Planadores, criptografia e armas nucleares

por Martin Hellman [*]

Planador. Há que admiti-lo, as armas nucleares são o elefante na sala de que ninguém gosta de falar. Por isso vamos abordar o assunto da perspectiva menos ameaçadora da fantástica imagem do planador.

O planador parece estar suspenso sobre a pista, mas na realidade está a dirigir-se para o fotógrafo a mais de 200 quilómetros por hora numa manobra conhecida como passagem baixa a alta velocidade (high-speed low pass). O piloto começa a cerca de 609 metros de altitude e a mais de um quilómetro da pista. Então mergulha para converter a altitude em velocidade e rasa a pista. De seguida, faz uma rápida ascensão para reconverter alguma da velocidade em altitude, para que possa voltar-se e aterrar.

Visto que o planador não tem motor, poderia inquirir-se como o piloto pode ter a certeza que ganha altitude suficiente na subida para voltar-se e aterrar em segurança. As leis da Física dizem-nos exactamente como a altitude é trocada por velocidade e vice-versa. Apesar de haver uma perda devido à resistência do ar no planador, essa dá-se numa quantidade conhecida pelo piloto, que a leva em conta começando por isso de uma altitude superior àquela necessária para a fase de aterragem.

Mas é importante ler as "letras miúdas" nessa garantia fornecida pelas leis da Física. Só se aplicam se o ar estiver estacionário. Se houver um ligeiro vento a diferença é desprezável, mas se o movimento do ar for bastante forte, cancelem as vossas apostas – que foi o que aconteceu a um amigo meu que executara a manobra em segurança muitas vezes. Mas dessa vez foi atingido por vento muito forte e continuado numa corrente descendente. As leis da Física ainda se aplicavam, mas o modelo do ar estacionário não era mais aplicável e ele não tinha maneira de saber a situação em que se encontrava até ter-se aproximado da pista de aterragem com muito menos velocidade que aquela necessária a uma aterragem em segurança. Conseguiu ainda assim aterrar sem danos para si ou para o seu planador, mas ficou tão abalado que já não executa essa manobra.

Embora a maioria dos pilotos de planador façam por vezes os low passes (e algumas corridas exijam que a meta seja cruzada assim), optei por não fazê-los porque os considero manobras 99,9% seguras – o que não é tão seguro quanto parece. Uma manobra 99,9% segura pode ser executada em segurança 999 vezes em cada 1000, mas uma vez nessas 1000 pode matar-te.

Apesar de serem duas noções claramente equivalentes, uma hipótese em 1000 de morrer soa bem mais arriscado que 99,9% seguro. A perspectiva piora quando se reconhece que a taxa de fatalidade é um em 1000 para cada execução desta manobra. Se um piloto executa uma manobra 99,9% segura 100 vezes, assume aproximadamente a probabilidade de 10% de morrer. Pior, o medo que ele sente nas primeiras vezes dissipa-se enquanto ele vai ganhando confiança na sua agilidade. Mas essa confiança é na verdade complacência, o que os pilotos sabem ser o seu pior inimigo.

Uma situação similar existe com as armas nucleares. Muitas pessoas apontam para a ausência de uma guerra global desde a aurora da era nuclear como prova que estas armas garantem a paz. O míssil MX foi até baptizado como o Peacekeeper (Guardador da Paz). Assim como as leis da Física são usadas para garantir que um piloto executando um low pass ganhará altitude suficiente para fazer uma aterragem em segurança, uma lei de dissuasão nuclear é invocada para acalmar qualquer preocupação sobre a possibilidade de matar milhares de milhões de pessoas inocentes: Uma vez que a Terceira Guerra Mundial significaria o fim da civilização, ninguém ousaria começá-la. Cada lado é dissuadido de atacar o outro pela perspectiva da destruição assegurada. Por isso é que a nossa corrente estratégia é a chamada dissuasão nuclear ou destruição mútua assegurada (MAD).

Mas, uma vez mais, é importante ler as "letras miúdas". É verdade que ninguém no seu perfeito juízo começaria uma guerra nuclear, mas quando as pessoas estão sob elevada pressão comportam-se por vezes irracionalmente e até decisões racionais podem levar a sítios que ninguém quer visitar. Nem o presidente norte-americano John F. Kennedy nem o primeiro-ministro russo Nikita Krushchev queriam oscilar à beira do abismo nuclear durante a crise dos mísseis de Cuba em 1962, mas foi exactamente isso que fizeram.

Menos conhecidas crises nucleares ocorreram: durante a crise de Berlim de 1961, a Guerra do Yom Kippur em 1973 e o exercício Able Archer da NATO em 1983. Em cada um destes episódios, a lei das consequências indesejadas combinada com o perigo das tomadas de decisão irracionais sobre pressão criou uma situação extremamente perigosa.

