O PSOE e os seus aliados, em queda livre nas sondagens, procuram repetir o lucrativo negócio das mobilizações contra a guerra do Iraque.
No sábado, dia 14 de março, foi convocada uma manifestação em Madrid, e em muitas outras cidades, por organizações anti-imperialistas por ocasião do aniversário do Referendo da NATO e para exigir a saída da Aliança Atlântica e o desmantelamento das bases. Um referendo que define perfeitamente a ignomínia de um PSOE que ganhou as eleições defendendo o NÃO à NATO, para depois pedir um SIM, com condições que descumpriu totalmente pouco tempo depois.
De forma apressada, dois dias antes, surgiu uma convocatória para esse mesmo dia 14, sem assinatura dos convocantes, com o lema "Não à guerra", utilizando exatamente o formato das mobilizações de 2003 contra a guerra do Iraque. Era evidente que era o Governo quem convocava, com toda a parafernália dos seus meios de comunicação social. A esta juntaram-se o Podemos, a CCOO, a UGT e outros satélites.
Com a convocatória pretendia-se matar dois coelhos com uma cajadada só:
Os seus cálculos eleitorais mesquinhos levaram-nos a repetir, a modo de farsa, o "Não à guerra", recorrendo à lista de atores e atrizes a soldo, numa imitação patética do movimento popular contra a invasão do Iraque. Para a encenação contribuiu também o local escolhido, a praça do museu que alberga o Guernica, o mesmo que Pedro Sánchez manchou, ao "fotografar-se" em frente a ele com o fascista Zelenski.
O vazio "Não à guerra", que implica a equidistância entre agressor e agredido e que não hesita em qualificar de terrorismo a Resistência, ocupou, como não poderia deixar de ser, todos os meios de comunicação.
A outra manifestação teve uma cobertura muito mais modesta nos meios de comunicação, mas a sua mera existência serviu para desmascarar a falácia de um slogan tão grandiloquente quanto vazio e o oportunismo das diferentes vertentes da social-democracia atlantista.
A manifestação que percorreu a rua Atocha, em Madrid, até ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, à qual se juntou a Solfónica com as suas canções, tinha palavras-de-ordem inequívocas:
Aos gritos tradicionais juntaram-se: "Não é terrorismo, é Resistência", "O que o ianque precisa é de xarope vietnamita", "Não queremos, não nos apetece, ser uma colónia norte-americana" e, acima de tudo, o muito atual: "LÍBANO, IRÃO, DIGNIDADE INTERNACIONAL".
O sentimento geral dos participantes era, também, de que a dignidade do povo de Madrid tinha estado bem representada naquela tarde.
O governo e os seus satélites estão a ficar sem cartuchos. Agitar o isco do Vox serve cada vez menos. Primeiro porque só os mais ignorantes acreditam que o governo "progressista" nos vai salvar da extrema-direita, quando se empenha diligentemente em financiar e armar os fascistas da Ucrânia. Segundo, porque a classe trabalhadora constata, uma e outra vez, que, para além das palavras e dos sorrisos, este governo, tal como os anteriores, executa diligentemente as políticas que beneficiam o capital. O mesmo acontece com o Podemos, que se contorce inutilmente a tentar fazer esquecer que, quando governou, fez mais do mesmo.
O mundo está a mudar, guiado pela resistência dos povos, e o oportunismo tem as pernas muito curtas. Os cálculos eleitorais mesquinhos não valem nada quando a crise capitalista e a agressividade do imperialismo deixam claro à classe trabalhadora e aos povos que não há mais do que dois lados na trincheira.
E, neste momento, mais do que nunca, para os povos do Estado espanhol, o lema não pode ser outro senão sair da NATO e desmantelar as bases. Só sobre essa base é possível construir um poderoso movimento anti-imperialista.