum, Aviation Week and Space Technology , August 6, 2002.

[62] Hil Anderson, “Combat lasers becoming a reality”, http://www.upi.com/view.cfm?StoryID=20021210-090342-6771r .

[63] Ivar Ekman, “Bunker Buster”, The New York Times , December 15, 2002.

[64] Em ligação com isto, há outra objecção levantada timidamente pela Alemanha, respeitante às protecções (black-boxes) impostas pelos EUA sobre as armas que vendem, para impedir compradores de terem acesso a tecnologias secretas. Naturalmente os EUA rejeitaram-na ( Defense News , November 22, 1999, pp. 3-28).

[65] Ed Vulliamy, New York Sunday , July 29, 2001.

[66] Washington Times , October 25, 1999.

[67] Robert Uhlig, London Daily Telegraph , June 11, 2001.

[68] Andrea Stone, USA Today , June 19, 2001, p. 1.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info

26/Jan/03