Visto que a última data de uma quase catástrofe nuclear acima mencionada é 1983, poderia ser de esperar que o fim da Guerra Fria tivesse removido a espada nuclear que pairava sobre o pescoço da humanidade. Apesar do facto de outras potenciais crises como Taiwan não tenham sido afectadas, um olhar mais próximo revela que a Guerra Fria, em vez de ter acabado, meramente entrou em hibernação. No ocidente, o renascimento deste espectro é usualmente atribuído ao ressurgimento do nacionalismo russo, mas como na maioria das contendas, o outro lado vê as coisas de modo bastante diverso.

A perspectiva russa vê os Estados Unidos a comportar-se de modo irresponsável ao reconhecer o Kosovo, ao colocar mísseis (embora defensivos) na Europa de Leste e ao expandir a NATO exactamente até à fronteira russa. Para os nossos propósitos correntes, a última destas preocupações é a mais relevante porque envolve ler as "letras miúdas" – neste caso o Artigo 5 da Carta da NATO, que implica que qualquer ataque a qualquer membro da NATO deve ser interpretado como um ataque a todos os seus membros.

É parcialmente por esta razão que algumas das antigas repúblicas soviéticas e países sob a esfera de influência soviética foram trazidos para a NATO e que o presidente George W. Bush está a pressionar para que a Geórgia e a Ucrânia sejam admitidas. Uma vez que estas nações estejam na NATO, pensa-se que a Rússia não ousará tentar subjugá-las novamente uma vez que isso implicaria a devastação nuclear pelos Estados Unidos, que estariam obrigados pelo tratado a vir em apoio à nação atacada.

Mas, assim como as leis da Física dependiam de um modelo que não era sempre aplicável durante o low pass do planador, a lei da dissuasão que parece garantir a paz e a estabilidade é dependente de um modelo. Neste modelo simplificado, um ataque pela Rússia seria não provocado. Mas e se a Rússia se sentisse provocada a atacar e uma perspectiva diferente no Ocidente visse o ataque como não provocado?

Foi uma situação similar que despoletou a Primeira Guerra Mundial. O assassinato do arquiduque da Áustria Francisco Fernando por um nacionalista sérvio levou a Áustria a exigir a autorização para entrar em território sérvio para lidar com organizações terroristas. Esta exigência não era irrazoável uma vez que o interrogatório aos assassinos capturados tinha mostrado haver cumplicidade da parte de militares sérvios e foi mais tarde determinado que o chefe dos serviços secretos sérvios era um dos líderes da organização terrorista Mão Negra. A Sérvia viu as coisas de um modo diferente e rejeitou a exigência. Começou assim a guerra entre a Áustria e a Sérvia, e as obrigações de tratados similares ao Artigo 5 da NATO provocaram um conflito global.

Quando este artigo foi escrito em Maio de 2008, a pouca cobertura noticiosa da disputa entre a Rússia e a Geórgia informava que "ambos os lados avisaram que está prestes a haver uma guerra". Enquanto estava a ser revisto, em Agosto, o conflito tinha escalado para as primeiras páginas como uma guerra de baixa intensidade e não declarada. Se Bush tivesse tido êxito nos seus esforços para trazer a Geórgia para a NATO, teríamos de enfrentar a desagradável escolha entre renegar as nossas obrigações ao abrigo do tratado ou empreender acções que implicariam o risco de destruir a civilização. Um risco similar existe entre a Rússia e a Estónia, que já é um membro da NATO.

Voltando temporariamente aos planadores, apesar de eu não fazer low passes, não julgo os meus colegas planadores que escolhem fazê-los. Em vez disso, encorajo-os a estarem bastante conscientes do risco. O piloto na foto tem mais de 16.000 horas de voo e faz low passes em shows aéreos há mais de 30 anos, mas não os faz em condições turbulentas, assegura-se que tem contacto de rádio com um observador de confiança no solo que observa as outras aeronaves e apenas fá-los quando o vento está descendente para que apenas tenham de fazer uma volta de procedimento (tear drop) para aterrar. O facto de um tão experiente piloto praticar tantas medidas preventivas diz muito acerca do risco da manobra. O problema não é tanto efectuar os low passes, mas sim tornar-se complacente se fizemos a mesmo coisa 100 vezes sem que tenha ocorrido qualquer incidente.

Do mesmo modo, não estou a argumentar contra a admissão da Geórgia na NATO ou a sugerir que a Estónia deveria ser expulsa. Em vez disso, encorajo-os a estarem conscientes do risco. Se o fizermos, há uma muito maior probabilidade de encontrarmos maneiras de reduzir as verdadeiras fontes do risco, incluindo remendarmos as rapidamente decadentes relações russo-americanas. O problema não é tanto admitir antigas repúblicas soviéticas na NATO, mas sim tornarmo-nos complacentes quanto à nossa capacidade de dissuadir militarmente a Rússia de empreender acções com as quais não concordemos.

Sub-estados

Figura 2. Parte da dificuldade da sociedade em visionar a ameaça de uma guerra nuclear pode ser entendida se considerarmos a figura 2. O círculo na esquerda representa o estado actual do mundo, enquanto o da direita representa o mundo após uma guerra nuclear em larga escala. Porque a Terceira Guerra Mundial é uma situação da qual não há retorno, não há nenhum caminho de volta para o nosso estado actual. Embora exista uma seta mostrando a possibilidade de uma transição do nosso actual estado para um de guerra global, esse caminho parece impossível para a maioria das pessoas.

