Os contornos da criminosa tentativa de privatização da TAP
Afinal o financiamento é público e os milhões
também!
por Célula do PCP na TAP/SPDH
[*]
Andaram anos seguidos a martelar a opinião pública com os
milhões que a TAP custava ao erário público. Era mentira,
pois desde 1997 que o Estado só recebe da TAP (impostos,
segurança social, divisas, etc).
Depois passaram a martelar a opinião pública com os
milhões que os privados iam meter na TAP, que precisaria urgentemente de
ser capitalizada e só os privados o podiam fazer. Era mentira, e o PCP
disse-o desde a primeira hora: nem a urgência era tanta, nem o Estado
estava impossibilitado, nem os capitalistas vinham à TAP trazer, mas sim
buscar!
O
Expresso
publicou este fim-de-semana o documento confidencial que comprova aquilo que o
PCP disse em comunicado aos trabalhadores da TAP logo no dia 23 de Outubro, e
que aqui recordamos:
"o Governo ofereceu garantias públicas alargadas ao
"comprador"
da TAP e à banca, garantias que além de poderem comprometer o
país a curto ou médio prazo, traduzem o reconhecimento pelo
Governo dos riscos que esta privatização acarreta para a TAP, na
medida em que o próprio Governo admite explicitamente, e pela primeira
vez, que os capitalistas a quem agora oferece a TAP podem amanhã, depois
de retirarem do TAP tudo o que lhes interessa, abandoná-la e
"devolvê-la" ao Estado para que este assuma os custos com o
processo de insolvência."
Além de confirmar, pela enésima vez, que quem diz a verdade aos
trabalhadores é o PCP e não o Governo, além de dever
envergonhar uma comunicação social que recusou publicar o alerta
do PCP mas difundiu as mentiras do governo, a publicação destes
documentos confidenciais levanta duas questões decisivas:
- porque são confidenciais estes documentos? Isto nada tem de segredo
comercial, é simplesmente para tentar esconder a fraude!
- as regras da UE relativas aos apoios do Estado aplicamse à TAP
independentemente desta ser pública ou privada, conforme determina o
Tratado da União. Se o Estado pode agora dar estes avais, que permitiram
a renegociação da dívida de curto prazo e a
contratação de um novo enpréstimo, também podia
fazê-lo com a TAP pública. Podia mas não queria
fazê-lo, queria privatizar, custasse o que custasse.
Venda dos terrenos seria o princípio do fim da TAP!
Na segunda-feira a Comunicação Social começou a falar da
possibilidade de venda dos terrenos do reduto TAP.
Não são ainda claros os contornos da negociata, se se trataria de
uma venda real (que implicaria a deslocalização imediata de um
conjunto de actividades e serviços) se de uma operação
financeira tipo lease-back, com a TAP a vender para alugar depois, se um misto
das duas possibilidades.
Em qualquer dos casos estamos perante uma operação que permitiria
um encaixe imediato de capital na empresa (fala-se em 150 milhões) e
colocaria a empresa numa situação de crescente precariedade,
acelerando os riscos de deslocalização definitiva do grosso da
manutenção para o Brasil, de abandono da SPDH/Groundforce, de
redução brutal do efectivo, e de transformação da
TAP numa "TAPEZINHA" dependente de terceiros.
Estas notícias levantam novamente dois tipos de questões:
- porque esconderam esta negociata, ilegalmente, da Comissão de
Trabalhadores, dos Sindicatos e da Assembleia da República? Que mais
esconderam?
- esta negociata injecta 150 milhões na TAP, e podia ter sido feita com
a TAP pública! As razões porque não o foi explicam porque
a TAP deve ser pública: porque nenhum governo conseguiria impor esta
decisão que implica um risco brutal para o futuro da TAP; porque o
Tribunal de Contas dificilmente validaria esta negociata.
Esta venda dos terrenos representa o início do processo de
desmantelamento do TAP, que deve ser travado já!
