O 15 de Agosto na Venezuela Bolivariana:
Votar "NÃO" para que a Revolução não se
detenha
No dia 15 de Agosto toda a América Latina joga na Venezuela uma parte do
seu destino. É exactamente assim que se vê e se pensa a partir
dos extractos mais identificados com posições populares e
anti-imperialistas da América Latina e do Terceiro Mundo, frente ao
referendo que se realiza nesse dia no país caribenho para decidir se o
Comandante Hugo Chávez fica ou vai.
Paradoxalmente, na Venezuela Bolivariana um NÃO quererá dizer SIM
e um SIM significará a derrubada dos melhores sonhos de milhões
de almas que finalmente, depois de serem ignoradas e humilhadas durante 40
anos, recuperaram a dignidade e a auto-estima.
Após esse impressionante NÃO que certamente será dado, os
bolivarianos, os de dentro e os que de fora acompanhamos essa gesta,
surgirá nas urnas a afirmação de que deve continuar no seu
cargo do Presidente que mais fez para por o país no topo do contexto
internacional.
Em alternativa, o SIM gorila, esquálido, reaccionário, fascista e
subordinado à política dos Estados Unidos para o continente,
converter-se-á, caso se imponha, naquilo que agora parece
impossível até para os mais acérrimos opositores em
presente negro e futuro pior para venezuelanos e latino-americanos.
O momento actual vivido pela Venezuela recorda muito a Argentina de 1945,
quando a população teve que escolher entre o nacionalismo
anti-colonialista de Perón ou a unidade opositora ligada à
oligarquia, seduzida igualmente tanto pelos ingleses como pelos
norte-americanos. Por isso, naquele momento, as paredes de Buenos Aires
cantavam claramente as duas opções: Perón ou Braden, numa
clara alusão ao embaixador ianque no país.
Com essa linha de referência, o próprio Hugo Chávez
não tem dúvidas em repetir reiteradamente aos seus
partidários que no "referendo" reafirmatório (porque
ele não tem dúvida que vai ser confirmado no seu cargo) a
opção é entre a Revolução Bolivariana e o
imperialismo norte-americano. Ou, tal como definem as paredes de Caracas e no
resto da geografia venezuelana, Chávez ou Bush.
Nesse sentido, a oposição já dá sinais claros de
que não pode suportar o peso das evidências. A maquinaria
eleitoral chavista retirou-lhe muita vantagem porque conta a seu favor com todo
o contrário do que costumam esgrimir os politiqueiros: poucas palavras
e multidão de fatos positivos em favor das maiorias populares.
Provas em apoio. Ainda que já o saibamos, devemos repeti-lo até
o cansaço para que todo o mundo se inteire. São estas as
razões da vitória chavista:
No aspecto educativo o governo de Chávez conseguiu em muito pouco tempo
menos de seis anos romper todas as barreiras do "não
se pode" e vencer o analfabetismo estrutural que assola os países
do Terceiro Mundo.
Desde os primeiros momentos, com as "escolas bolivarianas", foram
abolidas as matrículas escolares e instaurou-se a política de
proporcionar pequeno-almoço, almoço e merenda aos meninos e
meninas pobres que haviam desertado das aulas devido à fome. Desta
maneira pôs-se em marcha a engrenagem que permitiu recuperar quase 800
mil educandos que involuntariamente se haviam convertido em meninos da rua.
A seguir, vieram em aluvião as chamadas "missões"
revolucionárias. Com a Robinson alfabetizou-se mais de um milhão
de pessoas; com as Missões Ribas e Sucre incorporaram-se e
diplomaram-se milhares de estudantes de educação média,
gerou-se um aumento maciço nos salários dos docentes, insuflando
um entusiasmo nessa área como nunca se havia visto no país.
Os universitários não ficaram atrás na nova Venezuela e
após a criação da Universidade Bolivariana instalada numa
das tantas sedes luxuosas da empresa nacional de petróleo, que
até há pouco parecia um latifúndio de betão,
permitiu-se aceder ao escalão da educação superior uns 18
mil estudantes, dando-se a prioridade nas bolsas aos mais necessitados.