Como é possível que transitemos da actual situação mundial relativamente pacífica para a Terceira Guerra Mundial? A resposta encontra-se em reconhecer que o que é descrito como uma situação única do estado do mundo não é senão uma simplificação de algo muito mais complexo. Porque cada estado que engloba condições aquém de uma Terceira Guerra Mundial, como descrito abaixo, é na verdade composto de uma série de sub-estados – com situações aquém da Terceira Guerra Mundial com variáveis graus de risco:

Figura 3. A sociedade está em parte correcta em pensar que uma transição do nosso actual estado para uma guerra em grande escala é impossível porque, a maior parte do tempo, ocupamos sub-estados bastante afastados de uma Terceira Guerra Mundial e que têm poucas ou nenhumas possibilidades de transitar para esse ponto sem retorno.

Mas é possível mover o nosso actual sub-estado para um ligeiramente mais próximo da extremidade, e depois para outro ainda mais… Como descrito abaixo, uma tal sequência de passos levou à crise dos mísseis em Cuba e poderia levar a uma crise moderna de similar magnitude envolvendo a Estónia, a Geórgia ou outro ponto quente onde estejamos a ignorar os sinais de aviso.

A crise dos mísseis de Cuba surpreendeu Kennedy, os seus conselheiros e a maioria dos norte-americanos porque víamos os eventos de uma perspectiva norte-americana e como tal não percebíamos os sinais de alarme visíveis da perspectiva russa. Felizmente essa visão foi registada por Fyodr Burlatsky, um dos escritores de discursos e conselheiro próximo de Krushchev, assim como um dos homens na dianteira do movimento de reforma soviético. Apesar de todas as perspectivas serem limitadas, a de Burlatsky merece a nossa atenção como uma valiosa janela para um mundo que necessitamos de entender melhor:

Na minha opinião a crise de Berlim (em 1961) foi uma abertura para a crise dos mísseis de Cuba e de algum modo preparou Krushchev para enviar mísseis para Cuba… Na sua opinião [os EUA insistindo em levar a sua avante em certos assuntos], não era apenas um exemplo da tradicional política americana de força, mas também um subestimar da força soviética… Krushchev ficou furioso com os americanos… que continuavam a comportar-se como se a União Soviética estivesse muito abaixo deles… Eles não percebiam que a União Soviética tinha acumulado grandes stocks [de armas nucleares] para uma devastadora resposta retaliatória e que todo o conceito de superioridade americana tinha perdido o seu significado… Krushchev pensou que uma poderosa demonstração de força soviética era necessária… Berlim foi o primeiro teste de forças, mas não produziu o resultado esperado, [mostrar à América que a União Soviética era um seu igual]. [Burlatski 1991, página 164]

[Em 1959 Fidel Castro subiu ao poder e os EUA] foram hostis em relação à vitória dos revolucionários cubanos desde o início… nessa altura Castro não era comunista nem marxista. Foram os próprios americanos que o empurraram na direcção da União Soviética. Ele precisava de apoio económico e político e ajuda com armas e encontrou-os em Moscovo.
[Burlatsky 1991, página 169]

Em Abril de 1991 os americanos apoiaram um ataque por expatriados cubanos… A derrota na Baía dos Porcos extremou os sentimentos anti-cubanos na América até ao limite. Foram feitos apelos no Congresso e na imprensa à invasão directa de Cuba… Em Agosto de 1962 foi assinado um acordo [em Moscovo] para a entrega de armas a Cuba. Cuba preparava-se para se defender na eventualidade de uma nova invasão. [Burlatsky 1991, página 170]

A ideia de enviar os mísseis veio do próprio Krushchev… Krushchev e R. Malinovsky [ministro da Defesa soviético]… estavam viajando pela costa do Mar Negro. Malinovsky apontou para o mar e disse que na outra costa, na Turquia, havia uma base de mísseis nucleares americana [que fora instalada recentemente]. Numa questão de seis ou sete minutos mísseis lançados a partir daquela base poderiam devastar os grandes centros na Ucrânia e sul da Rússia… Krushchev perguntou a Malinovsky porque a União Soviética não deveria ter o direito de fazer o mesmo à América. Porque, por exemplo, não deveria colocar estrategicamente mísseis em Cuba? [Burlatsky 1991, página 171]

Apesar da similaridade entre os mísseis cubanos e turcos, Krushchev percebeu que a América consideraria inaceitável este envio, e como tal fê-lo secretamente, disfarçando os mísseis e esperando confrontar os EUA com um fait accompli. Uma vez estando os mísseis operacionais, os EUA não poderiam atacá-los nem a Cuba sem arriscarem uma retaliação nuclear horrenda. (Os mísseis turcos tinham um propósito similar do ponto de vista norte-americano.) no entanto, Krushchev não previu o que aconteceria se, como ocorreu, fosse apanhado no acto.