Só há um caminho: repor a legalidade e correr da TAP com
usurpadores!
Assiste-se a um esforço brutal por parte do Governo demitido do PSD/CDS
e de uma certa comunicação social para criar
a falsa ideia que a privatização está concretizada
e é um facto incontornável.
Repetimos o que dissemos a cada momento. Mesmo que um dia - e hoje não
é esse dia - a venda da TAP fosse concretizada, a tarefa de um governo
patriótico e de esquerda seria a sua imediata
nacionalização.
Trata-se de um instrumento de soberania e de uma componente estratégica
da nossa economia de que o país não pode prescindir.
Mas na situação presente, o que é preciso constatar
é que
a TAP não está vendida,
pois como bem sublinhou o recente plenário de trabalhadores da TAP na
Moção que aprovaram, para que uma venda seja legal é
preciso
"que quem venda possa vender e que quem compra possa comprar, e no caso do
Grupo TAP, nenhuma destas condições se encontra realizada".
É que duas últimas Resoluções do Conselho de
Ministros que regularam a "venda" do Grupo TAP
são manifestamente ilegais e anuláveis todos os actos que delas
resultem.
A primeira (RCM 90/2015) por manifesta
ilegalidade no assumir de compromissos públicos
de financiamentos de centenas de milhões de euros sem parecer
prévio do Tribunal de Contas e por
alterar o Caderno de Encargos
da privatização quando já não o podia fazer
(deixando de colocar a condição de a dívida ser assumida
pelo privado).
A segunda (RCM 91/2015) por
manifesta inconstitucionalidade,
já que foi aprovada no da12/11, dois dias depois do Governo estar
demitido e ter sido reduzido a meros poderes de gestão.
Da mesma forma, as alterações plásticas na estrutura da
Gateway só enganam quem quer ser enganado sobre o verdadeiro controlo da
empresa.
É importante sublinhar esta ilegalidade da venda para assim melhor
podermos impedir que
a política dos factos consumados triunfe e seja aceite pelo
próximo governo e pela Assembleia da República.
A Assembleia da República e o próximo Governo têm todas as
razões - políticas, económicas, jurídicas - para
anular imediatamente esta privatização, sem qualquer
indemnização, e nada justifica que sejam rasgados os compromissos
assumido, antes das eleições, de anular o processo de
privatização em curso.
O PCP insiste em três ideias base:
- apesar de todo o show-off dos últimos dias,
a privatização da TAP está derrotada,
foi derrotada pela luta e resistência dos trabalhadores e dos patriotas,
e consumou-se nos dias 4/10 e 10/11, com a derrota eleitoral do PSD/CDS e a
demissão do seu governo antes de terem concretizado o processo;
- a privatização da TAP representaria a destruição
da
TAP
no curto/médio prazo, colocando em causa milhares de postos de
trabalho, a producção nacional, as exportações, a
segurança social;
- está nas mãos dos trabalhadores
impor que os compromissos assumidos antes das eleições por PS,
PCP e BE sejam cumpridos!
Os últimos dias trouxeram novos e poderosos argumentos à luta
contra a privatização, confirmaram alertas que o PCP vem fazendo
desde sempre, mas também demonstraram que há possibilidades reais
de salvar a TAP do processo criminoso que o Governo PSD/CDS (com um conjunto de
predadores capitalistas) lançou contra a TAP.
Depois de anularem este processo, a Assembleia da República e o Governo
têm a obrigação patriótica e higiénica de
tornar públicos todos os documentos secretos desta negociata! Nesse dia
perceber-se-á melhor porque a coligação PSD/CDS se agarrou
ao poder que nem lapas depois da derrota eleitoral sofrida a 4 de Outubro.
A luta é o caminho! Podem contar com o PCP!
24/Novembro/2015
Célula do PCP na TAP/SPDH
Partido Comunista Português
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sector.transportes@dorl.pcp.pt
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
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