Tal como ocorre com todo governo que realmente lança os seus fundamentos
nas reivindicações populares, deu-se sinal verde à
recuperação da juventude em todas as manifestações
desportivas. Criaram-se centros específicos para cada actividade,
gerou-se uma política de intercâmbio com Cuba para isso e
decidiu-se o apoio governamental a cada uma das disciplinas desportivas.
Ao nível da saúde também há um antes e um depois a
partir da posse do governo chavista. Com o apoio dos médicos cubanos
produziu-se um milagre em que poucos acreditavam. Médicos de
família instalaram a prática da medicina preventiva em cada um
dos bairros de toda a geografia venezuelana. Com a "Misión Barrio
Adentro", homens e mulheres, crianças e anciãos, contam com
uma atenção médica inigualável. Pela primeira vez
os recursos financeiros da renda petroleira são utilizados para reduzir
as diferenças sanitárias entre cidadãos. Se até
seis anos atrás muitos morriam por falta de cuidados, hoje o país
começa a ganhar a batalha à mortalidade infantil e à
negativa média de vida dos mais velhos, esses que em qualquer
rincão da realidade latino-americana são considerados como seres
inúteis. Os hospitais que, como muitos do continente, careciam dos
meios mais elementares, deixaram de ser cemitérios antecipados para se
converterem em estabelecimentos em que não precisam de
recomendações nem de cartões de crédito para serem
atendidos.
Também com a Constituição Bolivariana Hugo Chávez
ganhou uma batalha essencial: a de acabar com privilégios ancestrais.
Os povos indígenas recuperaram seus direitos, sua língua e o
respeito governamental pelos seus costumes e tradições. As
mulheres escreveram seus direitos, os homens do campo lançaram, e foram
conseguindo, a Reforma Agrária que precisavam para sair da Idade
Média na qual haviam sido desterrados. As crianças voltaram a
ser os primeiros privilegiados.
Nem é preciso falar da política externa, na qual o governo
bolivariano tornou a renovar o compromisso com os países não
alinhados com o imperialismo norte-americano e as transnacionais. Irmã
de Cuba socialista e factor de unidade latino-americana, a Venezuela advertiu
aos demónios do intervencionismo gringo que se qualquer país do
continente fosse invadido ou intervencionado teria todos juntos como num feixe
para enfrentar tal covardia. Enfrentou igualmente tanto o militarismo como o
capitalismo selvagem.
Com a Venezuela bolivariana, com Hugo Chávez, os povos
latino-americanos, e também os demais do Terceiro Mundo, ganharam um
aliado fundamental. Ou algo mais familiar: um irmão ou uma
irmã, porque nesse pedaço do território do Caribe a
política de género também começou a contar como
nunca, que está disposta a dar tudo o que tem para que experimentos como
a ALCA não possam instalar-se tão comodamente.
Por estas e por mil razões que não cabem nos limites de uma nota
jornalística, mas que são muito bem conhecidas pelos habitantes
do bairros populares de Caracas, de Valência, de Maracaibo, de Zulia ou
de Nueva Esparta, o NÃO deve sonhar, a 15 de Agosto, como um disparo de
vida e esperança. Mas também de advertência maciça
e nisto não estarão sós os venezuelanos e
venezuelanas aos energúmenos fascistas como o Carlos
Andrés Pérez, ex-presidente e grande amigo do GALoso espanhol
Felipe González, que a partir de Miami apelam ao assassínio de
Chávez "seja como for".
Definitivamente, o NÃO do 15-A reafirmando Hugo Chávez
será a melhor resposta a estas ameaças autoritárias
daqueles que tiveram todo o poder e utilizaram-nos para afundar o bravo povo
venezuelano na miséria e na marginalidade. Mas NÃO o conseguiram
e é isso que os sectores populares festejam diariamente na Caracas de
Bolívar, com suas risadas, seus tambores, seus punhos erguidos, sua
confiança bolivariana de continuar a forjar a pátria.
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Editor da mailing list
Resumen Latinoamericano/Diário de Urgência
. O original encontra-se no nº 475.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
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