No que diz respeito à crise dos mísseis de Cuba, os sub-estados da figura 3 que nos levaram à beira de uma guerra nuclear podem agora ser identificados como:

  • Conflito entre os EUA e a Cuba de Castro.
  • Rússia exige ser tratada como um igual militarmente e é-lhe negado esse estatuto.
  • A crise de Berlim.
  • A invasão da Baía dos Porcos.
  • EUA posicionam estrategicamente mísseis na Turquia.
  • Krushchev envia mísseis para Cuba.

Os actores envolvidos em cada passo não se aperceberam que o seu comportamento era demasiado arriscado. Mas combinados e vistos da perspectiva dos seus oponentes, esses passos levaram o mundo até à beira de um desastre. Durante a crise, houve outros sub-estados adicionais, que felizmente não foram visitados e que fariam com que a Terceira Guerra Mundial fosse ainda mais provável.

Como exemplo, a forte pressão notada por Burlatsky para corrigir o fiasco da Baía dos Porcos e remover Castro com uma forte invasão norte-americana foi intensificada depois dos mísseis em Cuba serem descobertos. Mas os que argumentavam a favor da invasão desconheciam o facto – só sabido muitos anos mais tarde no Ocidente – que os russos tinham armas nucleares de campo de batalha em Cuba e estiveram perto de autorizar o seu comandante na ilha a atacar sem autorização prévia de Moscovo no evento de uma invasão americana.

Análise de risco

Tenho estado preocupado em evitar uma guerra nuclear nos últimos 25 anos, mas uma extraordinária nova abordagem ocorreu-me apenas no ano passado: utilizar uma análise de risco quantitativa para estimar a probabilidade da dissuasão nuclear falhar. Esta abordagem é um pouco como o Super Homem mascarado do calmo Clark Kent mas, antes de eu explicar porque é tão extraordinária, precisamos explorar o que é e ultrapassar o bloqueio mental chave que ajuda a explicar porque ninguém tinha pensado ainda em aplicar esta valiosa técnica.

Para perceber este bloqueio mental, é necessário imaginar que alguém nos dá uma moeda de truques, pesada de modo a que caras e coroas não sejam igualmente prováveis, e precisamos estimar a probabilidade de calhar caras quando atirada ao ar. O que aprendemos se atirarmos a moeda ao ar 50 vezes e sair sempre coroa? A análise estatística diz que podemos estar moderadamente confiantes (95%, mais precisamente) que a probabilidade de sair coroa está algures entre zero e 6% por lance, mas isso deixa demasiada incerteza.

Pensando nos 50 anos em que a dissuasão funcionou sem falhar como os 50 lances da moeda, estamos moderadamente confiantes que a probabilidade de uma guerra nuclear está algures entre 0 e 6% por ano. Mas há uma grande diferença entre uma hipótese em mil milhões por ano e 6% por ano, e ambas estão compreendidas nesse intervalo. Numa hipótese em mil milhões, mais alguns anos neste mesmo estado das coisas seria um risco aceitável. Mas 6% corresponde aproximadamente a uma probabilidade de 1 em 16, o que no nosso caso seria o equivalente a jogar à roleta nuclear – uma versão global da roleta russa – uma vez por ano com um revólver de 16 câmaras.

Tal como o sobre-simplificado modelo de dois estados da figura 2 esconde o perigo de uma guerra nuclear, a analogia da moeda esconde a possibilidade de se poder extrair mais informação do que o registo histórico – a moeda de duas faces correspondendo aos dois estados da figura 2. Dividindo um grande estado da figura 2 em pequenos sub-estados da figura 3 evidencia-se o perigo escondido no modelo de dois estados. Na mesma maneira, a análise de risco divide uma falha catastrófica da dissuasão nuclear numa sequência de falhas menores, muitas das quais ocorreram e cujas probabilidades podem como tal ser estimadas.

As técnicas modernas de análise de riscos ganharam inicialmente proeminência na segurança de reactores nucleares, em particular com o Relatório Rasmussen de 1975, produzido para a Comissão Reguladora Nuclear. Na análise de custo-benefício, Richard Wilson e Edmund Crouch notaram "[O Relatório Rasmussen] usou a análise de árvore de eventos… Esta nova abordagem tinha originalmente detractores, e na verdade a sua não utilização… pode ter contribuído para a ocorrência do acidente de Three Mile Island. Se o procedimento da árvore de eventos… tivesse sido aplicado ao [o design do reactor usado em Three Mile Island] … provavelmente o incidente em Three Mile Island pudesse ter sido evitado." [Wilson and Crouch 2001, páginas 172-173]

Uma árvore de eventos começa com um evento inicial que põe o sistema sob stress. Para um reactor nuclear, um evento inicial poderia ser a falha de uma bomba de refrigeração. Ao contrário da falha catastrófica que nunca ocorreu (assumindo que estamos a analisar um design diferente daquele utilizado em Chernobyl), tais eventos iniciais ocorrem com frequência suficiente para que a sua taxa de ocorrência possa ser estimada directamente. A árvore de eventos tem assim vários ramos nos quais o evento inicial pode ser contido com consequências não catastróficas, por exemplo pela activação de um sistema auxiliar de refrigeração. Mas se a falha ocorre em cada um destes ramos ( e.g. todos os sistemas auxiliares de refrigeração falharem), então o reactor falha catastroficamente. As probabilidades são estimadas para cada ramo na árvore de eventos e a probabilidade de uma falha catastrófica é obtida como o produto das probabilidades de falhas individuais.

Aplicando a análise de risco à falha catastrófica da dissuasão nuclear, uma percepção de ameaça por qualquer um dos lados é um exemplo de um evento inicial. Se cada lado praticar cautela adequada nas suas respostas, esse evento inicial pode ser contido e a crise desaparece. Mas a árvore de eventos que consiste em acção e reacção pode falhar catastroficamente e resultar numa Terceira Guerra Mundial se nenhum dos lados estiver disposto a recuar do abismo nuclear, tal como quase ocorreu na crise de Cuba em 1962. Cada ramo ou falha parcial corresponde a mover um ou mais sub-estados na direcção do desastre na figura 3.

Porque a dissuasão nuclear nunca falhou completamente, a probabilidade atribuída ao último ramo na árvore de eventos (última transição na figura 3) envolverá subjectividade e um maior nível de incerteza. A confiança no resultado final pode ser aumentada ao incorporar várias opiniões de especialistas e usando um intervalo em vez de um único número nessa probabilidade, assim como fornecendo justificações para as opiniões diferentes.

A crise dos mísseis de Cuba fornece um bom exemplo de como estimar essa probabilidade final. Kennedy estimou as probabilidades da crise tornar-se nuclear como "algures entre um em três e um para um". O seu secretário da Defesa Robert McNamara escreveu que não esperava viver até ao fim da semana, apoiando uma estimativa similar à de Kennedy. No outro extremo, McGeorge Bundy, que era um dos conselheiros de Kennedy durante a crise, estimou as probabilidades em 1%.

Numa análise de risco preliminar da dissuasão nuclear recentemente publicada, usei um intervalo de 10% a 50%. Eliminei a estimativa de 1% de Bundy porque invadir Cuba era uma opção frequentemente considerada, embora nenhum norte-americano estivesse ciente das armas nucleares de campo de batalha que teriam com elevada probabilidade sido utilizadas na eventualidade de uma invasão. Como exemplo do raciocínio deficiente devido a esta falta de informação, Douglas Dillon, outro membro do grupo de conselheiros de Kennedy, escreveu, "Operações militares pareciam cada vez mais necessárias… A pressão estava a ficar muito alta… Pessoalmente, desagradava-me a ideia da invasão [de Cuba]… No entanto, o que estava em jogo era tanto que pensámos que poderíamos mesmo ter de avançar. Nem todos tínhamos informações detalhadas sobre o que se seguiria, mas não críamos que houvesse o risco real de qualquer troca nuclear." (Blight & Welch 1989, página 72.)

A sequência de passos previamente listados como conducentes à crise cubana é um exemplo de uma árvore de eventos que quase chegou a uma falha catastrófica, e re-examinar esses passos à luz de eventos similares actuais mostrará que, ao contrário da opinião pública que vê a ameaça de uma guerra nuclear como um fantasma do passado, o perigo espreita pelas sombras, esperando até que uma vez mais possa saltar para a luz do dia, como fez em 1962:

Passo 1: Conflito entre os EUA e a Cuba de Castro: Os actuais conflitos entre a Rússia e vários antigos estados da esfera de influência soviética são similares. Por exemplo, como notado anteriormente, Bush está a pressionar para que a Geórgia seja um membro da NATO apesar da Rússia e a Geórgia terem acabado de disputar uma guerra revolvendo sobre assuntos ainda por resolver.

Passo 2: A Rússia exigindo ser tratado como um igual militarmente mas vendo este estatuto ser-lhe negado: o mesmo é verdade hoje. Apesar da Rússia ter 15.000 armas nucleares, a América vê-se como a única superpotência restante, o que levou até o antigo presidente Mikhail Gorbachev a dizer recentemente, "Só há uma coisa que a Rússia não aceitará… a posição de irmão mais novo, a posição de uma pessoa que faz aquilo que lhe dizem". Repetidas afirmações norte-americanas sobre como derrotaram a Rússia na Guerra Fria lançam achas na fogueira, uma vez que os russos sentem que foram participantes iguais no encerramento desse conflito.

Passos 3 e 4: A crise de Berlim e a invasão da Baía dos Porcos: Várias crises potenciais estão a fermentar ( e.g. Tchechénia, Geórgia, Estónia e Venezuela) que têm um semelhante potencial.

Passo 5: O posicionamento estratégico de mísseis balísticos de alcance médio (IRBMs) na Turquia: um sistema de mísseis defensivos que estamos a planear na Europa de Leste tem uma agoirenta similaridade aos mísseis turcos. Enquanto estes novos mísseis são vistos como defensivos e não são uma questão nos EUA, os russos vêem-nos como ofensivos e parte de um cerco militar americano. Em Outubro de 2007, o então presidente e agora primeiro-ministro Vladimir Purin avisou, "Acções similares da União Soviética, quando pôs mísseis em Cuba, despoletaram a crise dos mísseis cubanos". Dois meses mais tarde, Gorbachev questionou o objectivo afirmado pela América de contrariar uma possível ameaça de mísseis iraniano, "Que espécie de ameaça do Irão é que vêem? Este é um sistema que está a ser criado contra a Rússia".

Passo 6: O posicionamento estratégico dos mísseis cubanos por Khrushchev: Embora não exista ainda na actualidade uma situação análoga a este passo, vários tremores de aviso já ocorreram. Em Julho de 2008 Izvestia, um jornal russo frequentemente utilizado para difundir a fuga de informação estratégica governamental anunciou que se prosseguíssemos com o intento do sistema de mísseis defensivos na Europa de Leste, os bombardeiros nucleares russos poderiam ser colocados em Cuba. Durante as audiências para a sua tomada de posse no Senado como chefe de estado maior da força aérea, o general Norton Schwartz respondeu, "Nós devemos manter-nos firmes e indicar que isso é ultrapassar um limite, cruzar a linha vermelha". Embora mais tarde o ministro dos negócios estrangeiros russo tenha negado os anúncios de Izvestia, há uma perigosa parecença com os eventos que levaram à crise dos mísseis de Cuba.

O facto de ainda não estarmos a olhar para o abismo nuclear é pequeno motivo de conforto. Em termos da sequência de eventos que tornam uma manobra 99,9% segura num acidente fatal, nós já estamos num ponto perigoso do processo e, como no planador, precisamos reconhecer a complacência como o nosso verdadeiro inimigo.

Quão arriscadas são as armas nucleares?

Até pequenas alterações na nossa postura em relação às armas nucleares têm sido rejeitadas como muito arriscadas apesar do risco básico da nossa actual estratégia nunca ter sido estimado. Pouco após ter reconhecido este buraco aberto no nosso conhecimento, fiz uma análise de risco preliminar que indica que confiar em armas nucleares como garantia da nossa segurança é milhares de vezes mais arriscado que construir uma central nuclear ao lado da nossa casa.

Equivalentemente, imagine duas centrais nucleares sendo construídas, uma de cada lado da sua casa. Isso é tudo que podemos pôr ao seu lado, agora imagine um anel de quatro centrais construído à volta das duas primeiras, e depois um anel maior construído à volta desse, e outro até haverem milhares de reactores nucleares rodeando-o. Esse é o nível de risco que a minha análise preliminar indica para cada um de nós, no caso de uma falha na dissuasão nuclear.

Embora a análise que levou a essa conclusão envolva mais matemática do que é apropriado aqui, uma abordagem intuitiva leva à ideia geral. Na ciência e na engenharia, quando tentamos estimar quantidades que não são bem conhecidas, usamos frequentemente estimativas de "ordem de magnitude". Só estimamos a quantidade à potência mais próxima de 10, por exemplo 100 ou 1000, sem nos preocuparmos com valores precisos como 200, que aqui seria arredondado para 100.

Nesta abordagem intuitiva pergunto primeiro às pessoas se acham que o mundo poderia sobreviver 1000 anos que fossem similares a 20 repetições dos últimos 50 anos. Acreditam que poderíamos sobreviver a 20 crises de mísseis de Cuba mais todas as outras eminentes crises nucleares que ocorreram? Quando ponho esta questão, a maioria das pessoas não acreditam que pudéssemos sobreviver mais 1000 anos assim.

Então pergunto se crêem que possamos sobreviver mais 10 anos do mesmo modo, e a maioria diz que provavelmente podemos. Não há garantia, mas conseguimos nos últimos 50 anos, por isso as probabilidades são boas para que consigamos mais 10. Na abordagem da ordem de magnitude, estamos agora vinculados ao horizonte de tempo para uma falha da dissuasão nuclear como sendo maior que 10 anos e menor que 1000. Isso deixa-nos 100 anos como a única potência de 10 no meio. A maioria das pessoas estima assim que podemos sobreviver na ordem dos 100 anos, o que implica uma taxa de falha de aproximadamente 1% ao ano.

Numa base anual, isso faz com que a dependência de armas nucleares seja uma manobra 99% segura. Tal como as manobras 99,9% seguras nos planadores, não é tão segura como parece e não é motivo para complacência. Se continuarmos a depender duma estratégia com uma taxa de falha de 1% ao ano, tal soma perto dos 10% numa década e a quase certa destruição no período de vida dos nossos netos. Porque a estimativa foi apenas precisa a uma ordem de magnitude, o risco verdadeiro pode ser até três vezes mais ou menos provável. Mas mesmo um terço percentual por ano soma aproximadamente 25% de taxa de fatalidade para uma criança nascida hoje e, com 3% por ano consignar, com elevada probabilidade, essa criança a uma prematura morte nuclear.

Dadas as catastróficas consequências da falha da dissuasão nuclear, os standards usuais para a segurança industrial requereriam um horizonte de tempo para uma falha bastante superior a um milhão de anos antes do risco ser aceitável. Até um horizonte de tempo de 100.000 anos envolveria tanto risco quanto saltar de queda livre todos os anos, mas com todo o mundo preso ao pára-quedas. E um horizonte de 100 anos é o equivalente a fazer três saltos de pára-quedas por dia, todos os dias, com todo o mundo em risco.

Embora a minha análise preliminar e a abordagem intuitiva acima descrita apresentem a prova de que a manutenção das coisas como elas estão acarreta demasiado risco, análises mais profundas são necessárias para corrigir e confirmar essas indicações. Uma declaração apoiada por indivíduos notáveis [1] "peticiona urgentemente que a comunidade científica internacional empreenda uma análise profunda do risco da dissuasão nuclear e, se assim os resultados o indicarem, dar o alarme que alerte a sociedade para o risco inaceitável que esta enfrenta, assim como iniciar numa segunda fase um esforço para identificar possíveis soluções".

Este esforço de segunda fase será ajudado pelos estudos iniciais porque, em adição à estimativa do risco de uma falha na dissuasão nuclear, eles identificarão os mais prováveis mecanismos de ignição, portanto permitindo que a atenção seja direccionada para onde é mais necessária. Por exemplo, se como parece provável, um incidente nuclear terrorista for considerado como um provável mecanismo de ignição para uma guerra nuclear à escala global, então muito mais atenção deve ser direccionada para desviar esse pequeno mas catastrófico evento.

Enquanto aguardamos as conclusões definitivas acerca do risco que enfrentamos dos propostos estudos a fundo, para aliviar de exposição o restante deste artigo assume que a conclusão alcançada pelo meu estudo preliminar – que o risco é demasiadamente grande e necessita urgentemente de ser reduzido – é comprovada.

A possibilidade positiva

A meio da era de 70 Whit Diffie, Ralph Merkle e eu próprio inventámos a criptografia de chave pública, uma tecnologia que hoje mantêm a confidencialidade da Internet e que nos granjeou muitos louvores e honras. No entanto, quando pela primeira vez concebemos a ideia, muitos peritos disseram-nos que não teríamos sucesso. O seu cepticismo era compreensível por que uma chave pública voava à frente da sabedoria acumulada de centenas de anos de conhecimento criptográfico: Como podia a chave ser pública se o seu secretismo era tudo que impedia um oponente de ler o meu mail? O que não perceberam foi que "a chave" podia tornar-se "duas chaves", uma pública para cifrar e uma secreta para decifrar. Toda a gente podia usar a minha chave pública para cifrar mensagens, mas apenas as podia entender decifrando-as com a minha chave secreta.

Tal como muitos peritos em criptografia pensavam que não podíamos dividir a chave e usavam argumentos baseados em anos de sabedoria acumulada que não eram aplicáveis à nova possibilidade, a maioria das pessoas tem dificuldade em visionar um mundo em que a ameaça nuclear seja uma relíquia do passado. Embora não haja garantia que um similar avanço exista para terminar com a ameaça eminente nas armas nucleares, esta secção fornece provas em como as nossas probabilidades de sobrevivência são maiores do que pensamos.

Figura 4. Primeiro, a figura 3 tem de ser modificada adicionando-se um terceiro estado no qual o risco de catástrofe nuclear foi reduzido milhares de vezes desde o seu presente nível, de modo que esteja a um nível aceitável.

Para que o risco seja verdadeiramente aceitável, este novo estado deve ser um estado de não-retorno – o seu risco não seria aceitável se o mundo pudesse transitar no sentido regressivo para o nosso estado actual, com o seu risco inaceitável. Nesta nova imagem, o nosso actual sub-estado está próximo da média do actual estado do mundo. Não estamos próximos de uma Terceira Guerra Mundial mas também não estamos nem próximo de um nível aceitável de risco.

Por muito que as pessoas tivessem dificuldade em visualizar a criptografia de chave pública antes que nós desenvolvêssemos um sistema operável, tinham também dificuldade em visionar um mundo que fosse bastante melhor que aquele que haviam experimentado no passado. A evolução do movimento para a abolição da escravatura nos EUA fornece uma boa ilustração dessa dificuldade.

Figura 5. Em 1787, a escravatura foi incluída na constituição norte-americana. Em 1835, uma multidão de Boston atacou o abolicionista William Lloyd Garrison e arrastou-o seminu pelas ruas. Em Illinois em 1837, uma multidão matou outro abolicionista, Elijah Lovejoy. No ano seguinte, uma multidão de Filadélfia queimou o edifício onde uma convenção anti-escravatura tomava lugar. Nesse ambiente de sub-estado, poucas pessoas conseguiam visualizar o fim da escravatura nos 30 anos seguintes, e menos ainda que cidadãos de Massachussetts, Illinois e Pensylvania dariam as suas vidas para ajudar a cumprir esse nobre objectivo.

Embora fosse quase impossível de imaginar em 1787 – ou até na década de 1830 – agora sabemos que, como se observa na figura 5, houve uma sequência de sub-estados que levou a um novo estado no qual a escravatura foi não só abolida, mas não tinha nenhuma possibilidade de retornar. Os motins anti-abolicionistas da década de 1830 – provavelmente vistos pela maioria na altura como prova das inultrapassáveis barreiras na luta contra a escravatura – estavam na verdade a assinalar que um novo sub-estado tinha sido atingido e que a mudança começava a acontecer.

Não houve motins similares em 1787 porque o movimento abolicionista era praticamente inexistente. Na década de 30, a abolição começou a ser vista como uma séria ameaça aos apoiantes da escravatura, do que resultaram os motins.

A História mostra que as pessoas têm uma extrema dificuldade em perspectivar tanto possibilidades negativas como positivas que sejam fortemente diferentes da sua experiência passada. Portanto mesmo que eu tivesse uma bola de cristal e pudesse prever a sequência dos sub-estados (passos) que nos levariam ao estado de risco aceitável descrito na figura 4, muito poucos acreditariam em mim. Como um exemplo da dificuldade, imaginem a reacção se alguém, anterior à subida de Gorbachev ao poder, tivesse previsto que um líder da União Soviética levantaria a censura, encorajaria debates livres e não usaria a força militar para evitar que as repúblicas rompessem com a união. Na melhor das hipóteses esse visionário seria visto como alguém extremamente ingénuo.

Numa versão mais suave desse problema, em Setembro de 1984, comecei um projecto destinado a promover diálogo significativo entre as comunidades científicas americana e soviética, numa tentativa de desarmadilhar a ameaça da guerra nuclear, que estava então sob os seus focos. Estava consciente das limitações que a censura soviética impunha, mas acreditava que ainda assim havia alguma oportunidade de fluírem informações, embora unilateralmente. Tinham passado oito anos desde a minha última viagem à União Soviética e esta visita foi um abrir de olhos. Embora não o soubesse na altura, estava a encontrar-me com pessoas que estavam na vanguarda do nascente movimento reformista que traria Gorbachev ao poder seis meses depois, com muito deles a aconselhá-lo directamente.

A censura ainda era a lei da terra [NR] , por isso os cientistas com quem me encontrei não concordariam com as minhas ideias que contradissessem as linhas do partido. Mas também não discutiriam. Senti que algo muito diferente estava a fermentar, mas apenas quando voltei aos EUA. Eu era frequentemente visto como uma pessoa extremamente ingénua por acreditar que conversações significativas eram possíveis com pessoas de qualquer categoria da do sistema soviético.

Os passos que levassem a um mundo verdadeiramente seguro na figura 4 pareceriam extremamente ingénuos à maioria das pessoas de hoje. É então contraproducente explanar um mapa explícito para esse objectivo. Mas como podemos ganhar apoio sem um plano explícito para alcançar esse objectivo? Até me ter apercebido da aplicabilidade da análise de risco, não conseguia ver como poderia ser alcançado, mas a análise de risco providenciou um mapa mais que explícito, implícito. Nenhum passo único pode reduzir o risco em mil vezes, por isso se a abordagem da análise de risco puder ser incutida na consciência da sociedade, então um passo após o outro terá que ser dado até que o estado com um risco aceitável seja alcançado. Passos posteriores, que hoje seriam rejeitados como impossíveis (que provavelmente o são) não precisam ser citados, mas estão latentes, esperando pela sua descoberta como parte deste processo.

O primeiro passo crítico é, portanto, que a sociedade reconheça o risco inerente à dissuasão nuclear.

23/Outubro/2008

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[*] Martin Hellman é professor emérito de engenharia electrotécnica da Stanford University. Este reputado matemático é mais conhecido pela invenção da criptografia da chave pública (PGP), base das transacções seguras na Internet, entre outras. Hellman trabalha há mais de 25 anos na redução da ameaça das armas nucleares e o seu actual projecto está descrito em NuclearRisk.org. É piloto de planadores com mais de 2.600 horas de voo.


Notas
1. Professor Kenneth Arrow, Universidade de Stanford, Prémio Nobel da Economia em 1972; Sr. D. James Bidzos, presidente do conselho de administração e CEO interino da VeriSign Inc.; Dr. Richard Garwin, Pesquisador emérito da IBM, antigo membro dos Comité de Aconselhamento Científico e Conselho de Ciência Defensiva Presidenciais; Almirante Bobby R. Inman, Marinha Norte-americana (na reserva), Universidade do Texas em Austin, antigo Director Nacional da NSA (Agência de Segurança Nacional) e Director Adjunto da CIA; Professor William Kays, antigo reitor de engenharia na Universidade de Stanford; Professor Donald Kennedy, presidente emérito da Universidade de Stanford, antigo director da FDA (Administração dos Alimentos e Drogas); Professor Martin Perl, Universidade de Stanford, Prémio Nobel da Física em 1995.

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O original encontra-se em http://atimes.com/atimes/Front_Page/JJ23Aa01.html . Traduzido por João Camargo.

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30/Out/08